CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

INTENTO MALSUCEDIDO

Há na literatura espanhola uma expressão proverbial segundo a qual quien calla otorga. A bem dizer, quem não se manifesta contra uma atitude a ela acede.

Todos sabemos, os brasileiros mais singelos sabem, que os Ministros do Supremo Tribunal Federal são merecedores de cardápios condignos às suas indiscutíveis honorabilidades e estaturas doutorais, mas arbitrar para que o dinheiro do contribuinte banque iguarias e manjares principescos é lampejo de insensatez que não faz honras à sabedoria que historicamente pauta as ações dessa erudita e avisada casa de Justiça. Afora isso, resta considerar hipoteticamente a existência de um particular sentimento de desapreço à pátria natalícia; devastada por desigualdades sociais. (Faz parecer que os Ministros não foram fecundados no ventre brasileiro).

Agindo dessa maneira, mandando comprar vinhos de marca e lagostas especiais, o STF, ao invés de ofertar quinhão de auxílio para que o Brasil comece a melhorar as feições, comece a pôr a vestidura da prosperidade, presta seu contributo mantenedor das chagas sociais.

Portanto, consigno minha discordância, ínfima, a esse intento malsucedido; além de malsinar o renome da douta Casa, desampara o exercício da razão e, ademais, suscita o repúdio nacional sobremodo na maioria, esbofada, sobrevivendo apenas do essencial.

Se não se tem fármaco para remediar as dores desta Terra, vexada, chagada, não a tornemos mais enfermiça.

Se em dado momento o STF acometeu-se da falta de siso — e isso não é tragédia porque a perfeição é exclusividade de DEUS — que tenha a humildade para refluir: admitir o engano, perimir o intento. “O primeiro degrau para a sabedoria é a humildade”.

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