A trajetória do bailarino Igor Xavier continua fulgurante nas atitudes e na lembrança daqueles que com ele conviveram.
Nos testemunhos emocionados e no brado que ecoa por este Brasil imenso, onde quer que haja uma semente germinada de sua dança, de sua fina ironia, de seus planos libertários para o futuro.
Sua missão neste planeta reverbera em cada coração pulsante cujo âmago é solidário e belo.
Neste documentário, um pouco da vida e da obra de Igor.
Virgulino e João Bezerra (Cunhas da mesma madeira). Um lá de Serra Talhada, O outro da Ingazeira: Pernambucanos vibrantes, Um comandando as Volantes E o outro a Cabroeira.
Bezerra foi caçador De onça, o grande felino, Primo do “Rifle de Ouro”, O bravo Antônio Silvino. Quando assumiu o comando, Passou anos rastreando Os passos de Virgulino.
Por ter prestado serviço Ao coronel Zé Pereira Lá de Princesa Isabel Que gostava da trincheira. Na certa, ganhou “coroas” Para ir pras Alagoas E ingressar na Fileira.
Em 19 ele entrou Na Volante alagoana E no combate ao Cangaço Demonstrou tamanha gana Movido a cada incursão Para caçar Lampião, A fera pernambucana.
No ano de 38 Cumpriu a sua missão Chegou à Grota do Angico, O coito de Lampião, Que no combate tombou. Foi assim que se findou O Cangaço no sertão.
Zacimba Gaba nasceu em Angola, em meados do século XIX. Foi uma princesa da nação Cabinda, capturada como escrava e trazida para o Brasil, numa fazenda em Espírito Santo. Liderou uma revolta dos escravizados e fundou um quilombo às margens do riacho Doce. Passou a vida na construção de canoas e na organização de ataques noturnos no porto próximo à São Mateus para libertar os negros recém-chegados.
Ao chegar no Brasil, foi vendida com mais 12 súditos como escravos ao fazendeiro português José Trancoso, e foi castigada por não se submeter às ordens do senhor. Num primeiro momento, o fazendeiro não tinha noção do seu status entre os angolanos, mas percebeu logo o tratamento dado a ela. Assim, foi torturada e revelou que fazia parte da realeza em sua terra de origem. Conta-se que ela proibiu seus companheiros de a libertarem até que ela conseguisse envenenar seus algozes. O que foi feito aos poucos, utilizando-se de um pó preparado com a cabeça moída de uma cobra jararaca, o “pó de amansar sinhô”.
Após a fuga da Casa Grande, com a morte do fazendeiro e alguns capatazes, ela guiou seu povo pelo interior e criou um quilombo nas margens do Rio Doce, próximo do atual distrito de Itaúnas, na cidade de Conceição da Barra, no Espírito Santo. O povo de Zacimba organizou algumas revoltas pela liberdade e o quilombo tornou-se ponto de referência para escravizados em fuga. A princesa passou o resto da vida guiando batalhas no porto de São Matheus pela libertação dos negros chegados da África, e pela destruição dos navios negreiros. Faleceu na invasão de um navio português, lutando pela libertação do povo cabindense.
Existe pouca documentação sobre a vida de Zacimba e a que existe não é precisa, com algumas fontes indicando o século XIX e outras o século XVII, o período de sua existência. Mas existem alguns livros contando sua história. Em 1995 Maciel de Aguiar publicou o livro Zacimba Gaba: princesa, escrava, guerreira, pela Editora Brasil em parceria com o Centro Cultural Porto de São Mateus. Uma nova edição foi relançada em 2007 pela Memorial Editora.
No livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, Jarid Arraes retrata a história de Zacimba em cordel.
“ (…) Quando Zacimba chegou E então foi interrogada Respondeu com altivez Fez a história confirmada Era sim uma princesa Por seu povo era adorada (…)
Em 2020 Tati Rabelo e Rod Linhares realizaram o documentário Zacimba Gaba: um raio na escuridão, uma mistura de animação e cenas reais, em que 3 mulheres contam sua história. Zacimba é uma das descendentes do quilombo de Linharinho, no Espirito Santo e atualmente é uma figura destacada na história do Estado.
No sábado (14), fui agraciado com crônica a meu respeito pelo colega do JBF, Carlos Eduardo Santos. Quero retribuir ao nobre colega, dedicando-lhe os vídeos musicais desta semana.
AGU argumentou que a fake news sobre Galípolo comprometeu as ações do governo para conter a alta do dólar
O Brasil parece ter encontrado uma nova especialidade: transformar o absurdo em política pública. O mais recente capítulo dessa tragicomédia envolve um perfil satírico com 5 mil seguidores, memes sobre o presidente do Banco Central e uma narrativa surreal de que isso, chamado de “fake news”, teria influenciado a cotação do dólar. É difícil decidir o que é mais alarmante: a Advocacia Geral da União (AGU) mobilizar a Polícia Federal para investigar piadas, a tentativa do governo de transformar a ideia de “fake news” em uma ferramenta de censura ou parte da imprensa apoiar esse circo.
Se fosse roteiro da Turma do Didi, vocês diriam que estava forçado demais. Um perfil humorístico publica piadas sobre o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Até aí, tudo dentro do que se espera em uma democracia que, em tese, garante liberdade de expressão. De repente, parte da imprensa começa a noticiar que esses memes são fake news que estão “abalando o mercado” e influenciando a cotação do dólar. A AGU, em um ato que desafia qualquer lógica, resolve levar a sério essa história e aciona a Polícia Federal para investigar o perfil satírico por supostas “fake news” que influenciam a cotação do dólar.
E quem investiga a fake news do governo? A mentira de que um meme tem poder de desestabilizar o câmbio foi desmentida pelo próprio Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central indicado por Lula. Ele precisou ir a público para deixar claro que não pensa que investidores profissionais baseiam suas decisões em postagens de humor. Se o mercado acreditasse que o governo realmente leva essa tese a sério, a credibilidade do país estaria em ruínas. E com razão: uma nação onde o governo age como se memes influenciassem o dólar não inspira confiança.
O problema não para por aí. A criação dessa falsa narrativa expõe como o termo “fake news” tem sido sistematicamente esvaziado e transformado em arma política. No lugar de combater desinformação real, o conceito tem sido distorcido para justificar medidas autoritárias e sufocar críticas. Se memes humorísticos podem ser classificados como fake news, então qualquer discurso que incomode o governo pode ser enquadrado da mesma forma. Não se trata apenas de um ataque à liberdade de expressão, é um ataque à inteligência do público.
Parte da imprensa desempenhou um papel constrangedor nesse episódio, validando a narrativa governamental. Ao embarcar na tese de que memes humorísticos são fake news e influenciam o câmbio do dólar, esses veículos jogaram sua credibilidade no lixo. “O business do político é mentir”, diriam alguns, mas a imprensa tem outra missão: buscar a verdade e informar o público com responsabilidade. Quando abandona esse papel para agradar autoridades, o custo é alto e não apenas para os jornalistas, mas para a sociedade como um todo.
É irônico que, enquanto a Polícia Federal é acionada para investigar memes, não haja qualquer iniciativa para apurar a fake news oficial de que eles alteram o mercado. O governo, ao transformar piadas em caso de polícia, acaba expondo sua própria fragilidade. O objetivo dessa narrativa absurda talvez fosse desviar a atenção de questões mais sérias, mas o tiro saiu pela culatra. A piada ganhou vida própria, e o governo virou o alvo.
O uso deliberado de “fake news” como justificativa para ações desproporcionais é perigoso. Esse tipo de medida mina as bases fundamentais da democracia. A liberdade de expressão não pode ser refém de conveniências políticas ou estratégias de controle narrativo. Ela é a mais importante de todas as liberdades.
Alguém precisa esclarecer para essa anta que a autonomia é da instituição, do Banco Central e não da pessoa do presidente.
Esse jumento precisa entender que as decisões do presidente do Banco Central, no que concerne à política monetária, são colegiadas, e quem determina isso é o COPOM – Conselho de Política Monetária que é o órgão máximo do sistema financeiro nacional.
O presidente do Banco Central, claro, tem o voto de minerva.