DEU NO JORNAL
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
BOM DIA
DEU NO X
ORGULHO: SOMOS CAMPEÕES DO MUNDO!
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
UM DEPUTADO “MUITO MACHO”
DEU NO JORNAL
PÁREO DURO
A CPMI do roubo bilionário aos aposentados e pensionistas deve retomar as atividades, logo após o recesso, priorizando a investigação do envolvimento de Fábio Luís, o “Lulinha”, filho de Lula (PT), no escândalo.
Será páreo duro com as investigações que estão previstas com revelações suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro e seu Banco Master, acusado de lesar milhares de investidores e com explicações sobre empréstimos consignados.
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A expressão “páreo duro”, contida nessa nota aí de cima, resume tudo.
Uma disputa de altíssimo nível.
Nessa competição, o filho Lulinha deve deixar o papai muito orgulhoso.
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
IDÍLIO – Antero de Quental
Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;
Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:
Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces
O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero Tarquínio de Quental, Ponta Delgada, Portugal (1842-1891)
DEU NO JORNAL
A REPUBLIQUETA BANÂNICA EM ESTADO PURO
ALEXANDRE GARCIA
CÓDIGO DE CONDUTA

Oito ex-presidentes do STF já declararam apoio a Edson Fachin e Cármen Lúcia sobre a criação de um código de conduta para ministros da corte
Já são oito os ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que estão de acordo com os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia para haver um código de conduta para os integrantes da corte.
Como vocês sabem, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não está acima do Supremo. Só quem está acima é o Senado Federal, que ultimamente tem se colocado abaixo por causa de presidentes como Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo a Constituição, o Senado é que julga desvios de ministros do Supremo.
A Lei Orgânica da Magistratura também tem seu código de ética, mas que a gente não está vendo ser seguido. Existe um contrato de R$ 129 milhões, pagamentos de R$ 3,6 milhões para mulher de Alexandre de Moraes. Isso é suficiente, não precisa de adjetivo. É falta de ética, assim como as decisões de Dias Toffoli, só para citar dois casos.
Agora, o ex-ministro Celso de Mello, que já foi presidente do STF e seu decano, se manifesta por escrito, escrevendo um artigo no jornal O Estado de S.Paulo. “Democracia começa pela ética de juízes” – no dia de Natal, ele escreveu isso e disse que é necessário um código de conduta. Que é uma medida “moralmente necessária e institucionalmente urgente”.
É o Celso quem está dizendo isso. “Na democracia se exige não só juízes honestos, mas regras claras que impeçam qualquer aparência de favorecimento, dependência ou proximidade indevida com interesses privados e governamentais.”
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Moraes foi convidado por Vorcaro para jantar em mansão de R$ 36 milhões em Brasília
O jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, informa que Alexandre de Moraes foi um dos 20 convidados, todos homens, por Daniel Vorcaro, para um encontro amistoso em uma mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, em Brasília, quando o Banco Master já pagava R$ 3,6 milhões por mês para o escritório de advocacia da família Moraes.
Quem mais, além de Fachin e Cármen estão apoiando um código de conduta: César Peluso, Marco Aurélio Mello, Carlos Veloso, Ayres Brito, Rosa Weber. Gilmar Mendes é contra, já disse que não precisa.
Eu já disse: não precisaria se a pessoa tivesse um código de conduta na medula, posto pela família, pelos pais, quando ainda criança. Isso é uma questão de formação, que vem de casa.
Vejam só: quem recebeu favores, viagens em jatinhos, patrocínios de Vorcaro – e não eram poucos – deve estar assustado. Imagina se Vorcaro falar, se contar tudo para se livrar de alguma forma.
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Se Galípolo decidir falar mais sobre conversas com Moraes…
Eu fico pensando: Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, fez uma nota muito cautelosa, diplomática, para falar sobre a possível pressão de Moraes no caso do Banco Master. “Falamos sobre Magnitsky em telefonema com Moraes”, ele disse, sendo que a nota de Moraes dizia “tratamos exclusivamente de Magnitsky”.
Moraes chegou a agir como porta-voz do escritório da mulher dele, dizendo que o escritório nunca tratou de assuntos do Master com o Banco Central. Mas estava ganhando R$ 3,6 milhões para quê, então? Imagina se o Galípolo decide falar mais.
Outra coisa que chama a atenção são essas agendas Moraes estarem sendo divulgadas agora, embora tenham acontecido antes. Esse jantar que citei, por exemplo, foi há um ano, mais ou menos.
Está se dizendo que a esquerda abandonou Moraes, ou o usou quando foi útil para anular Jair Bolsonaro. Agora que já se anulou Bolsonaro, ele tá sendo abandonado. Não sei se é isso, mas é o que eu tenho ouvido.
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Você e eu somos avalistas de empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios
Para encerrar, os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões. Não é pouco. Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Santander e Bradesco vão pagar 18% de juro ao ano. Dá um dinheirão: quase R$ 2 bilhões de juro ao ano. E quem é o avalista? Nós. Você. Eu também.
É o Tesouro Nacional, que guarda o dinheiro dos nossos impostos – esse é o avalista. Era muito mais fácil chamar o general Floriano Peixoto, que foi presidente dos Correios no governo Bolsonaro. Quando ele estava presidindo, os Correios davam lucro, tinham superávit.
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Uma notícia boa: Brasil vira maior produtor de carne bovina do mundo
Vamos encerrar com uma notícia boa: nós somos agora campeões de produção de carne bovina no mundo. Um quinto, ou 20%, da carne produzida do mundo é brasileira, o que equivale a 12,35 milhões de toneladas.
Os Estados Unidos produzem 11,8 milhões de toneladas. Em terceiro lugar, vem a China, com 7,8 milhões de toneladas. A gente termina ao menos com uma notícia agradável nesse fim de ano.
DEU NO X
ROBERTO CAMPOS COM A PALAVRA
DEU NO JORNAL
A REVOLUÇÃO
Roberto Motta

O Brasil é um filme ruim, feito por um diretor em final de carreira, financiado com dinheiro público e de exibição obrigatória. Como no filme Laranja Mecânica, os reeducadores da pátria nos obrigam a ficar de olhos abertos e assistir, milhares de vezes, o roteiro implausível e os atores constrangedores, até a morte.
Viver no Brasil é ter a expectativa da violência estatal. Nela se inclui a atividade criminosa, que só é possível, na intensidade e escala que conhecemos, porque os criminosos recebem do Estado uma autorização especial para operar – a verdadeira licença para matar. As razões já foram exploradas no meu livro A Construção da Maldade; desde a publicação do livro, entretanto, os criminosos foram ultrapassados pelo próprio Estado, despido, por aqueles que o controlam, de toda a inibição que restava.
Justificado pela defesa de um simulacro de democracia, o Estado avança sobre o cidadão e dele toma tudo: direitos, liberdade, corpo, propriedade e ideias. Testemunhar a história recente é assistir à gradual dissolução da vida privada, da consciência, dos direitos individuais e da autonomia intelectual e moral. No Brasil, o ano de 2025 foi 1984 – somado com A Revolução dos Bichos, Admirável Mundo Novo e Arquipélago Gulag.
Há dias em que o país é uma releitura subtropical da Coreia do Norte, um regime paranoico sustentado por polícia política, mega escândalos e alinhamento com o fanatismo internacional. Em outros dias somos a Venezuela do Sul, uma ditadura de chapéu de palha e progressismo de fachada, temperada com bravatas, cachaça e maconha.
Voltamos a 1889 em pleno século 21. A república, criada com um golpe, usa o medo de golpes como motivo para um mergulho em um poço de arbítrio, sujeira e escuridão. O povo estava certo em temer pelo futuro. O futuro chegou; e como os criminosos não foram presos pelos crimes que cometeram, inocentes são presos pelo que não fizeram. Olavo tinha razão.
Não há diagnóstico simples que explique como chegamos aqui. O único elemento que trago ao debate é meu espanto. Dizem que virá uma revolução; mas é pouco provável que ela seja o que a maioria espera, porque as revoluções nunca são. Enquanto ela não chega, preservo a sanidade tirando lixo da praia. Me olham como se eu fosse louco; mas só essa semana recolhi mais de dez quilos de plástico que acabariam no mar.
A maré subia, a água se aproximava da imundície espalhada na areia e ninguém fazia nada. A maioria dos frequentadores tomou a decisão de esticar a toalha e sentar, com a família, no meio da sujeira. Mas companheiro, basta arranjar um saco e limpar ao seu redor. Se não há disposição para isso, tudo está perdido.
No dia de Natal voltei à praia com a família. Um dos homens que trabalham nas barracas nos abordou no calçadão.
“Alô família, fiquem aqui com a gente. Duas cadeiras e um guarda-sol por R$ 30, é promoção”, ele disse. “A praia está ótima”.
Agradecemos e andamos rumo à barraca do Baiano, mais à frente.
Insatisfeito, o homem insistiu. Lá de trás veio a voz dele, em um tom diferente:
“Lá onde vocês estão indo é confusão. Já teve arrastão hoje”.
Olhei para a minha mulher e ela olhou para mim. Mas o homem ainda não tinha terminado. Enquanto nos afastávamos ele continuou a falar. O tom era de ameaça:
“Eu avisei. Vocês estão indo para lá por sua conta e risco”.
O Brasil é um filme ruim.
Que venha a revolução.




