RODRIGO CONSTANTINO

IMAGINA NA ELEIÇÃO…

"Presidente Lula abraça o ditador venezuelano Nicolás Maduro durante encontro oficial em Brasília, em maio de 2023

Histórico: Lula recebe Nicolás Maduro em Brasília em 2023. Com a prisão do ditador, a antiga proximidade se torna munição para a oposição e risco político para 2026

Como seu último ato no governo, Lewandowski usa o Ministério da Justiça para enviar um pedido de investigação contra Flávio Bolsonaro à Polícia Federal. No documento, deputada petista denuncia uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula por associação com Maduro.

O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal o pedido da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) para que a corporação investigue o senador Flávio Bolsonaro (PL) por publicações que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao venezuelano Nicolás Maduro. Onde já se viu associar Lula a Maduro, não é mesmo?!

O pedido foi protocolado em 7 de janeiro e enviado à PF no dia seguinte. No documento, a deputada denuncia uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula ao citar uma postagem do pré-candidato do PL à Presidência na qual ele afirma que Maduro iria delatar o petista, o que causaria o fim do “Foro de São Paulo”. A publicação ocorreu após o venezuelano ter sido capturado pelos Estados Unidos.

Vejamos: Lula é o fundador do Foro de SP ao lado de seu velho companheiro Fidel Castro. Lula desde sempre defende a ditadura venezuelana, chegando a fechar contratos suspeitos entre Petrobras e PDVSA, pressionar pela entrada da Venezuela no Mercosul mesmo sem as cláusulas democráticas e gravar vídeos de apoio direto ao ditador socialista, como este aqui, onde Lula rasga elogios ao ditador.

Durante a última eleição, o TSE vetou veículos de imprensa tradicionais, como a Gazeta do Povo, de lembrar desses elos históricos entre Lula e ditadores socialistas. Mas um dos primeiros atos de Lula após eleito foi justamente receber Maduro no Brasil, com tapete vermelho, militares prestando continência e elogios escancarados ao tirano.

O deputado Carlos Jordy comentou: “Piada pronta. Antes de deixar o Ministério da Justiça, Lewandowski pediu que PF investigue Flávio Bolsonaro por associar Lula ao ditador Maduro. Vai começar a censura igual a de 2022”. Todos sabem das ligações entre Lula e Maduro, do Foro de SP, mas como Maduro foi capturado pelos Estados Unidos, agora é para fingir que Lula é um democrata que nunca bajulou o companheiro narcoditador.

À medida que a eleição se aproxima, o consórcio PT-STF começa o processo de blindagem de Lula, para que ninguém possa lembrar de suas credenciais nada democratas, de sua paixão por tiranos. Mas o povo não tem memória tão curta assim, e o momento é desfavorável para o petista, pois seus companheiros estão tendo de libertar presos políticos sob pressão de Trump. Carlos Bolsonaro comentou:

Diversos países da América Latina passaram recentemente por processos de libertação de presos políticos, conforme registrado pela imprensa internacional. Na Venezuela, opositores, jornalistas e ativistas de direitos humanos foram soltos após pressão externa. Na Nicarágua, dezenas de detidos por motivação política – entre líderes religiosos, opositores e ex-autoridades – também estão rumando à liberdade. Movimentos semelhantes ocorreram na Colômbia e na Bolívia, em contextos de revisão política e institucional. Em contraste, no Brasil, presos políticos seguem encarcerados, enquanto o país passa a ser comparado, sem exagero, a regimes fechados como a Coreia do Norte – reflexo direto da degradação institucional e da várzea em que transformaram o Estado de Direito. Então nas eleições brasileiras de 2022 o TSE proibia de citar as intimas relações entre lula, Maduro e Ortega. Agora começa a fazer sentido a iniciativa do “zeloso tribunal eleitoral brasileiro”.

Se em 2022 já houve esse esforço de proteger Lula, imagina agora! Se em janeiro, de saída do ministério, Lewandowski tenta intimidar Flávio Bolsonaro simplesmente por falar da profunda ligação entre Lula e Maduro, imagina como estaremos em julho! Que todos possam se lembrar sempre daquilo que o sistema tenta mascarar: Lula nunca foi um democrata, e sim um grande admirador dos piores ditadores do planeta!

RODRIGO CONSTANTINO

IRÃ: EFEITO TRUMP?

Manifestantes seguram a antiga bandeira nacional e cartazes em apoio a Reza Pahlavi durante protesto contra o regime em frente à Embaixada do Irã em Londres

Apoiadores do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi, protestam em frente à Embaixada do Irã em Londres (03/01/2026). Manifestações eclodiram devido à inflação e à crise econômica, atraindo atenção dos EUA

Obama enviou malas com dinheiro para o regime iraniano, e deu no que deu. Os democratas acreditam que podem comprar a paz, e partem da premissa d que tudo se resume a questões socioeconômicas. Ignoram que existem choques culturais, que a civilização ocidental possui inimigos ideológicos fanáticos.

Trump veio colocar ordem na bagunça. Paz pela força é seu moto, como na era Reagan. A ameaça crível do uso de violência produz efeitos incríveis e muitas vezes sequer é preciso partir para a ação. De vez em quando, porém, uma rápida e eficaz ação militar demonstra que a ameaça não é blefe e isso é importante.

O governo Trump atacou o projeto nuclear do Irã de forma precisa e espetacular. Alguns meses depois, capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro em seu país, numa operação brilhante. Essas duas ações mostraram que Trump não está de brincadeira e que podemos estar diante de uma nova ordem mundial, em que a América volta a agir como o xerife do mundo.

Isso tem abalado antigos regimes ditatoriais e levado esperança para povos oprimidos. O próprio Irã tem sido palco de manifestações corajosas do povo. Relatos apontam que os aiatolás xiitas já mataram cerca de dois mil manifestantes, mas mesmo assim o povo não desiste da luta por liberdade. Tudo isso sob um silêncio ensurdecedor da esquerda ocidental.

Por onde andam as feministas que não viram mulheres iranianas empoderadas acendendo cigarros em fotos do líder Khamenei em chamas? “No jews, no news”, como dizem. Não dando para culpar os judeus pelo que se passa em Teerã, a velha imprensa se cala. E aquela turma hipócrita que gritava “Palestina livre” não quer saber de um Irã livre, pelo visto.

Mas o povo segue em sua luta, com apoio do governo Trump. Em várias manifestações, o próprio presidente e seu entorno já declararam que apoiam o bravo povo iraniano. Claro que uma ajuda mais efetiva se faz necessária, caso contrário, um povo desarmado pode ser facilmente massacrado por um regime tirânico e cruel.

Em artigo publicado na The Atlantic, Karim Sadjadpour e Jack Goldstone perguntam se o regime iraniano está perto do colapso. Eles apresentam cinco condições que levam a crer que sim, os dias dos aiatolás xiitas no poder podem estar chegando ao fim:

A história sugere que os regimes não colapsam por falhas isoladas, mas por uma confluência fatal de estressores. Um de nós, Jack, escreveu extensamente sobre as cinco condições específicas necessárias para que uma revolução tenha sucesso: uma crise fiscal, elites divididas, uma coalizão oposicionista diversa, uma narrativa convincente de resistência e um ambiente internacional favorável. Neste inverno, pela primeira vez desde 1979, o Irã apresenta quase todas essas cinco condições.

Em 1979, como sabemos, os aiatolás tomaram o poder sob um governo americano fraco e frouxo do democrata Jimmy Carter. Em 2026, o ambiente internacional é bem diferente e mais favorável ao povo, justamente porque Trump fala grosso com os tiranos. Isso tem alimentado a esperança de um povo cansado da teocracia islâmica que financia terroristas no Oriente Médio contra Israel.

Temos visto o avanço de um nacionalismo persa que pretende resgatar o Irã para os iranianos. Tudo isso num contexto de constante enfraquecimento do regime iraniano, especialmente após ataques israelenses. Como dizem os autores do artigo:

Por décadas, Teerã projetou força por meio de sua chamada Eixo da Resistência, uma rede de aliados autocráticos. No entanto, após a devastadora guerra de 12 dias em junho (de 2025), esse poder de dissuasão foi gravemente degradado. Com a liderança do Hezbollah e do Hamas em desordem — decapitada ou severamente enfraquecida por ações israelenses e regionais nos últimos anos —, e com jatos israelenses mantendo uma presença humilhante e praticamente incontestada no espaço aéreo iraniano, o regime está estrategicamente nu diante de seu próprio povo. Exposto por um tesouro vazio (tesouraria esvaziada pela crise econômica, sanções e custos da guerra) e por um céu desprotegido, o regime enfrenta agora uma vulnerabilidade sem precedentes, agravada pelos protestos em massa que eclodiram no final de 2025 e início de 2026, com chamadas por mudanças radicais e até pela queda do regime.

Sem Assad na Síria e Maduro na Venezuela para darem apoio, e com Putin mergulhado numa guerra custosa há três anos contra a Ucrânia, o regime iraniano se vê mais isolado e fraco, tudo isso com Trump subindo o tom das ameaças após um ataque cirúrgico nas instalações nucleares iranianas. Os autores concluem:

A República Islâmica é hoje um regime zumbi. Sua legitimidade, ideologia, economia e principais líderes estão mortos ou agonizando. O que a mantém viva é a força letal. O elemento mais importante que ainda falta para um colapso revolucionário completo é que as forças repressivas decidam que elas também não estão mais se beneficiando do regime e, portanto, não estão mais dispostas a matar por ele. A brutalidade pode atrasar o funeral do regime, mas é improvável que restaure seus sinais vitais.

RODRIGO CONSTANTINO

MADURO, O BILIONÁRIO

O ditador Nicolás Maduro em abril ao lado do titular do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, durante homenagem a Hugo Chávez, em Caracas

Como autor de Esquerda Caviar, conheço bem o fenômeno: quem gosta de defender o socialismo é uma elite riquinha, porém alienada (ou corrompida). Mas confesso que não canso de me surpreender com a hipocrisia dessa gente. Eles passam pano para os piores ditadores do mundo, para governantes corruptos, repetindo que são “defensores dos pobres e oprimidos”. Isso ainda engana alguém?

Uma reportagem do Clárin estima que a fortuna de Nicolás Maduro chega a quase 4 bilhões de dólares! A Venezuela vive na total miséria, boa parte do povo, que não conseguiu fugir, como os outros oito milhões de venezuelanos, consome somente uma refeição por dia. Mas lá está a esquerda caviar defendendo Maduro como um “líder do povo”.

Informes de ONGs como a Transparencia Venezuela indicam que Maduro possui várias casas em Miami, em regiões nobres como Coral Gables e Sunny Isles Beach, além de inúmeras joias, aviões e uma fortuna em ouro. As autoridades americanas, em conjunto com organizações internacionais, já teriam congelado ativos na casa dos 700 milhões de dólares pertencentes ao ditador deposto.

Foi o mesmo com o ditador cubano Fidel Castro. Enquanto os cubanos se tornavam o povo mais miserável do continente, Fidel acumulava riquezas e levava uma vida de luxo digna de um magnata capitalista. Seu ex-segurança escreveu um livro denunciando os gostos extravagantes do tirano caribenho. Pobreza para todos, e luxo para mim!

Lula, o Maduro brasileiro, também se tornou milionário no poder. Desde o seu primeiro mandato demonstrou ter hábitos de um nababo. Exigia tecido egípcio, carro próprio para sua cadela, além de insistir na troca do avião presidencial para ter um maior e mais luxuoso. Agora, com Janja, torra milhões do pagador de impostos para suas viagens. Ficou podre de rico com “palestras”, ou seja, corrupção.

O socialismo é a ideologia da inveja que serve para atrair idiotas úteis enquanto suas lideranças acumulam fortunas à custa do povo trabalhador. E tudo isso em nome do “combate aos ricos” e a “defesa dos pobres”. É preciso ser muito trouxa para cair nessa ladainha!

RODRIGO CONSTANTINO

8 DE JANEIRO: TRÊS ANOS DO GOLPE

Polícia tenta conter manifestante durante protesto em Brasília realizado no dia 8 de janeiro

8 de janeiro de 2023. Essa foi a data que marcou para sempre a história do Brasil. Uma manifestação que descambou para alguns atos de vandalismo, talvez por gente infiltrada, e que serviu de pretexto para o começo da maior perseguição política em nosso país.

Centenas de pessoas foram presas sem o devido julgamento, sem foro adequado, sem individualização das penas, sem provas. Aqueles manifestantes do 8 de janeiro foram tratados como gado, divididos em lotes e punidos no coletivo. Eram parte de uma trama golpista de uma organização criminosa armada que pretendia destruir a democracia, diz a narrativa oficial.

Tudo balela, claro. Não havia qualquer golpe organizado, muito menos com a participação de cabeleireiras “armadas” de batom, donas de casa com a Bíblia na mão ou trabalhadores com a bandeira do Brasil nas costas. Nenhum golpe de estado tem vendedor ambulante de algodão-doce!

O “líder” da organização criminosa estava em outro país. A data escolhida foi um domingo, sem qualquer autoridade em Brasília. O golpe armado não contava com uma só arma, além de bolinhas de gude. É tudo tão ridículo que deveríamos rir da narrativa tosca, mas quando lembramos de seus efeitos, somos compelidos a chorar.

Como chorou hoje cedo a filha de Clezão, um dos presos do 8 de janeiro. Empresário pai de família, Cleriston da Cunha morreu na prisão sem julgamento, apesar de parecer da PGR favorável à sua soltura. Ele tinha problemas prévios de saúde e necessitava de cuidados médicos. Alexandre de Moraes negou.

A filha do Clezão, Luiza, concedeu uma entrevista hoje mais cedo e chorou ao lembrar dos últimos três anos. Quando perguntei o que ela deseja para Moraes, ela respondeu: “Justiça”. Será que todas essas famílias destruídas pela perseguição implacável do STF terão justiça algum dia?

Está claro para todos atentos aos acontecimentos políticos que não houve qualquer tentativa de golpe naquele 8 de janeiro, que tudo não passa de um discurso usado como pretexto para avançar com o autoritarismo e punir Jair Bolsonaro e seu entorno, afastando a direita da disputa eleitoral.

Houve sim um golpe, mas ele foi dado justamente pelo sistema, pelo consórcio PT-STF com a cumplicidade da velha imprensa. Foi tanto abuso de poder, desrespeito às prerrogativas dos réus, punições absurdas, que não podemos mais falar em democracia. Um estado de exceção foi instaurado no Brasil, e aquele fatídico 8 de janeiro de três anos atrás foi crucial para isso, por servir de pretexto para os verdadeiros golpistas.

RODRIGO CONSTANTINO

EM DEFESA DO BANCO CENTRAL

Decisão técnica do Banco Central que liquidou o Master é alvo de pressão em Brasília

Todos os países desenvolvidos possuem um mercado de capitais robusto e, via de regra, um banco central independente. Não é uma solução perfeita, pois sempre existe o risco de captura da autarquia pelos próprios bancos estabelecidos, mas esse foi o mecanismo encontrado para blindar a instituição da politização, historicamente o maior risco para a inflação.

Um banco central dominado pelo próprio governo é a pior combinação que existe, pois ele passa a seguir as decisões políticas e acaba, com isso, monetizando os rombos fiscais e produzindo inflação. O Brasil conhece bem esse histórico, assim como o de bancos estaduais que atuavam para financiar o rombo dos estados.

Foi no governo Bolsonaro que a independência do BC foi aprovada por lei. Um avanço institucional. A esquerda nunca engoliu bem essa mudança, pois sabe que um banco central subserviente aos interesses da política é um instrumento importante em seu projeto de poder.

Por isso José Dirceu gravou um vídeo aproveitando o caso do Banco Master para atacar o Banco Central do Brasil. Que Dirceu faça isso é algo esperado. O problema é que vários influenciadores de “direita” fizeram o mesmo. Agora veio à tona que esse ataque coordenado tinha o próprio Daniel Vorcaro por trás, oferecendo muito dinheiro para que tais influenciadores tivessem todos a mesma “opinião” ao mesmo tempo.

A enorme pressão contra o BC, sem precedentes, representa grande risco institucional. O TCU foi para cima do Banco Central com tudo, seguindo esse script. O “argumento” é que a liquidação do Banco Master foi precipitada, sendo que na verdade ela demorou bastante: os indícios de fraudes bilionárias estavam por toda parte.

Um dos influenciadores que teria se vendido para Vorcaro gravou um vídeo alegando que não existem heróis nessa história, que seriam apenas “boatos”. O desejo de nivelar todos por baixo é a marca de quem sabe ter feito algo errado. Muitos jornalistas com mais de um milhão de seguidores sequer foram procurados pela agência contratada pelo Master, pois possuem a reputação de rigor ético, e dois desses influenciadores procurados resolveram denunciar o esquema.

Cabe ao leitor adotar postura crítica sempre, desconfiar de quem muda de opinião de forma repentina, ou fala do que não entende direito. Esses casos de guinada abrupta existem em todo lugar. No Brasil temos Reinaldo Azevedo, autor de O País dos Petralhas, que virou o maior defensor dos petralhas, e nos Estados Unidos temos Tucker Carlson e Candace Owens, que passaram a atacar Israel e os Estados Unidos e defender o indefensável, como Putin ou o antissemitismo.

Voltando ao Banco Central, desconfie de quem se diz de direita e repete a ladainha esquerdista de que a taxa básica de juros é culpa do BC e dos grandes bancos, como se fosse uma grande conspiração da Faria Lima, ignorando o rombo fiscal do governo e sua trajetória explosiva e insustentável. O rentismo é um problema concreto, mas a culpa é do governo perdulário e irresponsável, não do “mercado”. Quem diz o contrário ou não entende muito do tema, ou pode estar recebendo grana de alguém para repetir esse discurso.

RODRIGO CONSTANTINO

A INDIFERENÇA MATA A DEMOCRACIA

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Venezuelano comemora com o filho em Brasília, após a prisão de Nicolás Maduro

Participei hoje cedo de uma entrevista com Gabriel Orozco, missionário da Venezuela que conseguiu fugir para o Brasil em 2021. Ele atravessou a fronteira pela mata, acompanhado da mulher e dos três filhos pequenos, enquanto um “coiote” os ajudava e apontava para os maiores perigos da travessia. Deixou pai e irmãos para trás, na miséria, sentindo que havia falhado em sua luta pela liberdade.

Quando Hugo Chávez assumiu o poder, Gabriel tinha apenas 9 anos. “Roubaram minha adolescência”, diz. Ele cresceu com um regime opressor socialista, e sua vida inteira adulta, até 2021, foi sob o regime tirânico de Maduro. Seu pai foi da Colômbia para a Venezuela há 40 anos, e criou uma grande construtora. Ela foi destruída pelo regime.

Com o projeto deliberado de destruir a iniciativa privada para gerar dependência do Estado, o governo da Venezuela se recusava a vender insumos para a empresa, pois o pai de Gabriel não era ligado ao partido socialista no poder. A miséria atingiu a todos: cerca de 8 milhões de venezuelanos buscaram o exílio em outros países, e os que ficaram passam fome, milhões usufruindo de uma só refeição por dia.

Perguntei a Gabriel quais as lições que nós, brasileiros, podemos extrair dessa tragédia toda na Venezuela. Ele respondeu: a indiferença. Muitos venezuelanos não foram votar lá atrás, pois consideravam todos os políticos iguais. Entre Chávez e Caprilles, muitos não ligavam qual seria o governante. Alguns cristãos repetiam que a política era o ambiente do diabo.

Houve traição de muitos da “direita” também, que depois se mostraram aliados do chavismo. Enquanto isso, com o povo desarmado e a oposição perseguida e desmobilizada, a ditadura foi avançando. Milhares de presos políticos passaram por tortura, jornalistas foram presos e as instituições foram aparelhadas.

Gabriel conclui que nada mais poderia ser feito de dentro do país, sem ajuda internacional. Enquanto gente de fora acusa Trump de “imperialista”, Gabriel e os demais venezuelanos enxergam o presidente americano como uma esperança para restaurar a democracia na Venezuela.

Ele sabe que não será fácil nem de imediato, pois a presidente interina, Delcy Rodriguez, é parte da estrutura chavista com seu irmão Jorge, com os ministros Cabello e Padrino. Trump, municiado por análises da CIA, concluiu que era preciso trabalhar num primeiro momento com esses criminosos para manter a ordem, mas espera-se que a pressão americana seja suficiente para uma transição de regime.

O futuro da Venezuela é incerto, mas é do interesse americano não permitir que a China siga explorando seu petróleo. E como Gabriel disse, os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas.

Sobre o Brasil, Gabriel foi claro: pensem bem em quem votar este ano, pois essa escolha pode fazer toda a diferença no futuro. Pode ser a diferença entre a opressão na miséria e a prosperidade na liberdade. Socialistas sempre produzem um quadro de opressão e miséria. Depois é tarde demais.

RODRIGO CONSTANTINO

A CAPTURA DE MADURO E A SOBERANIA DOS AMERICANOS

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Em alguns minutos os militares americanos entraram em solo venezuelano e capturaram o ditador Nicolás Maduro, que foi levado para julgamento nos Estados Unidos. Nesse curto espaço de tempo, a geopolítica mudou, o mundo todo entendeu o recado: ninguém está protegido da maior potência bélica do planeta.

A China pode oferecer investimentos em infraestrutura, pode cooptar lideranças corruptas, pode fazer promessas de parcerias duradouras, mas não pode fornecer segurança aos seus ditadores aliados. Absolutamente ninguém está seguro contra a CIA e os militares americanos.

Além desse recado, há outro: a Doutrina Monroe está de volta e a América é dos americanos. China, Rússia e Irã não podem tratar o continente como seu quintal mais. O soft power de diplomacia não foi capaz de impedir o avanço desses países do eixo do mal. Mas a mudança de postura com o presidente Trump sim: “Brinque com o perigo e veja o que acontece” (FAFO, em inglês).

A captura de Maduro serviu para dividir o joio do trigo: quem pode ser contra, afinal?! Os tucanos saíram de sua toca imunda para defender o ditador socialista. Quem começa com aquele papinho de que condena Maduro, MAS é contra a “invasão” americana, logo se entrega. Aécio Neves, Eduardo Leite e companhia são e sempre foram linha auxiliar dos comunistas.

Tentou-se de tudo com Maduro, e nada adiantou. Sanções, pressão internacional, ONU, nada surtiu efeito. Eleições fraudadas, tanques passando em cima do povo, e o mundo todo assistindo. Quem fala na via do “diálogo” é um dissimulado, um sonso, um hipócrita. Maduro só compreende uma linguagem, e o governo Trump mostrou qual.

Quem fala em “soberania” e “autodeterminação dos povos” também é canalha. Não há soberania quando o povo é subjugado por uma ditadura opressora. Os “intelectuais” condenam a operação americana enquanto o povo venezuelano comemora nas ruas. Isso é soberania. Maduro tinha uma guarda feita por cubanos: onde estava a soberania dos venezuelanos aqui? A China explorava os recursos venezuelanos: soberania?

Ninguém sabe ao certo os próximos capítulos. A presidente interina já falou em cooperar com os Estados Unidos. Marco Rubio e Trump já deixaram claro que haverá consequências graves se o certo não for feito. Avisaram que quem está no comando são os próprios americanos. Mas as estruturas do Estado venezuelano estão dominadas por chavistas ainda, e é preciso evitar uma guerra civil. É um jogo complicado.

Independentemente do que vai acontecer daqui para frente, a geopolítica já não é mais a mesma. Ninguém mais considera Trump um blefador, não depois do Irã e da Venezuela. E o presidente já está fazendo ameaças aos governos socialistas de Cuba e da Colômbia. Melhor todos levarem Trump a sério, e entenderem que a Rússia e a China nada podem fazer para impedir a ação militar americana no continente.

Há uma esperança no ar. Os povos americanos sonham com a liberdade, com a democracia. O Foro de SP sofreu um duro golpe e está baqueado, marcando reunião para avaliar o que pode ser feito. O governo Trump trouxe a esperança de volta. Com cerca de oito milhões de venezuelanos exilados, não havia caso similar no mundo, nem na Ucrânia. Agora muitos já sonham com a possibilidade de voltar ao país.

Se isso será mesmo possível ainda não sabemos. Mas a queda de Maduro era o primeiro passo necessário, e foi dado. Um dia histórico, para qualquer defensor da democracia comemorar. Quem está criticando pode se dizer um democrata, mas não passa de um defensor enrustido de ditaduras comunistas…

RODRIGO CONSTANTINO

FELIPE MARTINS PRESO: COMEÇO SÁDICO

Ano Novo é tempo de reflexão, serve para “zerar a pedra” e recomeçar, avaliando o que fizemos de errado e o que pretendemos mudar. Mas certas coisas nunca mudam. O sadismo de Alexandre de Moraes, por exemplo. O ministro, que esteve circulando com boné e óculos escuros por Dubai, começou 2026 com o mesmo sentimento de vingança com o qual terminou 2025.

Filipe Martins foi para regime fechado por sua decisão. O ex-assessor de Jair Bolsonaro não cometeu qualquer crime, mas tem sido perseguido por Moraes de forma doentia. É responsabilizado agora por ações de terceiros, o que é típico de regime comunista totalitário. Moraes destila seu ódio contra Martins, sem qualquer respaldo jurídico.

Ana Paula Henkel comentou: “Alexandre de Moraes conseguiu o que sempre desejou ardentemente: colocar Filipe Martins em prisão fechada. Vingança pessoal, perseguição implacável e abuso de poder disfarçado de justiça. Carrasco disfarçado de ‘juiz’ – exatamente como nas piores páginas da humanidade”.

O deputado Marcel van Hattem também analisou a decisão: “Li a decisão. Alexandre de Moraes, o da esposa com contrato de R$ 129 milhões com banqueiro enrolado, mandou prender Filipe Martins admitindo que quem acessou seu LinkedIn pode ter sido sua defesa. Isso mesmo! Moraes mandou pra cadeia alguém por uma ação de seu advogado. OAB?”

O deputado Nikolas Ferreira foi direto ao ponto: “Enquanto Jair Bolsonaro enfrenta 153 dias de um cárcere severo, com a saúde debilitada e restrições que impedem até o contato familiar básico, a tirania de Alexandre de Moraes inova no absurdo ao prender Filipe Martins por conta de uma suposta pesquisa no LinkedIn. É a falência do sistema ver alguém ser encarcerado por uma denúncia de uma suposta busca, mesmo cumprindo todas as cautelares a ele impostas há mais de 560 dias. Repito: Ou o Senado retira Alexandre de Moraes, ou essas perseguições não terão fim”.

O advogado de Filipe, Jeffrey Chiquini, concluiu o óbvio: “Filipe Martins acaba de ser preso preventivamente sem motivo algum. Filipe foi preso pelo que é e pelo que representa, e não pelo que fez. É, oficialmente, um preso político”. Presos políticos, desnecessário dizer, só existem em regimes de exceção, em ditaduras.

O jornalista Glenn Greenwald, com viés de esquerda, também apontou o absurdo da prisão: “Há muito tempo é óbvio que Alexandre de Moraes tem uma obsessão bizarra por Filipe Martins. Todos assistiram enquanto Moraes o prendia por 6 meses com base em uma falsidade completa: que ele saiu do Brasil em 2022 e depois ‘desapareceu’ (uma mentira óbvia para qualquer um que analisasse as provas por pelo menos 10 minutos). Agora, ele o prendeu por supostamente usar o LinkedIn. Tudo porque um homem ressentido – demitido por Bolsonaro em março de 2019 –, alegou que Martins usou o LinkedIn para ver seu perfil, embora existam muitas maneiras de isso acontecer sem que a pessoa tenha realmente usado a plataforma. A esquerda e grande parte do establishment brasileiro decidiram que prender Bolsonaro e seus principais aliados era uma ‘causa tão nobre’ que nada poderia limitar essa missão: nem a Constituição, nem a lei, nem o devido processo legal, nem as provas. Eles são os mesmos que criaram o monstro tirânico que agora tentam desesperadamente domar”.

O caguete que denunciou Martins para o gabinete de Moraes foi o coronel aposentado Ricardo Wagner Roquetti, que ocupou uma diretoria no MEC durante o governo Bolsonaro. Ele protagonizou embates com nomes ligados a Olavo de Carvalho que ocupavam cargos no governo. Filipe Martins representa justamente o olavismo no governo Bolsonaro, e por isso tem sido tão perseguido. Ele simboliza uma ideia que é considerada intolerável para o sistema.

Podemos fechar com o próprio Olavo, portanto: “Inveja diabólica e ódio assassino são os únicos sentimentos na alma de um comunista, sempre camuflados sob uma retórica de belos ideais humanitários”. Tipo “salvar a democracia”…

RODRIGO CONSTANTINO

ADEUS, 2025!

Minha última coluna do ano, então cabe uma breve retrospectiva. Este foi o ano de maiores desafios tanto em minha vida pessoal quanto para o Brasil. Lutei contra um câncer agressivo, precisei de transplante de células-tronco, fiquei isolado por meses com baixa imunidade, sofri os efeitos colaterais da quimioterapia e encarei internações extras com problemas pontuais. Não foi um passeio no parque.

Mas cá estou eu, bem melhor, com mais disposição, voltando ao normal aos poucos, se Deus quiser curado do linfoma. Aproveitei a doença para mergulhar na fé, em várias leituras sobre o catolicismo, e isso me deu força e serenidade para enfrentar os desafios. O apoio da família toda, em especial da minha esposa, foi fundamental, assim como o carinho do público em geral, com sua corrente de orações.

Há muita gente boa no mundo. Tudo isso está relatado no meu novo livro Não tema a tempestade, que será lançado no começo de 2026. Um ano que começou com tantos desafios e incertezas termina de forma bem mais leve e otimista para mim, e só posso ser grato a todos que torceram e rezaram pelo melhor.

Já meu país, que também teve um ano muito atribulado, fecha o ano ainda repleto de incertezas. 2025 foi o ano da perseguição implacável aos bolsonaristas, culminando na prisão de Jair Bolsonaro e parte do seu entorno. Um país que tem general Heleno preso e Dirceu e Cabral soltos não pode ser um país sério.

Neste ano, o STF consolidou sua tirania e o governo Lula seguiu com seu projeto de poder, destruindo a economia, as estatais e as contas públicas no processo. Reverter isso será tarefa hercúlea, ainda mais com esse STF que temos.

Escândalos pesados envolvendo alguns ministros supremos explodiram no fim do ano, e ainda não é possível saber o que ou quem realmente está por trás disso. Fato é que a velha imprensa, que aplaudia os abusos de Moraes e seus cúmplices, mudou de postura, despertou da hibernação e cobra respostas agora. Algo mudou. Será suficiente para nos dar esperanças, ao menos quanto à queda de Moraes?

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro foi o escolhido por Jair como candidato, e largou bem. Um Bolsonaro moderado, como ele diz, que tomou até vacina da Covid e consegue dialogar com o centro. Se as eleições fossem transparentes e limpas, haveria uma grande chance de vitória. Mas estamos falando de Brasil, então dúvidas permanecem.

Lula fecha 2025 com rejeição maior que 50%, o que o torna um candidato fraco. Que em 2026, apesar do STF, a direita consiga adotar uma estratégia inteligente para derrotar o consórcio PT-STF e livrar o Brasil deste câncer que vem corroendo as estruturas de nossa democracia capenga. Um feliz 2026 a todos!

RODRIGO CONSTANTINO

EU RECUSO O CINISMO

Manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em 7 de setembro de 2021

Época de Natal, família quase toda reunida, e um dos assuntos, claro, é a política nacional. Um dos meus parentes me diz algo assim: “Rodrigo, o Brasil sempre foi isso aí. Esquece essa coisa de consertar a podridão toda. O jeito é melhorar um pouco, mas o sistema manda”. Pessoa de sucesso, esse parente acha que Tarcísio seria o melhor nome para 2026.

Entendo os argumentos. Depois de tantas tentativas de endireitar o país, e constatar que vivemos escândalos atrás de escândalos, é quase irresistível adotar a mesma postura de que o Brasil não tem jeito mesmo, e que o máximo com que podemos sonhar é mitigar problemas graves, impedir que vire a Venezuela e se livrar de Lula. Mas Gilmar Mendes sempre estará lá, com os monstros do pântano…

Apesar da tentação de concordar com o prognóstico pessimista, eu me recuso a adotar essa visão mais cínica. Não há nada escrito em pedra afirmando que o Brasil sempre será esse lixo moral. É um problema cultural, institucional, enraizado em estruturas profundas da sociedade e, portanto, muito difícil de mudar. Mas difícil não é impossível.

Outros países já foram uma porcaria e conseguiram dar a volta por cima. Para tanto, porém, é preciso ter gente “louca” o suficiente para acreditar na mudança para valer, desafiar todo pessimismo de quem já jogou a toalha. É preciso ter um Javier Milei da vida com sua “motosserra” para declarar guerra ao sistema todo.

É praticamente impossível ler O Homem Medíocre, de José Ingenieros, e não pensar na situação caótica do nosso país. No livro, o autor descreve as características presentes numa mediocracia, contrapondo isso à visão de um ideal de perfeição por parte de alguns poucos indivíduos de destaque.

Ingenieros sustenta que é fundamental manter acesa esta chama de um ideal, uma meta visionária que não sucumbe às contingências da vida prática imediata. Esses visionários buscam alguma perfeição moral, emancipando-se do rebanho. São espíritos livres, adversários da mediocridade, são entusiastas contra a apatia. Sem ideais o progresso seria impossível. O culto ao “homem prático”, com foco apenas no presente imediato, representa a renúncia à evolução.

Na mediocracia, “todos se apinham em torno do manto oficial para alcançar alguma migalha da merenda”. E no Brasil das esmolas estatais, dos vastos subsídios para grandes empresas, das anistias milionárias para intelectuais, do financiamento estatal bilionário para ONGs, o clima predominante não é exatamente este? Não estão todos se vendendo em troca de “migalhas”?

“As artes tornam-se indústrias patrocinadas pelo Estado”. E esse não é o país dos filmes bancados por verbas estatais, fazendo proselitismo para agradar a mão que os alimenta? “Tudo mente com a anuência de todos; cada homem põe preço à sua cumplicidade, um preço razoável que oscila entre um emprego e uma condecoração”. Pensemos nos jornalistas que mudam de acordo com a conveniencia, ou em militares que se vendem a comunistas.

“Ou se instaura a moralidade, ou nos locupletemos todos”, disse Stanislaw Ponte Preta. Eu me recuso a aceitar que a única alternativa é abandonar a moralidade. Há muita gente honesta no Brasil. Lutam contra tudo e todos, contra um sistema podre e carcomido, contra um mecanismo perverso de incentivos. Mas são esses que merecem louvor. E são esses que possuem a capacidade de mudar nosso destino. Não podemos aceitar que Gilmar Mendes será para sempre o ícone de um sistema…