LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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SALVOS PELO SISTEMA

“Nada a comemorar”, disse o deputado Sanderson (PL-RS) sobre os 10 anos da Lava Jato.

Ele avalia que maior parte dos corruptos condenados “foram salvos pelo sistema, um deles inclusive colocado no Planalto”.

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Isso mesmo!

Entre os corruptos salvos pelo sistema e premiados com a descondenação, um deles, o mais cínico e notório, foi colocado no Palácio Planalto.

Tá lá com sua bunda suja na cadeira de comando.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

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A CULPA É DO OUTRO E DA IMPRENSA

Pesquisas para consumo interno mostram que o declínio da popularidade de Lula (PT) nada tem a ver com as alegações que fez nesta segunda (18), quando mais uma vez culpou Jair Bolsonaro e até a imprensa, que injustiça, sempre tão generosa com ele.

Os levantamentos confirmam que um dos problemas causadores da desaprovação é a inércia do Ministério da Saúde no combate à dengue.

“Ficaram olhando a dengue explodir”, diz uma dedicada profissional da comunicação oficial.

Editorial do Estadão foi ao ponto: não há marketing capaz de vender produto ruim.

Além de taxar, taxar e taxar, Lula se dedicou à caçada de bolsonaristas, por meio da Polícia Federal e de aliados no Supremo Tribunal Federal.

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A cacetada do Estadão foi no ponto certo: não tem comercial que consiga vender mercadoria ruim e bostosa.

Bom, o fato é que o Ladrão Descondenado não esquece Bolsonaro.

Pensa nele e fala dele 24 horas por dia.

Até de madrugada, nos seus pesadelos, ele enxerga um papafigo com o rosto de Bolsonaro.

Enquanto isto, a popularidade do bandido cai a cada minuto.

Só sobe mesmo nas eletrônicas, claro, onde ele foi “eleito”.

E olhe que estamos ainda em março.

Daqui pro fim do ano o desmantelo vai aumentar a cada dia.

ALEXANDRE GARCIA

EM 1972, HAVIA MILITARES ENTENDENDO MAIS DE LIBERDADE DE IMPRENSA QUE AUTORIDADES DE 2024

Em 1972, havia militares entendendo mais de liberdade de imprensa que autoridades de 2024

Esqueci de mencionar um aniversário importante na semana passada. Em 14 de março, fez 52 anos em que em pleno governo Médici, quando vigorava a censura, foi divulgado na Escola Superior de Guerra um relatório sobre comunicação social, e que gerou um livro chamado 1972, ano em que a liberdade de imprensa virou notícia. Esse relatório foi descoberto por O Globo, pelo Estadão e pelo Jornal do Brasil, que fizeram editoriais e reportagens sobre o relatório.

Vejam só que atualidade tem esse texto feito em plena época de censura, no governo militar do general Médici. O Globo chegou a fazer um título que dizia “Censura prévia pode levar à tirania, diz documento da Escola Superior de Guerra”. Vejam um trechinho do documento: “Tentar esconder os fatos para que a imagem de uma administração não seja atingida, ocultar falhas ou imprevidências é fazer perder a confiança do povo nos meios de comunicação, na voz do governo, e propagar o fato pelo boato, comentário velado, escândalo e manobras subreptícias. A crítica responsável deve existir. Única maneira de o governo não ter um conceito irrealista do momento”. E este outro trecho: “Todos concordam também que, na busca da verdade, o homem precisa de todas as informações, acesso a todas as ideias, e não apenas as que lhe desejarem fornecer. A melhor maneira de lutar contra o falso, de combater o erro, é conhecer para refutar ideias contra ideias. É o apogeu da liberdade”. Que tal transferirmos isso de 1972 para 2024?

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Chegou a hora da CPI do Abuso de Autoridade

A CPI do Abuso de Autoridade, proposta pelo deputado Marcel van Hattem, está com 176 assinaturas, mais que o necessário. Agora, ele está conversando com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para instalar a CPI. Lira havia prometido a ele que, depois de instaladas as comissões, falaria de CPI. Existe uma Lei de Abuso da Autoridade que não está sendo aplicada. E os deputados têm o dever, imposto pela Constituição, de preservar a sua competência legislativa e pôr as coisas nos devidos lugares.

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Mesmo fora do governo, Chega é o grande vencedor da eleição portuguesa

Estou chegando a Portugal, um pouquinho antes da primavera, e vejo André Ventura talvez como o maior vitorioso dessa última eleição. A Aliança Democrática, que vai para o poder, não é exatamente um partido, é uma aliança de cinco partidos, e não sei se algum deles chegou a 48 deputados como o Chega. Além disso, a AD só ganhou dois deputados, passando de 77 para 79, enquanto o Chega quadruplicou de tamanho. Já os socialistas despencaram de 120 para 77.

Com esses 48 deputados, Ventura agora tem força para instalar comissões de inquérito para investigar a compra de ventiladores durante a pandemia, a eficácia das vacinas e o destino do dinheiro que foi gasto. Ele, por exemplo, disse que foram comprados ventiladores da China que nunca foram entregues. Nós já conhecemos esse filme.

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Senadores argentinos não aprovam pacote de Milei e viram corresponsáveis pelo que acontecer agora

Na Argentina, o Senado não aprovou o pacote de Javier Milei, cometendo um erro estratégico. Se tivesse aprovado e as medidas não dessem certo, a responsabilidade seria do presidente. Agora, o que vier a acontecer na Argentina já é responsabilidade dos 42 senadores que votaram contra o pacote.

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

OS BONS COMPANHEIROS (1990) – MAIS UMA OBRA-PRIMA DE MARTIN SCORSESE

Cartaz de GoodFellas (1990)

Baseado no livro Wiseguy: Life In a Mafia Family, do repórter policial novaiorquino Nicholas Pileggi, lançado em 1985, ‘Os Bons Companheiros’ narra a ascensão e a queda de três gângsteres ao longo de três décadas. Robert De Niro, Ray Liotta e Joe Pesci.

A História contada em primeira pessoa pelo ítalo-irlandês Henry Hill (Ray Liotta), o filme traça uma biografia da Máfia. Ainda jovem Henry se envolve com Tommy De Vito (Joe Pesci) e James Conway (Robert De Niro) e se casa com Karen (Lorraine Bracco), jovem judia que vê toda a sua vida social se misturando com o crime. O filme tem roteiro de Nicholas Pileggi, em co-autoria com (Martin Scorsese).

Os filmes sobre a máfia se tornaram um lugar-comum dentro do cinema estadunidense. Depois de Francis Ford Coppola e sua tão bem-sucedida trilogia O Poderoso Chefão, surgiu um grupo bastante seleto de grandes filmes sobre o tema, a exemplo de Scarface, de Brian de Palma, Era Uma Vez na América, de Sergio Leone e Ajuste Final, dos irmãos Coen (esse um filme de gângster bem menos tradicional). Mas talvez o grande título do gênero, após Coppola, seja mesmo ‘Os Bons Companheiros’, lançado em 1990 sob a batuta do não menos talentoso Martin Scorsese. Há quem diga até que Scorsese superou Coppola com seu estudo tão original sobre o mundo da máfia.

Em primeiro lugar, é preciso compreender o que Os Bons Companheiros trouxe de novo ao tema. Ao contrário de filmes anteriores, incluindo a própria trilogia de Coppola, a obra-prima scorsesiana desloca o olhar sobre esses personagens tão fora da lei para o âmbito mais doméstico e pessoal possível. O cineasta conhecia o ambiente daqueles homens, já que passou toda a juventude em um bairro nova-iorquino repleto deles. Por isso, não há apenas momentos de violência explícita e de gatunices no longa-metragem. Scorsese tira seus mafiosos das ruas e dos bordéis e os coloca também em suas casas e em suas festas de família. Eles passam a se parecer mais com homens normais do que era de se esperar e isso chega mesmo a criar afeto por eles. Mas é bom pontuar que não há nenhum esforço de romantização por parte do diretor, que filma seus brutais assassinatos com uma perícia inigualável. A grande novidade é que ‘Os Bons Companheiros’ não dá respostas unidirecionais sobre seus gângsteres.

Martin Scorsese faz o que ninguém havia feito – ele traz o alto crime para o mundo dos homens comuns. Além de maravilhosamente bem filmado, seu longa-metragem tem em sua trilha sonora uma de suas fortalezas. Ela dá o tom exato do clima de subversão e de risco constante, em um universo onde o banditismo é quem dá as cartas. Tonny Bennet, Aretha Franklin, Rolling Stones, The Who, Cream e outros artistas canônicos da música norte-americana constroem uma das trilhas sonoras mais memoráveis da história do cinema. O clássico riff de Sunshine of Your Love, da banda de Eric Clapton, se tornou parte indissociável de ‘Os Bons Companheiros,’ assim como a antológica queima de arquivo pontuada com certa dose de ironia por Layla, da banda Derek & The Dominos. Todas as canções parecem feitas sob medida para o filme e se entrosam muito bem com o submundo criminoso de Jimmy Conway (Robert De Niro), Tommy DeVito (Joe Pesci) e Henry Hill (Ray Liotta). Um amálgama entre imagem e som raro de se ver.

Em sua conclusão, ‘Os Bons Companheiros’ quebra a quarta parede para envolver diretamente o espectador em suas indagações finais. O filme conquista o público exatamente por mexer em algo escondido profundamente nele – o desejo de transgressão. Jimmy Conway e sua camarilha trazem à tona a sede de insubordinação do homem comum, submetido a tantas leis, regras e obrigações sociais ao longo de toda a vida e sem receber, muitas vezes, a devida contrapartida. Não se trata, de forma alguma, de uma justificativa rasteira ao crime, que é praticado da forma mais ignóbil durante todo o longa-metragem. Mas uma coisa é certa: quando Tommy DeVito atira enfurecido contra a câmera, Martin Scorsese sabe muito bem o que deseja despertar em seu público.

Les Affranchis – Bande Annonce Officielle (VF) – Robert De Niro / Ray Liotta / Martin Scorsese:

Os Bons Companheiros – O Melhor Filme do Martin Scorsese:

14 Curiosidades + Segredos OS BONS COMPANHEIROS (GoodFellas) 1990 | Canal Replay:

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O EMBATE DE IDEIAS E O ABUSO DO CONCEITO DE “FAKE NEWS”

Editorial Gazeta do Povo

Presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chamou de “fake news” as críticas ao novo Código Civil

Até o momento são pouquíssimas as vozes na opinião pública (entre elas, a desta Gazeta do Povo) que têm chamado a atenção da sociedade para a proposta de um novo Código Civil atualmente em elaboração por uma comissão de juristas, convocada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) – tecnicamente, trata-se de emendar a Lei 10.406/02, mas são tantas as alterações que o apelido “novo Código Civil” se justifica plenamente, sendo usado até no site do Senado. Estas vozes têm denunciado tanto o conteúdo do relatório quanto a forma como ele está sendo levado adiante, sem a participação da sociedade, que receberá, quando muito, um texto já pronto que caberia aos representantes do povo no Congresso chancelar, rejeitar ou tentar emendar, embora neste caso sejam tantos os problemas que seria mais adequado falar em uma reescrita completa. A maneira como Pacheco reagiu quando os problemas deste novo Código foram trazidos à luz é um exemplo perfeito não tanto das falhas do relatório, mas de outro problema crônico do debate público nacional: a banalização e a distorção do termo “fake news”.

Pois foi exatamente essa a reclamação de Pacheco: no X (antigo Twitter), o presidente do Senado afirmou estar sendo “vítima de fake news, das mais irresponsáveis e levianas, afirmando que eu seria favorável à poligamia, à retirada de poder dos pais e à autonomia infantil para mudança de sexo”. Acrescentou, ainda, que tais “mentiras (…) têm como pano de fundo a atualização do Código Civil brasileiro, que será amplamente discutida pelo Congresso e com a participação de toda a sociedade”. A consequência lógica, como se vê por muitas das reações às mensagens de Pacheco, foi um clamor pela volta à pauta do PL 2.630/20, o chamado “PL das Fake News” ou “PL da Censura”.

Já há muito tempo a Gazeta do Povo vem alertando para o uso indiscriminado da expressão “fake news” para se desqualificar qualquer discurso que soe desagradável aos ouvidos de alguém, quando na verdade ele deveria descrever única e exclusivamente uma afirmação factual que seja evidentemente mentirosa. Análises, opiniões, interpretações, conjecturas, nada disso poderia ser chamado de fake news – e isso independe de tais opiniões serem sensatas ou não, estarem corretas ou não, até mesmo de serem lícitas ou não do ponto de vista legal. A própria natureza desse discurso analítico ou opinativo, que pertence ao campo das ideias, é diversa da simples narrativa, que pertence ao campo dos fatos e é passível de uma verificação objetiva que confirme ou negue sua veracidade. Esta última, sim, pode constituir fake news; aquele, jamais.

No caso do novo Código Civil, uma das críticas é realmente uma afirmação factual: a de que o novo código está sendo desenhado longe dos olhos da sociedade, por uma comissão de juristas, de forma apressada, sem a participação ativa dos brasileiros, ao contrário do que houve na última grande reforma desta lei, 20 anos atrás. Pacheco até o admite sem querer quando diz que “a atualização do Código Civil brasileiro (…) será amplamente discutida pelo Congresso e com a participação de toda a sociedade” – note-se o verbo no futuro. Mas, em todo o resto, estamos diante da pura análise opinativa.

Por exemplo, quando se afirma que o texto deixa brechas para o abortismo ao tratar o nascituro não como a vida humana em plenitude que ele já é, mas como “potencialidade de vida humana pré-uterina ou uterina” (destaque nosso); quando se denuncia a possibilidade do  divórcio unilateral dispensando o consentimento e mesmo a presença do outro cônjuge; quando se alerta para ameaças à autoridade dos pais, com novos textos sobre a autonomia das crianças e adolescentes e sobre a perda do pátrio poder; ou quando se considera que outra inovação no direito de família, a “sociedade convivencial”, citada em vários artigos do relatório sem uma definição precisa, pode abrir às portas ao reconhecimento jurídico de uniões poligâmicas, estamos no campo da análise, da opinião, da conjectura baseada naquilo que o relatório prevê, mas não no campo das afirmações factuais puras e simples. Tais análises e opiniões podem até estar equivocadas, mas quem se dispuser a oferecer o contraponto haverá de admitir que estamos travando embate de ideias, e não realizando uma “checagem de fatos”. Chamar tais críticas de fake news, portanto, revela ou uma enorme ignorância sobre os tipos de discurso, ou uma enorme má-fé de quem quer desqualificar uma opinião por discordar dela, ou pelo menos uma cegueira motivada pelo apego, como pode até ser o caso de Pacheco, já que o novo Código Civil lhe é especialmente caro.

O recurso não é inédito, evidentemente, e pouco tempo atrás testemunhamos episódio idêntico quando a denúncia de uma nota técnica abortista do Ministério da Saúde foi classificada como fake news. Primeiro, tentou-se negar até a existência do documento; uma vez desmascarada essa afirmação, passou-se a alegar que a nota técnica não afirmava o que se atribuía a ela, uma legalização prática do aborto em qualquer idade gestacional. Aqui, novamente, entramos no campo da análise, lendo a nota técnica em conjunto com todas as outras normas sobre o atendimento à gestante vítima de violência sexual – como a dispensa de aviso à polícia – e chegando à conclusão, em nossa visão bastante lógica, de que estava aberta a brecha para o aborto sob demanda em qualquer etapa da gravidez, bastando uma alegação falsa de estupro. Novamente, não havia fake news de nenhum tipo ali – havia uma afirmação factual verdadeira, sobre a existência do documento, e uma análise opinativa a respeito de suas possíveis consequências.

O combate à mentira e às informações falsas é importante – embora a melhor forma de fazê-lo seja passível de discussão –, mas foi completamente distorcido graças à confusão (proposital ou não, pouco importa) introduzida em relação ao que agora se convencionou chamar de fake news. O que está sendo suprimido, agora, não é simplesmente a afirmação factual mentirosa, mas qualquer análise ou opinião incômoda sobre determinados temas, que são assim transformados em tabus inquestionáveis. Chamar de fake news uma afirmação da qual se discorde passou a ser muleta conveniente para escapar do debate enquanto se desmoraliza um opositor, ou até mesmo se invoca o braço estatal contra ele por manifestar certas opiniões. Um truque fatal para a liberdade de expressão, e que por isso se torna ainda mais criticável quando vem do presidente de um dos poderes da República.