Deus sempre me presenteou com parceiros do mais alto nível. Não vou citá-los para não cometer a omissão injusta de alguns nomes mas devo registrar aqueles mais frequentes: Dominguinhos (12 músicas) Maria Dapaz (43 músicas), Braulio Medeiros (40 músicas), Leninho de Bodocó (38 músicas), além das parcerias póstumas, que muito me orgulham: Luiz Gonzaga, Accioly Neto e Pedro Sertanejo. Iara, minha mais nova parceira, é mais uma desse time. Ela também é Cratense como eu. Nasceu no pé da serra do Araripe e hoje, mora na Arábia Saudita, tendo adotado o sobrenome do marido muçulmano. Ela agora é Iara Al-Shalah. Conheci-a ainda adolescente, no Crato, filha da melhor tapioqueira da região do Cariri cearense, dona Adelaide. Não quis seguir a profissão da mãe, preferindo, desde novinha, a música, notadamente o Samba. E música da boa (até porque se assim não fosse ela não seria minha parceira). Intuitiva, cria melodias encima de letras que lhe encaminho. Assim nasceu nossa parceria. Ela prefere o anonimato em decorrência de suas atuais convicções religiosas. Talento raro, fala em voltar ao Brasil para reencontrar a mãe e seu único irmão, Julinho, que mora no Rio de Janeiro e faz parte da bateria da Escola de Samba da Mangueira. Assim é minha mais nova parceira. Fizemos um repertório de 16 músicas (sambas, bossa nova, sambas-canção e até um samba de breque. Faltou um samba-enredo, mas vai sair!) e em breve o mundo conhecerá o talento de Iara de Adelaide. Vamos conhecer alguns de seus Sambas? Chamei-os de FORROBOSAMBA pela interseção que fiz entre o samba tradicional e o forró, utilizando a sanfona onde os ‘puristas’ usariam instrumentos de sopro. No mais, contei com a competência de músicos do mais grandioso gabarito, comandados pela regência e violão 7 cordas do Mestre Jorge Simas e pela sanfona bem tocada de Luizinho de Serra. Querem mais? Ouçam nossos FORROBOSAMBAS. Muito em breve entraremos em estúdio e o mundo conhecerá o talento de Iara Al-Shalah, nas plataformas. SALAMALEICO!
Pol Pot: nada, no comportamento do líder de 1,73 metro, fala baixa e pausada e sorriso ambíguo no rosto, indicava que aquele homem era capaz de destruir completamente seu próprio país num período de apenas quatro anos
Marxismo é uma doutrina obcecada pela ideia da “luta de classes”. A solução marxista para todas as questões é sempre derrubar a classe dominante. Na sociedade marxista ideal não existe propriedade privada. Nada pertencerá a ninguém, nem mesmo ao Estado – toda a propriedade será comum; tudo pertencerá a todos. Quando explicadas a um leigo, de forma clara, essas e outras ideias do marxismo parecem simplórias e infantis. Isso acontece porque essa é sua natureza real. A menos que sejam envoltas em um embrulho de pseudo-cientificismo e mistificação, as ideias marxistas se dissolvem diante de questionamentos simples.
Não é à toa que os “pensadores” marxistas – muitas aspas, por favor – têm o hábito de falar de forma extraordinariamente complicada, usando termos que eles mesmos inventam. A complicação é essencial; ela é a roupa que cobre a nudez intelectual. Vamos lembrar um trecho da Pedagogia do Oprimido, do marxista Paulo Freire: “Na verdade, não há eu que se constitua sem um não-eu. Por sua vez, o não-eu constituinte do eu se constitui na constituição do eu constituído” (Pedagogia do Oprimido, Editora Paz e Terra, 17a edição, 1994, p.41).
Essa é uma das razões para o apelo e a popularidade do marxismo: ele dá a qualquer pessoa a possibilidade de fingir que entende de filosofia, economia ou qualquer coisa que exija estudo, inteligência e capacidade de reflexão. Basta memorizar meia dúzia de frases com as palavras “revolução”, “opressão”, “dívida histórica” e – para aqueles que precisam produzir máximo impacto – “mais valia”.
O marxismo é um livro de colorir para crianças com desenhos que só podem ser pintados de vermelho. É uma doutrina reducionista, incapaz de ajudar na compreensão do mundo porque ignora princípios básicos da economia, do funcionamento da sociedade e da natureza humana.
Marx viveu durante a Revolução Industrial e não soube interpretar o que testemunhava. Ele acreditava que os operários ficariam cada vez mais pobres e os empresários cada vez mais ricos, até que o sistema capitalista desabaria. A realidade foi outra: graças aos ganhos de produtividade, à evolução da gestão e à criação de um mercado de consumo de massa, a prosperidade capitalista foi compartilhada com a sociedade. Hoje um operário tem acesso a bens com os quais um aristocrata do século 18 nem poderia sonhar. A riqueza foi dividida e a vida de toda a humanidade melhorou.
Jamais houve uma revolução operária como previa o marxismo; todas as revoluções “marxistas” foram projetos de tomada de poder liderados por políticos ou intelectuais de classe média, que usaram o vocabulário marxista para justificar crimes e genocídio. O marxismo continua fornecendo a justificativa intelectual e moral para tiranos, das estepes geladas da Rússia às florestas da América Latina.
Nenhum ditador marxista acredita em marxismo, claro. Eles usam o marxismo como instrumento de poder, como poderiam usar qualquer outra ideologia. Mas o marxismo tem charme, porque conta com apoio entre os intelectuais. Não é por acaso que a maioria dos intelectuais marxistas depende do Estado para sobreviver – seja como professor universitário, propagandista do regime ou artista engajado que vive do patrocínio estatal de filmes e shows.
É impossível contar o número de vítimas massacradas para que tiranos marxistas triunfassem. No Camboja, o ditador marxista Pol Pot – educado na França – matou o equivalente a 25% da população. Se isso tivesse acontecido no Brasil, 50 milhões de pessoas teriam sido assassinadas. Apesar de tudo isso, o marxismo encontrou no meio acadêmico um refúgio seguro. A teoria marxista é especialmente útil para intelectuais e “especialistas” que precisam se destacar, mas não têm nada a dizer. Basta apelar para o marxismo. Aplicado a qualquer assunto, ele transforma a questão em uma luta revolucionária de oprimidos contra opressores, gerando visibilidade e prestígio instantâneos.
Muitas questões importantes são hoje tratadas quase exclusivamente sob a ótica marxista. O marxismo aplicado a questões étnicas virou a “teoria crítica da raça”. O marxismo aplicado ao direito virou “garantismo penal” e “criminologia crítica”. O marxismo na educação virou a “pedagogia do oprimido”. O marxismo na religião virou a “teologia da libertação”. O marxismo aplicado à sexualidade virou a “ideologia de gênero”.
Apesar do fracasso na economia e na política, as ideias marxistas ainda mantêm hegemonia na cultura, nas artes, no ensino, na mídia, no sistema de justiça e até no mundo corporativo, onde o ideário marxista, embrulhado na linguagem da “responsabilidade social” – ESG e DEI – corrói os princípios da livre iniciativa, a igualdade de oportunidades, a meritocracia, a inovação e a liberdade.
Prezado Zé Ramos, só quem viveu os anos 60 em Fortaleza é capaz de entender esta bela fase de nossas vidas.
Você descreve de forma lírica o que éramos, na forma de vestir (camisas engomadas e secadas no quarador coberto de folhas de coqueiro).
Confesso que não lembrava do Romeu Martins, as matinais nos clubes da orla ferviam, além das camisas volta ao mundo, tinham também as banlon e sandálias japonesas.
O carro, era um jipe DKV Modelo Kandango (motor dois tempos) sempre com excesso de passageiros.
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva nasceu em 29/6/1942, em Porto Alegre, RS., no bairro Colônia Africana, atual bairro nobre denominado Rio Branco. Professora, pesquisadora, escritora, professora emérita da UFScar e doutora honoris causa pela Universidade Federal do ABC.
Filha de uma professora da rede pública estadual, participante da criação do Colégio de Aplicação, da UFRGS-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1953, quando lhe foi oferecida uma vaga para sua filha na primeira turma do Colégio. Aos 18 anos ingressou na Faculdade de Letras da UFRGS e no 3º ano começou a lecionar Português no Ginásio Comercial Antão de Faria, em Porto Alegre e no colégio Bom Jesus Sévigné. Durante a graduação, lecionou francês no Colégio de Aplicação.
Em 1972 passou a lecionar Língua Portuguesa na UFRGS e em seguida foi docente também na PUC/RS, no curso de especialização em Supervisão Escolar. Pouco depois passou a ministrar aulas no curso de pós-graduação em Educação. Atuou em várias escolas percorrendo um longo caminho na docência. Foi indicada pelo Movimento Negro para integrar o conselho da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação no período 2002-2006.
No cargo, foi relatora do parecer estabelecendo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Em 2006, participou da criação do programa de reserva de vagas para estudantes da escola pública, para indígenas e negros, vindo a assumir a coordenação do programa. Foi docente no Programa de Pós-Graduação em Educação e no Departamento de Metodologia do Ensino da UFScar até 2012, quando se aposentou e recebeu o título de Professora Emérita do Conselho Universitário.
Em 2021 recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do ABC, em reconhecimento ao trabalho em defesa da cultura, da diversidade, da mulher, do ensino gratuito e da não discriminação racial. Atualmente trabalha como pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros NEAB/UFSCar e atua em grupos do Movimento Negro. É coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar e do Grupo de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos (UFSCar), junto com a professora Maria Waldenez de Oliveira.
Sua carreira acadêmica se deu de modo contínuo a partir de 1964, quando se graduou em Letras e Françês; mestrado em Educação (1979); doutorado em Educação (1987) e pós-doutorado pela University of South Africa, em 1996. Em 2024 recebeu mais um título de Doutora Honoris Causa, pela UFRGS. Teve sua dissertação e tese publicadas, além de publicar diversos artigos em revistas especializadas. A tese “Educação e identidade dos negros trabalhadores rurais do Limoeiro”, serviu, 18 após, como documento para o reconhecimento da comunidade do Limoeiro como quilombo.
O livro O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos, publicado em 1998 junto com Luiz Alberto Oliveira Gonçalves, encontra-se na 4ª edição (2006). Outro livro Experiências étnico-culturais para a formação de professores, publicado em 2002 junto com Nilma Lino Gomes, encontra-se também na 4ª edição (2018). Outros livros publicados: Entre Brasil e África: Construindo Conhecimento e Militância, 2ª edição (2021); O Pensamento Negro em Educação no Brasil – Expressões do Movimento Negro, com Lucia Maria de Assunção Barbosa. 2ª edição 2023.