DEU NO X
DEU NO JORNAL
O CAOS FISCAL COMO MÉTODO
Editorial Gazeta do Povo

O presidente Lula discursa durante reunião ministerial em 17 de dezembro de 2025
“Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, afirmou o presidente Lula na última reunião ministerial de 2025. “O nosso problema”, muito provavelmente, é uma referência a outubro de 2026, e não à situação do país, a julgar pelo Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, no dia seguinte à fala de Lula. O documento, elaborado por analistas sem vinculação partidária, mostra um cenário econômico insustentável para as contas públicas graças à expansão ilimitada do gasto governamental – que, como disse Lula, é política que o governo adota deliberadamente, não consequência de algum imprevisto.
Quando a IFI fala em “alimentar incertezas sobre a sustentabilidade do atual regime fiscal”, está usando um eufemismo. Os próprios dados do RAF demonstram que o arcabouço fiscal proposto pelo próprio governo Lula em 2023 (ou seja, nem mesmo a desculpa da “herança maldita” pode ser usada) já está totalmente desmoralizado: continua a existir formalmente no papel, com suas metas e limitadores de aumento da despesa, mas é violado dia sim, dia também, graças a uma série de exclusões e exceções, com gastos que não serão considerados no cálculo do cumprimento da meta de resultado primário, mas que não deixam de ter seu custo: é dinheiro que sai dos cofres públicos, esteja ou não na conta oficial, e exige ou aumento na arrecadação, ou endividamento, ou emissão de moeda.
Arrecadação e endividamento, aliás, têm papel importante no RAF. Lula e Fernando Haddad devem terminar este mandato com a proeza de elevar a dívida pública como proporção do PIB em inacreditáveis dez pontos porcentuais – bem acima da média tanto da América Latina quanto dos países emergentes, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. E este não é o único quesito em que o Brasil apresenta esta liderança bastante desabonadora. Ao comentar a estratégia lulista de fechar as contas elevando impostos, a IFI escreve que ela “esbarra no fato de o Brasil, hoje, ser líder em termos de carga tributária entre os países latino-americanos e emergentes, o que cristalizou resistências a essa estratégia na sociedade brasileira e no Congresso Nacional”.
Os analistas da IFI afirmam que, em um cenário como este, a inflação só vai convergir para a meta do Conselho Monetário Nacional não por causa de qualquer política governamental, mas apesar de Lula e Haddad. Foi o aperto monetário que o Banco Central teve de instituir como contrapeso à política fiscal frouxa que freou uma economia que o governo gostaria de manter superaquecida pelo máximo de tempo possível, para conseguir dividendos eleitorais – a mesma estratégia que garantiu a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, e que levou à recessão de 2015-16. O relatório deixa subentendido que a continuação da gastança em 2026 pode afetar um eventual ciclo de redução dos juros, mesmo com o IPCA voltando para dentro dos limites de tolerância da meta atual.
Lula tem tempo suficiente na vida pública para já ter compreendido que contas em ordem beneficiam os mais pobres de forma muito mais efetiva e duradoura que sacrificar a saúde fiscal do país para botar “dinheiro na mão do povo”; se não aprendeu, estamos diante de um caso crônico de ignorância misturada com teimosia. O caos fiscal, nos governos petistas, não é acidente, mas método: pode até gerar bons indicadores no curto prazo, mas é receita certa para estagnação ou mesmo crise em um futuro não muito distante.
PENINHA - DICA MUSICAL
JONATHAN SILVA & CEUMAR
DEU NO JORNAL
NA REVISTA OESTE
“E olha a REVISTA OESTE dando uma LIÇÃO de JORNALISMO e de HUMANIDADE pra PSICOPATA da DANIELA LIMA.
Depois dessa vou até assinas a REVISTA. Eles merecem! pic.twitter.com/VX8d1dxMg7
— Michel c. sales🇧🇷🇮🇱🇺🇸 (@MichelcSales) January 7, 2026
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
SPOCK LEE – NEW CASTLE, DELAWARE – USA
Caro Luiz Berto, Saúde!
Permita-me começar com uma singela homenagem, retirada do conhecido poema “O Livro e a América”, de Castro Alves.
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.
Rogo que esse ano que “bem inicia”… nos inspire e nos motive a ter esperança, nesse país tão assolado e já quase devastado por mazelas iMoraes de todas as espécies.
Agradeço à DEUS a existência do JBF, espaço cabriocárico e independente, que continua incentivando o pensamento crítico, a educação, a liberdade de pensamento através da literatura.
Despeço-me desejando Saúde e Esperança a toda Equipe do JBF e aos Ilustres Colaboradores Fubânicos.
I.A. esquecendo de apresentar uma pequena surpresa…
R. Êita peste!!!
Que presepada arretada: eu me amostrando-me com meus livros na I.A.
Ótimo rever você por aqui, meu caro amigo e leitor fubânico.
Ainda mais citando meu ídolo na poesia, o grande Castro Alves, cuja obra eu trago na memória e no coração desde os tempos de adolescente.
A propósito: hoje, 7 janeiro, é o Dia do Leitor!
Gratíssimo pela generosa apreciação que você fez sobre esta gazeta escrota.
Fiquei ancho que só a peste!
E Chupicleide relinchou de alegria!!!
Quando encontrar com Trump, diga que mandei um abraço pra ele.
E que o JBF está às ordens da Casa Branca.
Temos mais audiência do que The Wall Street Journal, USA Today e The New York Times somados!
Volte sempre, meu caro.
Um ano novo arretado pra você e todos os seus entes queridos!!!
DEU NO X
CHEGANDO AO HOSPITAL
Bolsonaro finalmente chegou ao hospital.
É inaceitável que alguém com diagnóstico de traumatismo craniano fique mais de 24h sem o atendimento adequado por causa da negativa de um juiz que ignora a lógica, a moral e a humanidade.
Isso não é justiça. É abuso.
Que Deus abençoe… pic.twitter.com/LPrtPvE58O— Zoe Martínez (@zoemartinez_05) January 7, 2026
DEU NO JORNAL
NOTA DO CFM
RODRIGO CONSTANTINO
EM DEFESA DO BANCO CENTRAL

Decisão técnica do Banco Central que liquidou o Master é alvo de pressão em Brasília
Todos os países desenvolvidos possuem um mercado de capitais robusto e, via de regra, um banco central independente. Não é uma solução perfeita, pois sempre existe o risco de captura da autarquia pelos próprios bancos estabelecidos, mas esse foi o mecanismo encontrado para blindar a instituição da politização, historicamente o maior risco para a inflação.
Um banco central dominado pelo próprio governo é a pior combinação que existe, pois ele passa a seguir as decisões políticas e acaba, com isso, monetizando os rombos fiscais e produzindo inflação. O Brasil conhece bem esse histórico, assim como o de bancos estaduais que atuavam para financiar o rombo dos estados.
Foi no governo Bolsonaro que a independência do BC foi aprovada por lei. Um avanço institucional. A esquerda nunca engoliu bem essa mudança, pois sabe que um banco central subserviente aos interesses da política é um instrumento importante em seu projeto de poder.
Por isso José Dirceu gravou um vídeo aproveitando o caso do Banco Master para atacar o Banco Central do Brasil. Que Dirceu faça isso é algo esperado. O problema é que vários influenciadores de “direita” fizeram o mesmo. Agora veio à tona que esse ataque coordenado tinha o próprio Daniel Vorcaro por trás, oferecendo muito dinheiro para que tais influenciadores tivessem todos a mesma “opinião” ao mesmo tempo.
A enorme pressão contra o BC, sem precedentes, representa grande risco institucional. O TCU foi para cima do Banco Central com tudo, seguindo esse script. O “argumento” é que a liquidação do Banco Master foi precipitada, sendo que na verdade ela demorou bastante: os indícios de fraudes bilionárias estavam por toda parte.
Um dos influenciadores que teria se vendido para Vorcaro gravou um vídeo alegando que não existem heróis nessa história, que seriam apenas “boatos”. O desejo de nivelar todos por baixo é a marca de quem sabe ter feito algo errado. Muitos jornalistas com mais de um milhão de seguidores sequer foram procurados pela agência contratada pelo Master, pois possuem a reputação de rigor ético, e dois desses influenciadores procurados resolveram denunciar o esquema.
Cabe ao leitor adotar postura crítica sempre, desconfiar de quem muda de opinião de forma repentina, ou fala do que não entende direito. Esses casos de guinada abrupta existem em todo lugar. No Brasil temos Reinaldo Azevedo, autor de O País dos Petralhas, que virou o maior defensor dos petralhas, e nos Estados Unidos temos Tucker Carlson e Candace Owens, que passaram a atacar Israel e os Estados Unidos e defender o indefensável, como Putin ou o antissemitismo.
Voltando ao Banco Central, desconfie de quem se diz de direita e repete a ladainha esquerdista de que a taxa básica de juros é culpa do BC e dos grandes bancos, como se fosse uma grande conspiração da Faria Lima, ignorando o rombo fiscal do governo e sua trajetória explosiva e insustentável. O rentismo é um problema concreto, mas a culpa é do governo perdulário e irresponsável, não do “mercado”. Quem diz o contrário ou não entende muito do tema, ou pode estar recebendo grana de alguém para repetir esse discurso.
DEU NO X
MICHELLE SOBRE A SAÚDE DO MARIDO
MICHELLE BOLSONARO acabou de postar, 07/jan/2026.
É muita indignação!! 😰 pic.twitter.com/KCqZWINa7e
— Elise Wilshaw (@EliseWilshaw1) January 7, 2026
DEU NO JORNAL
O CHAVISMO E O PETISMO SÃO GÊMEOS
Guilherme Fiuza

Crise na Venezuela expõe risco de isolamento do Brasil e acirra debate sobre soberania e alinhamento geopolítico
A captura de Nicolás Maduro pelos EUA inaugurou uma nova temporada de mal-entendidos. Ou, mais exatamente, uma nova temporada de polêmicas inúteis. Já há veículo de imprensa dizendo que a associação de Lula a Maduro é obra de “bolsonaristas”. Veja o tamanho do potencial do debate.
Se associar Lula a Maduro é bolsonarismo, o atual presidente da República é bolsonarista de carteirinha. Ninguém o associou mais a Maduro do que ele próprio, no presente e no passado. Nunca escondeu de ninguém, nas várias passagens do PT pelo Palácio do Planalto, a decisão de apoiar e investir no regime chavista — que classificou como “excesso de democracia” num momento em que a Venezuela já estava refém do autoritarismo.
Lula sempre teve a preocupação de afirmar que a Venezuela de Chávez e Maduro não era governada de forma ditatorial. Deu-se, inclusive, ao luxo de aconselhar publicamente Nicolás Maduro a escolher uma “narrativa” mais eficiente. Convidar um opressor a ser um narrador melhor é pura poesia. E esse conselho foi dado em solo brasileiro, mais precisamente no palácio presidencial — onde Lula recebeu Maduro com as mais altas honras de chefe de Estado, em 2023. Haja bolsonarismo petista.
Apostar que o repúdio manifestado por Lula à prisão de Maduro não tem nada a ver com a aliança histórica entre os dois é superestimar a distração geral. Lula estaria apenas defendendo, com impessoalidade, a paz e a soberania no continente… Essa não cola nem no recreio do jardim de infância.
Desde que Maduro fraudou sua reeleição em 2024 (segundo a OEA e o Carter Center), existe uma tentativa de banho de loja na retórica petista. Alguns jornalistas militantes chegaram a escrever que o ditador venezuelano era “de direita” e que o presidente brasileiro não tinha nada a ver com isso.
Numa das teses mais arrojadas, Celso Amorim aparecia como objeto da crítica da imprensa amiga — por supostamente induzir Lula ao erro de se aliar a Maduro. Como se vê, o céu é o limite para o demagogo.
No momento em que os sinais flagrantes da brutalidade chavista começaram a incomodar mais — especialmente após a eleição, condenada até pelo progressista Boric, do Chile —, a força-tarefa da mistificação entrou em campo com tudo. Era urgente mostrar que o petismo e o chavismo eram coisas diferentes. Como essa diferença, na realidade, é invisível, a tropa da contrapropaganda apostou tudo na alquimia retórica.
Quando Lula saiu de Belém rumo à Colômbia, em plena iniciação da COP 30, para fazer a defesa de Maduro numa conferência regional, a brigada da mistificação já saiu montando a história de que se tratava de uma defesa da paz no continente. Como se a paz pudesse ser evocada em defesa de um regime assassino. Com o mundo todo olhando para o Brasil e para o seu presidente, por causa da conferência do clima, Lula marcou posição em defesa do indefensável Maduro.
Agora, a usina das falsas polêmicas quer colocar o petista no papel de defensor do direito internacional. Tarde demais. Essa demarcação técnica teria de ter sido feita muito antes de o caldo entornar. A própria complacência da ONU com regimes autoritários — que vem se acentuando neste século — já poderia ter sido apontada pelos supostos legalistas que cercam o presidente brasileiro e a sua indumentária democrática.
Claro que, quando entidades multilaterais se omitem na reprovação a focos de ilegalidade, como se tornou a Venezuela, abre-se espaço para o enfrentamento direto por quem alega ter seu território ameaçado pelo crime — como é o caso atual dos EUA.
O problema é complexo e as discussões vão longe. Mas nada disso inclui uma onda de amnésia sobre quem era quem no verão passado.


