HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

CADÊ O GRITO DE GRETA

Cadê a voz dos cantores
Defensores da floresta
Ninguém mais se manifesta
Diante de tais horrores.
Guardaram seus extintores
Já não sentem mais insônia
Não fazem mais cerimônia
Nem ligam mais com o planeta;
Cadê o grito de Greta
Defendendo a Amazônia.

Quem se achava o guardião
Hoje já não faz alarde
Nossa mata ainda arde,
A flora vira carvão.
Sobe o fogo em torreão
Queimando cada colônia
Cada folha de begônia
Cada pé de violeta;
Cadê o grito de Greta
Defendendo a Amazônia.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O AUMENTO DA LINGUIÇA

A carestia é demais
Na venda de Pocidônio
Onde o pobre do campônio
Faz suas dívidas mensais.
O pão, o leite, e o gás
O preço já está bombando
Logo mais não tô comprando
Nem um confeito xibiu;
“A linguiça já subiu
E o ovo está balançando”

No tempo da quarentena
Subiu a cebola roxa,
Peito, sobrecu e coxa
Batata doce e maizena.
Até água Marilena
Aqui está aumentando
E o preço desembestando
Do arroz e do Bombril;
“A linguiça já subiu
E o ovo está balançando”.

Nesse meu Brasil cabôco
A inflação tá demais
O preço dos cereais
A alta deu um pipoco.
Dei cem e não tive troco
Diz um matuto falando
Outro grita resmungando
Na bodega de seu biu:
A linguiça já subiu
E o ovo está balançando

Jesus tenha piedade
Subiu a conta da luz
Até pra fazer cuscuz
É grande a dificuldade.
Hoje só compro a metade
Do que andava comprando
Na venda de seu armando
Eu já devo mais de mil
“A linguiça já subiu
E o ovo está balançando”

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

NA CASA DE VÓ MARIA

Na casa de vó Maria
Tem tripé, tem lavatório
Um rádio pra ouvir missa
Tem santo no oratório
Um porco dentro da lama
Penico no pé da cama
Pra servir de mictório

Tem reza, tem devoção
Na casa de vó Maria
Rede rangendo num torno
Um pote com água fria
Moinho pra moer milho
Tem amor de cada filho
Risada e muita alegria

Nunca falta uma quartinha
Um caldeirão de coalhada
Um terreiro bem varrido
Onde brinca a meninada
Um sótão com cereais
Mugido dos animais
Quando é de madrugada

A casa de vó Maria
Até parece um castelo
Mesmo na simplicidade
Há riqueza no singelo
Sempre limpa e bem cuidada
A sua frente alpendrada
Exibe um cenário belo

A casa de vó Maria
Não sai da minha lembrança
Nela vivi tantos sonhos
No meu tempo de criança
Quando pego a recordar
Pra mim foi sempre um lugar
De regozijo e bonança.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

NO BOTEQUIM DA ESQUINA

Num batente um pirangueiro
Logo depois da oitava
Vomita um prato de fava
Na frente do bodegueiro.
Numa mesa um cachaceiro
Passa a mão numa menina
Chega a polícia e buzina
O venderão se aborrece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Afogando o seu desgosto
Um tocador enche a cara
Enquanto o garçom prepara
Um peba pra tira-gosto
Um pinguço mela o rosto
Chupando uma tangerina
Disfarçada a cafetina
Sua menina oferece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Um sujeito embriagado
Procurando confusão
Cospe no pé do balcão
Querendo beber fiado
Outro que vem do mercado
Chega fedendo a urina
Reclama da sua sina
Toma uma e adormece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Um menino tange um gato
Que pula em cima da mesa
Outro pagando a despesa
Tirando a mosca de um prato
Um doido todo gaiato
Limpa a boca na cortina
Depois que a farra termina
Velhaco desaparece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

OS REGIMES COMUNISTAS

No Camboja esse regime
Matou mais de um milhão
Sob a mira de um canhão
Pol pot ordenava o crime.
Não há história que estime
Essas chacinas brutais
Com suas armas letais
Matou mais que os nazistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Em Cuba Fidel instala
A mais brutal ditadura
Com prisão, morte e tortura
A quem zombar sua fala.
Transformou cuba em senzala
Com discursos radicais
Mandou prender seus rivais
Assassinou os grevistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Mao Tsé lá pela China
Ditador de grande porte
Criou os campos da morte
Para promover chacina.
Impôs a carnificina
Matou criança com gás
Aniquilou toda a paz
Com seus dotes satanistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Massacres, perseguições
Na Rússia foi um calvário
Um poder totalitário
Manobrou as multidões.
Stalin com seus canhões
Foi genocida voraz
Um assassino mordaz
Comparsa dos bolchevistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

A Coréia decadente
Exibe um triste cenário
Um ditador sanguinário
Amedronta a sua gente.
Um insano prepotente
Com planos medievais
Ostenta os seus arsenais
Como se fosse conquistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE