ALEXANDRE GARCIA

INDICIAMENTO NÃO TEM A MENOR LÓGICA

PF pediu indiciamento de Bolsonaro.
Jair Bolsonaro, durante celebração do Dia do Exército, em 2019

Repercute no país inteiro o anúncio do indiciamento de Bolsonaro e mais 36 pessoas por tentativa de golpe de Estado. Ainda na quinta-feira eu falava com outro juiz que me disse a mesma coisa que eu já havia ouvido: tentativa de crime não é crime, a menos que a pessoa tenha sido impedida pela polícia já no momento da execução. Cogitar um crime não é crime; planejar o crime não é crime; mas executar ou consumar o crime sim. Eu já falei aqui das quatro fases do “caminho do crime”; nas duas primeiras fases não se executou nem se consumou o crime – no caso, a tomada do poder, com o assassinato de pessoas, essa coisa toda.

Lendo o inquérito de cabeça fria, chegamos a uma conclusão que é absolutamente surpreendente e contrária ao que estão dizendo por aí: o herói nisso tudo seria Jair Messias Bolsonaro, porque foi ele quem fez as pessoas desistirem do intento. Não houve ataque a quartéis, não houve ataque a nada, não se quebrou nada, não se pegou em arma, nada disso. Mas “jogaram a toalha”, como os próprios militares disseram, furiosos com Bolsonaro, nas trocas de mensagens de WhatsApp mostradas pela Polícia Federal. O inquérito tem frases como “o presidente não pode pagar para ver”, “ele vai destruir nosso país”, “democrata é o cacete”, “‘não vou sair das quatro linhas’, que história é essa?”, “nem tem quatro linhas”. Ou seja, estavam furiosos porque queriam que o presidente assinasse um decreto que eles imaginavam ser a aplicação do artigo 142 da Constituição, de intervenção das Forças Armadas em defesa da Constituição e da lei. Bolsonaro não fez nada disso, ficou nas quatro linhas e o poder passou para seu sucessor.

No fim, Lula não foi atacado; não houve tentativa de atacar Lula, ou de assassinar o presidente eleito ou Geraldo Alckmin, nem de prender qualquer um deles. Houve só cogitação. Essa é a primeira questão. A outra foi levantada pelo ex-procurador Deltan Dallagnol: o Supremo não seria o foro para julgar esse caso, e o juiz apropriado não seria alguém que aparece como vítima.

Entre os 37 indiciados estão dois generais ligados a Bolsonaro: Augusto Heleno e Braga Neto, que foi candidato a vice em 2022; ambos foram ministros de Bolsonaro. Há, ainda, um outro general quatro-estrelas, um argentino, um padre, e o próprio ex-presidente Bolsonaro, que, repito, está sendo acusado por aquilo que ele não fez, pelo contrário: ele evitou que continuassem as cogitações e planejamentos que não foram para a execução – na verdade, nem se sabe se seria execução ou apenas um sonho. Vamos esperar o encaminhamento disso tudo, e imagino que o Congresso Nacional esteja acompanhando os desdobramentos.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

MARIA EMÍLIA CLARCK

Deus quando elaborou o projeto da raça humana, colocou nesse mundo a mulher como a criatura mais semelhante à sua imagem. A mulher é o estágio do ser humano mais avançado, perto do sublime, do divino.

O homem quando se viu um ser complementar da mulher, Deus apenas o fez um procriador, com inveja e sendo mais forte inventou as conquistas, as guerras, para que ficassem no trono reinando o mundo, sem dar chance à companheira. O homem mandava e desmandava, assim foi iniciado o mundo. As mulheres aguentaram essa iniquidade por todos os séculos, por toda história desde que o mundo é mundo, com algumas exceções, Cleópatra, Maria, Joana D’Arc, Rainha Victória, entre poucas.

Até que no século XIX, as mulheres se rebelaram, iniciaram o movimento com reivindicações de ingressar o mercado de trabalho e votar. Mulher era para ficar em casa tomando conta dos filhos e das galinhas. Deu-se início a Revolução Feminina. A maior revolução da humanidade não foi a Queda da Bastilha, nem a Russa, foi a Revolução das Mulheres no século passado, exigindo seus lugares dentro da sociedade.

Ainda estão batalhando, vencendo preconceitos e intolerâncias. No dia em que as mulheres tiverem mais poder, mais comando, mais liderança; o gênero humano será mais digno, mais honesto, mais feliz, o mundo menos hipócrita. Digo isso porque acompanhei e continuo atento a evolução feminina de minha geração. Assisti as mulheres se infiltrarem no mundo das artes, dos empregos, da política. E como melhorou!!!

Dentro as mulheres de minha geração tenho uma amiga especial que sempre admirei seu trabalho tenaz no mundo da dança, do ensino e da produção artística. Essa mulher chama-se, Maria Emília Clarck, a Dama do Ballet. Desde criança a dança entrou em seu corpo, em sua alma em suas entranhas. Para se formar bailarina teve muito que estudar, cerca de dez anos, muitas horas de estudo teórico e prático diariamente. Paralelamente formou-se em Serviço Social na UFAL e Bailarina Profissional pelo Sindicato dos Artistas de São Paulo. Participou de vários cursos de pós graduação e como bailarina profissional dançou nos cinco continentes, cuja enorme relação não cabe nesse pequeno texto.

Uma mulher se realiza quando segue o seu coração! Uma mulher visionária é do tamanho de seus sonhos. Assim é Emília, com a bagagem teórica e prática aprendida em anos de ballet, resolveu há 25 anos criar a própria escola: BALLET MARIA EMÍLIA CLARCK. Sua Escola tem formado gerações de bailarinos e contribuído imensamente para a arte e a cultura de Alagoas e do Brasil. Com mais de 60 projetos realizados, suas criações misturam o passado e contemporâneo de maneira única e sensível. Como um ser humano notável, incomum, sua sensibilidade leva projetos aos mais desprovidos, aos que não têm acesso à arte, minimizando lacuna de nossa carente descabida sociedade.

O Ballet Maria Emília Clarck comemorando seus 25 anos de intensas atividades de formação artística e técnica, construindo repertórios próprios, memorialistas, produzindo documentários históricos, dessa forma contribuindo para preservação da História do Brasil. Nesse ano de 2024, a bailarina Emília Clark, contando com o apoio do marido, o médico, escritor, sociólogo, Fernando Gomes, criou e presenteia à Alagoas o espetáculo: “O MAR QUANDO QUEBRA NA PRAIA” no Teatro Gustavo Leite, dias 29 nov (sexta); 30 nov (sábado) às 19:00 e no dia 1 dezembro (domingo) às 17:00 horas. IMPERDÍVEL. Suas netas vão adorar. Finalmente declaro maior admiração e orgulho em ser amigo dessa artista, independente, laboriosa obreira e sobretudo, revolucionária, Maria Emília Clark.

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

BRASIL, O PASSADO

Lisboa. Em 1996, fiz prefácio para um livro (Itinerário da Corte) de Marcos Vilaça, então presidente do TCU. Agora, quase 30 anos depois, reli o que escrevi. E levei susto. Porque muito pouco mudou, em nosso Brasil. Como o texto é bastante longo, cortei vastos pedaços. E dividi o que sobrou em duas colunas, o passado e o futuro. Peço permissão, ao amigo leitor, para transcrever esses pedaços, na esperança de que possa apreciar. Assim vamos, primeiro, ao PASSADO.

A vinculação da ética à ideia do bem, presente nos filósofos morais gregos, foi ganhando formas diferenciadas ao longo da história. Aflorando no Renascimento, indiferentemente, como fundada no egoísmo (Hobbes), no realismo político (Maquiavel), no sentimento moral (Hutcheson), no compromisso com a virtude (doutrina cristã).

Com o iluminismo tivemos as primeiras relações entre ética e política. Hegel e Locke, por exemplo, pensaram a revolução na dialética do senhor e do escravo ‒ uma relação de dominação e servidão onde o escravo trabalha inicialmente porque é obrigado e depois por dever e disciplina, satisfazendo mais o thymos que o desejo.

A parte que nos cabe no latifúndio dessas relações é um projeto econômico, no Brasil, incapaz de integrar as massas excluídas a um consumo pelo menos decente; hesitando entre uma “ética de sujeição” e uma ética de sobrevivência”, exercida em nossas esquinas, no que o Prêmio Nobel de Literatura (1989) Camilo José Cela, em Colmeia, chama de “cotidiana, áspera, estranha e dolorosa realidade”. E nada disso acontece por acaso.

O passado responde por algumas opções erradas que fizemos: de concentrar renda, em vez de criar mercado; de fazer infra-estrutura econômica, em vez de infra-estrura social; de voltar a produção para a exportação, em vez de mercado interno; de dividir a nação em corporações, em vez de buscar convergências; de pretender democracia formal, em vez de democracia econômica; de enriquecer empreiteiras, em vez de apostar no conhecimento; de cultivar certezas, em vez de pluralismo e diversidade.

Nossas elites sofrem hoje o bloqueio dos grupos em posição dominante, na sociedade, que não tem interesse em mudar nada ‒ com o poder político passando a atuar como agregado dessas elites, da qual é sua parte mais visível.

O grande empresariado aposta em um neoliberalismo que levará setores inteiros à ruína. O governo parece confiar que as propostas em curso não apenas estão corretas, como bastarão: que a integração crescente do país na economia mundial será suficiente para assegurar nosso desenvolvimento; que o fatalismo nos converterá, inevitavelmente, em um grande país.

As esquerdas, historicamente comprometidas com mudanças, agora fazem frentes “contra as reformas”. Vivendo o dilema de já não acreditar em sua ação política tradicional e não ser capaz de rejeitá-la. Continuam ignorando que parte do desemprego que temos é estrutural, apenas decorrente de exigências crescentes por mais performance e mais tecnologia; e reduzem seu discurso à defesa dos resíduos de um projeto esgotado ou à representação dos segmentos organizados da sociedade. A oposição que fazem ao neoliberalismo se converteu na pregação de um corporativismo de conveniência e de um nacionalismo simplista e bem intencionado.

Vivemos as distorções de um modelo exaurido em que o fechamento da economia apenas tangencialmente exerceu seu papel de proteção da indústria nacional, na verdade transferindo riscos da iniciativa privada para o Estado; e com o serviço público se considerando desobrigado de maiores compromissos com eficiência ou interesse coletivo.

Somos um país dividido entre os que usam armas para assaltar e os que se armam com medo de serem assaltados; entre os (presos) que estão atrás das grades para que não possam sair e os que estão (presos, também) atrás das grades com medo de que outros entrem; entre os que não comem porque não têm comida e os que não comem porque estão de dieta. Mundos tão diferentes e tão iguais. Não por acaso somos um país desequilibrado, com um pedaço crescentemente integrado na economia e na cultura dos países ricos e outro pedaço exercitando a sobrevivência, ao mesmo tempo modernos e atrasados, ricos e carentes, autosuficientes e dependentes.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO X

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PENINHA – TUPI PAULISTA-SP

Berto, bom dia!

Assisti ontem à tarde o filme “Acima de qualquer suspeita”, de 2009, com Michael Douglas fazendo o personagem de um promotor que manipula provas em processos que pode levar um inocente a ser condenado.

Um jornalista investigativo está disposto a denunciar o famoso promotor.

Será mera coincidência com o que acontece aqui em brazuela?

Peça ao colega Cícero Tavares que comente esse filme em sua coluna.

Abraços e uma ótima quinta-feira.

P. Grande Peninha, magnífico colunista diário fubânico, PhD em música, o pesquisador que abre diariamente o expediente nesta gazeta escrota!!!

Já encaminhei sua mensagem pro colunista Cícero Tavares, o nosso especialista em cinema.

Aguardemos o retorno dele.

Abraços e uma excelente quinta-feira!

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