JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A AURORA BOREAL DE CADA UM

Aurora boreal a esperança da manutenção da Fé em cada um de nós

“O significado da Aurora no contexto bíblico, mostra o nascer do sol e a luz vencendo a escuridão da noite. Isso significa um novo começo, *trazendo esperança* a cada dia”.

Nada acontece sem motivo. Aqui ou em outros lugares, ainda que não percebamos, os fatos se entrelaçam com as coisas que Deus nos proporciona. Pois, no último dia 6 de novembro, o mundo pôde observar num amanhecer dos EUA (Estados Unidos da América), uma “aurora boreal” encantadora, renovando a Fé das pessoas de bem. Foi confirmada a vitória e a volta ao poder do americano Donald Trump, no próximo dia 20 de janeiro de 2025.

O desenho positivo disso nos mostra a beleza da aurora deslumbrante, irrigando Fé e esperanças aos países que se posicionam contra o domínio escravagista do comunismo travestido de socialismo e igualdade.

E onde entra o Brasil nessa plataforma de visão beneficiada pela aurora boreal?

Ora, o simples fato da certeza que serão formadas barreiras práticas contra a ideologia comunista, já renova a nossa Fé. A continuidade de que mudanças práticas serão fortalecidas em prol do desenvolvimento humano, principalmente no Brasil – sem que isso signifique uma totalidade continental – define a escolha positiva na bifurcação do caminho a ser seguido.

Alguém lembra a esperança e a certeza transmitidas nos anos sessenta na letra de uma música cantada por Moacir Franco, que nos encaminhava para a Fé?

“Contigo aprendi
Que a vida se renova a cada instante
Contigo aprendi
A conhecer o mundo, a ver adiante

Aprendi
Numa semana contar mais de sete dias
E ver maiores as pequenas alegrias
E a crer nos outros, eu contigo aprendi
Contigo aprendi

Que existe luz na noite mais escura
Contigo aprendi
Que em tudo existe um pouco de ternura”

Aurora boreal renovando a Fé a vida a cada instante

“É um termo oriundo do Latim. Aurora é uma claridade visível no céu antes do nascer do sol e que indica o começo do dia. No sentido figurado Aurora significa a infância, juventude, princípio da vida. Já na mitologia romana, Aurora é o nome da deusa do amanhecer, nome correspondente à deusa grega Eos”.

No Brasil, ainda efervescente com o resultado das eleições americanas, a esperança invadiu nossos lares com a notícia maravilhosa das mudanças positivas no Ensino Médio que tendem a serem aprovadas e rapidamente postas em prática. É, também, uma aurora boreal que pode ser observada pelas famílias que querem os filhos no caminho da certeza e da qualidade que um dia tivemos. E que, felizmente, a geração que hoje está entre 40 e 50 anos de idade foi premiada.

Com base, provavelmente, na teoria cognitiva do suíço Jean Piaget, nascido, vivido e desenvolvido numa cultura humana diametralmente oposta à miscigenada cultura brasileira, eis que a educação brasileira “jogou na lata do lixo” a teoria de Anísio Teixeira e pôs na nossa última “Arca de Noé” da educação tudo que defendia Paulo Freire.

Pois, a mudança se for aprovada e se estiver completa, com certeza terá o desenho e o tamanho de uma nova aurora boreal para a educação.

A aurora boreal que a escolha equivocada quer impor

“Claridade que precede, no horizonte, o nascer do sol; alvorada. Primeiro tempo de alguma coisa; primavera. Conjunto de países ou regiões do Oriente. Cor róseo-clara como a que antecede o alvorecer”.

Aqui jamais haverá espaço para a injustiça. Democraticamente abrindo uma larga vereda para o contraditório, podemos afirmar que, em meio e em posse dos espúrios, a aurora não é tão boreal, tampouco tão bela quanto a aurora boreal dos justos e corretos. Não há porvir. O futuro é dúbio e sombrio – e existe um alto percentual dizendo que jamais se concretizará.

Mas, infelizmente, ela existe.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PODER DE CURA

A poesia fornece
Equilíbrio às nossas vidas.

Mote deste colunista

Nesse assunto eu sempre tento
Sempre me equilibrar
Corda bamba a balançar
Inspiração vem com o vento
Num deserto ou num relento
Tem nas flores margaridas
Se na vida abre feridas
Temos fé e é como prece
A poesia fornece
Equilíbrio às nossas vidas.

Cabal Abrantes

É bom para nossa mente
Dá pra rir, dá pra chorar
É cultura popular
O cantador de repente
Prático e inteligente
E tem coisas divertidas
Não importa se for lidas!
Mas de coração oferece
A poesia fornece
Equilíbrio ás nossas vidas.

Poeta Nascimento

Há poesia em tudo,
Basta ter olhos pra ver!
O vate consegue ler
Mesmo sem ter nem estudo,
E ouve até mesmo o mudo
Do som das pedras fundidas.
Escritas desconhecidas,
Qual teia que a aranha tece,
A poesia fornece
Equilíbrio às nossas vidas.

Melchior SEZEFREDO Machado

Por incontáveis paixões
Meu peito foi alvejado,
Muitas vezes internado
Com inúmeras contusões.
Busquei tantas soluções
Pra curar estas feridas,
Vi nas rimas preferidas
A cura pro meu estresse.
A poesia fornece
Equilíbrio às nossas vidas.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Aurélio Buarque de Holanda

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nasceu em Passo de Camaragibe, AL, em 3/5/1910. Escritor, filólogo, lexicógrafo, advogado, professor, tradutor e crítico literário. Professor precoce de português, lecionou por quase 30 anos no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Seu apego a língua portuguesa e o gosto pelas palavras, levou-o a criar seu próprio dicionário, em 1975, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio ou apenas “Aurelião”

Filho de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira e Manuel Hermelindo Ferreira, teve os primeiros estudos em Maceió, onde ingressou no Liceu Alagoano e no magistério aos 15 anos, quando passou a se interessar pela língua e literatura. Pouco depois, mudou-se para o Recife para estudar Direito, concluindo o curso em 1936. Nesta época integrou o grupo de intelectuais composto por José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz entre outros. Retornou à Maceió e passou a lecionar no Colégio Estadual de Alagoas e dirigir a Biblioteca Municipal, em 1937-1938.

Mudou-se para o Rio de Janeiro e continuou lecionando Português e Literatura no Colégio Anglo-Americano até 1940. Neste ano ingressou como professor no Colégio Pedro II, onde permaneceu até 1969, lecionando no Ensino Médio de 1949 a 1980. Este período foi interrompido apenas por um ano e meio, quando assumiu a cadeira de Estudos Brasileiros na UNAM-Universidade Autônoma do México em 1954-1955. Colaborou na imprensa carioca e foi secretário da Revista do Brasil de 1939 a 1943.

Nesta época desponta o escritor com o livro de contos Dois mundos, publicado em 1942 e premiado em 1944 pela ABL-Academia Brasileira de Letras. Conta-se que poderia ter sido um grande escritor, caso não tivesse abraçado a carreira de lexicógrafo. Em 1941 foi convidado para colaborar, como revisor do Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, editado pela Civilização Brasileira. Em 1944 trabalhou no Dicionário Enciclopédico do Instituto Nacional do Livro, e foi tomando gosto pela lexicografia. Pouco depois iniciou no Suplemento Literário do Diário de Notícias, a seção “O Conto da Semana”, tendo Paulo Rónai como colaborador. Tal parceria resultou na edição dos 5 volumes da coleção Mar de histórias, uma antologia do conto mundial, iniciada em 1945, pela Editora Nova Fronteira. A coleção conta hoje com 10 volumes.

A partir de 1950, manteve na revista Seleções do Reader’s Digest, a seção “Enriqueça o seu vocabulário”, que em 1958 resultou na publicação de um livro com este título. Assim, foi lançado o germe de seu dicionário, que viria a ser publicado em 1975. A partir daí iniciou uma jornada de palestras por todo o País para falar dos mistérios e sutilezas da língua portuguesa, que ele enriqueceu com tantos brasileirismos, “fazendo do brasileiro comum um consulente de dicionário e um usuário consciente do seu idioma”. No plano internacional, foi convidado a dar inúmeras conferências sobre linguística em diversos países. O estrondoso sucesso de vendas suscitou uma ferrenha disputa judicial pela coautoria e por direitos autorais, que foi parar no STF-Supremo Tribunal Federal 4 décadas após seu lançamento. Toda a questão foi esmiuçada no livro Por trás das palavras: as intrigas e disputas que marcaram a criação do Dicionário Aurélio, o maior fenômeno do mercado editorial brasileiro, do jornalista Cezar Mota, publicado pela Editora Máquina de Livros, em 2020.

O nome “Aurélio” passou a ser considerado como sinônimo de dicionário e os editores sugeriram sua inclusão como verbete no próprio dicionário. Porém sua modéstia vetou a inclusão do verbete com este sentido. Tendo em vista o sucesso editorial, dois anos após foi lançado o Minidicionário da Língua Portuguesa, também chamado de “Miniaurélio”, uma espécie de “dicionário de bolso”. 10 anos depois e ainda decorrente do sucesso editorial, foi lançado em 1989 o Dicionário Aurélio Infantil da Língua Portuguesa, com ilustrações de Ziraldo. A edição original, de 1975, teve mais de um milhão de exemplares vendidos até 1987, quando saiu a 2ª edição, contendo cerca de 115 mil vocábulos. Uma quantidade abaixo da média, segundo o próprio Aurélio, já que o português falado no Brasil possui cerca de 400 mil palavras.

Assim, o Aurélio tornou-se o dicionário padrão na sociedade brasileira, estabelecendo a norma linguística e lexicológica mesmo que esta não tenha sido a intenção do autor. Em 1961 ingressou na ABL-Academia Brasileira de Letras, vindo a participar de diversas entidades, como Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, da Comissão Nacional do Folclore, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, e da Hispanic Society of America. Faleceu em 28/2/1989 e em 2015 foi homenageado no bicentenário de Maceió, com uma estátua em bronze na orla de Ponta Verde. Em 2022, recebeu a homenagem de sua cidade natal com um monumento no trevo de entrada da cidade.

Aurélio Buarque de Holanda teve ascendentes holandeses – originários de Pernambuco – dos dois lados da família. Do lado Buarque de Holanda, descende de Arnaud Florentz Boeyens Van Holland e da ascendência da família Wanderley, sobrenome que não herdou, descende de Caspar Von Niehoff Van der Ley. Aurélio era primo de segundo grau de Chico Buarque; sua mãe, Maria Buarque, era sobrinha de Cristovão Buarque de Holanda, portanto prima de Sérgio Buarque de Holanda, que era o pai de Chico Buarque de Holanda. Não deixa de ser curioso o fato de não termos ainda a publicação de uma biografia para chamar de sua, mesmo diante do “boom” editorial que o tema tem suscitado atualmente. Navegando na Internet encontrei apenas um folheto de 39 páginas – Vida e obra de Aurelio Buarque de Holanda Ferreira -, publicado em 1982 por uma editora desconhecida, de autoria de Gilberto de Macedo.



FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

O GUETO DE LÓDZ

Recomendava sempre aos meus alunos de graduação e pós-graduação que postavam-se antenados com os fatos históricos dos últimos tempos, nacionais e estrangeiros, que fortificassem suas criticidades, libertando-se dos superados “ismos” ideológicos, econômicos, sociais, militares e religiosos que anestesiam e mascaram comportamentos sectários despropositados, ensejando estupidificações que aviltam a dignidade humana.

Muitos deles ainda desconheciam os passos preliminares que propiciaram as atrocidades cometidas no século XX pelos nazistas, que dominaram a nação alemã em 1933, com a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler, habilmente explorando eventos históricos que humilharam a Alemanha no pós guerra 1914-1918, culminando no incêndio do Reichstag, em 27 de fevereiro de 1933, favorecendo, no dia seguinte, a edição de um decreto que abolia a liberdade de opinião, o segredo epistolar, a inviolabilidade dos domicílios, milhares de livros sendo queimados em praça pública, a 10 maio daquele mesmo ano.

Mas o que mais me impressionava nos meios escolares era o desconhecimento quase completo sobre os procedimentos criados pela mente doentia de Hitler para o extermínio dos judeus, culminando na criação de guetos, logo após o ataque nazista à Polônia, em 21 de setembro de 1939, cada gueto com seu Judenrat (conselho judaico), responsável pela execução das ordens do Reich. Em abril de 1940, Hitler implementaria a operação T4, a eutanásia dos doentes mentais e portadores de deficiências, iniciativas que desaguariam na Shoa, a “solução final”, apenas na Polônia vitimando 3 milhões de hebraicos.

Foi na cidade de Lódz que se estabeleceu, na Polônia, o segundo maior gueto para judeus, transformado em expressivo centro industrial fornecedor de suprimentos essenciais para o Reich. Dada sua notável produtividade, o Gueto de Lódz foi preservado até agosto de 1944, quando sua população foi transferida para Auschwitz.

Em 2012, o livro Os Destituídos de Lódz, Companhia Das Letras, uma mescla de romance social e literatura do Holocausto, narrou a história daquela cidade transformada em gueto e administrada pelo Mordechai Chaim Rumkowski, “figura que, ainda hoje, mas de meio século depois da sua extinção definitiva, permanece um enigma”. O autor do livro, Steve Sem-Sanderg, a partir de uma documentação exaustiva, analisa a administração de Rumkowski, até hoje motivo de calorosos debates entre os historiadores da Shoah: um colaborador dos nazistas ou alguém que, com astúcia, prolongou a sobrevivência de seu povo?

Através de uma leitura meditativa, toma-se contato com personagens inesquecíveis, muitos deles sepultados como “auto-homicidas”, por não mais suportarem situações de ódio e violência. Abandonando, inclusive, a advertência contida no Eclesiastes 9,10: “O que suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria”.

Mordechai Chaim Rumkowski (1877-1944), figura chave do romance Os Destituídos de Lódz, era um judeu polonês que foi nomeado presidente do gueto de Lódz, tendo sido empresário e diretor de um orfanato antes da ocupação nazista.

Segundo testemunhos sobrevivenciais, Mordechai é descrito sob dois prismas radicalmente diferentes. Por uns, como agressivo, dominador, sedento por honra e poder, barulhento, vulgar e ignorante, impaciente, intolerante, impulsivo e sensual. Por outros, ele é retratado como um homem de talento organizacional excepcional, rápido, muito enérgico e verdadeiro para tarefas que ele estabeleceu para si mesmo. Alguns ainda se lembram dele por seus discursos de assombração.

Rumkowski e sua família juntaram-se voluntariamente ao último transporte para Auschwitz, sendo assassinados a 28 agosto de 1944. Um amigo da família, em 1944 adolescente residente no gueto de Lódz, aventou a possibilidade de ter sido ele e seus familiares assassinados pelos demais prisioneiros judeus.

O livro é envolvente, esclarecedor e historicamente bem estruturado. Uma leitura que nos previne para barbaridades acanalhadas de todos os “ismos” recentes, religiosos e laicos.

DEU NO JORNAL

EXCLUSÃO EM NOME DA INCLUSÃO

Editorial Gazeta do Povo

CFM foi à Justiça contra cotas em residência médica.

CFM foi à Justiça contra cotas em residência médica

Atribui-se a Milton Friedman a certeira frase “Nada é tão permanente quanto um programa temporário do governo”. Não só aquilo que deveria ser provisório se torna permanente, como também tende a se expandir. O caso das cotas no ensino superior, uma política de ação afirmativa que, mesmo quando justificável, deveria ter duração definida e jamais ser encarada como o principal meio de corrigir as deficiências observadas, ilustra bem esta situação. As universidades federais começaram a adotar cotas para estudantes negros e para egressos de escolas públicas durante a primeira passagem de Lula pelo Planalto; com o PT de volta ao governo federal, seria esperado que as políticas de matiz identitário fossem reforçadas – mesmo que isso signifique um salto, da correção de velhas injustiças para o cometimento de novas injustiças.

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), criada no primeiro mandato de Dilma Rousseff e vinculada ao Ministério da Educação, e que administra dezenas de hospitais universitários federais, realizou no último dia 20 de outubro um Exame Nacional de Residência (Enare), pelo qual 80 mil inscritos disputam 4,8 mil vagas de residência médica e 3,8 mil vagas de residência em outras áreas profissionais da saúde, em 163 instituições. O edital, no entanto, reserva 30% das vagas para negros, indígenas, quilombolas e portadores de necessidades especiais. O Conselho Federal de Medicina (CFM), então, resolveu buscar a Justiça para anular a reserva de vagas para determinados grupos, alegando que não há motivo para que se continue a oferecer ações afirmativas quando já se estabeleceu a “paridade de armas” entre os candidatos a uma residência médica.

De fato, a argumentação faz todo o sentido. Qualquer desvantagem que alguém tivesse tido ao longo do ensino fundamental e médio foi sanada por meio das cotas nos processos seletivos – vestibulares ou o Enem – para entrar no curso de Medicina. A partir dali, todos receberam a mesmíssima formação, e o registro nos respectivos Conselhos Regionais de Medicina atesta que aquele indivíduo está apto a exercer a profissão. Isso significa que todos os interessados em uma vaga de residente no concurso da Ebserh já estão em igualdade de condições. Uma segunda reserva de vagas, depois daquela verificada no momento de entrar na universidade, cria uma “discriminação reversa”, um “privilégio” que “fomentará a ideia de vantagens injustificáveis dentro da classe médica”, afirma o CFM.

Fora do âmbito das universidades federais, uma outra instituição pública foi ainda mais longe. A Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, lançou no fim de outubro um processo seletivo para residência médica em que quatro especialidades (Oftalmologia, Dermatologia, Psiquiatria e Cirurgia do Aparelho Digestivo) tinham todas as suas vagas reservadas para negros, indígenas e portadores de necessidades especiais. Os editais foram cancelados pela UEL, que colocou a culpa em um algoritmo desenvolvido para determinar o número de vagas destinadas às ações afirmativas – sinal de que, antes de ser publicado, o edital não chegou a ser conferido por ninguém ou, se chegou, o responsável não viu ou não quis ver nada de errado. Chama a atenção, ainda, o fato de o tal algoritmo ter sido desenhado para seguir recomendações do Ministério Público e da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), do MEC, para que 30% das vagas de residentes fossem preenchidas por cotas, provocando os efeitos já apontados pelo CFM.

A ação tramita na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e não será surpresa que a controvérsia chegue ao STF, que já foi chamado a decidir sobre leis de ações afirmativas no passado. Foram esses julgamentos que a Ebserh alegou em seu favor ao dizer que a corte suprema já validou o “critério étnico-racial na seleção para ingresso no ensino superior público”. Residências médicas, no entanto, não são “ingresso no ensino superior público”; tampouco são iguais a cargos na administração pública, cujo preenchimento por meio de concurso também inclui cotas desde a aprovação de uma lei em 2014. Todos os que se formaram em uma faculdade de Medicina e conseguiram seu registro no CFM estão em condições de igualdade para disputar uma vaga de residente; que, uma vez tendo sido obtida essa igualdade, seja o “mérito acadêmico de conhecimento” a dar a palavra final.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

DEU NO X