PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

PRISÃO DE MAURO CID

Deltan Dallagnol

Mauro Cid volta a ser preso ilegalmente. Já cumpre prisão de mais de 5 meses SEM ACUSAÇÃO criminal, quando o máximo é 40 dias, o que foi sempre estritamente respeitado na Lava Jato.

Se não há os dois requisitos pra denunciar (prova da existência do crime + indícios de autoria), não tem os requisitos para prender (prova da existência de crime + indícios de autoria + um dentre 4 situações legais que mostram que a liberdade constitui um risco à sociedade, como destruição de provas). Assim, a duração da prisão ilegal, sem acusação formal, mostra que foi preso para delatar.

O retorno à prisão adiciona uma nova evidência da ilegalidade da prisão: por que ontem não havia os requisitos da preventiva e agora existem? O que mudou senão o enfraquecimento da própria delação? Contudo, isso não é requisito de preventiva. Qual das 4 situações legais que justificam a preventiva não estava presente ontem e surgiu de ontem para hoje?

Mais: a acusação de irregularidades praticadas pela PF e STF pode ser considerada obstrução de investigações?

Se assim fosse, Lula tinha que estar preso durante toda a Lava Jato. Além disso, e se a acusação for verdadeira? No mínimo, deveria ser confirmada a falsidade da alegação, numa investigação por órgão imparcial.

Contudo, o Supremo segue sendo supremo, colocando-se acima da lei. O Supremo pode tudo.

DEU NO JORNAL

VERGONHA NA CARA

Luciano Trigo

Vergonha na cara

A lembrança é muito vaga: eu tinha talvez 4 ou 5 anos. Acusei uma de minhas irmãs de ter se apropriado de alguma coisa minha. Um brinquedo? Uma bola? Um álbum de figurinhas? Uma caixa de lápis de cor, talvez. Pode ter sido uma caixa de lápis de cor. É, acho que foi.

O fato é que, apesar de ocupadíssimo com todo menino de 4 ou 5 anos, perdi uma manhã inteira procurando o objeto desaparecido, sem sucesso. E, por algum motivo, me convenci de que tinha sido minha irmã a responsável pelo sumiço. Implicância entre crianças?

O contexto e os detalhes me escapam. Só lembro que, usando da minha prerrogativa de filho caçula, eu fui reclamar com a minha mãe – que, injustamente, repreendeu minha irmã e perguntou a ela onde estavam os lápis de cor. Ela não sabia.

Dias depois encontrei a caixa enfurnada em uma das minhas gavetas. Eu mesmo a tinha escondido e não me lembrava. A vergonha que senti foi tão grande que me lembro do sentimento até hoje. E ainda sinto uma fisgada de culpa na consciência.

Eu me apressei a pedir desculpas. E, para tentar me redimir do erro, ofereci os lápis à minha irmã – que, aumentando ainda mais a minha humilhação, recusou o presente. Ela e minha mãe me perdoaram, mas eu não me perdoei. Freud deve ter alguma explicação para isso.

Ao longo da vida testemunhei algumas situações nas quais uma pessoa foi acusada, por engano, de uma coisa que não fez. Falo de situações envolvendo pessoas honestas.

Em todas elas, quando a verdade foi restabelecida, o acusador reconheceu seu erro e, sentindo-se a última das criaturas, pediu desculpas publicamente. É o mínimo que se pode fazer em uma situação assim. É algo que todo pai e toda mãe ensinam aos filhos (ou, pelo menos, ensinavam, não sei se ainda é assim).

Porque isto se chama vergonha na cara. Não é uma questão legal, é uma questão moral. Qualquer brasileiro minimamente honesto, por mais humilde que seja, entende. O sentimento de vergonha diante de um erro cometido, ainda que involuntariamente, é algo que nos torna humanos.

Todos estão sujeitos a errar, mas aqueles que são incapazes de sentir vergonha e de pedir desculpas erram em dobro. Uma sociedade na qual as pessoas não sentem vergonha e não se desculpam pelos seus erros não tem a menor possibilidade de dar certo.

Como já escreveu o meu mestre Deonísio da Silva: “É indispensável que os brasileiros que perderam a vergonha voltem a tê-la. E voltem a tê-la na cara!”

É famosa, aliás, a proposta de Constituição feita pelo historiador Capistrano de Abreu (1853-1927). A nossa Carta Magna, segundo o historiador, deveria ter apenas dois artigos: “Art. 1º Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário”.

Pois bem, vamos imaginar uma situação hipotética. Um casal é acusado de ter furtado móveis, centenas de móveis, da casa onde morou.

A denúncia, gravíssima, tem grande repercussão: toda a grande mídia dá destaque ao assunto, sem qualquer apuração ou checagem, e sem qualquer preocupação com a imagem dos acusados.

Mais de um ano depois, a mesma grande mídia noticia, vejam só, que todos os móveis foram encontrados. Sem o menor constrangimento e com a maior cara-de-pau, e sem fazer qualquer mea culpa.

Ninguém pede desculpas: nem quem acusou, nem quem deu farta divulgação à denúncia. Ao contrário, uns e outros minimizam a própria falha e tentam dar um jeito de responsabilizar o casal injustamente acusado pela acusação injustamente sofrida.

E ainda aproveitam para acusar mais uma vez as vítimas, agora de tentar explorar politicamente o assunto. Qualquer brasileiro honesto, ao se deparar com pessoas capazes de agir assim, perguntaria: “Vocês não têm vergonha?”

Mas estou falando de uma situação hipotética, é claro. Ainda bem que coisas assim não acontecem no Brasil.

COMENTÁRIO DO LEITOR

REPUBLIQUETA BANANEIRA

Novo comentário em MAIS UMA DO LADRÃO MENTIROSO

Pablo Lopes:

Não custa lembrar que, além da compra dos móveis luxuoso ao gosto do casal real, o falso sumiço imputado ao presidente Bolsonaro também justificou a estadia da dupla em hotel luxuosíssimo de Brasilia durante meses.

Tudo conforme a normalidade de uma republiqueta bananeira, implantada pela camarilha de Lula desde o primeiro dia de mandato.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Sebastião da Silva e Geraldo Amâncio glosando o mote:

Se eu pudesse comprava a mocidade
Nem que fosse pagando a prestação

* * *

Pinto do Monteiro glosando o mote:

O cavalo do vaqueiro
Nas quebradas do sertão.

Quebra galho de aroeira,
De jurema e jiquiri,
Rasga beiço e calumbí,
Mororó e quixabeira.
Quebra-faca e catingueira,
Urtiga braba e pinhão;
Pau-serrote e pau-caixão,
Baraúna e marmeleiro,
O cavalo do vaqueiro
Nas quebradas do sertão.

* * *

José Vicente da Paraíba glosando o mote

São frios, são glaciais,
Os ventos da solidão.

Quando se sente saudade
Duma pessoa querida,
Dá-se um vazio na vida
E dói esta soledade…
Ninguém suporta a metade
Da dor do meu coração,
Lembrando o aceno de mão
Do amor que não voltou mais…
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão.

* * *

Zé Adalberto glosando o mote:

Pra que tanta riqueza se a pessoa
Nada leva daqui pra sepultura.

Pra que casa cercada por muralha
Se a cova é cercada pelo pranto
Se pra Deus todos têm do mesmo tanto
Tanto faz a fortuna ou a migalha
Pra que roupa de marca se mortalha
Não requer estilista na costura
E o cadáver que a veste não procura
Nem saber se a costura ficou boa
Pra que tanta riqueza se a pessoa
Nada leva daqui pra sepultura.

* * *

Chico Nunes glosando o mote

A saudade é companheira
De quem não tem companhia.

Vivo em eterna agonia
Sem saber o resultado
Deus já me deu o atestado
Pra eu baixar à terra fria.
Em volta só vejo o mal
Deste meio social,
E espero sozinho o dia
De minha hora derradeira.
A saudade é companheira
De quem não tem companhia.

* * *

Léo Medeiros glosando o mote:

O sertão se acorda mais bonito
Com o aboio saudoso do vaqueiro.

De manhã no sertão que eu fui criado
De três horas pras quatro, papai ia
Caminhando com rumo a vacaria
Pra tirar o leitinho do seu gado;
O bezerro ficava enchiqueirado
Esperando a saída do leiteiro
Quando solto corria bem ligeiro
Pra mamar eu um úbere tão bendito
O sertão se acorda mais bonito
Com o aboio saudoso do vaqueiro.

O vaqueiro sujeito encarregado
Dos trabalhos diários da fazenda
Sai pra lida pensando em sua prenda
Vai soltando aboio apaixonado;
De gibão e perneira bem montado
No cavalo cortando o tabuleiro
Enfrentando terreno traiçoeiro
Seu valor, ninguém soma tenho dito:
O sertão se acorda mais bonito
Com o aboio saudoso do vaqueiro.

* * *

Jó Patriota glosando o mote:

Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

Num recanto afastado de Belém
Fora onde uma Virgem Imaculada
Deu a luz à pessoa mais sagrada
Que se chamou de Cristo, O Sumo Bem…
Nessa noite Maria um prazer tem
De rezar o rosário com fervor
Contemplando seu fruto, O Redentor
Santo Corpo Sacrário Pequenino
Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

Foi assim que o rebento de Maria
No silêncio da simples manjedoura
Teve a mãe como santa defensora
E seu pai adotivo como guia
Nessa pobre e humilde hospedaria
Estalagem pequena sem valor
Entre pedra, capim, garrancho e flor,
Diferente de um prédio bizantino
Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

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