HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

A carestia é demais
Na venda de Pocidônio
Onde o pobre do campônio
Faz suas dívidas mensais.
O pão, o leite, e o gás
O preço já esta bombando
Logo mais não tô comprando
Nem um confeito xibiu;
“A linguiça já subiu
E o ovo está balançando”

No tempo da quarentena
Subiu a cebola roxa
Peito, sobrecu e coxa
Batata doce e maizena.
Até água Marilena
Vejo que está aumentando
E o preço desembestando
Do arroz e do Bombril;
“A linguiça já subiu
E o ovo tá balançando”

Já não tenho condição
De pagar ao bodegueiro
Vou quebrar meu miaeiro
É triste a situação.
Se compro pouco o feijão
O arroz fica faltando
E a meninada chorando
Querendo comer pernil;
“A linguiça já subiu
E o ovo está balançando”

2 pensou em “O AUMENTO DA LINGUIÇA

  1. Prezado Hélio: dificílimo ver um texto tão cheio de graça e engenhosidade como o seu. Quando eu crescer quero ter essa veia artístico-literária – claro, agora só na outra encarnação. Por enquanto me contento em saber fazer contas, claro.
    Meus parabéns pela sua brilhante poesia.
    Tenha um bom dia!!!

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