Berto, bom dia!!!
Tem como publicar em nossa gazeta escrotíssima??
O dinheiro neste mundo
Não há força que o debande
Nem perigo que o enfrente
Nem senhoria que o mande
Tudo está abaixo dele
Só ele ali é o grande.
Ele impera sobre um trono
Cercado por ambição
O chaleirismo a seus pés
Sempre está de prontidão
Perguntando-lhe com cuidado:
– O que lhe falta, patrão?
No dinheiro tem-se visto
Nobreza desconhecida
Meios que ganham questão
Ainda estando perdida
Honra por meio da infâmia
Gloria mal adquirida
Porque só mesmo o dinheiro
Tem maior utilidade
É o farol que mais brilha
Perante a sociedade
O código dali é ele
A lei é sua vontade.
O homem tendo dinheiro
Mata até o próprio pai
A justiça fecha os olhos
A polícia lá não vai
Passam-se cinco ou seis meses
Vai indo, o processo cai.
Compra cinco testemunhas
Que depõem a seu favor
Aluga dois escrivães
E compra o procurador
Faz dois doutores de prata
Pronto o homem, meu senhor!
O RETORNO
Num comunicado breve, um amigo me fez saber do seu retorno a Brasília. Regressos geralmente merecem uma saudação. Seja bem-vindo, amigo, ao seu quartel general, ao regaço do seu lar. Quando me vem a notícia de que um amigo retornou ao colo da sua casa, logo sou acometido de um silencioso sentimento de conforto, de desafogo, uma sensação de resgate. Depois de certo tempo de ausência o retorno ao lar é de suprema alegria. O lar ainda é o local mais aconchegante. Evidentemente, os humanos, desde os primórdios, não foram feitos para a reclusão em suas casas, mas, a exemplo dos navios, para singrar os mares da vida. Pesarosamente, muitos retornos são demarcados por penosas tristezas, digamos uma peregrina comoção. Isso muito me diz. Isso ainda está aceso na minha memória.
Aos vinte anos, farejando sonhos, deixei a casa dos meus pais e desandei, sobre o lombo de um pau-de-arara, em busca de uma cidade que estava sendo edificada no vazio central do estado de Goiás. Apinhada de esqueletos de obras, e envolta numa gigantesca nuvem de poeira vermelha, os que já se achavam arranchados nela juravam que, finalmente, haviam encontrado o tão sonhado eldorado, onde se podia garimpar ouro em solo raso.
Pois bem, somente cinco anos depois, com algumas raízes nos pés, pude retornar à casa dos meus pais. Quão agradecido fiquei a Deus, minha bateria afetiva estava desnutrida. A primeira pessoa que apareceu à porta foi uma menina, quatro anos. Cheia de desconfiança com a presença de um forasteiro, ela disparou o alerta.
– Mamãe, tem um homem aqui.
– Como é o seu nome, perguntei.
– Verônica, ela respondeu com o semblante travado.
– Então, você é a Verônica? Eu sou seu irmão.
– Não, você não é meu irmão.
Me ajoelhei e disse:
– Verônica, eu sou o Jacob, seu irmão de Brasília, me dê um abraço.
Ela destravou a cara e correu, não para mim, mas para o interior da casa.
– Mamãe, mamãe, tem um homem, é meu irmão de Brasília.
Lá vinha minha mãe, com seu vestido molhado. De voz chorosa e soluçada, mal disse:
– Meu filho!!!!!
Um manifesto que escrevi há mais de uma década.
* * *
Nesse Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, venho a público lançar o seguinte
MANIFESTO AOS HOMENS BRASILEIROS
1) Conclamo todos os homens brasileiros para nos unirmos e reinvindicarmos a aplicação real do princípio da igualdade e da isonomia que está contido na nossa Carta Magna. Vamos lutar para a criação da Delegacia do Homem em todas as cidades do país, nos mesmos moldes das já existentes delegacias da Mulher, do Idoso e da Criança e do Adolescente.
2) Na Delegacia do Homem poderemos nos queixar das agressões que sofremos das nossas mulheres, das pragas de sogras, das mal criações das filhas e dos ataques das vizinhas. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco tem estatísticas incríveis sobre a quantidade de homens que são agredidos por suas mulheres, sobretudo nos bairros da periferia. Essas agressões geralmente acontecem com os companheiros exercendo seu saudável estado de embriaguês e são espancados bêbados, numa covardia inominável.
3) Briguemos pelo direito de sermos chamados de “Gostoso!” nas ruas, de termos a ventura de sentirmos uma mulher passar a mão na bunda da gente e de sermos estuprados por um trio de garotas jovens, num mato, num quarto ou numa beira de praia, assumindo o público compromisso de não nos queixarmos quanto a isso.
4) Batalhemos pela ascensão profissional das nossas mulheres, a fim de que elas passem a ter renda superior à nossa, de tal modo que possamos requerer pensão alimentícia em caso de separação.
5) E, no caso de ter a companheira uma renda de alto nível, batalhemos pelo direito de ficarmos no sagrado recesso do lar, exercendo as tarefas de dono-de-casa, com a competente assessoria de uma boa empregada.
6) Que façamos brotar um tempo onde a mulher abra a porta do carro, pague a conta no restaurante, escolha o motel, insista na cantada quando estivermos hesitando, tome a iniciativa de nos garanhar no carro e nos diga com os olhos brilhando: “Já estou molhada e de grelo duro…”.
7) Por fim, companheiros, nos unamos pelo sagrado direito de brocharmos e termos ejaculação precoce sem sermos alvos de jacotas, estatísticas, cobranças ou ameaças. Briguemos pela manutenção com altivez do lema “Enquanto eu tiver língua e dedo, mulher não me bota medo”.
Aviso do candidato a primeiro-ministro de Portugal, André Ventura, do Chega:
Se for eleito, Lula não pisa no país.
“Se insistir, vai para a cadeia. Mas ele já sabe o que é isso, não será grande novidade para ele”.
* * *
De fato, isso não é novidade pro Ladrão Descondenado: ele já sabe o que é cadeia.
Foi condenado em todas as instâncias.
Instâncias sérias.
E libertado por…
Deixa prá lá.
O que quero mesmo é que André Ventura se torne primeiro-ministro de Portugal e o Rei da Mentira invente de viajar pra lá.
Por favor, alguém me diz que escutei mal….. 🤦♀️🤦♀️🤦♀️… pensamento de merda🤦♀️🤦♀️ pic.twitter.com/gTtffB4ZXS
— Márcia Mello 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 (@marcia_miami) March 7, 2024