VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

PAIXÃO POR CAVALOS

O presidente brasileiro conhecido por sua paixão por cavalos foi João Figueiredo. Ele governou o Brasil de 1979 a 1985 e era famoso por sua frase: “Prefiro o cheiro de cavalo ao cheiro do povo”. Figueiredo era um grande entusiasta de cavalos e frequentemente participava de eventos equestres.

Num passado remoto, o único ser de quem Frederico, o Grande da Prússia gostava apaixonadamente era o seu cavalo, o mais formoso corcel que se possa imaginar, cavalo digno de um rei e tão inteligente que abrandou e conquistou o coração do monarca.

Um dia, em que o monarca estava muito aborrecido e atarefado, como sempre acontecia, o que não era raro, soube que o seu cavalo favorito estava doente.

Num acesso de fúria, sentindo a sua própria insignificância, por não poder salvar a vida do seu cavalo, apesar de ser um grande monarca, fez apregoar que aquele que lhe desse a notícia da morte do seu cavalo predileto seria enforcado.

Passaram-se alguns dias e o estado do nobre animal era sempre o mesmo, mas, numa manhã, quando os pajens faziam uma visita às cavalariças, encontraram o moço da estrebaria que lhes disse que o cavalo tinha morrido.

Quem se atreveria a dar a notícia ao rei? Quem ia correr o risco de ser enforcado?

Ali ficaram, conversando e discutindo vários planos até que chegou a hora de redigir o boletim para ser entregue à Sua Majestade. Naquele momento um dos escudeiros disse ao moço de estrebaria que não tivesse medo que ele próprio se ia apresentar ao rei.

“Olá!” disse o rei Frederico. Como está o cavalo?

“Senhor”, respondeu o escudeiro, “o cavalo continua no seu lugar. Está deitado e não se mexe. Não tem forças e não come. Também não bebe, não dorme, nem respira, nem…

“Então, exclamou impacientemente o rei, meu cavalo predileto morreu!!!…”

“Vossa Majestade disse a verdade”, respondeu tranquilamente o escudeiro.

A fala do Rei fez os empregados respirarem aliviados.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

ESCÂNCALO DO INSS MAIS PERTO DELE

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão da operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, foi alvo de prisão domiciliar e foi afastado do cargo de “número 2” da pasta.

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Adroaldo Portal – numero 2 da Previdência – preso hoje na operação sem desconto

Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, também foram presos durante a ação policial.

Além de pai e filho, Romeu e Antônio são sócios. Uma das empresas que compartilham tem o nome de “World Cannabis” e é alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O “careca do INSS” é apontado pelas investigações como um dos principais envolvidos nos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ironicamente, a empresa de fachada no escândalo da compra de respiradores pelo Consórcio NE tinha Hemp no nome, alusão à maconha também.

A Polícia Federal apreendeu armas, relógios, carros de luxo e dinheiro vivo na nova fase da operação Sem Desconto. Os agentes cumprem ao todo 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva no Distrito Federal, Maranhão, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Minas Gerais.

A CPMI do INSS, instalada para investigar um esquema bilionário de fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, tornou-se o centro de uma disputa política envolvendo o nome do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na terça-feira (16), deputados da oposição acusaram governistas de blindar o filho do presidente mesmo diante de possíveis evidências de uma viagem a Portugal que Lulinha teria feito com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Uma testemunha afirmou que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do esquema.

O cerco vai se fechando em torno de Lula. Fica cada vez mais claro que esse escândalo do INSS teve o DNA de muita gente próxima do presidente, inclusive de seu filho. Lula seguirá fazendo cara de paisagem, ignorando o caso e mobilizando sua base para boicotar a CPMI. Mas o trabalho da PF vai se aproximando da sua família, que mais parece uma quadrilha. Desviar recursos de idosos aposentados talvez seja mesmo o ápice da canalhice, em meio a tantos escândalos que Lula e seu PT acumulam até aqui.

Só não dá para fingir surpresa: quem imaginou que colocar o ladrão de volta à cena do crime, como diria seu vice Alckmin, faria com que escândalos de corrupção voltassem com tudo à tona?!

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DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PINTURA ADMIRÁVEL DE UMA BELEZA – Gregório de Matos

Vês esse sol de luzes coroado?
Em pérolas a aurora convertida?
Vês a lua de estrelas guarnecida?
Vês o céu de planetas adorado?

O céu deixemos; vês naquele prado
A rosa com razão desvanecida?
A açucena por alva presumida?
O cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado; vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina?
Vês tudo isso bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.

Gregório de Matos, Salvador-BA, (1636-1696)

DEU NO JORNAL

A ARTE BRASILEIRA DE COLOCAR TUDO DEBAIXO DO TAPETE

Jocelaine Santos

Ei, você sabe o que está acontecendo no Brasil? Ou é daqueles que acha que fingir que está tudo bem é a melhor estratégia para que um problema desapareça? Porque, no Brasil das realidades, como diria Guzzo, parece que todo mundo prefere a máxima de que “os olhos não veem, o coração não sente”. Nossa democracia morreu, somos governados por uma juristocracia, enterramos o devido processo legal e a Constituição? Melhor fingir que não sabemos de nada.

Há algumas semanas, a Gazeta do Povo revelou algo gravíssimo – ao menos, que seria gravíssimo se reportado em alguma democracia decente. A notícia de que no Brasil ninguém sabe quantas vozes foram caladas à força pelo Judiciário, quantos perfis e contas nas redes sociais foram varridos do mapa por conta de canetadas dos ministros supremos, faria tremer os poderes e chacoalhar as instituições no mundo civilizado.

Numa democracia, seria inadmissível que uma revelação assim passasse despercebida – como um dos poderes poderia simplesmente se furtar a prestar contas sobre uma ação de tal gravidade, como impor a censura a cidadãos protegidos pelas leis nacionais e internacionais sobre liberdade de expressão e pensamento? Poderia o Judiciário de algum país democrático se negar a informar a sociedade sobre suas ações, como omitir informações sobre quantas vezes e por quais motivos – se é que houve algum – obrigou uma rede social a excluir ou remover uma conta qualquer?

“Ah, mas por aqui não somos uma democracia”, dirão. E é verdade: poderes supremos mandam e desmandam no Brasil há um bom tempo; escolhem qual é a “direção correta”, fazem qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – para nos “recivilizar”. No próximo ano, demonstrarão total zelo em fazer com que “votemos bem”. É esta, infelizmente, a realidade – temos personagens que jamais foram eleitos governando de fato o país e que se autocolocaram como salvadores da pátria, empurrando goela abaixo dos brasileiros o que bem entenderem.

Mas o pior mesmo é o silêncio quase sepulcral da sociedade, que assiste a tudo isso, percebe os rumos do país, mas continua inerte, fingindo que não há nada de errado. Como disse o articulista Edemir Bogesky von Schörner, no artigo A ditadura por escolha: o Brasil está renunciando à liberdade – e ao futuro, “o país caminha para um modelo de controle autoritário não por imposição, guerra civil ou por uma ruptura violenta, mas por decisão institucional, silenciosa e progressiva” – e não parece haver alguém disposto a fazer nada para evitar isso.

Denunciar os arbítrios – e são muitos – é só um primeiro passo e se torna inócuo quando não gera uma onda de indignação e, especialmente, ações concretas para colocar um ponto final nos abusos que temos vivido. A alternativa é permanecer inerte – e ajudar, com nosso próprio silêncio, a calar cada vez mais vozes no Brasil.