Até quando a imprensa vai ficar fingindo que não estamos numa ditadura? pic.twitter.com/BjYq9uQ6ET
— Carlos Jordy (@carlosjordy) March 22, 2024
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Em entrevista ao podcast do Diário do Poder divulgada nesta quinta-feira (21), o vice-líder da Oposição na Câmara, deputado Evair de Melo (PP-ES), comparou o presidente Lula (PT) a uma praga que mata a raiz da planta, na agricultura.
Para Melo, de família de cafeicultores, os ataques do petista ao agronegócio, desde a campanha de 2022, prejudicam o País:
“O presidente hoje é uma praga de solo. Ele está matando a raiz brasileira, está literalmente matando nossa galinha dos ovos de ouro”.
* * *
Comparar Lula a uma “praga de solo” é ofender a coitada da praga.
O Ladrão Descondenado é um praga bem pior.
Que vem assolando essa infeliz nação sem piedade, e com a cara mais lisa do mundo.
Em um cemitério de Paris, numa lápide havia um epitáfio:
“DULCE FARNESI de SFORZA, Baroneza de Rosenville, fidalga italiana, descendente dos Doges de Veneza. Casada com o nobre francês Barão Julien de Rosenville, senhor do Castello de L’ Etoille. Morreu numa lagoa da região de Pernambuco em terras dos Brasis, 1511.”
Alfredo Brandão, escritor e pesquisador alagoano, procurou desvendar o fato, e numa viagem à Itália, pesquisou sobre a genealogia dos nobres italianos. Depois de exaustivas pesquisas conseguiu reconstituir a história.
* * *
“Numa festa em Veneza, o Barão de Rosenville conheceu Dulce. A moça desfilava em uma gôndola, fantasiada de rainha do Adriático. O barão apaixonou-se perdidamente pela beleza, meiguice e bondade da jovem. Nessa época, toda a Europa falava do descobrimento da terra de Santa Cruz. O barão casa-se com Dulce e resolve viajar para a terra recém-descoberta. Por dois anos, habitou no litoral de Pernambuco junto à enorme lagoa Manguaba (Alagoas fazia parte da Capitania de Pernambuco, na época). Ali mandou construir uma casa senhorial – um galpão de madeira em forma de castelo – e junto a este foi edificado um fortim de pedras. O Barão comercializava pau-brasil, fornecendo a madeira aos traficantes, seus conterrâneos, que atracavam a nau no porto dos franceses (hoje praia do Francês). O Barão gostava de caçar durante o dia. À noite, estudava as estrelas, enquanto Dulce bordava. Os marinheiros e os índios tocavam viola e dançavam ao ar livre.
A jovem Baronesa encantou-se com a região. Adorava a Lagoa Manguaba, os passeios de canoa, tudo lhe lembrava Veneza, sua terra natal. A moça era doce como seu nome indicava. Sempre a sorrir, alegre e esvoaçante, gostava de montar em seu cavalo, que trouxera da Bretanha, vestida de amazonas, cabelos esparsos ao vento. Ela lembrava assim uma ninfa dos bosques, uma aparição das florestas, uma iara das lagoas. Os indígenas caetés tornaram-se amigos dos franceses, principalmente do casal.
Um dia, Dulce resolveu improvisar uma festa aquática, idêntica às de Veneza. Convidou os indígenas caetés da região, que compareceram em suas canoas adornadas de flores silvestres. Julien não pôde assistir à festa, tendo que ir à nau de D. Rodrigo D’Acunã, que nesse dia seguia para a Europa com um carregamento de pau-brasil. Foi despedir-se de sua amada, maravilhando-se com o que viu: Dulce pronta para partir para a lagoa, com seu séquito de moças caetés, belíssima, fantasiada de rainha dos índios. Vestia uma túnica branca. Presa à cintura delgada havia uma tanga de penas de arara. Sobre a cabeça, um cocar de plumas alvas. Nas orelhas, dois muyrakitãs de pedras verdes. Um simulacro de tatuagem, com as cores do jenipapo e urucum, de pintinhas azuis e rosadas, o colo alvo e os braços nus. O Barão não resistiu, abraçou-a e beijou-a ali mesmo em frente a todos.
Quando o cortejo da rainha passava em frente à barra, o vento Nordeste soprou rijamente. A maré enchente arrastou as canoas para o meio da lagoa onde se espalhava o encantamento da planta cheia de flores. Súbito, todos gritaram. A canoa da Baronesa afundara e desaparecera no turbilhão das águas e das plantas.
Quando o Barão soube da tragédia, louco de dor, auxiliado pelos seus marinheiros e os indígenas caetés, procurou o corpo da Baronesa durante o resto da tarde e durante toda a noite. Pelo amanhecer, viram no meio da lagoa um ajuntamento de flores alvas, pintadas de roxo e azul, tal qual Dulce se tatuara. Os índios mergulharam e, logo depois, trouxeram à tona a sua Baronesa, morta, muito pálida, mas muito bela ainda. O Barão, em sua dor, regressou à Europa, onde enterrou o corpo da amada em Paris. Triste e solitário, terminou seus dias no castelo de L’ Etoille. Os índios caetés, a partir desse acontecimento, deram à flor o nome de baronesa.”
Bombástico.
Em áudio divulgado pela revista Veja, Mauro Cid afirma que foi forçado pela PF a falar coisas que não sabia, e que a polícia não está interessada na verdade, mas sim em comprovar uma narrativa pronta.
As afirmações colocam em xeque o testemunho de Cid contra o… pic.twitter.com/0W8sg3il7n
— Leandro Ruschel 🇧🇷🇺🇸🇮🇹🇩🇪 (@leandroruschel) March 22, 2024
Comentário sobre a postagem REPARA SÓ O QUE ELE FALOU
Pablo Lopes:
Sim, devem desculpas.
Mas jamais as pedirão: Lula e sua companheira de visitas íntimas não têm estatura moral para admitir erros.
Isso na hipótese de que foi um erro, o que divido muito.
Na verdade sempre souberam que os móveis estavam lá e só fingiram não saber para gastar dinheiro público sem licitação.
Ademais, se tivessem vergonha na cara, teriam informado que os móveis estavam no palácio assim que foram “encontardos” em setembro de 2023.
Contudo, foi necessário um furo de reportagem para que fosse divulgado.
O casal real é a pura definição da imoralidade e hipocrisia.
Luís Vaz de Camões veio da pequena nobreza – assim se dizia, na época, dos nobres sem casas nem títulos em Portugal. Desde jovem, passava dias e noites pelas ruas entre pedintes, arruaceiros, prostitutas, desvalidos. Ou nas tabernas. E escrevendo versos, quando possível, às vezes em troca de gorjeta. Ou comida.
Era conhecido, pelas incontáveis rixas em que se metia, como Trinca-Fortes. Em uma delas, na noite da procissão de Corpus-Christi, golpeou com espada o pescoço de Gonçalo Borges, cárrego (responsável) dos arreios do rei. Acabou preso no tronco. Libertado por Carta Régia de Perdão, em 7 de março de 1553, teve que pagar quatro mil réis para caridade e foi obrigado a ir servir na Índia. Seria mudança definitiva, em sua vida. Um destino jamais sonhado por seus pais – Simão Vaz de Camões, capitão de nau; e Ana de Sá, dos Macedo de Santarém, doméstica.
Em torno dele, quase tudo é incerto. Sabe-se, dos serviços que prestou na armada portuguesa, que nasceu em Lisboa – ou Coimbra, ou Santarém, ou Alenquer. Talvez em 1523 ou, mais provavelmente, em 1524 (havendo ainda que sugira começos de 1525). Tendo a lei portuguesa 1540, de 02/02/1924, definido que teria sido em 05.02.1524, agora completando essa data 500 anos. Estudou em Coimbra, entre 1542 e 1545, com o tio dom Bento de Camões, prior do Convento de Santa Cruz. Até que voltou para Lisboa. Mas a carreira das armas, logo percebeu, era mesmo das poucas opções que lhe restavam.
Para cumprir aquela sentença de perdão embarcou pouco dias depois, em 24 de março, na poderosa armada do capitão-mor Fernão Álvares Cabral. Para Goa (Índia). Ali, naquele mundo para ele novo, sofreu todas as agruras. Em expedição a Ceuta, perdeu o olho direito numa batalha. Em 1558, naufragou na foz do rio Mekong – costa do Sião (hoje, Tailândia). Salvou-se despido, como todos os demais sobreviventes, tendo em uma das mãos os primeiros versos de seu Os Lusíadas. Nesse episódio teria morrido uma chinesa, a quem Camões deu o nome poético de Dinamene, e para quem depois escreveria uma série de poemas, entre eles o famoso Soneto 48:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subsiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Foi Provedor dos defuntos nas partes da China, desempenhando suas funções com não muita lisura, é de justiça reconhecer. E, vez por outra, frequentaria prisões. Por dívidas. Ou rixas. Como dizia o próprio Camões, “Erros meus, má fortuna, amor ardente/ Em minha perdição se conjuraram”. Mas, sobretudo, nunca parou de escrever.
Em 1570, afinal, estava novamente de volta a Lisboa. Com as carências financeiras de sempre. Segundo se conta, sobreviveu durante algum tempo graças ao fiel Jau, trazido das Molucas. Esse escravo esmolava, de noite, pedindo pão para seu mestre. Importante é que Os Lusíadas avançava. Sob o patrocínio de d. Manuel de Portugal, devotou-se então à sagração de seu país – naquela que é considerada, consensualmente, a mais bela epopéia do século XVI.
A edição princeps – assim se diz das primeiras edições de um livro – foi impressa na tipografia de António Gonçalves, em Lisboa, no ano de 1572. Com privilégio real de impressão por 10 anos e publicada com um benévolo (e corajoso) parecer censório de frei Bartolomeu Ferreira, sem data. Terá tido também licença da Mesa Inquisitorial – que, todavia, não foi impressa. O aparato paratextual é simples, 8.816 versos e 1.102 estrofes divididas em 10 cantos. Utilizando a divisão da divina Comédia, de Dante – que assim tem, como cantos, seus 100 livros. Há, hoje, cerca de 25 exemplares ainda existentes, em bibliotecas ou nas mãos de colecionadores. Talvez menos que 10 completos.
Até fins do século XIX, se acreditava ter havido duas edições princeps. Um mito devido a Manuel Faria e Souza – que (em 1639), ao comentar Os Lusíadas, confrontou dois volumes daquele mesmo ano de 1572; e verificou haver, neles, pequenas diferenças. Depois se comprovando terem sido bem mais que duas. Restando hoje assente que assim ocorreu pelo desejo de Camões, ou seu editor, em corrigir pequenas incorreções das impressões anteriores. Dando-se que, em alguns casos, foram sendo aproveitados conjuntos de páginas já impressas, antes, e não utilizadas. Fazendo-se, as correções, nas novas páginas impressas. Uma explicação que só se pode compreender pelos rudimentares sistemas de impressão daquela época.
Apesar de numerosos indicativos dessa edição princeps na comparação com as demais, e curiosamente, o que a identifica é um pelicano, à primeira página, com o bico virado para a esquerda do leitor. Além do pelicano, também um detalhe no terceiro verso da primeira estrofe, que começa por “E entre”; enquanto, nas versões corrigidas, começa por “Entre”. Essas edições de 1572 tornaram-se conhecidas, por isso, como “Ee” e “E”.
Camões tinha com ele, ao morrer, aquela que acabou tida como a primeira edição autêntica, deixada ao frei Joseph Índio, que o acompanhava num hospital de Lisboa. Esse volume é conhecido como Holland House – por ter estado em casa do general Lord Holland, em Londres, a partir de 1812 e por mais de cem anos.
Outra edição famosa, em Portugal, é a segunda ‒ conhecida como dos piscos. Surgida em 1584, dois anos após o fim do prazo do alvará que protegia a primeira (de 1572). Impressa pela tipografia Manuel de Lira, em Lisboa, e com licença do mesmo frei Bartolomeu Ferreira – responsável pela autorização da edição princeps. O nome jocoso dado à edição vem de uma citação, nos Lusíadas (Canto III, 65), sobre a “piscosa Cizimbra”. Sezimbra é uma vila portuguesa no distrito de Setúbal. Abundante em peixes, bom lembrar. Trata-se da primeira edição comentada de Os Lusíadas. Explicando a citação, o comentador, como referência aos pássaros que ali se juntam em passagem para a África, provavelmente se referindo ao Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus Rubecula).
Camões segue a trilha de outras epopéias do passado. Sobretudo a Eneida, de Virgílio; o que se vê até na comparação dos versos iniciais dos poemas: Canto as armas e o varão, Virgílio; e As armas e os Barões assinalados, Camões. Também a Ilíada e a Odisseia, de Homero. Bem como a divina Comédia, de Dante. Além de numerosas epopéias surgidas em Portugal, no mesmo século XVI de Os Lusíadas, mas antes dele – como as de André de Resende, Manuel da Costa ou José de Anchieta; e manuscritos que circularam, antes de 1572, como os de António Ferreira e Jerónimo Corte-Real.
Nele temos o passado, com a exaltação das conquistas em que o povo português foi muito além do Mar Tenebroso. O presente, com o lamento pelo abandono das terras africanas por Portugal – de Safim a Azanos, de Azila a Alcácer Cequer; sem contar a ameaça turca, conjurada só na batalha naval de Lepanto, em 7 de outubro de 1571. Mas é sobretudo a antevisão de um futuro grandioso, na linha da Utopia do Quinto Império.
“Para servir-vos, braço às armas feito; Para cantar-vos, mente às Musas dada” (Os Lusíadas, Canto X, 155). Pouco antes, em Desenganos, escreveu “Nascemos para morrer/ Morremos para ter vida/ Em ti morrendo”. Assim foi. Luís Vaz de Camões morreria em 10 de junho de 1580, pouco depois do desastre de Alcácer Quibir – em que desapareceu d. Sebastião, o Desejado, e Portugal passou a ter um rei espanhol. Foi enterrado na igreja de Santa Ana e seus restos acabaram transferidos, em 1894, ao mosteiro dos Jerônimos, onde repousam num túmulo esculpido em mármore bem na entrada. Consta que disse, ao morrer, “Ao menos morro com a pátria”.
“É a retratação ou a responsabilidade por calúnia e difamação. Lula decide”, deputada Rosana Valle (PL-SP) dá alternativas para o presidente após mentir sobre o “sumiço” de móveis do Alvorada.
* * *
Ou então é só ele tomar um porre de cachaça, arrotar e soltar um peido.
E ficar tudo do jeito que está.
Nada mais que isso.
Afinal, vivemos na Republiqueta Banânica.
Bolsonaro em chegada a Rio Branco/AC as 23:50h
Os haters piram! pic.twitter.com/zGt4i183Xs— TeAtualizei 🇧🇷👊🏻❤️ (@taoquei1) March 22, 2024
Jânio da Silva Quadros foi um grande político da UDN (União Democrática Nacional), que exerceu a Presidência da República por apenas sete meses, de 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961.
Durante a campanha política, Jânio, com sua voz empolada e seus jargões inteligentes, proferia fortes discursos de combate à bandalheira política. Usava como símbolo de sua campanha uma vassoura na mão, “para varrer a corrupção do País”.
Nunca se vendeu tantas vassouras nas cidades do interior nordestino, como na campanha de Jânio. Sem falar nas brigas com vassouradas que havia entre as donas de casa que torciam por ele e as adversárias, que torciam pelo Marechal Henrique Teixeira Lott.
O jingle da sua campanha dizia: “Jânio Quadros é a certeza do Brasil moralizado!” Em um curto governo de sete meses, Jânio Quadros tomou grandes decisões como Presidente da República.
A filosofia da vassoura de Jânio tinha um grande compromisso com a moralização pública dos hábitos e costumes brasileiros, sempre defendendo uma educação moral e conservadora.
A vassoura, portanto, foi o elemento-símbolo da campanha presidencial de Jânio Quadros, pois ele pretendia “varrer” a corrupção do país.
O jingle “varre, varre vassourinha/varre toda a bandalheira” tornou-se um sucesso na época.
Com seu vice-presidente João Goulart (1918-1976), oriundo do PTB, Jânio formou a chapa denominada “Jan-Jan”.
Foi o 22º Presidente do Brasil, e sucessor de Juscelino Kubitschek (1902-1976).
Começou a carreira política elegendo-se vereador, e posteriormente, prefeito, governador e deputado federal pelo estado de São Paulo.
Estes cargos foram primordiais para adquirir popularidade entre os paulistas e, mais tarde, assumir o cargo de Presidente da República.
Casou-se com Eloá Quadros em 1942 e teve uma filha, Dirce Maria Quadros, que seguiu a carreira política. Sua filha foi eleita deputada federal pelo PSDB, de 1987 a 1991.
Político inesquecível, com o patriotismo à flor da pele, sua fabulosa inteligência e sua verve irônica, Jânio Quadros tinha como meta varrer o lixo político do Brasil e acabar com a corrupção.
Foi um líder carismático das massas. Usava ternos escuros e tentava aproximar-se cada vez mais do povo, mantendo assim a sua popularidade.
Seus propósitos continuam em aberto, e o nosso País espera, desesperadamente, que a corrupção tenha fim, o que não deixa de ser uma utopia.
Sua intenção era a melhor do mundo, mas de boas intenções o inferno está cheio, como diz o ditado.
Jânio Quadros ascendeu à presidência do Brasil em 1961, eleito com 5,6 milhões de votos e apoiado pela UDN (União Democrática Nacional). Esse partido era de centro-direita e aliado com as políticas dos Estados Unidos. Teve como adversário político derrotado, o Marechal Henrique Teixeira Lott (1894-1984).
O cenário do Brasil era de crise, pois o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960) deixou o país com a economia desestruturada, e com a inflação e a dívida externa maiores.
“Tão graves como a situação econômica e financeira, se me afigura a crise moral, administrativa e político-social em que mergulhamos”, afirmou Jânio em seu discurso de posse como Presidente da República.
Para conter esses problemas, Jânio Quadros congelou salários, desvalorizou a moeda nacional e restringiu o acesso de fundos de crédito, como tentativa de equilibrar a economia.
Quanto ao cenário externo, o mundo vivia a Guerra Fria (liderada pelas duas superpotências mundiais, EUA, capitalista, e a URSS, socialista). Desse modo, Jânio permaneceu numa posição neutra e, muitas vezes, sendo pragmático e privilegiando os interesses econômicos.
Apesar de conservador e anticomunista, essa posição não refletiu na política externa de Jânio Quadros. Aproximou-se de nações socialistas como Cuba, China e URSS.
Embora possuísse certa inclinação autoritária, Jânio auxiliou na consolidação do regime democrático no país, atacando várias vezes a elite, em defesa das camadas populares.
Depois de eleito, Jânio extrapolou o limite de tolerância dos adversários, com proibições absurdas.
Seguindo essa linha, suas ações foram um tanto retrógradas, como:
– proibição do uso de biquínis nas praias;
– proibição das rinhas de galo;
– proibição de uso de lança-perfume .
Isso demonstrou fragilidade nas metas do plano político proposto, afastando a população, e com o tempo, o presidente foi perdendo a popularidade.
Como Presidente da República, em 1961, participou da entrega da medalha “Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul”, a mais alta condecoração do governo brasileiro, a Che Guevara (1928-1967), líder do movimento socialista na América Latina. Esse gesto provocou críticas da direita brasileira e concorreu para que fosse forçado a renunciar, “por forças terríveis”, como ele disse, sendo substituído pelo vice-presidente João Goulart.
Após perder o apoio dos militares e com a pressão de Carlos Lacerda (1914-1977), líder da UDN, Jânio renunciou no dia 25 de agosto de 1961.
Foi o primeiro Presidente do Brasil a renunciar.
Numa carta ao Congresso Nacional, Jânio declarou a pressão que estava sofrendo por “forças terríveis”, fator determinante para justificar sua renúncia.
Trechos da Carta de Renúncia de Jânio Quadros:
“Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções nem rancores.
Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior.
Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.
Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.”
Com a volta da Democracia, em 1985, Jânio Quadros foi eleito prefeito de São Paulo, derrotando o então senador Fernando Henrique Cardoso.
Frases célebres e hilárias de Jânio Quadros:
• “Bebo-o porque é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia.”
• “O PMDB é uma arca de Noé, sem Noé e sem a arca.”
• “Intimidade gera aborrecimentos ou filhos. Como não quero aborrecimentos com a senhora, e muito menos filhos, trate-me por Senhor.”
• “Aprendi no berço com minha mãe, que não há homem meio honesto e meio desonesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são.”
• “A inflação dissolve o dinheiro, avilta os tesouros, compromete o crédito, perturba a produção, paralisa as obras, dessora os governos, depaupera os particulares, fermenta as revoluções.”
• “Neste país, milhões e milhões de homens trabalham, trabalham para uns poucos comerem, come¬rem.
Em um de seus polêmicos discursos , disse Jânio Quadros:
“No Brasil, há dois tipos de pessoas:
Aquelas que comem e não trabalham, e aquelas que trabalham e não comem.
Se essa premissa fosse verdadeira, Deus teria feito as primeiras sem braços e as segundas sem bocas.”
Jânio da Silva Quadros nasceu em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, no dia 25 de janeiro de 1917 e faleceu em São Paulo, em 16 de fevereiro de 1992, com 75 anos.