SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
DEU NO X
MAIS UM 7X1 DA ALEMANHA SOBRE O BRASIL…
O BRASIL VOLTOU A SER RESPEITADO, CHUPA EXTREMA-DIREITA !!!! pic.twitter.com/8pKdFau8rf
— Médicos Pela Liberdade (@MedicoLiberdade) November 17, 2025
ALEXANDRE GARCIA
ALEMÃES ESTÃO ALIVIADOS DEPOIS DE IR EMBORA DA COP 30

O chanceler alemão, Friedrich Merz, discursa no encontro de líderes da COP 30, em Belém
Mais um vexame internacional da COP 30, em Belém. Segundo a Deutsche Welle, o chanceler – ou seja, o chefe de governo – da Alemanha, Friedrich Merz, ao voltar para a Alemanha, perguntou aos jornalistas alemães que voltavam também: “quem de vocês gostaria de ficar por aqui [em Belém]?” Ninguém levantou a mão. “Todos ficaram aliviados por termos voltado para a Alemanha, especialmente daquele lugar onde estávamos”, disse ele. Imaginem só a situação, o choque dos alemães diante do esgoto a céu aberto, do calor sem ar-condicionado, da falta de internet, da água que entrava nos lugares quando chovia, dos assaltos – e isso com Garantia da Lei e da Ordem!
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Vale tudo para não depor na CPMI do INSS
O que nos choca é ver o que aconteceu na segunda-feira: havia dois convocados para depor na CPMI do gigantesco e cruel roubo de aposentados e pensionistas do INSS; um chegou com habeas corpus e outro nem foi, mandou atestado médico. A sessão foi cancelada. Mas o presidente da CPI, senador Carlos Viana, acionou uma junta de médicos do Senado para conferir o atestado médico, e eles concluíram que não havia nada impedindo o ex-coordenador de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, de depor. Ele não tinha nada – a não ser muitas ligações, principalmente com a Contag. O convocado que levou o habeas corpus foi Thiago Schettini, também ligado ao “Careca do INSS”. Não sei por que ninguém quer depor. Todos têm medo de surgir alguma coisa muito grande, medo de dizer algo que entregue algo ou alguém graúdo.
A polícia prendeu alguns dos que não quiseram depor. Deve haver muita coisa, muita gente envolvida, porque o esquema foi enorme. Mais de R$ 6 bilhões tirados de mais de 2 milhões de pobres, idosos, que não entendiam bem o que estava acontecendo, enquanto os bandidos planejavam. “É bom tirar pouco, que aí não vão notar, e vamos acumulando, pagando propina para os funcionários que estão no meio do caminho fecharem o olho”, devem ter raciocinado. Provavelmente é o caso desse aí que apresentou o atestado desmentido pela junta médica do Senado; ele terá de depor agora.
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Correios venderam imóvel e receberam cheque sem fundo
Durante o governo Bolsonaro, fui duas ou três vezes aos Correios para ver por que a empresa funcionava tão bem. Dava lucro, Funcionários felizes, tudo em dia, tudo enxuto. Os Correios estavam prontinhos para a privatização, mas ela não aconteceu. Hoje os Correios têm prejuízo, têm a maior dívida trabalhista do país – só nos últimos 12 meses entraram 56 mil ações trabalhistas contra os Correios. Outro dia, fizeram um leilão de um imóvel avaliado em R$ 322 milhões, um centro de convivência com piscinas. Tiveram de vender por R$ 280 milhões, porque não havia interessados; quem comprou o imóvel foi uma ONG de um pai de santo, Pai Jorge de Oxossi, daqui de Brasília. O pagamento inicial, de R$ 500 mil, foi de uma empresa; o Estadão foi conferir e o CNPJ da empresa não batia. Além de tudo, usaram cheque sem fundo. A ONG nem tem capital social, não sei como é que ganhou a licitação.
Isso nos ajuda a entender por que os Correios estão assim. Este governo não escolhe os ocupantes dos cargos pela capacidade técnica, sem compromisso com partidos; isso era no ministério anterior, que tinha quase a metade do tamanho desse atual “ministerião”. Hoje o governo negocia dizendo “eu te dou esse ministério, o teu partido vota nos meus projetos”. E o gasto, tudo que movimenta essa máquina estatal, vem do seu imposto, direto ou indireto.
DEU NO X
CACHORRADA
DEU NO JORNAL
ULTRAMILITANTES
Ativistas de redação chamam de “ultraconservador” qualquer político que ouse enfrentar a esquerda nas urnas.
Derrotá-la, como no Chile, onde candidatos de direita somaram 70% dos votos, aí vira ofensa pessoal.
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“Ativistas de redação”.
Uma expressão perfeita pra definiar o time de jornalisteiros militantes zisquerdóides da nossa republiqueta banânica.
RODRIGO CONSTANTINO
VENTOS DE MUDANÇA NO CHILE

José Antonio Kast, candidato do Partido Republicano do Chile à presidência, no ato de encerramento da sua campanha, em Santiago, na terça-feira (11)
A esquerda radical promete muita coisa de forma populista, mas nunca é capaz de entregar bons resultados. Onde não houve ainda aparelhamento pleno das instituições, isso costuma significar problemas na disputa eleitoral. O povo cansa da ladainha socialista e clama por mudança. Foi o que aconteceu no Chile este domingo.
A esquerdista Jeannette Jara, candidata do presidente Gabriel Boric, ficou com 26,81% dos votos e o direitista José Antonio Kast com 23,99%. O centro-direitista Franco Parisi aparece em terceiro lugar, com 19,61%, seguido pelo libertário Johannes Kaiser (13,93%) e pela conservadora Evelyn Matthei (12,54%). Ou seja, a direita está com ótimas chances de levar o segundo turno no Chile.
“A democracia deve ser protegida e valorizada. Sofremos muito para recuperá-la para que hoje seja colocada em risco”, disse Jara, numa alfinetada em Kast, cujo irmão foi ministro do ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990).
Já Kast disse que é hora de “uma mudança real” e de “reconstruir a pátria”. “Precisamos de união para avançar em segurança, habitação, educação e todas as questões que foram gravemente afetadas pelas políticas ruins deste governo [Boric]”, afirmou.
O discurso da esquerda radical gira sempre em torno da “democracia”, sendo que Jara pertence ao Partido Comunista do Chile. Na velha imprensa, radical é sempre o candidato de direita, tratado como “ultradireita”, “ultraconservador” ou “ultrarradical”. Mas o povo não cai mais nessa narrativa.
Tanto que a Câmara e o Senado também tiveram maioria de direita, representando a maior derrota eleitoral da esquerda em 35 anos. A segurança pública foi um dos temas importantes no debate. Apesar de o Chile ser um dos países mais seguros do continente, o aumento da criminalidade nos últimos anos impulsionou a direita, que promete deportações em massa de imigrantes irregulares e uma linha dura contra o crime.
“É necessária união para enfrentar os problemas que nos afligem hoje, que são problemas na área da segurança”, disse Kast à imprensa após a votação em Paine, nos arredores de Santiago. “A maioria das pessoas dirá que está com medo”, reforçou. De acordo com o governo do Chile, os homicídios aumentaram 140% na última década, passando de uma taxa de 2,5 para 6 por 100 mil habitantes. No ano passado, o Ministério Público registrou 868 sequestros, 76% a mais do que em 2021.
Vale notar que o libertário Parisi ficou com quase 20% dos votos. O “Milei chileno” tem conquistado mais simpatizantes com uma plataforma de ampla liberdade econômica e endurecimento no combate ao crime nos moldes de El Salvador. Eis uma mensagem que cada vez seduz mais eleitores, por motivos óbvios.
A América Latina vai se afastando do Foro de SP, do comunismo. Já temos até Bolívia e Equador nessa direção, além da Argentina e do Paraguai. Enquanto isso, o Brasil lulista defendendo abertamente o modelo venezuelano, sendo que Trump prepara uma provável ação militar contra Maduro.
Temos que torcer para que os ventos de mudança cheguem ao Brasil em 2026 também. O problema, claro, é confiar no processo eleitoral…
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
MARTA MARIA MENEZES – RIO DE JANEIRO-RJ
Na COP 30
faltou água
faltou comida
faltou estrutura
faltou organização
faltou papel higiênico
Mas faltou PRINCIPALMENTE VERGONHA NA CARA!
E mais essa:
O chanceler alemão detona o Brasil e mostra como esse governo irresponsável gastou milhões para DESTRUIR A IMAGEM do país!
O desgoverno Lula fazendo o Brasil passar vergonha internacional. Esperar o que desse Presidente e sua Janja? pic.twitter.com/L51rh9UDKa
— Bia Kicis (@Biakicis) November 18, 2025
CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (2007) – UMA OBRA-PRIMA DOS IRMÃOS COEN
Quando Clint Eastwood encarnou seu “pistoleiro sem nome” na célebre Trilogia dos Dólares, de Sergio Leone, o gênero western ganhou um novo padrão. Não mais o cowboy bom-moço de outros clássicos do gênero, como os interpretados por John Wayne. Agora o protagonista demonstrava claramente sua moral duvidosa e seus óbvios traços de cinismo. Não é segredo para ninguém que ali o protagonista de western ganhou contornos bem mais humanos e quase que fronteiriços entre o herói e o anti-herói. Também seria óbvio dizer que os irmãos Coen conheciam muito bem essa evolução quando filmaram Onde Os Fracos Não Tem Vez. Mas a obra-prima de 2007 é muito mais que um simples padrão modernizado do gênero. Os diretores adicionaram elementos que modificaram sua estrutura e seu espírito. Se o longa-metragem o subverte ao dar o protagonismo a um anti-herói inequívoco, ele acaba também por modificar os próprios moldes dos vilões tradicionais, já que Anton Chiguhr é em tudo atípico.
Qualquer análise sobre Onde Os Fracos Não Tem Vez gravitará necessariamente em torno de seu anti-herói – um dos grandes vilões da história do cinema. Javier Bardem interpreta Chiguhr de modo assombrosamente inspirado e o compõe de uma série de maneirismos que revelam sua frieza, sua soberba e sua completa loucura. Seu corte de cabelo excêntrico parece ser usado por ele como uma ironia ou um deboche. Impressiona seu ritualismo a cada cena. Ele caminha calmamente até suas vítimas e dialoga com elas sem jamais se exaltar. O personagem decide com lances de uma moeda se seu interlocutor morrerá ou viverá.
Anton Chiguhr nega o livre arbítrio. Seus atos são reflexos de uma força que não demora a se revelar – o psicopata dos irmãos Coen encarna a própria força da morte. Irreprimível e atemporal. Nenhum dos personagens do longa-metragem apresenta registros de historicidade. Nada sabemos sobre eles. Nem suas motivações nem seus objetivos. Presente, passado e futuro tornam-se um só.
Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones). Excelente filme que demorei muito para assisti. Um filme bem tenso e para deixar mais tenso ainda o telespectador o filme não tem trilha sonora e com uma brilhante atuação de Javier Bardem, com uma boa fotografia soberba. Oscar merecido.
“Onde os Fracos não têm Vez” é, sem dúvida o auge dos irmãos Coen, que aqui fazem um trabalho de mestre em um filme que faz uma reflexão sobre os tempos de violência.
O filme acompanha um ex militar Llewelyn Moss que encontra em um cenário de crime uma maleta contendo 2 milhões de dólares. Ele decide levar para casa mesmo sabendo que vai dar errado. Um psicopata sem senso de humor e que mata com frieza é contratado para achar o dinheiro e inicia sua caçada deixando rastos de morte por onde passa, paralelamente o Xerife Bell está na caçada não só pelo assassino quanto por Llewelyn.
O filme é uma adaptação do livro escrito em 2005 por Cormac McCarthy chamado de No Country For Old Men, É escrito e dirigido pelos saudosos irmãos Coen que aqui achamacha seu melhor trabalho. É um filme profundo e cheio de camadas, definitivamente não é para todos já que os diretores adotam um ritmo lento e os diálogos são feitos para serem interpretados. Aliás eles estão muito inspirados aqui, cada personagem é brilhantemente bem escrito.
O filme tem como protagonismo o personagem Bell, veterano da polícia, o filme abre com um “voice over” com ele relembrando o pai e avô dele na época que eles trabalhavam na polícia, desse diálogo podemos tirar a sacada do filme, de que os tempos mudaram (ou não já que temos outro diálogo lá para o fim), agora o mundo é cheio de violência, o ser humano não possui mais bondade, são todos cheio de maldade e frieza, não se importando com o bem estar da sociedade, lá para o fim existe uma conversa entre Bell e seu tio onde podemos refletir se os tempos realmente mudaram ou se sempre nos humanos fomos violentos. São diálogos simples com grandes significados e as atuações são perfeitas.
Tommy Lee Jones está extraordinário. É uma atuação simples, mas que passa muita sinceridade. Josh Brolin é outro com grande atuação, é um homem comum que não se distanciou da guerra e que vê no dinheiro uma forma de mudar seu destino. É outro com muitas camadas. Temos boas participações de Woody Harrelson e Kelly Macdonald. Mas a alma do filme é Javier Bardem, aqui ele incorpora um dos maiores psicopatas da história do cinema e uma das melhores atuações masculinas da história. É um personagem muito frio, intenso e que tem uma “conduta de moral” distorcida para praticar suas atrocidades.
Os Irmãos Coen criaram um visual e fizeram uma escolha de ator para o papel na medida. O ator possui uma caracterização marcante com um cabelo e exótico e uma arma de crime absolutamente fora dos padrões. É a atuação do Bardem é assustadora. O olhar dele é assustador e passa muito de suas emoções, sua maneira de cometer os crimes é banal e fria, um fascinante estudo de personagem. Para auxiliar no suspense da obra, os Coen preferiram não adicionar trilha sonora, e com isso temos um filme tenso e bem trabalhado nesse western moderno.
O roteiro para variar é brilhante, sabendo dar profundidade nos personagens e na história em si em cima dos diálogos e das metáforas presentes no filme. A fotografia é excele, o design de produção é muito bom e o trabalho com o som é outro destaque da parte técnica além dos enquadramentos de câmera.
O longa concorreu em 8 categorias, saindo vencedor em melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Javier Bardem. “No Country For Por Men” é um filme brilhante, cheio de profundidade dos personagens e com uma grande mensagem de um mundo onde é dominado pelos fortes e os fracos realmente não tem vez, um mundo caótico onde a injustiça infelizmente reina.
Onde os Fracos Não Têm Vez – Trailer Legendado
A História Por trás de Onde os Fracos Não Têm Vez!
DEU NO JORNAL
A LEI ANTIFACÇÃO E OS DESAFIOS DO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
Editorial Gazeta do Povo

Veículo incendiado no Rio de Janeiro durante megaoperação contra o Comando Vermelho
Como tratar facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital? Esta é uma das principais questões que o Congresso Nacional será chamado a resolver quando votar, talvez nesta terça-feira, um projeto de lei de combate às facções, que está com a relatoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP). As investigações que levaram à deflagração da Operação Contenção, realizada pelas polícias do estado do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, ofereceram ao país mais detalhes daquilo que, no fundo, já era conhecido: o reino de terror que as facções impõem nos morros cariocas, aonde o Estado já não chega de forma alguma e onde os bandidos fazem as regras – situação que não é exclusividade do Rio de Janeiro, como atesta pesquisa recente.
Por um bom tempo, flertou-se com a ideia de equiparar as facções a grupos terroristas, mudando a Lei Antiterrorismo (13.260/16), para incluir nela o domínio territorial e ataques a serviços públicos – este segundo item já está, de certa forma, contemplado no inciso IV do artigo 2.º da lei, que considera ato de terrorismo “sabotar o funcionamento (…) de meio de comunicação ou de transporte (…), casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais (…).” No entanto, a questão é bem mais complexa, e em boa hora Derrite desistiu da ideia da simples equiparação com o terrorismo, preferindo um “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado Ultraviolento no Brasil”.
As facções são um monstro sui generis. Elas de fato agem “para provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”, como diz a Lei Antiterrorismo, e o fazem inclusive em locais que não dominam territorialmente, como atestam vários toques de recolher, impostos por traficantes. No entanto, faltam a elas as “razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião” listadas no caput do artigo 2.º da Lei Antiterrorismo. As razões das facções são bem mais prosaicas: obter lucro. O desejo dos criminosos é realizar suas atividades criminosas sem serem incomodados. A venda de proteção, o controle sobre atividades econômicas em certas áreas, e a infiltração no poder econômico e político aproximam as facções de um outro modelo, o da máfia. Com uma agravante: a omissão do Estado no combate ao crime organizado foi tão acintosa que, no Rio de Janeiro, o controle de estilo mafioso degringolou em domínio territorial absoluto, com os morros se transformando em enclaves nos quais as forças de segurança não entram – algo que só se vê em insurgências como a dos houthis do Iêmen ou dos grupos que se digladiavam na guerra civil síria.
E, desses três ingredientes, sem dúvida o aspecto de domínio territorial é o mais danoso. O domínio das facções sobre os morros cariocas e sobre outras áreas Brasil afora, a ponto de 26% dos entrevistados em uma recente pesquisa Latinobarómetro afirmarem que as facções ditam regras nos locais onde vivem, é um desafio aberto que joga por terra qualquer discurso sobre “soberania”. É o domínio territorial que permite às facções impor o terror aos moradores, punidos por violar as regras dos criminosos ou por desagradar algum chefão do tráfico. Qualquer lei antifacção tem de oferecer ferramentas para o Estado lidar com este problema.
Independentemente da caracterização que as facções venham a receber no novo projeto, há medidas propostas por Derrite que são bastante necessárias para um combate eficaz ao crime organizado. A elevação de penas (que são muito brandas para os casos de associação criminosa), as regras mais rígidas para progressão de regime prisional, o isolamento dos líderes do crime organizado, a criação de bancos de dados de membros de facções, a asfixia financeira dos criminosos pelo perdimento de bens resultantes do crime, tudo isso é importante, por mais que siga valendo o secular princípio exposto por Cesare Beccaria: a certeza da punição conta mais que a severidade da pena.
Como qualquer outro problema social, político ou econômico que um ou mais governos empurram com a barriga até se tornar colossal, o domínio do crime organizado sobre várias regiões brasileiras exigirá um esforço hercúleo, que hoje seria desnecessário se as facções tivessem sido combatidas ainda no nascedouro. O território terá de ser reconquistado – e isso exigirá, sim, que as forças de segurança subam os morros, mas também que o Estado se faça presente nas áreas que forem libertadas das mãos de traficantes e milicianos –, a lei terá de ser endurecida, o sistema de persecução penal terá de funcionar bem, a cooperação entre esferas de governo terá de ser intensa, os serviços de inteligência precisarão ser aprimorados. As respostas que a sociedade espera do poder público dependem de muito mais que a aprovação de uma lei – embora uma boa lei seja um bom ponto de partida, e esta é a obrigação dos parlamentares que analisarão e votarão o projeto antifacção.
PENINHA - DICA MUSICAL
