DEU NO JORNAL

AVUADOR

Presidente do STF, o ministro Luís Roberto Barroso ainda é a autoridade que mais utiliza jatinhos do Grupo Especial de Transporte Aéreo da FAB.

Foram 127 voos só este ano.

Mais de um a cada três dias.

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Esse notícia aí de cima é muito mesquinha, fuxicatória.

Mais de um voo a cada três dias é um número normal.

Voar é bom.

Faz bem pra saúde.

O senhor ministro sabe disso e procura manter-se saudável avuando pelos ares brasileiros.

Nós, os contribuintes, aplaudimos sua atitude.

Deixemos essa fofocada de lado.

Pedindo licença ao Peninha, vou animar a nossa segunda-feira com música.

Um pot-pourri com o saudoso Noite Ilustrada.

Uma excelente semana pra toda a comunidade fubânica!

ALEXANDRE GARCIA

MAIS UMA TENTATIVA DE TRAZER MAIS TRANSPARÊNCIA PARA A ELEIÇÃO

Urna eletrônica

Novo projeto de lei sobre contagem pública dos votos deve ser apresentado em breve no Congresso

Nesta semana deve ser protocolado um projeto de lei sobre contagem pública de votos. É algo essencial e que tem de ser feito logo, porque faltando um ano para a eleição não se pode mais mudar a lei eleitoral. Todas essas confusões recentes no Brasil têm origem no fato de as pessoas não entenderem como seu voto está sendo contato, pois é tudo um mundo digital, hermético, impossível de auditar. Até a Venezuela nos deu um exemplo: Nicolás Maduro fez uma gozação com o Brasil, e no fim ele demonstrou que tinha razão, embora tenha perdido a eleição e não esteja obedecendo o resultado. Todos ficaram sabendo que, com 83,5% das urnas apuradas, o embaixador Edmundo González estava fazendo o dobro de votos de Maduro, que encerrou a contagem, encerrou tudo. Ele tinha a obrigação de entregar o poder agora, em janeiro, para o vencedor da eleição, que todos sabem quem é.

Os tribunais europeus não aceitam uma contagem que não seja compreendida pelo eleitor. É preciso fazer alguma coisa a respeito disso, como foi com o PL 943/2022. Várias vezes houve tentativas de acabar com as dúvidas na eleição, mas o Supremo derrubou três vezes. Eu já falei, aqui, de projetos apresentados por Flávio Dino, Brizola Neto, Roberto Requião, Jair Bolsonaro, todos projetos aprovados no Congresso e derrubados depois no STF.

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CACs dispararam no governo Lula

As questões de segurança pública voltaram com força depois daquele episódio em que um PM jogou uma pessoa de uma ponte em São Paulo. Diziam que Bolsonaro estava estimulando o aumento no número de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), mas vejam só: no fim do governo Bolsonaro havia 803 mil registros de CACs; agora, no governo Lula, temos mais que o dobro disso: 1,959 milhão de registros. Isso sem contar aqueles que têm armas nos territórios liberados pelo crime.

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São Paulo continua a ser o estado com menor índice de homicídios

Em São Paulo, o contingente de PMs é de quase 90 mil. É a maior polícia, quase o mesmo número de recrutas alistados anualmente no Exército. E o estado tem o menor número de homicídios relativo à população: 5,11 homicídios por 100 mil habitantes. Lá no Ceará, com governo do PT, são 34,35 homicídios por 100 mil habitantes, mais de seis vezes o número paulista. Os outros estados que mais têm homicídios em relação à população, além do Ceará, são Pernambuco, Alagoas, Pará, Bahia e Maranhão. Já os que têm menor número de homicídios, depois de São Paulo, são Santa Catarina, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais.

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No Brasil, primeiro inventam o crime e só depois fazem a lei – ou nem isso

Falando em crime, a Constituição diz, no artigo 5.º, XXXIX, que ninguém pode ser processado se não houver lei anterior definindo o crime. E os juristas dizem que não existe crime de “fake news”, de negacionismo, de “discurso de ódio”, e muito menos crime de opinião; muito pelo contrário, a Constituição diz que é livre a expressão do pensamento, vedado o anonimato, e também é vedada a censura. Mas não é o que temos visto.

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Com jornada 4×3, brasileiro passaria a maior parte do ano sem trabalhar

No Correio Braziliense, José Pastore, um grande entendido em legislação trabalhista, mostrou que, se passar a proposta que troca a jornada de trabalho de 6×1 pelo 4×3, o brasileiro não trabalhará em 192 dias por ano, ou seja, ficará mais da metade do ano sem trabalhar. E de onde é que vão tirar riqueza? A riqueza é produzida pelo trabalho, qualquer tipo de trabalho. Sem trabalho não se produz riqueza, e quem não produz riqueza está sendo sustentado por quem produz.

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Superior Tribunal Militar terá mulher civil na presidência

Para terminar, duas notícias do Judiciário. O ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça, negou um pedido de habeas corpus contra Vladimir Putin, pedindo a sua prisão. O ministro disse que o pedido é inusitado e desprovido de fundamento. E o Superior Tribunal Militar, que está passivo em relação às prisões de oficiais da ativa, agora é presidido por uma mulher. Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha é uma advogada que sempre esteve no serviço público: trabalhou no Ministério da Cultura, no Tribunal Regional do Trabalho, na Câmara dos Deputados, no Tribunal Superior Eleitoral, e foi subchefe jurídica da Casa Civil de Lula, que a indicou. Seu vice será o presidente que está saindo, tenente-brigadeiro Joseli Camelo, que achou que só pode fazer “julgamento ético” dos oficiais da ativa que foram presos e indiciados pela Polícia Federal.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A MINHA TRAGÉDIA – Florbela Espanca

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minha alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida! …
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade! …

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim! …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O BRASIL DO FAZ DE CONTA

Luís Ernesto Lacombe

A julgar pelo discurso do PT, picanha é produto já disponível na mesa de todo brasileiro

Somos o país das maravilhas. Nada poderia estar melhor no Brasil. A pobreza e a miséria caíram, no ano passado, ao menor nível desde 2012. É o que diz o IBGE, presidido pelo Márcio Pochmann. De acordo com o instituto, no ano passado, quase 12 milhões de pessoas deixaram de passar dificuldades. Devem estar comendo picanha, tomando cerveja, fim de semana sim, e o outro também. Tudo isso é resultado, segundo os cálculos mágicos, do aquecimento do mercado de trabalho e do pagamento de benefícios sociais. Tudo obra do PT.

Claro, é preciso fingir que a taxa de desemprego não está caindo desde que terminaram as medidas tirânicas da época da Covid, ainda com Bolsonaro. Faz de conta que só com a posse de Lula o quadro melhorou. Ele – e ninguém mais – é a solução de todos os problemas. Nem comenta que entre os setores que mais têm gerado empregos está… a administração pública. Omita o fato de que o PT está inflando o número de servidores federais e que a conta disso já chegou. Se afirmam que há 7 milhões de desempregados oficialmente e existem 56 milhões de cadastrados no Bolsa Família, é só não cruzar esses dados, e confiar, confiar…

Sobre os benefícios sociais, outro grande problema sobre o qual todos aceitam não falar: Lula e sua turma sempre mediram o sucesso desses programas pelo aumento do número de pessoas que são atendidas… Insisto, deixa isso para lá. Nem tenta emplacar que o correto seria fazer o contrário, já que o sucesso de um programa social deve ser calculado pelo número de pessoas que deixam de receber o benefício e conseguem caminhar com as próprias pernas. Isso é um detalhe, um mero detalhe.

Ninguém vai ficar queimando a cabeça também, tentando entender como, em 2023, 59 milhões de pessoas ainda viviam com menos de R$ 22 por dia, se a pobreza e a miséria praticamente acabaram nesse período… E, mais do que tudo, é preciso jurar que o PT, que ocupou a Presidência da República por 16 anos desde 2003, nos últimos 21 anos, portanto, não tem culpa por nenhum dos problemas que o Brasil enfrenta, por sua origem ou seu agravamento. Fica combinado: o PT é a maravilha das maravilhas.

E vamos comemorar o PIB “me engana que eu gosto”. Aliás, importante: ninguém vai usar essa expressão… No terceiro trimestre deste ano, a economia do país cresceu 0,9%. Os gastos estratosféricos do governo federal, que trataremos como “necessários”, contribuíram para isso: tiveram alta de 0,8%. O consumo das famílias também puxou o PIB. Viva! Quem não tem dívidas não sabe o que é bom.

Como cidadãos conscientes, não vamos espalhar por aí que os leilões de imóveis que foram tomados de quem não conseguiu pagar o financiamento, por exemplo, dispararam, em meio à inadimplência de famílias brasileiras. Alguns dados que devem ser ocultados… Em 2022, com Bolsonaro, 9 mil imóveis foram arrematados em leilões assim. No ano passado, o número quase triplicou, chegou a 26 mil. Este ano, apenas no primeiro semestre, já foram 44 mil imóveis…

Com muita gentileza, peço que ninguém se lembre de que o PIB é divulgado com dois meses de defasagem. Unidos, vamos desconsiderar que esse número divulgado agora é de um período em que o dólar estava em R$ 5,45, e agora já passou de R$ 6, em que a previsão de inflação para 2024 era de 3,95%, e a taxa anualizada já pulou para 4,77%, acima do teto da meta, e os juros estavam em 10,75%, e tiveram de subir para 11,25.

Eu nem precisaria pedir com jeitinho que cada um de vocês silenciasse sobre o endividamento do governo, que saltou de 71,68% do PIB para 78,64%, em menos de dois anos de governo Lula. E quem vai perder tempo de olho na taxa de investimento atual, de 17,6%? Ela é pífia, não vai sustentar crescimento na faixa de 3% a 4% por ano, mas nosso plano é propagar as maravilhas inexistentes, que todos nós devemos garantir que são reais. Combinado?

Dessa forma, trabalhe-se com o seguinte: o arcabouço fiscal não permite aumento de despesas do governo e deixa o teto de gastos no chinelo; é muito melhor. O pacote de cortes nas despesas do governo federal também é sensacional. Ele vai gerar uma economia incrível e jamais vai deixar brecha para o aumento dos gastos fora da contabilidade tradicional. Ninguém pode acreditar nesses especialistas em contas públicas que estão por aí dizendo o contrário. Eles não entenderam nada.

Seria importante, é verdade, que o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União não implicasse com o dinheiro que o governo gasta com campanhas publicitárias para divulgar o pacote de corte de gastos e a proposta de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O que são R$ 40 milhões? Os pagadores de impostos ficam felizes em ajudar e não acham contraditório aumentar gastos para divulgar pacotes de medidas que visam a reduzir gastos. O mundo fascinante das narrativas deve prevalecer, para o bem de todos.

Assim, não há déficit fiscal e dívida recordes, o dólar está num patamar ótimo, a inflação está controlada, as taxas de juros, logo, logo, vão cair. O crescimento do Brasil não está comprometido. Repitam, e repitam, e repitam. O governo do PT, como sempre, está nos entregando o país das maravilhas. Ele está preocupado com as finanças públicas, e todos devem acreditar nisso. Se você tiver alguma dificuldade para se render a essas afirmações, experimente usar novos parâmetros: o sucesso é ruim, e o insucesso é bom.

XICO COM X, BIZERRA COM I

‘SEU’ OBRIGADO E O AMIGO POR FAVOR

Nos tempos do ‘Seu’ OBRIGADO, o Companheiro POR NADA passeava faceiro pelas praças da cidade, abraçando Dona EDUCAÇÃO e sorrindo pelas ruas junto com o Amigo POR FAVOR. Todo dia se escutava o Menino BOM DIA, ainda que a manhã fosse nublada. O carteiro entregava as cartas sem arrobas ou imeios. Você era Você e não se escrevia Vc. Não se sabia o que era Internet, nem views ou likes e se desconhecia o tal do whattZap. No meu caso, os ‘influencers’ eram reais, meu pai e meu avô, exemplos de conduta ilibada e de vida íntegra, distantes de interesses materiais gananciosos.

A Olivetti azul era a companheira fiel das bobagices e besteiragens que já escrevia. Ia-se aos restaurantes para comer, ou até conversar, mas nunca para ficar calado bisbilhotando a vida alheia pelo celular. Ouvia-se boa música nas radiolas de então. Elis Regina cantava Tom Jobim. Convenhamos: era bem melhor que as atuais Anitas. Sertanejos eram verdadeiros, como Luiz Gonzaga, que conhecia e cantava o Sertão de verdade, das Sabiás e Acauãs. Era uma época em que se lia, existiam livros, livrarias, bibliotecas. E leitores. Ifood era a bodega de seu Júlio, o melhor caldo de cana com pão doce da cidade. E o pagamento era à vista ou anotado na caderneta. Não aceitava PIX. Aliás, ninguém aceitava PIX.

Tudo mudou. Para melhor? Não sei. Só sei que a Companheira COM LICENÇA faz-me recordar o Rapaz MUITO PRAZER, fazendo-me sentir saudades dos tempos do ‘Seu’ OBRIGADO. Até a Senhora GENTILEZA, que transitava sorridente entre as pessoas, está sumida. Menos mal que a lua continua a brilhar no alto e os rios seguem correndo para o mar. E o jumento das horas todo dia, como antes, continua anunciando que a mesa está posta. Imagino estarem todos pensando que sou saudosista: acertaram! Talvez porque eu tenha mais passado que futuro, embora aceitando e encarando os amanhãs como desafios e conquistas a obter. Mas que era supimpa, ah, isso era!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O BRASIL PRECISA DE PAZ

Carlos Alberto Di Franco

“Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.”

Essa reflexão, atribuída ao papa Francisco, é profundamente tocante e verdadeira. Ela nos lembra que as famílias, como qualquer outro grupo humano, não são perfeitas, e que, justamente por isso, o perdão se torna essencial para a saúde emocional e espiritual de todos. O perdão é um remédio contra as feridas que inevitavelmente surgem nas relações familiares, seja entre pais e filhos, casais ou outros membros da família.

Essa mensagem pode ser aplicada às relações sociais e ao espaço destinado ao debate público e ao exercício da política. A mágoa, quando sistematicamente alimentada, pode ser um veneno, que destrói não só as relações, mas também o convívio político.

A atual situação do Brasil preocupa. E muito. O país, polarizado e radicalizado, precisa recuperar a tranquilidade. O governo tem muita responsabilidade no clima de radicalização. Lula é um populista carismático, mas não é um estadista. Está com o olho no retrovisor. O tempo todo. Só os estadistas são capazes de expulsar o rancor da alma e olhar com grandeza para um projeto maior. Não vejo isso no presidente da República. Ele está algemado por uma imensa mágoa e é refém do ressentimento. A vingança não é um instrumento de crescimento. Lula está longe, muito longe, da grandeza de um Nelson Mandela. Depois de passar 27 anos preso, submetido a uma injustiça inominável, Mandela não ficou prisioneiro do passado. Virou a página. Olhou para frente. Construiu uma magnífica biografia.

Do outro lado do espectro político, o governo de Jair Bolsonaro teve algumas conquistas relevantes, como a reforma da Previdência, a autonomia do Banco Central, a Lei de Liberdade Econômica, o Novo Marco Legal do Saneamento e algumas privatizações. Seu estilo conflitivo, no entanto, contribuiu muito para o aumento da temperatura e para o clima de radicalização que castiga o Brasil.

Na terça-feira, 19 de novembro, os brasileiros receberam, atônitos, a notícia de uma operação da Polícia Federal que investigou um suposto plano de golpe de Estado que teria previsto nada menos que os assassinatos do então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Não é necessário enfatizar a gravidade das denúncias. Tudo precisa ser apurado com total transparência. O Supremo Tribunal Federal tem o dever de apresentar não apenas indícios, mas provas robustas do suposto episódio.

Para que as apurações e o julgamento cheguem a bom porto, é preciso que a Polícia Federal e, principalmente, o STF se comportem de modo mais técnico e menos político. Neste sentido, indevidas declarações fora dos autos, não raro antecipando julgamentos, não contribuem para os esclarecimentos dos fatos.

Parece-me imprudente a decisão do presidente da corte, ministro Luís Roberto Barroso, de entregar a Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito. Mais uma vez – e num caso extremamente grave e sensível – Alexandre de Moraes figura simultaneamente como relator e vítima em potencial. Independentemente da capacitação do ministro, é imperioso dar uma mensagem claríssima de isenção.

O Brasil precisa de paz. Mas a pacificação do país passa pelo respeito à verdade e por um sincero esforço de conciliação. A história mostra que a grandeza de alma é capaz de superar situações difíceis. O presidente Juscelino Kubitschek foi um estadista de verdade. Após assumir a Presidência e ainda no primeiro mês de seu mandato, o fundador de Brasília enfrentou uma revolta armada contra o seu governo. Militares da Aeronáutica se organizaram num levante contra o presidente. Sufocada a rebelião, como devia ser, JK anistiou todos os envolvidos. O presidente era um homem sem retrovisor, sem ódios e sem amarguras. Olhava para frente. Tinha a grandeza dos estadistas.

Saudade do diálogo, da liberdade, da tolerância. O bem comum não chega pela mão de salvadores da pátria. Ele é fruto de um consenso que demanda autoridade moral, serenidade e capacidade de negociação. Em 2026, que já está aí, o país precisa de um estadista.

O Brasil vive um momento muito grave. É hora de se pensar no país e no seu povo.

PENINHA - DICA MUSICAL