Agora o Alexandre de Moraes também dá diagnóstico médico?
Parece piada, mas é real. O Conselho de Medicina tentou fazer o trabalho dele (proteger a sociedade e garantir a ética médica) e a resposta do STF foi a Polícia Federal na porta.
Depois dos absurdos cometidos por um ministro do Tribunal de Contas da União, o ex-deputado e médico Jhonatan de Jesus, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, também médico e também ex-parlamentar, está dizendo que deve recuar da inspeção no Banco Central, ordenada dentro do caso do Banco Master. Aí ficamos pensando em como o Supremo faz as coisas. Alexandre de Moraes não tinha permitido atendimento hospitalar para Jair Bolsonaro, que havia sofrido uma queda na Polícia Federal, mas acabou concedendo; acho que depois da candente entrevista da mulher de Bolsonaro, Michelle, ele acabou cedendo. Bolsonaro foi ao hospital, não se constatou lesão dentro do crânio, nem causa de convulsão. Descobriram que ele tentou caminhar e caiu.
Bolsonaro está com tonturas, tem labirintite, apneia do sono, refluxo, está tomando vários medicamentos antidepressivos e para controlar a musculatura dos soluços, tem problemas no trato intestinal, está convalescendo de duas cirurgias no abdômen, na região inguinal… tudo isso recomendaria prisão domiciliar. Vejamos o que Moraes decide.
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LinkedIn diz que Filipe Martins não entrou na plataforma; e agora?
Além de Bolsonaro, Moraes tem outro caso exigindo decisão rápida, o da prisão de Filipe Martins, ordenada por ele. Primeiro, Martins foi investigado, foi condenado, porque estaria em uma reunião da qual não participou. Depois, foi preso porque teria desembarcado nos Estados Unidos, quando na verdade desembarcou em Ponta Grossa. Ficou em uma solitária porque se negou a fazer delação premiada. Mais recentemente, ele estava com tornozeleira, mas foi posto em prisão domiciliar, sem poder sair de casa, porque Silvinei Vasques fugiu para o Paraguai, ou seja, pagou pelo que outro fez. Agora, foi recolhido a um presídio, porque um coronel dedo-duro da FAB, chamado Ricardo Wagner Roquetti, disse que Martins tinha acessado o LinkedIn dele. Mas a plataforma informa que Filipe Martins não fez isso. E agora?
Se antes de ordenar a prisão Moraes tivesse exigido uma comprovação do acesso por parte do LinkedIn, não teria mandado Martins para a cadeia. Quando Bolsonaro tem uma queda e pede para ir para o hospital, Moraes exige primeiro o laudo médico; para mandar prender Filipe Martins, não pediu nada. E agora, vai fazer o quê? E esse coronel da reserva, vai explicar como?
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Poder cubano sobre Venezuela é assunto pouco explorado após prisão de Maduro
Hugo Chávez, vocês se lembram, morreu em Cuba, onde estava se tratando. E Nicolás Maduro saiu de lá já ungido – foi por Chávez ou foi pelos cubanos? Maduro já veio nomeado pelos cubanos, um interventor cubano na Venezuela. Era Diosdado Cabello quem tinha as Forças Armadas; esperava-se que fosse ele a tomar o lugar de Chávez. Mas Maduro chegou já com segurança cubana. Morreram 32 seguranças cubanos no ataque norte-americano de sábado. Quem eram eles? Agora ficamos sabendo que, oficialmente, eles estariam em Cuba, mas sua missão era tão secreta que estavam na Venezuela. E não são seguranças quaisquer: são formados em forças especiais, em inteligência. Eles, na verdade, não só davam segurança para Maduro: eles o vigiavam, informavam tudo que Maduro fazia e conversava. Mas, com a prisão de Maduro, esse aspecto do poder cubano sobre a Venezuela ficou bastante desfocado.
E essa escolha dos irmãos Rodríguez? Delcy, que assumiu no lugar de Maduro, é irmã de Jorge, presidente da Assembleia Nacional. Ela recebeu a lealdade das Forças Armadas, e certamente tem a lealdade de todos os comissionados bolivarianos que estão no governo da Venezuela. Delcy foi escolhida para negociar com os americanos e já está tomando medidas. Pediu às forças policiais que prendessem todos os que apoiaram a prisão de Maduro, mas não vimos nenhuma notícia de prisões.
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Traficantes venezuelanos também estão no Brasil
O grande repórter Alexandre Magnani está em Washington e foi à Drug Enforcement Administration (DEA), o departamento norte-americano que cuida do combate às drogas, já que Maduro é acusado de tráfico. O governo venezuelano era um virtual cartel de drogas, embora os norte-americanos tenham tirado a referência ao Cartel de Los Soles no processo. Mas há também o Tren de Aragua. Aragua é o nome de um estado importante, Maracay é a capital, e esse grupo está lá em Roraima, tem ligações com o Comando Vermelho e o PCC aqui no Brasil. Então, também temos permissividade com essa gente. Trump disse que o Tren de Aragua está aterrorizando comunidades americanas; será que está falando de bairros que os traficantes vão dominando, como tomam conta de bairros aqui no Brasil, inclusive na Amazônia?
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EUA deixaram venezuelanos “tontos” durante ataque
Por fim, vejam o poderio americano nessa ação que prendeu Maduro. Os EUA cortaram todos os sinais de internet e de radar, confundiram as comunicações, os Sukhoi-30 comprados da Rússia ficaram no chão, os imensos blindados T-72 não serviram para nada, a artilharia antiaérea ficou cega, surda e muda. Agradeço a meu amigo Fabián Calle, argentino, que fez excelentes relatórios a respeito disso tudo. Tenho ainda o relato do conhecimento das Forças Armadas brasileiras sobre a Venezuela, mas fico devendo essa por hoje porque a conversa já vai longa.
🚨 Guga: “Natuza, você e eu não poderíamos trabalhar se estivéssemos na Venezuela. (…) Quem ‘passa pano’ não tem a menor ideia do que acontece lá ou, simplesmente, é hipócrita ou concorda que deva ser assim o tratamento de jornalistas”, pic.twitter.com/b9YdlbXbOI
O Estado brasileiro é uma criatura curiosa. Não é exatamente um Estado moderno, tampouco um Estado arcaico: é um híbrido barroco, exuberante na forma, confuso na função e voraz na arrecadação. Ele não governa — administra o próprio inchaço. Não planeja — reage. Não serve — exige. Seu talento mais refinado não é a eficiência, nem a justiça social, nem o desenvolvimento sustentável. Seu verdadeiro dom é outro, muito mais sofisticado: extrair recursos da sociedade com a elegância de um elefante numa loja de cristais — e depois explicar, com ar professoral, que a culpa é do contexto internacional. O Estado brasileiro gosta de ser grande para arrecadar, mas, é notavelmente pequeno quando chega a hora de entregar. Grande para tributar, miúdo para educar; obeso para cobrar e anêmico para devolver. É um Leviatã tropical que devora impostos com apetite pantagruélico e, ao final, arrota planilhas, discursos e promessas recicladas.
A alquimia fiscal: transformar suor em fumaça
Aqui, o cidadão trabalha como se fosse suíço; paga impostos como se fosse escandinavo, mas recebe serviços como se estivesse num experimento sociológico malsucedido. O dinheiro entra — isso entra.
Entra pelos impostos diretos, indiretos, ocultos, embutidos, disfarçados, empilhados, cumulativos e criativos. Entra no pão, na luz, no remédio, no transporte, no simples ato de existir. Respirar no Brasil é quase um fato gerador. E depois… ele evapora. Evapora em estruturas inchadas, em cargos redundantes, em consultorias etéreas, em programas mal desenhados, em obras eternamente inacabadas — verdadeiros monumentos à procrastinação institucional. Se a física permitisse, o Brasil já teria criado o primeiro buraco negro fiscal, onde tudo entra e nada, absolutamente nada, retorna.
O discurso oficial: a liturgia da desculpa eterna
Quando questionado, o Estado não se constrange. Pelo contrário: ele explica. Explica que:
• o problema é a herança do passado; • o passado é sempre recente; • o futuro exige sacrifícios; • e o sacrifício, curiosamente, nunca é dele.
O cidadão é convocado a compreender, colaborar, contribuir e calar. Afinal, segundo a teologia estatal, o imposto é um ato de fé: você paga hoje acreditando que, um dia, talvez, quem sabe, algo volte — nem que seja sob a forma de um discurso emocionado em cadeia nacional.
Eficiência? Não exageremos.
A ideia de eficiência no Brasil costuma causar certo desconforto institucional, como se fosse um conceito estrangeiro, exótico, quase indecoroso. Aqui, eficiência soa suspeita. Planejamento assusta. Avaliação de resultados ofende. Mérito causa urticária. O Estado prefere o conforto do improviso permanente. Improvisar permite errar sem culpa, gastar sem controle e explicar sem consequências. É o eterno “estamos trabalhando nisso”, frase que no Brasil equivale a um mantra budista: não resolve nada, mas acalma quem diz.
O pacto silencioso (e perverso)
Forma-se então um pacto implícito:
• o Estado finge que governa, • o cidadão finge que acredita, • e ambos seguem exaustos.
Só que o cansaço não é simétrico. O Estado engorda; o cidadão emagrece. O Estado acumula poder; o cidadão acumula boletos. O Estado fala em justiça social; o cidadão faz contas no supermercado com uma calculadora emocionalmente devastada.
Conclusão: uma supernova mal resolvida
O problema não é apenas econômico.
É moral, estrutural e civilizacional. Um Estado que cresce sem entregar não é protetor — é parasitário. Um governo que arrecada sem eficiência não é social — é predatório.
E uma sociedade que normaliza isso acaba vivendo num eterno estado de sobrevivência tributária. O Brasil não precisa de mais impostos. Precisa de menos retórica, menos gigantismo, menos fome arrecadatória — e infinitamente mais responsabilidade. Até lá, seguimos: o planeta girando, o Universo indiferente, e o cidadão brasileiro pagando — sempre pagando — para sustentar um Leviatã que confunde grandeza com peso.