Cadê a voz dos cantores Defensores da floresta Ninguém mais se manifesta Diante de tais horrores. Guardaram seus extintores Já não sentem mais insônia Não fazem mais cerimônia Nem ligam mais com o planeta; Cadê o grito de Greta Defendendo a Amazônia.
Quem se achava o guardião Hoje já não faz alarde Nossa mata ainda arde, A flora vira carvão. Sobe o fogo em torreão Queimando cada colônia Cada folha de begônia Cada pé de violeta; Cadê o grito de Greta Defendendo a Amazônia.
A carestia é demais Na venda de Pocidônio Onde o pobre do campônio Faz suas dívidas mensais. O pão, o leite, e o gás O preço já está bombando Logo mais não tô comprando Nem um confeito xibiu; “A linguiça já subiu E o ovo está balançando”
No tempo da quarentena Subiu a cebola roxa, Peito, sobrecu e coxa Batata doce e maizena. Até água Marilena Aqui está aumentando E o preço desembestando Do arroz e do Bombril; “A linguiça já subiu E o ovo está balançando”.
Nesse meu Brasil cabôco A inflação tá demais O preço dos cereais A alta deu um pipoco. Dei cem e não tive troco Diz um matuto falando Outro grita resmungando Na bodega de seu biu: A linguiça já subiu E o ovo está balançando
Jesus tenha piedade Subiu a conta da luz Até pra fazer cuscuz É grande a dificuldade. Hoje só compro a metade Do que andava comprando Na venda de seu armando Eu já devo mais de mil “A linguiça já subiu E o ovo está balançando”
Na casa de vó Maria Tem tripé, tem lavatório Um rádio pra ouvir missa Tem santo no oratório Um porco dentro da lama Penico no pé da cama Pra servir de mictório
Tem reza, tem devoção Na casa de vó Maria Rede rangendo num torno Um pote com água fria Moinho pra moer milho Tem amor de cada filho Risada e muita alegria
Nunca falta uma quartinha Um caldeirão de coalhada Um terreiro bem varrido Onde brinca a meninada Um sótão com cereais Mugido dos animais Quando é de madrugada
A casa de vó Maria Até parece um castelo Mesmo na simplicidade Há riqueza no singelo Sempre limpa e bem cuidada A sua frente alpendrada Exibe um cenário belo
A casa de vó Maria Não sai da minha lembrança Nela vivi tantos sonhos No meu tempo de criança Quando pego a recordar Pra mim foi sempre um lugar De regozijo e bonança.
Num batente um pirangueiro Logo depois da oitava Vomita um prato de fava Na frente do bodegueiro. Numa mesa um cachaceiro Passa a mão numa menina Chega a polícia e buzina O venderão se aborrece; De tudo isso acontece No botequim da esquina.
Afogando o seu desgosto Um tocador enche a cara Enquanto o garçom prepara Um peba pra tira-gosto Um pinguço mela o rosto Chupando uma tangerina Disfarçada a cafetina Sua menina oferece; De tudo isso acontece No botequim da esquina.
Um sujeito embriagado Procurando confusão Cospe no pé do balcão Querendo beber fiado Outro que vem do mercado Chega fedendo a urina Reclama da sua sina Toma uma e adormece; De tudo isso acontece No botequim da esquina.
Um menino tange um gato Que pula em cima da mesa Outro pagando a despesa Tirando a mosca de um prato Um doido todo gaiato Limpa a boca na cortina Depois que a farra termina Velhaco desaparece; De tudo isso acontece No botequim da esquina.
No Camboja esse regime Matou mais de um milhão Sob a mira de um canhão Pol pot ordenava o crime. Não há história que estime Essas chacinas brutais Com suas armas letais Matou mais que os nazistas Os regimes comunistas Foram atrozes demais
Em Cuba Fidel instala A mais brutal ditadura Com prisão, morte e tortura A quem zombar sua fala. Transformou cuba em senzala Com discursos radicais Mandou prender seus rivais Assassinou os grevistas Os regimes comunistas Foram atrozes demais
Mao Tsé lá pela China Ditador de grande porte Criou os campos da morte Para promover chacina. Impôs a carnificina Matou criança com gás Aniquilou toda a paz Com seus dotes satanistas Os regimes comunistas Foram atrozes demais
Massacres, perseguições Na Rússia foi um calvário Um poder totalitário Manobrou as multidões. Stalin com seus canhões Foi genocida voraz Um assassino mordaz Comparsa dos bolchevistas Os regimes comunistas Foram atrozes demais
A Coréia decadente Exibe um triste cenário Um ditador sanguinário Amedronta a sua gente. Um insano prepotente Com planos medievais Ostenta os seus arsenais Como se fosse conquistas Os regimes comunistas Foram atrozes demais