Desenhando fica melhor pic.twitter.com/nYsIBEerJk
— Tumulto BR (@TumultoBR) October 13, 2024
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Leonardo Coutinho

O ex-presidente da Bolívia e líder cocaleiro Evo Morales é uma estrela bolivariana. Morales é também alvo de recorrentes denúncias dos crimes de pedofilia, corrupção de menores e até mesmo de estupro. Quando Morales era presidente sempre conseguiu se esquivar. Mas a vida não anda fácil para ele. Não param de surgir histórias de menores de idade que eram mantidas – no que parece ser uma espécie de harém – no entorno do então presidente. As investigações indicam que o ex-presidente da Bolívia engravidou pelo menos uma adolescente, então com quinze anos.
Evo Morales se diz vítima de perseguição política. Lawfare, como a turma gosta de dizer. Pobrecito…
O líder cocaleiro, como bom bolivariano, não poderia deixar de dizer que as investigações e processos contra ele são a prova de que seu sucessor (e ex-aliado) Luis Arce é um serviçal da Casa Branca.
Morales deixou o poder em 2019, em um autogolpe depois que ele se enrolou em uma tentativa de fraude eleitoral. Antes disso, o cocaleiro governou a Bolívia de forma a transformar o Estado em uma espécie de extensão de sua organização.
Passou treze anos no poder fazendo o que bem entendia. As denúncias de pedofilia eram recorrentes, mas não iam a lugar algum. Quem se atrevesse a incomodar sentia o peso da vingança de quem é o Estado. No caso da Bolívia, um estado criminalizado.
A fotografia que ilustra esta coluna traz Evo Morales abraçado com o ditador Nicolás Maduro. O venezuelano é investigado por crimes contra a humanidade e é procurado pela Justiça dos Estados Unidos por tráfico de cocaína.
Em 2022, a Organização das Nações Unidas relatou que uma missão enviada à Venezuela documentou 77 casos de vítimas que sofreram tortura, abuso sexual e tratamentos “desumanos”, “cruéis” e “degradantes”, como literalmente descreveram os inspetores.
Nicolás Maduro não é o único “facilitador do tráfico”, vamos dizer assim, a posar na mesma foto. Ao lado dele está Raúl Castro, o gerontocrata que, na ocasião em que a fotografia foi feita, era o ditador de Cuba. Nos anos de 1980, Raúl e seu irmão Fidel Castro transformaram Cuba em um gigantesco entreposto de cocaína colombiana.
Sob a desculpa de usar o tráfico de drogas como arma contra os Estados Unidos, Fidel e Raúl Castro se engajaram fortemente no tráfico de cocaína, fundando o primeiro Estado Narco da América Latina. Estado Narco, é como defino o estágio final da destruição institucional de um país em função do crime. Trata-se de um estágio terminal que vai além do conceito clássico de narcoestado.
Enquanto os narcoestados são penetrados e influenciados pelos interesses dos criminosos, os Estados Narcos são os operadores do crime em si. Realizam o tráfico valendo-se dos aparatos estatais. Além disso, colocam a infraestrutura, as forças armadas e o poder público para justificar, promover e facilitar as ações criminosas que passam a ser, em grande medida, políticas de Estado.
Aliás, foram os irmãos Castro que introduziram Hugo Chávez no universo do tráfico de cocaína sob o pretexto de ação revolucionária. Padrinho do ditador venezuelano morto em 2013, os cubanos também são os patronos do Cartel de los Soles – a organização criminosa chefiada pela cúpula chavista e os comandantes militares.
Um pouquinho mais à esquerda, entre o presidente Lula e a ex-presidente Dilma, está o ditador Daniel Ortega. Além de violador dos direitos humanos e dono de uma lista de crimes que passam pela tortura e desaparecimentos de opositores, Ortega também tem na sua folha corrida o “tráfico revolucionário”.
O ditador nicaraguense é acusado de oferecer refúgio e infraestrutura para as operações de tráfico rumo ao México e aos Estados Unidos. Além disso, também está envolvido até o pescoço com as máfias que fazem tráfico humano.
Lá no fundão estão Miguel Díaz-Canel, atual líder do regime cubano; Delcy Rodríguez, vice-ditadora da Venezuela; e Bruno Rodriguez, ministro das Relações Exteriores de Cuba. No miolo estão cupinchas, xerimbabos e adoradores de ditaduras.
O presidente Lula e a ex-presidente Dilma estiveram no centro do maior esquema de corrupção da história recente. Os crimes expostos pelas investigações da Lava-Jato foram reconhecidos por muitos e provados de forma consistente de várias maneiras. Mas tudo se perdeu nos meandros das falhas procedimentais que o vazamento do Telegram serviu para justificar.
As condenações anuladas, penas prescritas e impunidade sistêmica serviram de argumento para criar a tese da inocência e até a negação de atos criminosos em si. Era tudo miragem. Com isso, todos viram as vítimas. Aliás, sempre é assim.
No final, eles sempre são as vítimas.
Emiliano Felipe Benício Mundurucu nasceu em 1791, em Pernambuco. Militar e ativista político, é considerado a primeira pessoa na história dos EUA a desafiar a segregação racial em um tribunal. Foi também o primeiro negro a ingressar em uma loja maçônica de Boston que até então só aceitava brancos.
O sobrenome “Mundurucu” foi incorporado ao seu nome em 1823, seguindo um costume entre revolucionários nas colônias americanas de adotar nomes de povos originários das Américas como manifestação de uma nova identidade nacionalista e independente da Europa. Os mundurucus são um grupo indígena brasileiro que habita as áreas do sudoeste do estado do Pará.
Emiliano participou da Revolução Pernambucana de 1817 e foi major do batalhão de pardos durante a Confederação do Equador, em 1824. Chegou a ser indicado pelo governo regencial para comandar o Forte do Brum, mas não assumiu o posto devido à resistência movida pelo preconceito racial da elite pernambucana. Foi um militar muito influenciado pela revolução haitiana (1791-1804) Acreditava que uma grande revolta dos negros deveria ser realizada no Brasil, tal como se deu no Haiti. Assim, ficou conhecido e chamado de “haitianista”, causando temor nas elites.
O historiador Marco Morel, em seu livro A Revolução do Haiti e o Brasil escravista (Jundiaí, SP: Editora Paco, 2017), conta que Emiliano ensaiou uma ação militar no Recife enquanto recitava versos que exaltavam o então líder haitiano Henri Christophe. Em 1824, durante a Coonfederação do Equador, foi preso junto com figuras como Frei Caneca e recebeu sentença de morte. No entanto, conseguiu fugir e refugiou-se em Boston. Em 1825 fez uma breve visita ao Haiti e no ano seguinte desembarcou na Venezuela e alistou-se no exército do bolivarianos, onde ficou apenas um ano e retornou à Boston em 1827.
Em Massachusetts, em 1832, foi vítima de segregação racial ao embarcar num vapor com sua mulher Harriet e sua filha de 1 ano. Foram impedidos pelo capitão do navio de ocupar um espaço restrito às pessoas brancas. Ele argumentou que havia comprado a passagem mais cara, que lhe daria direito àquela área, mas o capitão do navio negou, alegando que sua esposa era negra, e eles tiveram que viajar num espaço menos confortável. Mundurucu advertiu o capitão: “go and get a writ out immediately”, algo como “Nos vemos no tribunal”. Ele ajuizou uma ação contra o capitão Edward Barker, por quebra de contrato, e o caso foi noticiado em alguns jornais dos EUA
O historiador Lloyd Belton registrou: “É incrível que um imigrante negro brasileiro tenha sido a primeira pessoa na história dos EUA a desafiar a segregação em um tribunal. E é ainda mais incrível que ninguém saiba quem ele é… a atitude desafiadora de Mundurucu inspirou diretamente outros ativistas negros”. No julgamento ele foi representado por juristas de peso, entre eles, David Lee Child, renomado abolicionista. Em 1833, o júri condenou o cap. Baker a pagar uma indenização de US$ 125 dólares a Mundurucu, mas o capitão conseguiu reverter a decisão na Corte Judicial Suprema de Massachussets.
Após o episódio, o navio Telegraph passou a ter a segregação racial escrita e exposta, definindo que os negros só podiam comprar as passagens mais baratas e confinadas em local mais exposto do navio. Segundo a historiadora Caitlin Fitz, Mundurucu foi pioneiro na ação judicial impetrada, decorrente de sua atitude tomada durante a viagem no navio. Ela lembra que a partir daí os ativistas passaram a ter argumentos mais amplos contra o racismo nos processos judiciais, ou seja, indo além da queixa de quebra de contrato.
Em 1837 foi anistiado no Brasil e retornou à Pernambuco, onde tentou reconquistar seu posto no Exército e assumir o comando do Forte do Brun. Sua posse foi impedida pelo presidente da província Vicente Tomás P.F. Camargo, alegando que ele não era qualificiado para tal comando. Assim, foi travada uma polêmica através de cartas publicadas no Diário de Pernambuco, onde ele afirma o interesse em “deprimir minha reputação tanto civil, quanto militar”. A polêmica se extendeu por alguns meses, através da imprensa, e ele decidiu retornar aos EUA em 1841, onde se tornou um eminente abolicionista e faleceu, em Boston, em 1863, aos 72 anos.
Clique aqui e acesse o Livro de história em quandrinhos: “Mundurucu na Confederação do Equador”, editado pela CEPE-Companhia Editora de Pernambuco
Findas as eleições do primeiro turno 2024, alguns eleitos rindo e os não escolhidos se lamentando, apresento neste domingo, alguns pitacos acumulados durante as apurações das urnas, parabenizando o eleitorado brasileiro pelo grau de civilidade demonstrado, apesar do ainda alto percentual de não comparecimento às cabines eleitorais. Ei-los, com a devida vênia do Berto, comandante deste jornal para lá de muito independente:
a. O Brasil atual carrega uma vergonha sem limites: 14 milhões de analfabetos plenos, segundo informação prestada pelo pernambucano brasiliense Cristovam Buarque.
b. Em São Paulo, o eleitorado soube defenestrar pelas urnas um candidato portador de QIAP – Quociente Intelectual Altamente Psicopático, que se comportou descivilizadamente durante a campanha, merecendo até uma cadeirada inconveniente.
c. A partir de 2025, que os partidos políticos brasileiros se tornem mais criativos, aglutinados alguns, fundidos outros, estruturando ideários compatíveis com as complexidades de uma pós-modernidade eivada de novas tecnologias e muita longevidade populacional, apesar das agressões bélicas praticadas pelos ainda ruminantes.
d. Que os conservadores lúcidos e os progressistas não sectários dialoguem com uma civilidade amplamente pacifista, rejeitando procedimentos negativistas e sectários que apenas desejam levar vantagens, sem nada em troca oferecerem de bom proveito.
e. Que a Rede Social X volte a funcionar plenamente no Brasil com responsabilidade e ética comunicacional, sem mais patacoadas e cretinices, sabendo sempre acatar as orientações do Poder Judiciário Brasileiro.
f. Um eleitor jovem, no dia da eleição, me informava, na curta fila de espera da seção eleitoral, que tivera um gato envenenado em miados do ano passado. E que seu pai lhe tinha ensinado que a ejaculação precoce era conhecida, na Antiguidade, com o nome de mal que mela.
g. E o jovem eleitor acima, já aprovado no ITA, declarou ainda que “se a Democracia não pode tolerar a presença dos mais altos padrões de aprendizagem, então ela própria se tornará autofágica.”
h. Que anunciado furacão Milton, nos Estados Unidos, tenha provocado um mínimo possível de prejuízos físicos e mortes de pessoas e animais, sinalizando para estudos mais consistentes sobre a Questão Climática e suas causas, posto que todos os sistemas econômicos do mundo deveriam apenas aplicar investimentos que proporcionassem a felicidade geral de todos.
i. Na Questão Climática, urge que os pensantes brasileiros leiam e meditem sobre o que escreveu o teólogo Leonardo Boff: CUIDAR DA CASA COMUM, Leonardo Boff, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2024, 247 p. Para agir sem lerdeza na preservação da natureza.
j. No Dia da Criança, também Dia de Nossa Senhora Aparecidas, ontem comemorado em todo o Brasil, que todo brasileiro se percebae como uma criança saudável, de mente evoluída, solidária e fraterna, lendo sempre mais, percebendo-se continuadamente uma metamorfose ambulante a la Raul Seixas.
k. A cada dia, torço por uma maior participação feminina nas áreas políticas brasileiras, travando o bom combate, com suas inteligências intuitivas, contra os autoritarismos belicosos e machistas dos que se imaginam racionar apenas da cintura para baixo, menosprezando suas origens maternas.
l. Sou radicalmente favorável a uma seleção brasileira de futebol masculina exclusivamente composta de jogadores que atuem em clubes brasileiros. Que os de fora continuem brilhando nos clubes do exterior. E que o esporte bretão brasileiro seja comandado por gente bem capacitada, que saiba dignificar o pavilhão nacional nos quatro cantos do mundo.
m. Em muito boa hora, a instalação de uma CP que fiscalizará o funcionamento das Loterias Esportivas Televisivas, de probabilidade nula de ganhos, integrantes da propaganda enganosa Brasileirão Bestando.
No mais é seguir adiante, sem farofadas e bravatas, sem fundamentalismos e negativismos, apenas buscando ser cada vez mais brasileiro de quatro costados, sempre solidário com os coitados e abandonados, bundas e ruminantes de todos os gêneros, percebendo-se, sempre e acima de tudo, um filho muito amado do Criador.
Não sabemos o que foi, mas foi em Curitiba pic.twitter.com/m0NnUh37m2
— MSP-Brazil (@mspbra) October 11, 2024
Mestre Berto, bom dia!
Encontre um espaçozinho no Jornal da Besta Fubana e publique esse comentário político dessa jovem negra chamada de Sâmala Monteiro.
Sem lacração e estardalhaço, mas com maturidade, ela dá uma aula de análise política sobre o chilique dos ministros por causa da aprovação da (PEC) 8/21 na CCJ, para pôr um fim nas decisões monocráticas do STF.