Ratinho diz que nunca viu a esquerda fazendo alguma coisa que presta no mundo e te convida a visitar as universidades, são todas comandadas pela esquerda, é um nojo, parece uma penitenciária, é tudo pinchado, é um nojo. pic.twitter.com/QlIZOcomzW
Manipulação da notícia. Exemplo claro de como confundir a opinião pública, dando a entender que o governo Lula não tem tanta culpa assim pelo ROMBO NOS CORREIOS. Ou que a Dilma também não tinha. E até fazendo o telespectador pensar que mesmo no governo Bolsonaro os Correios davam… pic.twitter.com/P2sOh56qHp
Com a fila do INSS batendo os 3 milhões de brasileiros na espera, o senador Jorge Seif (PL-SC) cobrou o presidente Lula, “Onde está o governo que ‘cuidaria do povo’?”.
Diz que ficou só no discurso.
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Sinhô senadô: a expressão “ficou só no discurso” é uma resumo perfeito do atual desgoverno.
Não custar começar parafraseando Cazuza: “democracia, eu quero uma pra viver”. Eu não sei mais o que significa “democracia”, mas ainda continuo acreditando que um sistema democrático é infinitamente melhor do que se ter um sistema político de poder concentrado numa única pessoa ou num único partido, cuja representatividade eleitoral é duvidosa e que acaba promovendo restrições de liberdades civis, que persegue opositores, que aparelha instituições jurídicas, apenas com o objetivo de se manter no poder.
Ontem, um ex-candidato ao governo da Venezuela, foi libertado da prisão. Em agosto de 2024, o Tribunal Superior de Justiça da Venezuela promoveu uma sessão com a presença de todos os candidatos para referendar o resultado eleitoral. Não se tratava de um convite a uma cerimônia, mas de uma intimação do TSJ e objetivo era que todos assinassem uma ata declarando que Maduro era o presidente eleito da Venezuela para governar mais 6 anos, a partir de janeiro de 2025.
Enrique Márquez, candidato derrotado, disse publicamente, e na presença de Maduro, que a eleição era uma fraude, que Maduro havia sido derrotado conforme indicavam os boletins de urnas fotografados e divulgados por mesários. Márquez apontou diversos vícios constitucionais na eleição de Maduro, disse durante a tal cerimônia transmitida pela TV Estatal que a eleição era fraudada e até entrou com uma ação no TSJ denunciando tudo isso. Resultado: além de ter sido atendido no seu pleito, foi preso por ser parte de um pretenso golpe contra o governo venezuelano. Nas palavras de Diosdado Cabello, ministro venezuelano, “Enrique Márquez é parte do golpe de Estado que queriam dar na Venezuela”
Um regime ditatorial não se define, apenas, pela falta de eleições livres. Na verdade, há casos nos quais há eleições formais, mas sem as mínimas condições de alternância do poder. Saddam Hussein, por exemplo, fazia “eleições”, o eleitor do Iraque era o mais comprometido do mundo porque a taxa de abstenção era zero e Saddam recebia 100% dos votos. O que havia contido em tudo isso era um processo de intimidação, prisão de contrários, manipulação judicial e, o pior de tudo isso é simplesmente a concordância de alguns em detrimento de uma população sofrida, humilhada, mantida na miséria e dependente do governo para se alimentar. Os relatos que a gente ouve da Venezuela falam de obrigatoriedade em participar de atos de apoio ao governo para ter direito a cupons de alimentação, por exemplo.
O que se observa, de fato, é que os líderes desses regimes acumulam fortunas enquanto a população sofre com a falta de assistência médica, com racionamento alimentar, com restrição às liberdades individuais. Fala-se, por exemplo, que Maduro tem uma fortuna estimada em US$ 4 bilhões. Pode não ser verdade, mas não se pode contestar o fato de que o governo venezuelano enviou para Suíça, simplesmente, 113 toneladas de ouro. Esses dados são oficiais e dito pelos próprios suíços.
O que me surpreende é muita gente concordar com tudo isso. Eu, particularmente, não sou partidário de atos de violência, mas já me perguntei muitas vezes: “se a maioria não gostava de Maduro, por que não houve uma rebelião populara para enfrentar?” A única resposta que cheguei foi: o povo não tem armas e nem liderança para enfrentar um governo ditatorial. Qualquer pessoa que tem se insurgir, que tente liderar um grupo contra um governo assim, será preso e, eventualmente, morto para que outros tomem como exemplo e não tentem.
Na América Latina, tem-se os governos de Cuba com um partido único, ausência de eleições e perseguição a dissidentes. Na Nicarágua a gente encontra um regime personalista, com repressão aberta e eleições sem competição real. O que o povo pode esperar de algo dessa natureza? O caso de Cuba, após a prisão de Maduro, tende a ser menos duradouro. Cuba não vai suportar por mais tempo viver sem ajuda. Acabou o fluxo de petróleo, eventualmente, em troca de ter cubanos como membros da guarda pessoal de Maduro. Os problemas de escassez na ilha são notórios e, recentemente, atribui-se ao presidente de Cuba uma espécie mea-culpa, posto que ele teria dito que “a situação do povo cubano poderia ser por erros do partido”.
Daniel Ortega concentra o poder na Nicarágua foi um dos líderes sandinistas que derrubou o governo de Anastácio Somoza que foi morto com um tiro de bazuca em Assunção, Paraguai, onde estava exilado. Isso ocorreu em 1980. A derrubada de Somaza, se seguiu a revolução dos Cravos em Portugal, e o interessante é que a esperança do povo era de um governo melhor, de práticas democratas etc. mas, não. No caso da Nicarágua, Ortega governa, de forma ininterrupta, desde 2006. Para se ter uma ideia, jornalistas independentes da Nicarágua relatam que Daniel Ortega mandou prender 15 pessoas que comemoram publicamente a prisão de Maduro.
O fato é que democracia não se implanta por decreto. Não basta ter uma constituição avançada, que reconheça direitos individuais. Democracia é um estado de maturação e de conscientização da população. Se o povo não se conscientizar do que, de fato, significa democracia, teremos sempre arranjos políticos que interessam apenas a uns. Não tem como saber o que tem no outro lado da página se a gente não virá-la.
Gosto de subir ao ponto mais alto para ver o sol se por
Uuuuffffaaaa!
Estou chegando. Tem sido cansativo, mas, a Fé divina me move, acalenta e recompensa.
Jovem adolescente, inebriado pelas vantagens que aparecem nessa etapa da vida, namorei e me apaixonei. Embeveci e fiquei aberto como um flor com o néctar que atrai as abelhas.
Nessa etapa da vida, mal percebemos o quanto somos sensíveis e abertos para todas as coisas. Para o amor, por exemplo. Para tudo que imaginamos nos fazer bem. E, o amor faz bem em qualquer fase da vida.
Foi quando ganhei o primeiro presente material. Um livro. Longe dali, no Liceu o livro chegou no momento exato que, na sala de aulas, o professor nos ensinava a “interpretar textos lidos” – aprendizado aquele que hoje faz falta aos jovens que fingem estudar orientados por professores que fingem ensinar.
O presente veio de quem, como uma abelha que adoça nossas vidas, estava me conquistando. Ela era a abelha e eu o néctar da flor viçosa ávida pela êxtase que desconhecia, mas desejava sentir. Um livro. O Pequeno Príncipe. A instabilidade me fez sentir o próprio – e tudo se aproximava da fase leve da vida. Ela deixava momentaneamente de ser a abelha e se transformava numa raposa. Como no livro. Como na parábola. Como em qualquer pôr do sol dos envoltos e apaixonados.
Uuuufffffaaa!
Chegamos, juntos e caminhando e olhando na mesma direção – como deve ser sempre o amor: “caminhar e olhar na mesma direção para ver, juntos, o mesmo pôr do sol”.
O pôr do sol visto pelos apaixonados
Hoje, muito além daquela fase, aprendi que sempre gostei de ver o pôr do sol. Subir ao ponto mais alto da montanha da vida e, juntos, olhar o sol se pondo com todos as odes e letras de um poema. Talvez eu sempre tenha vivido apaixonado por mim mesmo.
No fundo, no fundo, acho que os que amam, amam também a si próprios. Amam a si, amam a família, amam a vida e são apaixonados pelas coisas divinas e da Natureza. São felizes!
Eu sou feliz!
Vivo, amo, divido até o que não tenho com a minha eterna raposa. Continuo dividindo o pôr do sol, visto do lugar mais alto da montanha.
As uvas não estavam verdes – elas eram verdes
Na subida da montanha, juntos, eu e a raposa, encontramos uma plantação. Nunca entendi que uva matasse a fome – e, eu e ela não estávamos famintos. Estávamos enamorados e procurávamos ver o pôr do sol. Continuamos a subida. Olhamos o poético pôr do sol, e voltamos.
Vimos o vinhedo. As uvas ainda estavam lá, no mesmo lugar.
Descobrimos que elas “não estavam verdes” quando subimos. Na descida percebemos que elas “eram verdes” – como todos os apaixonados e com objetivos (o nosso era caminhar, juntos, para ver o pôr do sol) definidos, só então entendemos que o amor empana as necessidades da vida.
Descemos até que alcançamos o lugar inicial da subida. Nos dividimos – e, ainda hoje estamos divididos.
Sós, gostamos de olhar e contar estrelas
Só. Estou só. Preferi assim – e não há arrependimento. Aprendi muito.
Momentaneamente me flagro no sopé da montanha. Me imagino subindo, encontrando as mesmas trilhas. Faço isso – agora só! – e encontro mais dificuldades. Talvez sejam os prêmios do aprendizado e da vida. As uvas, então, eram verdes. Alguém as comeu.
Chego ao topo, onde gostava de ver o pôr do sol. O sol já se pôs. Se escondeu ou deu um até amanhã, quando poderá ser visto por pessoas juntas.
Eu entendo. Aceito. Me contento em olhar e contar estrelas.
Escrevo no início de 2026, ainda sob o impacto de uma constatação simples, mas inquietante: um quarto do século XXI já se foi. Para mim, que neste mesmo ano devo completar um quarto de século no exercício da magistratura federal, essa coincidência temporal funciona como um convite à reflexão — não sobre minha trajetória pessoal, mas sobre o mundo no qual vivemos nesses últimos vinte e cinco anos.
Lembro, então, de um documentário intitulado Primeira Guerra Mundial – o fim de uma era. Volta e meia o revejo, e sempre me chama a atenção a descrição do clima de otimismo que dominava a Europa no final do século XIX. Havia guerras no passado, é verdade, mas acreditava-se que o equilíbrio diplomático e o progresso haviam finalmente domesticado a barbárie.
Sabemos como essa história terminou.
O século XX mal havia começado quando a Primeira Guerra Mundial inaugurou um novo padrão de violência, industrializado e total. Logo em seguida, a gripe espanhola expôs dramaticamente a vulnerabilidade humana. A Revolução Russa, por sua vez, introduziu uma experiência política fundada no coletivismo estatal e na supressão sistemática das liberdades individuais. E, antes mesmo da metade do século, o mundo já estava mergulhado em outra guerra global, seguida pela Guerra Fria e pela ameaça permanente de aniquilação nuclear.
Esse conjunto de acontecimentos desmontou a ilusão de que o avanço científico e econômico seria suficiente para garantir progresso moral e estabilidade política.
Ainda assim, iniciamos o século XXI com esperanças renovadas. O fim da Guerra Fria, a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética pareciam sinalizar o esgotamento histórico de projetos totalizantes. A globalização econômica avançava, a internet prometia ampliar o acesso à informação e fortalecer a autonomia individual, e uma consciência ambiental global começava a se consolidar. Tudo indicava que certos aprendizados haviam sido definitivamente incorporados.
Parecia plausível imaginar um século menos violento, mais cooperativo e mais racional.
Passados, porém, vinte e cinco anos, o balanço é menos alentador.
Os atentados de 11 de setembro de 2001 mostraram que conflitos ideológicos e religiosos estavam longe de ter sido superados. A crise financeira de 2008 expôs fragilidades profundas das economias e das instituições democráticas. A polarização política se intensificou, em parte impulsionada pelas redes sociais, que passaram a funcionar não apenas como instrumentos de informação, mas também como catalisadoras de radicalismos e tribalismos.
No plano internacional, os conflitos armados retornaram com força. O avanço do Estado Islâmico no Oriente Médio, a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e a guerra no Donbass já haviam sinalizado que a ideia de uma Europa definitivamente pacificada era ilusória. Em 2022, a invasão da Ucrânia em larga escala dissipou qualquer resquício de complacência histórica — e trouxe de volta algo que muitos julgavam enterrado no século passado: o receio concreto de um conflito nuclear, reacendido pelas ameaças reiteradas feitas pelo Kremlin. Em breve o conflito completará quatro anos, sem grandes expectativas de chegar ao fim.
Como se essas semelhanças entre o início dos séculos XX e XXI não bastassem, fomos “contemplados” com nossa própria tragédia sanitária. A pandemia da Covid-19 revelou, mais uma vez, a vulnerabilidade humana e a rapidez com que direitos individuais podem ser relativizados em nome da segurança coletiva. Em muitos países, medidas restritivas do direito de ir e vir, e de buscar o próprio sustento, foram implementadas. Sob o argumento de proteger as pessoas, retirava-se sua liberdade.
Independentemente do juízo que se faça sobre as medidas adotadas, o fato é que o medo mostrou-se um poderoso instrumento de expansão do poder estatal.
Como se vê, confrontar o primeiro quarto do século XX com o mesmo período do século XXI, não é apenas um exercício de memória histórica, mas um teste de maturidade civilizatória.
Em A Rebelião das Massas, Ortega y Gasset adverte que o homem-massa tende a usufruir das facilidades da vida moderna como se fossem dados naturais, esquecendo-se de que são construções humanas, fruto de esforço histórico acumulado. Quando essas conquistas passam a ser vistas como automáticas e garantidas, abre-se espaço para a irresponsabilidade cívica e para a delegação acrítica de decisões fundamentais.
Essa advertência é especialmente relevante para quem ocupa posições de liderança ou influência. Ter uma visão mais ampla dos acontecimentos não é um privilégio; é uma responsabilidade. A história mostra que atos explícitos de barbárie não começam repentinamente, mas vão sendo naturalizados pela passividade e pela crença de que estruturas abstratas cuidarão de tudo.
Encerrando estas reflexões, recuso-me a aceitar o pessimismo estéril, e insisto em um ponto essencial: nada está garantido pela simples marcha do tempo. As condições que permitem uma vida digna, livre e próspera não se mantêm sozinhas. Exigem vigilância, compromisso ético e disposição permanente para questionar soluções fáceis para problemas complexos.
Se o século XX nos ensinou o preço da ilusão histórica, o primeiro quarto do século XXI nos recorda que a civilização não se herda pronta: ela se administra, se defende e se reconstrói todos os dias.