Recebi transmito agora! pic.twitter.com/QKTDhF4HId
— Regina Villela (@villela206) January 11, 2025
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Leandro Ruschel
Maduro, o carniceiro de Caracas — que censura, persegue, prende, tortura e mata opositores para se manter no poder — “tomou posse” para mais um mandato, depois de fraudar descaradamente as últimas eleições.
A trajetória da Venezuela é bastante instrutiva. Chávez chegou ao poder pelo voto, apresentando-se como um “social-democrata” moderado, e muitos “idiotas úteis” acreditaram. Assim que assumiu, tratou de aparelhar os Poderes e as Forças Armadas.
Quando a parte sadia da sociedade se revoltou e tentou retirá-lo do poder, o movimento foi tachado de “golpe”. Chávez acabou reconduzido ao cargo com o apoio decisivo do Brasil, então presidido por Fernando Henrique Cardoso.
Dali em diante, a ditadura avançou rapidamente. O preço alto do petróleo sustentou a distribuição de bolsas sociais, basicamente comprando votos. Em paralelo, as bases econômicas foram devastadas por meio de confisco de propriedades, estatizações e intervenções cada vez mais profundas, até destruir a iniciativa privada.
Como quase sempre acontece nas primeiras fases de revoluções socialistas, houve uma aparente melhora nas condições de vida da população mais pobre, graças à distribuição dos recursos tomados dos mais ricos. Quando o dinheiro dos outros acaba, não há quem produza riqueza, e a pobreza fica muito maior do que antes da revolução, enquanto apenas os membros do partido enriquecem.
Quando o povo se revoltou contra a crescente miséria, já não havia instituições democráticas funcionais. As eleições foram sistematicamente fraudadas, e o regime se fortaleceu com o apoio dos militares. Opositores foram brutalmente reprimidos. No processo, aparelhou-se completamente a Suprema Corte. O Congresso foi fechado, e suas funções passaram à própria Suprema Corte, até que se realizasse uma nova eleição, igualmente fraudulenta, garantindo ao regime o controle completo do Legislativo.
A República se tornou um simulacro. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário, além das Forças Armadas, são controlados com mão de ferro pelo grupo no poder. Não há mais liberdade de expressão, tampouco Estado de Direito. Quem ameaça o regime é tratado a tiros.
Nesse período, a destruição econômica se intensificou, resultando na maior crise humanitária da história da América Latina. A ONU estima que 8 milhões de venezuelanos deixaram o país, o que equivale a cerca de um quarto da população — como se 50 milhões de brasileiros emigrassem. Dos que ficaram, 95% passaram a viver abaixo da linha da pobreza, dependendo de quem fugiu para suprir necessidades básicas, como comida e remédios.
Ao mesmo tempo, membros do regime se envolveram em atividades criminosas, como tráfico de drogas e armas. A corrupção é endêmica. O braço direito de Maduro, Diosdado Cabello, lidera o principal cartel de drogas do país. Além disso, o governo venezuelano se aproximou das piores ditaduras do mundo, como a do Irã, que hoje utiliza a Venezuela como base avançada para suas operações contra inimigos, a exemplo dos EUA.
Nada disso foi mero acaso ou apenas mais uma “falha” do socialismo. O objetivo de qualquer regime socialista é destruir a sociedade para controlá-la; afinal, é mais fácil dominar um povo na miséria.
O próprio Chávez reconheceu a importância do Foro de São Paulo — fundado por Lula e Fidel Castro — para sua chegada ao poder e consolidação do regime. Lula e o PT sempre apoiaram o chavismo, mesmo depois de comprovado seu caráter totalitário, da mesma forma que apoiaram a ditadura cubana.
A aliança permanece até hoje. Uma alta dirigente do PT ocupa a secretaria-executiva do Foro de São Paulo, e a presidente do partido declarou apoio ao regime chavista mesmo após a última fraude eleitoral. Ontem, essa dirigente petista, que está em Caracas para a “posse” de Maduro, afirmou:
“Esse é um momento histórico em que o povo venezuelano toma em suas mãos a sua soberania e a sua libertação, com a posse do presidente Maduro.”
Enquanto ela proferia essas palavras, a líder da oposição era sequestrada pelo regime.
Vale lembrar que o primeiro ato de Lula como presidente foi estender o tapete vermelho para Maduro no Palácio do Planalto. Embora hoje ele simule certo distanciamento para evitar desgaste, não deixa de enviar diplomatas à “posse” de Maduro, legitimando a farsa da sua reeleição.
Fica claro qual “democracia” o PT e grande parte da esquerda brasileira almejam: uma brutal ditadura. Que a história recente da Venezuela sirva de alerta aos incautos que ainda enxergam no PT uma força “democrática”.
“Sou petista e não sou otario”, não cabem na mesma frase!
Tem uma turma que só vai aprender na dor, então deixa torar! 😂 pic.twitter.com/WMol2IeSFJ
— Renato Barros (@renatogbbr) January 10, 2025
Estavam presentes no golpe de Estado de hoje na Venezuela. Não podia faltar o MST no golpe na Venezuela.
Que vergonha, aproveitem e fiquem por aí. pic.twitter.com/96lvW4wTO0
— Jakelyne Loiola (@Jakelyneloiola_) January 11, 2025
A oposição já se articula para derrubar o veto de Lula ao pagamento de pensão para crianças com microcefalia.
“Por que não cortou o auxílio-reclusão para bandidos?”, questiona a deputada Silvia Waiãpi (PL-AP).
* * *
Ora, ora, nobre deputada!
Ele não cortou o auxílio-reclusão por motivos óbvios.
Ou a senhora não sabe das coisas?
Amigo é coisa pra se guardar!
Cumpanhêros merecem todas as regalias.
Leonardo Coutinho

Maduro sempre usou simulacros de eleição para dar uma cara de democracia ao seu regime
O ditador venezuelano Nicolás Maduro organizou mais uma cerimônia de posse para fazer parecer que a Venezuela vive sob normalidade democrática. A solenidade, que marcará o início de seu terceiro mandato ilegítimo, é um ato complementar ao circo que ele montou em junho passado, quando convocou o povo para votar em um simulacro de eleição.
Quase todo mundo já entendeu que Maduro forjou uma vitória eleitoral para se manter no poder. Mas olhando em retrospecto, ele não fez nada de diferente do que vem sendo feito por ele e sua gangue.
Em 2012, já moribundo, Hugo Chávez foi eleito em uma eleição com resultados suspeitos, tendo Maduro como vice. Depois disso, Chávez desapareceu. Foi internado em Cuba, onde morreu em consequência do câncer, sem nunca ter tomado posse efetivamente.
Embora os chavistas tenham aparecido com um termo de posse assinado, ninguém nunca viu sequer uma fotografia do ato que teria confirmado Chávez como presidente. Há sérios indícios de que tudo foi armado para evitar novas eleições.
Com a morte de Chávez, Maduro assumiu interinamente e organizou uma “eleição” para justificar sua permanência no poder. Repleta de denúncias de fraude e abusos, ela passou a ser contestada pelo povo que foi para as ruas.
Maduro e suas milícias esmagaram os manifestantes em uma onda de violência sem precedentes naquele país.
Em 2019, Maduro renovou-se no poder, depois de outra eleição ainda mais controversa, na qual até a empresa que forneceu as urnas eletrônicas denunciou inconsistências entre os resultados apurados e os apresentados pelo regime.
Maduro sempre usou simulacros de eleição para dar uma cara de democracia para seu regime, ao mesmo tempo que não só manipulava os resultados, como perseguia, prendia e até matava seus opositores.
Agora ele está de volta, fazendo o que sempre fez e ainda assim muita gente faz cara de surpresa.
O povo venezuelano está se preparando para mais uma vez ir às ruas pedir pela volta da democracia.
Em 2017, por exemplo, quando foi o auge da crise, centenas foram presos e mortos. Maduro não só reprimiu como usou o argumento do golpismo para endurecer o regime.
Por meses, foram registrados protestos diários em centenas de localidades pelo país. Mas o que aconteceu? Os descontentes foram massacrados pelos grupos armados do chavismo. Seja por meio das forças oficiais, seja por meio de paramilitares e grupos de crime organizado que recebem e dão suporte ao regime.
Há muita expectativa para o fim do regime. Muitos comparam com a queda repentina de Bashar al-Assad, na Síria. Outros apostam que o americano Donald Trump afugentará o ditador venezuelano.
Já escrevi outras vezes neste espaço que não há solução fácil para Venezuela. Não basta derrubar Maduro. Com ele terá que ir um regime inteiro que tem pilares no crime transnacional organizado e o suporte de países que não estão dispostos a abrir mão de seu proxy local.
China, Rússia e Irã construíram na Venezuela uma base avançada de seus interesses no Ocidente. Algo que, por exemplo, Cuba jamais foi.
O regime socialista dos Castro serviu de inspiração e de propaganda. Mas jamais teve a magnitude da Venezuela com Chávez e Maduro. O regime ampliou a desordem regional em níveis jamais alcançados, mesmo pelas guerrilhas financiadas pela extinta União Soviética e animados pelos cubanos.
Desde Pequim e Moscou, os autocratas-mor puxam as cordas do regime venezuelano, que turbinou os cartéis de drogas do México, transformou a América Central em um inferno de violência, amplificou a capacidade de tráfico de cocaína para Europa e África. Além disso, minaram a confiança na democracia e desafiaram de forma bem-sucedida a liderança regional dos Estados Unidos.
Nicolás Maduro não ganhou eleição algbuma. Me atrevo a dizer que jamais ele ganhou de fato uma. Mas isso nunca importou. Maduro sempre venceu e segue vencendo porque o jogo dele é outro. Se dá conforme regras que os outros são obrigados a cumprir e ele sempre pode ignorar ou mudar.
Torço para a Venezuela voltar um dia para as mãos dos venezuelanos. Um dia.