LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

NAPOLEÃO SEMPRE TEM RAZÃO – OU: POR QUE TANTO MEDO DAS NOTAS DA COMUNIDADE?

Francisco Razzo

Mark Zuckerberg Meta Notas da Comunidade Facebook Instagram

Mark Zuckerberg decidiu mudar as regras do jogo. A Meta aposentou os “especialistas” em checagem de fatos e entregou aos usuários a tarefa de verificar informações. É o modelo Notas da Comunidade, já testado no X, de Elon Musk. O próprio Zuckerberg disse: a Meta quer voltar às “raízes da liberdade de expressão”. Traduzindo: menos censura, menos paternalismo; mais debate. Isso não é acabar com a checagem de fatos. Muito pelo contrário, é democratizá-la. Dar mais poder e responsabilidade aos usuários.

Precisamos aplaudir, gostei da mudança de postura. Notas da Comunidade é o sistema mais democrático de checagem de fatos que já vi. Retira o monopólio da verdade das mãos de uns poucos iluminados e o devolve aos usuários. Isso é democracia. Na democracia, quem define o que é verdade agora? Ninguém específico. E isso incomoda muita gente. Gente acostumada a decidir o que você pode e deve pensar. E, claro, quando falamos em “verdades” aqui, não estamos nos referindo a temas religiosos ou científicos. A esfera do debate público – e, portanto, suas exigências de validação da verdade – é diferente das verdades da fé e da ciência. Deixemos a filosofia de lado, por enquanto.

O que me interessa foram as reações ao anúncio de Zuckerberg, pois elas estão sensacionais. A cientista da computação Nina da Hora – até então eu não fazia a menor noção de quem era –, em entrevista ao Jornal das 10, da Globo, disse que a decisão é um retrocesso. Ela alegou que o modelo fragiliza o ambiente digital e que a checagem centralizada era essencial para combater a desinformação. Óbvio que é uma tremenda bobagem. Não confio em monopolistas da verdade. A gente sabe do estrago que eles podem fazer. O sistema de Notas da Comunidade não é perfeito, mas é melhor que concentrar poder em mãos de poucos ungidos. É preferível a imperfeição de muitas vozes à “precisão” de uma só. Numa democracia, até uma especialista em computação pode dar pitaco sobre o que é melhor para a democracia.

E vejam só que beleza de opinião nada especializada ela deu. Nina da Hora também quer a intervenção do Judiciário. O mesmo Judiciário que flerta com a censura, bloqueia perfis e ameaça plataformas por não seguirem sua cartilha. Uma democracia que precisa de polícia para regular opiniões já não confia em si mesma. Ou seja, não é democracia. Podem chamá-la do que quiser. Podem chamar Nina da Hora ou o papa que isso não mudará.

A desculpa para isso é sempre a mesma: proteger o público. Outra bobagem. Quem controla a narrativa não protege ninguém além de si mesmo. George Orwell entendeu isso melhor do que ninguém. Em A Revolução dos Bichos, os porcos apagavam fatos, reescreviam histórias e repetiam lemas “pelo bem de todos”. No fim, só eles ganhavam. E, claro, o rebanho aplaudia: “Se é o que diz o Camarada Napoleão, deve estar certo”. Quando ouço falar que “Notas da comunidade é um retrocesso fascista”, só consigo pensar nos porcos e no rebanho de “especialistas” aplaudindo.

Manuela D’Ávila, fiel ao script da esquerda, também atacou Zuckerberg. Disse que ele está promovendo a “liberdade da extrema direita”. Foi além: associou as mudanças da Meta a ideias que ameaçam “instituições, democracias” e defendem “violência e tortura”. Um salto argumentativo impressionante; só faltou terminar: “Napoleão sempre tem razão”. O céu é o limite para tanta imaginação. Confundir defesa da liberdade de expressão com validação de ideias extremas não é análise, é retórica. E o choro é livre.

O mais curioso é que Manuela transformou a liberdade de expressão em monopólio da extrema direita. Alguém deveria avisar as democracias ocidentais que, aparentemente, perderam o direito de reivindicar esse princípio. Manuela ainda invocou o “excepcionalismo americano”, ao criticar o papel da Meta como ferramenta do “imperialismo”. Mas, ao dizer que a empresa só atua a serviço de um poder maior, reforçou o mesmo erro que ataca. Para ela, o problema não parece ser o autoritarismo. É quem exerce o controle. Ou seja, quem manda. Noutras palavras, se os aliados ideológicos de Manuela estiverem no poder, isso é o que importa.

Não se deve ter medo da liberdade de expressão, exceto se você for um tirano. Ela incomoda, mas é isso que torna a vida da política suportável. Permite o absurdo, o incômodo, o confronto. Mas é o confronto que sustenta a democracia. Sem ele, só sobra o silêncio. Defender Notas da Comunidade não é defender Zuckerberg. É defender a ideia de que a verdade precisa ser um processo coletivo, não um decreto. A Meta erra muito, mas acertou nisso. Prefiro um sistema aberto, com falhas, a uma democracia domesticada por censores iluminados. Zuckerberg está longe de ser um herói, e eu não espero que seja. É um bilionário também preservando seus interesses e os interesses de seus acionistas. Mas, ao menos, reconheceu que era um censor e que liberdade de expressão não pode ser uma ameaça.

Ditaduras moderam conteúdo por viés ideológico. Defensores da democracia não precisam amar adversários – isso é tarefa cristã, não obrigação política. Defensores da liberdade de expressão (portanto, da democracia não domesticada) precisam, isso sim, aceitar a existência de opiniões divergentes e até ofensivas. Redes sociais que se pretendem democráticas devem ser palcos do confronto, não vitrines do conformismo e experimentos particulares de ditadores.

E quem acha o confronto de ideias perigoso talvez tenha mais em comum com os porcos do que gostaria de admitir.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

REPERCUTIU MUITO A ÚLTIMA CAGADA

A gafe de Lula ao dizer que “homens gostam mais de amantes do que de mulheres” colocou o termo “amante” entre os mais falados do X, antigo Twitter.

Até a turma da lacração criticou o petista, cujo governo bate recorde de casos de assédio sexual, chamado agora de sexista.

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Esse gunverno bate recordes não apenas em casos de assédio sexual.

Bate recordes em tudo que não presta nesse mundo!

Sexista, bundista, cuequista, tabaquista, mentirista, putista, ladroista, cornista, maconhista e mais um monte de itens constam da longa lista.

E ainda vai aumentar muito neste ano que está começando!!!

DEU NO X

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

QUE RISCO?

Cabeleireira Debora Rodrigues é mãe de dois meninos e segue presa desde março de 2023

Debora Rodrigues é mãe de dois meninos e segue presa desde março de 2023

Soubemos, pela advogada da cabeleireira Débora, que escreveu “perdeu, mané” com o batom na estátua da Justiça em frente do STF, que ela por duas vezes pediu desculpas ao Supremo, e por duas vezes foi negada liminarmente a soltura dela. Ela está presa há quase dois anos, longe dos filhos de 6 e 9 anos. O Código de Processo Penal diz que mães de crianças menores de 12 anos têm direito à prisão domiciliar; aconteceu exatamente isso com a mulher de um ex-governador do Rio de Janeiro, e os filhos dela já tinham mais de 12 anos. E a gravidade dos crimes dela também era bem diferente. Mas o ministro Alexandre de Moraes alega que a soltura de Débora significaria “grave risco à ordem pública”.

Em 2006, no governo Lula, 500 invasores depredaram tudo na Câmara dos Deputados, feriram 24 pessoas, destruíram, viraram um carro. Eram do Movimento de Libertação dos Sem-Terra. Os que foram presos logo foram soltos exatamente sob a alegação de que, sendo réus primários, não ofereciam perigo à ordem pública – mesmo depois de terem bagunçado completamente, destruído, depredado, vandalizado a Câmara dos Deputados. Façam a comparação e tirem suas conclusões.

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Ato de Lula pelo 8 de janeiro não tinha povo, só os aduladores de costume 

Lula falou no ato dos dois anos do 8 de janeiro, mas o público na Praça dos Três Poderes foi mínimo: 1,2 mil pessoas, segundo o site Poder360. Lula passou recibo, chegou a dizer que seria suficiente mesmo que houvesse uma só pessoa. Disse também que vai ser implacável, que os responsáveis pelo 8 de janeiro estão sendo investigados e punidos. Falou como se fosse o juiz vingador, e os 400 convidados dentro do palácio gritaram “sem anistia, sem anistia”. Eram muitos artistas, ministros, cinco representantes do Supremo (o presidente Luís Roberto Barroso não foi, mas deixou uma carta para Edson Fachin ler), o ministro da Defesa e os três chefes militares, que não desceram a rampa para o palácio (ou pelo menos eu não consegui ver).

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O “amante” da democracia está pronto para traí-la com Nicolás Maduro

E aí Lula cometeu aquele ato falho bem típico dele. “Ato falho” é quando o inconsciente, que é a verdade da pessoa, passa por cima do superego, que é a censura, e o inconsciente fala a verdade. Lula disse que era um “amante” da democracia – não marido, mas amante da democracia, porque na maioria das vezes os maridos são mais apaixonados pela amante que pela esposa. Dizem alguns jornalistas ingênuos que Janja fez um olhar de reprovação. Muito pelo contrário, não é? Foi um ato falho, como eu disse.

Será que nesta sexta-feira Lula vai trair a amante democracia, mandando uma representante para avalizar a posse de um ditador na Venezuela? Ou será que vai cancelar a ida da embaixadora? Torço para que cancele, para que não passemos esse vexame. Nove ex-presidentes latino-americanos já foram ameaçados de prisão; eles seriam uma “guarda de honra” do verdadeiro vencedor da eleição, o embaixador Edmundo González, para conduzi-lo para a posse – a posse real, legal, não essa de Nicolás Maduro. Jair Bolsonaro estaria com eles, mas está sem o passaporte. Aliás, neste 8 de janeiro Donald Trump convidou Bolsonaro para sua posse, no próximo dia 20, e a defesa dele vai pedir o passaporte, só para ir a Washington e voltar. Afinal, é o presidente de um país amigo que faz um convite a um ex-presidente, que vai se comprometer a ir e voltar. Minha torcida é para que Lula não envie representante, cancele a presença da embaixadora na posse de Maduro, e que Bolsonaro consiga ver o seu amigo Trump, que o convidou.

DEU NO JORNAL

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