Nos tempos do ‘Seu’ OBRIGADO, o Companheiro POR NADA passeava faceiro pelas praças da cidade, abraçando Dona EDUCAÇÃO e sorrindo pelas ruas junto com o Amigo POR FAVOR. Todo dia se escutava o Menino BOM DIA, ainda que a manhã fosse nublada. O carteiro entregava as cartas sem arrobas ou imeios. Você era Você e não se escrevia Vc. Não se sabia o que era Internet, nem views ou likes e se desconhecia o tal do whattZap. No meu caso, os ‘influencers’ eram reais, meu pai e meu avô, exemplos de conduta ilibada e de vida íntegra, distantes de interesses materiais gananciosos.
A Olivetti azul era a companheira fiel das bobagices e besteiragens que já escrevia. Ia-se aos restaurantes para comer, ou até conversar, mas nunca para ficar calado bisbilhotando a vida alheia pelo celular. Ouvia-se boa música nas radiolas de então. Elis Regina cantava Tom Jobim. Convenhamos: era bem melhor que as atuais Anitas. Sertanejos eram verdadeiros, como Luiz Gonzaga, que conhecia e cantava o Sertão de verdade, das Sabiás e Acauãs. Era uma época em que se lia, existiam livros, livrarias, bibliotecas. E leitores. Ifood era a bodega de seu Júlio, o melhor caldo de cana com pão doce da cidade. E o pagamento era à vista ou anotado na caderneta. Não aceitava PIX. Aliás, ninguém aceitava PIX.
Tudo mudou. Para melhor? Não sei. Só sei que a Companheira COM LICENÇA faz-me recordar o Rapaz MUITO PRAZER, fazendo-me sentir saudades dos tempos do ‘Seu’ OBRIGADO. Até a Senhora GENTILEZA, que transitava sorridente entre as pessoas, está sumida. Menos mal que a lua continua a brilhar no alto e os rios seguem correndo para o mar. E o jumento das horas todo dia, como antes, continua anunciando que a mesa está posta. Imagino estarem todos pensando que sou saudosista: acertaram! Talvez porque eu tenha mais passado que futuro, embora aceitando e encarando os amanhãs como desafios e conquistas a obter. Mas que era supimpa, ah, isso era!

Seu texto lembra uma Cantoria de Conselho, do compadre Ivanildo Vilanova. Diz assim:
Você pode no muque arrebentar
Seja a porta da frente, ou da dispensa
Mas apenas pedindo com licença
Ela pode se abrir, você passar.
Me perdoe diga sempre quando errar
Não é feio ninguém ser educado
Nem humilde, gentil, ou delicado
O contrário é que é constrangedor
Por favor diga sempre por favor
E obrigado por dar muito obrigado.
Não conhecia a bela décima do grande Ivanildo Vilanova. Poderia até ter-me nela inspirado ante a coincidência temática.