COMENTÁRIO DO LEITOR

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

TORPEDOS APONTADOS PARA O ACORDO MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA

Editorial Gazeta do Povo

Os presidentes Emmanuel Macron e Lula, no lançamento do submarino Tonelero, em março de 2024.

Os presidentes Emmanuel Macron e Lula, no lançamento do submarino Tonelero

O presidente francês, Emmanuel Macron, fez um breve tour pelo Brasil na semana passada. O roteiro incluiu Belém (PA), Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, com direito até mesmo a um passeio por uma área da Floresta Amazônica ao lado do brasileiro Lula, com fotos imediatamente ridicularizadas na internet. O petista ouviu do francês novas promessas de dinheiro para a Amazônia: seriam R$ 5 bilhões em quatro anos, ainda mais que os 500 milhões de euros prometidos meses atrás em Dubai, e dos quais o Fundo Amazônia ainda não recebeu um centavo. A viagem, descrita por Macron como um “casamento”, também teve um batizado: o do submarino Tonelero, de propulsão convencional – Lula cobrou de Macron a transferência de tecnologia para a construção de submarinos nucleares.

O Tonelero, se depender de Macron e, em menor grau, também de Lula, já tem um alvo a torpedear: o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, assinado em 2019, mas que depende da ratificação de todos os países-membros de ambos os blocos. Do lado europeu, o presidente francês é hoje o maior entrave à conclusão das negociações, e já fez inúmeras críticas públicas ao acordo, sempre apelando para a carta ambiental. Mas, aos poucos, Macron vai abrindo o jogo e admitindo que, no fundo, trata-se mesmo é do bom e velho protecionismo – no caso, manter os privilégios do setor agrícola francês, fortemente subsidiado e que teria de concorrer com um Mercosul cujo agronegócio é pujante, com produtividade muito mais elevada que a das nações europeias.

Com agricultores em revolta não apenas na França, mas em vários outros países do continente, Macron não quer correr o risco de enfraquecer ainda mais sua popularidade contrariando o setor – embora pudesse ter pedido alguns conselhos a Lula, especialista em hostilizar o agronegócio brasileiro. Ironicamente (ou hipocritamente), enquanto o presidente francês segue falando em clima e biodiversidade para atacar o acordo entre Mercosul e UE, a Comissão Europeia acaba de aprovar uma flexibilização das normas ambientais impostas aos agricultores, medida que não foi ignorada por parlamentares brasileiros como a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina: “Esta é a mesma UE que não reconhece o Código Florestal brasileiro, que exige preservação de 20% a 80% (contra 4% lá!!!) das propriedades rurais e quer impor às nossas exportações regras próprias antidesmatamento. Barreiras comerciais travestidas de exigências ambientais”, afirmou nas mídias sociais.

Mas as resistências não estão apenas do outro lado do Atlântico. Hoje, Lula e seus ministros elogiam o acordo e dizem querer logo a ratificação, mas o petista também se empenhou em torpedeá-lo no passado e ainda tem suas reservas ao texto. Um ponto especialmente sensível é o das compras do governo. Em dezembro do ano passado, Lula disse que “a gente não quer ceder em compras governamentais. Compras governamentais é uma coisa para a gente atender os interesses do governo, do fortalecimento da indústria e fazer com que as nossas micro, pequenas e médias empresas cresçam”. Ironicamente (ou hipocritamente), enquanto Lula fala em “fortalecimento da indústria” como argumento para barrar o acordo, este é um dos setores que mais insistem na conclusão célere das negociações, a julgar por repetidas declarações da Confederação Nacional da Indústria. Ao que tudo indica, apenas a parte dos “interesses do governo” faz sentido na fala de Lula, e não se trata, então, de proteger a indústria como um todo, mas apenas aquelas empresas específicas que têm bom trânsito no Palácio do Planalto, como já ocorreu em um passado não muito distante, e que perderiam terreno se tivessem de competir com gigantes europeus.

Proteger um setor grande, mas pouco eficiente, ou proteger os amigos: Macron e Lula têm seus motivos – nem sempre explícitos, mas ao mesmo tempo nada impossíveis de compreender – para atrapalhar o que seria o maior acordo comercial entre blocos econômicos do planeta, e a sinceridade ma non troppo do francês nos ataques ao acordo é até conveniente para o brasileiro, que não precisa ser tão enfático nas próprias críticas. Enquanto isso, perdem sul-americanos e europeus, consumidores e empresas, que seguirão sofrendo com o acesso dificultado a bens e serviços do outro bloco, seja pelas altas tarifas de importação, seja por outro tipo de barreiras.

PENINHA - DICA MUSICAL

ALEXANDRE GARCIA

DEMOCRACIA E ALIENAÇÃO

Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios, em Brasília

O Datafolha perguntou a pouco mais de 2 mil pessoas, em 147 municípios, que regime preferem: democracia ou ditadura. Pois 140 disseram preferir ditadura, e 360 responderam que “tanto faz”. O resultado da pesquisa revela que apenas 71% preferem democracia, 7% preferem ditadura e 18% não se importam com o tipo de regime. Se a pesquisa representar a população brasileira, temos apenas 71 em cada 100 brasileiros com mais de 16 anos a preferir a democracia. Creio que, mesmo desses, não sejam todos os que realmente saibam o que é uma democracia, mesmo porque neste país a prática da democracia ainda é um arremedo. Democracia, por aqui, é mais rótulo que prática.

Os que estão satisfeitos com a “democracia” brasileira pensam assim porque não conhecem a prática e nunca a exerceram. Só poder votar não é democracia, embora seja um sinal dela. Na democracia tem de haver contato entre o representante e o representado, o que é raro por aqui. O eleitor logo esquece em quem votou. Não acompanha a atuação do seu vereador, deputado ou senador. E ainda há chefes de Executivo que, depois de eleitos, se distanciam de seus eleitores e se vingam dos que votaram em seu adversário. Nos Legislativos, os debates estão parecidos com brigas escolares, tal a puerilidade e ausência de argumentos. Os assuntos são abstrações, bobagens em geral, longe das grandes questões.

Uma nação não se valoriza e nem se torna respeitada se seus representantes agem como figuras caricatas, que conseguiram votos de quem não se importa com o destino de seus filhos e netos, como esses 18% para quem tanto faz democracia como ditadura. Os 7% a favor de ditadura certamente não sabem o que é uma ditadura, onde o povo não tem voz nem liberdade. No entanto, esses eleitores contribuem para, com seu voto, dar mandatos a pessoas que não estão dispostas a pensar nos direitos alheios, apenas nos seus interesses, em geral financeiros.

Quando se escolhe um homem público para gerir nossos impostos e a prestação de serviços públicos para todos, idealmente o escolhido deveria ser altruísta, desprendido, disposto ao sacrifício pessoal. No entanto, o que vemos são pessoas enriquecendo depois de eleitas e conseguindo privilégios para seus amigos e parentes. Acontece na democracia, mas é muito pior numa ditadura. Churchill disse que “a democracia é a pior forma de governo, exceto por todas as outras formas que já foram tentadas na história”. Só que para praticar democracia aqui no Brasil é preciso ensinar o que é democracia e mostrar as consequências da alienação.

DEU NO X

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DEU NO JORNAL

JOSÉ DIRCEU NO SENADO

Leandro Ruschel

ImagemJosé Dirceu participa de ato no Senado pela “defesa da democracia”; faz sentido

Ele foi treinado por Cuba para militar no Brasil pela implementação de uma ditadura comunista. Vivendo na clandestinidade ao longo da década de 70, contou à esposa quem era no dia seguinte à aprovação da Lei da Anistia (79), abandonando a família e voltando à Cuba para desfazer a cirurgia plástica que havia o ajudado a esconder sua identidade.

Nas décadas de 80 e 90 ajudou a construir o PT, sendo um dos seus principais estrategistas, chegando ao cargo de Ministro Chefe da Casa Civil com a eleição de Lula, em 2002. Ele era cotado para ser o sucessor de Lula, quando explodiu o escândalo do Mensalão, que acabou levando à sua renúncia e cassação do seu mandato como deputado federal, em 2005.

Em 2012, foi condenado pelo Supremo por corrupção ativa como um dos líderes do esquema de compra de votos no Congresso. Teve uma segunda condenação, por formação de quadrilha, revertida por um questionável recurso de embargos infringentes.

Foi preso em novembro de 2013 para cumprir a sentença, mas solto por decisão do ministro Barroso em outubro de 2014, para cumprir o resto da pena em casa.

Voltou a ser preso em agosto de 2015, na operação Lava Jato, por desvios na Petrobras. Foi condenado a 23 anos por corrupção passiva, vantagem indevida e lavagem de dinheiro em maio de 2016.

Em março de 2017, foi condenado novamente em outro caso investigado pela Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro, agora a 11 anos.

Em abril de 2018, o TRF-4 aumentou suas penas para 30 anos de prisão. Após julgamento do seu último recurso em segunda instância, ele voltou a ser preso em junho do mesmo ano. Em maio de 2019, ele foi solto pelo Supremo por um Habeas Corpus de ofício (!) apresentado pelo ministro Dias Toffoli, numa votação 3×2, em que votaram pela soltura Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Resumindo, além de ser um corrupto condenado 3 vezes, Dirceu passou a vida defendendo a implementação de uma ditadura de esquerda. Hoje, foi convidado para uma ato “pró-demcracia” no Senado brasileiro.

Em seu discurso, disso que “a democracia brasileira está em risco porque não se fizeram reformas estruturais para proporcionar uma democracia social”. Ele explica que democracia social seria “desconcentrar a renda, riqueza e a propriedade”, eufemismo para a expropriação. Ou seja, deixa claro que continua sendo um comunista.

Enquanto Dirceu, corrupto condenado e apologista de ditaduras é tratado como “defensor da democracia” no Congresso, senhoras de 70 anos e outras pessoas comuns são condenadas a 17 anos de cadeia, em processos sumários, por “tentativa de golpe de estado”, por protestar contra um sistema que protege tipos como Dirceu e seus companheiros.

Não é possível deixar mais claro o que está acontecendo no Brasil.

COMENTÁRIO DO LEITOR

VÃO PEDIR PENICO

Comentário sobre a postagem VISITA DE MACRON REFLETE A HIPOCRISIA DA GUERRA EUROPEIA CONTRA O AGRO BRASILEIRO

Roque Nunes:

Pode até parecer coisa de louco o que vou falar.

Basta deixar de vender para a União Europeia.

Se eles boicotam nosso agro por causa da extrema competência do agricultor brasileiro.

Só parar de vender para eles.

Eles precisam do agro brasileiro, e não o seu contrário.

Deixem de vender.

Em uma semana pedem penico.

DEU NO X