DEU NO JORNAL

QUE MEDO…

Para um presidente tão falante, chama atenção o medo, não a estratégia.

Medo quase infantil, incontrolável, de Lula (PT) diante de Donald Trump.

Relatos de pessoas próximas revelam um presidente que, há poucas semanas, fez de tudo para evitar o encontro na Casa Branca, após o Itamaraty adiar a visita da primeira semana de março.

Quando a agenda de 7 de maio virou incontornável, ele impôs veto à imprensa. Não queria testemunhas, tinha medo de ser humilhado por Trump, como Zelenski.

Meio sem querer, assumiu o monopólio da informação para confirmar, negar ou inventar, controlando a narrativa sobre fatos do Salão Oval.

Outro medo seria Trump usar o combate ao terror para reproduzir em Brasília o que fez a Maduro, levado pela orelha à prisão em Nova York.

A diplomacia brasileira, que já foi tão elogiada, hoje serve ao presidente que tem mais medo de Trump do que as facções criminosas têm da lei.

* * *

O descondenado não quis a imprensa presente no encontro com Trumpão.

Uma pena: o JBF ia mandar a secretária Chupicleide pros Zisteites pra fazer a cobertura, mas teve que desistir diante desta imposição do falastrão que gunverna nossa republiqueta.

Já o medo de ser arrastado pela orelha, como aconteceu com Maduro, conforme diz a nota aí de cima, deixou nosso grande istadista com as calças obradas, segundo informaram fontes fuxicatórios do Planalto.

Um fedor insuportável tomou conta do ambiente.

DEU NO JORNAL

DESTINO DOS CORREIOS SOB O PETISMO É SANGRAR ATÉ MORRER

Editorial Gazeta do Povo

correios crise pdv

Correios devem lançar novo PDV, já que o anterior não atingiu nem um terço do objetivo

Como uma das principais apostas dos Correios para estancar a sangria que aflige a estatal desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto não funcionou, a empresa está planejando – quem poderia imaginar? – repetir a dose. O plano de demissão voluntária (PDV) lançado em 2026 só atingiu cerca de um terço da meta: eram 10 mil desligamentos esperados, mas quase 3,2 mil funcionários pediram as contas. Por isso, a empresa já planeja uma nova rodada de PDV, ainda sem data de lançamento e que pretende reduzir o inchadíssimo quadro da estatal em mais 5 mil empregados, dos quase 80 mil que estão hoje nos Correios. Não vai funcionar, garante o presidente do Sindicato dos Correios no Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida.

A situação da estatal é desesperadora. O prejuízo em 2025 foi de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do rombo do ano anterior – e o resultado de 2026 pode ser ainda pior, pois o Tesouro Nacional estima déficit de R$ 9,1 bilhões. A receita bruta caiu 11,35% em 2025 na comparação com 2024. Um consórcio formado por Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Itaú e Santander aceitou emprestar R$ 12 bilhões à estatal em 2025, mas reluta em colocar mais R$ 8 bilhões na empresa; enquanto isso, o aporte governamental de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, parte do acordo que viabilizou o empréstimo, ficará para 2027, como parte da “herança maldita” que Lula deixará para seu sucessor – ainda que esse sucessor seja ele mesmo, a depender dos resultados de outubro.

E não há garantia nenhuma de que esse dinheiro todo de fato seja capaz de reverter a trajetória dos Correios. A empresa, cuja eficiência já fez dela motivo de orgulho nacional, mostrou-se incapaz de competir em uma nova realidade em que plataformas de e-commerce adquirem frotas próprias para suas entregas, com outras empresas de logística também capazes de realizar melhor o trabalho que os Correios parecem ter desaprendido a fazer. Reverter a decadência exige muito mais que o valor levantado pela estatal junto ao setor bancário – valor esse que, muito provavelmente, será drenado pelas despesas do dia a dia em vez de servir para quaisquer investimentos necessários a uma virada de chave.

A privatização apareceria como a melhor solução em um caso desses, mas a janela de oportunidade para os Correios já se fechou. Quando a estatal ainda tinha lucro, ou prejuízos inferiores a R$ 1 bilhão, atrativos como uma capilaridade única no Brasil ainda serviriam para atrair interessados, e o Brasil poderia ter se inspirado em casos bem-sucedidos de outros países que privatizaram seus serviços postais sem abandonar a chamada “universalização” do atendimento; Jair Bolsonaro até tentou, colocando os Correios no programa de desestatização, mas a venda, aprovada pela Câmara, emperrou no Senado. Com a troca de governo, à medida que o estatismo, o inchaço e a ineficiência foram se alastrando, à atratividade diminuía na mesma velocidade. Hoje, é impensável que um investidor privado aceite pagar até mesmo um valor simbólico para assumir os Correios, diante do gigantismo do rombo e dos desafios.

O estatismo jurássico, a teimosia petista e o aparelhamento político transformaram os Correios em uma empresa inviável, que o próprio governo se recusa a ajudar, adiando seu aporte bilionário para o fim do prazo acertado – quando talvez seja tarde demais. A estatal se tornou o paciente cuja hemorragia não cessa, independentemente de quantas bolsas de sangue ele receba, até que um dia elas não sejam mais suficientes diante da gravidade do quadro, ou até o estoque simplesmente termine. Uma empresa que ainda tinha salvação, mesmo quando seu declínio já havia começado, caminha para um fim que seria evitável, caso as decisões sobre seu futuro não estivessem nas mãos de gente tão obtusa.

DEU NO JORNAL

A JORNADA PARA O FIM DO BRASIL

Luís Ernesto Lacombe

escala 6x1 jornada de trabalho

Deputados comemoram aprovação de PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada de trabalho semanal

E lá vai o Brasil para o buraco de vez… É doído observar os absurdos que são implementados única e exclusivamente para a conquista de votos. Se nos afundamos sempre, em ano eleitoral invariavelmente aceleramos o passo para a consolidação da desgraça absoluta. E o Congresso caminha para aprovar a mudança na jornada e escala de trabalho, tentando ignorar as graves consequências disso para o país, de olho em benefícios imediatos para os políticos, para os candidatos mesquinhos, irresponsáveis e inconsequentes. As vantagens eleitorais obtidas agora por essa gente da politicagem vão certamente provocar um quadro de quebradeira de empresas – principalmente as pequenas e médias –, achatamento da renda, aumento do desemprego, da inflação, queda nas exportações e redução do PIB.

Precisamos trabalhar mais, e não menos. E não é a mudança na escala de trabalho que vai resolver o problema da baixa qualificação da mão de obra, da baixa produtividade, dos ganhos médios reduzidos dos trabalhadores. Tampouco teremos solução para a judicialização excessiva das relações trabalhistas. Seguimos amarrados à CLT, engendrada por Getúlio Vargas supostamente para “proteger os trabalhadores”, com inspiração na Carta del Lavoro, do fascista Mussolini. Rever as leis trabalhistas, com amplo debate, levando em conta as experiências já vividas, o mundo tecnológico em que estamos, isso não daria voto… Está decidido que fingir é melhor. Os politiqueiros juram que o Estado é o grande protetor dos trabalhadores, sempre tão indefesos, contra empresários diabólicos, exploradores da mão de obra, quase senhores de escravos.

Enquanto demonizar os empreendedores, o Brasil não terá a menor chance de dar certo. Sobre eles já recai uma burocracia gigantesca – licenças, normas, alvarás, portarias –, sobre eles recai um sistema tributário complexo e ganancioso. Ao empregador cada trabalhador custa bem mais do que ele paga de salário. E é o Estado que decide o que será feito do dinheiro tomado dos empresários com a suposta intenção de “amparar” os trabalhadores. E se grande parte disso fosse, de alguma forma, incorporada aos salários? E se, em vez de perder uma fração do pagamento, forçado a fazer uma poupança ruim como o FGTS, por exemplo, cada um pudesse decidir de que forma investir seu próprio dinheiro? Não, o Estado não permite. Ele acha mesmo que precisa atuar como tutor de uma massa de trabalhadores desprovidos de discernimento e conhecimento.

A Gazeta do Povo já apresentou alguns números assustadores sobre a mudança na jornada e escala de trabalho… No varejo, há previsão de retração de 12,2% na riqueza gerada pelo setor. A manutenção dos salários, com uma jornada menor, vai gerar um aumento de custo em torno de 22%. Em vez de aumentar a oferta de emprego, há um cálculo de que haverá, de cara, um corte de 640 mil postos com carteira assinada… Os empregados mais antigos e caros devem ser substituídos pelos mais jovens e dispostos a ganhar menos. No turismo, que tem demanda concentrada em fins de semana e feriados, os custos operacionais também aumentarão muito. Haverá pressão inflacionária sobre diárias de hotéis, pacotes turísticos, passagens aéreas, restaurantes… E o Brasil, que recebe bem menos turistas do que poderia e deveria, continuará perdendo para outros destinos internacionais. No setor de transporte de carga, a folha de pagamento ficará 18% mais cara, mas ninguém atrás de voto quer olhar para o mundo real.

Não sou especialista no assunto, mas tenho o mínimo de informação para saber que mais desastre está por vir. Se Paulo Guedes tentou dar ao Brasil a liberdade econômica de que o país tanto precisa, caímos outra vez na historinha de que estão garantindo “qualidade de vida” aos trabalhadores, quando, na verdade, o que se celebra de novo é o atraso. Os votos que virão com medida tão populista e devastadora serão mais um empurrão para a desgraça total, a perpetuação de um modelo que não se sustenta. É nítido que a quantidade de gente que acredita num Estado protetor, tutor, educador não nos permitirá tão cedo a redenção. Cabe a cada um de nós, mesmo que com pouco alcance, nas nossas esferas particulares, alertar incansavelmente que o Estado não é a solução dos problemas do país, muito pelo contrário. É, sim, o Leviatã que provoca o surgimento da maior parte deles.

DEU NO JORNAL

CRIME ORGANIZADO SERÁ O TEMA CENTRAL DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Madeleine Lacsko

CNI aciona STF contra o fim da taxa das blusinhas anunciada por Lula

O governo do presidente Lula (PT) é contra a designação das facções PCC e CV como terroristas pelos EUA

Talvez você sinta uma desesperança e um desapontamento quando fala de política. Nós, brasileiros, passamos do desinteresse total a uma vontade de tomar as rédeas da situação nos últimos anos. As pessoas falam de política e tentam se informar como nunca. Exatamente porque sabem mais se sentem mais enganadas, têm a comprovação do que antes era intuição.

Dá a impressão de que, toda vez que o povo consegue mexer em algo nas estruturas, as velhas raposas da política se reorganizam. Ocorre o expurgo de quem incomoda o poder estabelecido, o absurdo se normaliza, as coisas seguem iguais. Os políticos são hábeis em criar discussões artificiais para distrair do que realmente interessa, o fato de que não resolvem os problemas do povo e não enfrentam as consequências disso.

As pessoas ávidas por informação política e ter alguma mudança acabam enredadas. Não por culpa delas, mas porque o sistema é injusto. Os políticos conhecem a política, vivem disso, são profissionais em moldar e conduzir debates. O cidadão precisa encaixar sua participação política nos afazeres diários, tendo uma vida cada vez mais difícil.

Nesse cenário é fácil ceder a paixões e soluções simplistas. Acreditar que há anjo que nos salve ou demônio invencível. A salvação é que a realidade se impõe. Não é se, é quando. Parece que esse tempo chegou.

Fôssemos listar os problemas a resolver e injustiças a corrigir no Brasil, jamais acabaríamos. Mas tem algo que já explodiu porque toca a vida cotidiana de todos os cidadãos brasileiros: a criminalidade organizada.

Neste século, as organizações criminosas saíram dos presídios e ganharam o país. Se diz que controlam mais de ¼ do território brasileiro. A estética e a cultura do crime são naturalizadas pela mídia e por influencers. Mas os efeitos na vida do cidadão comum são impossíveis de naturalizar.

Segundo pesquisa Ipsos de março deste ano, a criminalidade é a principal preocupação de metade dos brasileiros. Não é pouco. Pense no tanto de problemas que temos. O peso do crime está sobre a vida de todas as famílias. Até agora, essa era uma discussão tangencial nas eleições. Um detalhe apenas. Sinalização de virtude, moralidade e demonização estavam no centro. Corrupção, como sempre, faz parte da pauta.

A ação da campanha de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump pode ter mudado a janela de discussão definitivamente. Os EUA declararam PCC e CV como organizações terroristas. A questão é que Lula reagiu imediatamente contra. Alega questões de soberania, incorpora o vocabulário de direita para tentar falar que os outros são traidores da pátria. Não vai colar. São conceitos abstratos e as pessoas querem respostas para medos diários e reais.

Estamos falando de um povo que não pode sair com celular na rua, da prática familiar de verificar o tempo todo onde cada um está com medo da ação dos criminosos. Isso sem falar nos verdadeiros absurdos violentos e de domínio de território que martirizam diariamente milhões de cidadãos.

Qual a resposta para isso?

A direita diz agora que é a ajuda de Trump e uma postura linha dura, como aquela contra terroristas, para enfrentar esses criminosos. Lula diz que essa não é a solução mas também não aponta qual seria.

Quando o PT chegou ao poder, as organizações criminosas já existiam, mas eram marginais, muito ligadas ao universo carcerário. Cinco governos petistas depois, são potências mundiais, presentes em vários países, parasitando nossas instituições e com um poder que parece impossível de deter.

O que Lula prometerá fazer? O mesmo que o PT fez em 5 governos? O governo alega que combate o crime organizado, que fez novas leis, que tem forças-tarefa. No entanto, o crime só cresceu durante o século petista no poder.

Outro ponto é a postura ideológica da esquerda, que tende a tratar criminoso como vítima da sociedade. O presidente Lula já chegou a dizer textualmente que os traficantes são vítimas dos usuários. Fala frequentemente sobre roubo de celular, algo que atormenta o cidadão, como se fosse uma brincadeira.

Não sabemos ainda quais serão os efeitos reais da atitude de Trump. Quais as consequências práticas de declarar PCC e CV terroristas? Quanto tempo levará para que o Brasil sinta as consequências disso no dia-a-dia? Só o tempo dirá.

O que sabemos é que a mudança no debate chegou. Não há problema maior em um país que o sequestro de todo o Estado por bandidos. E todos os candidatos têm o dever de dar respostas concretas. Ao longo da campanha veremos quem realmente tem interesse nisso.

DEU NO JORNAL

SONHO

Com estatais apresentando rombos atrás de rombos sob a gestão petista, Lula diz que sonha em fazer com que Eletrobras volte a ser estatal.

E ainda criticou a privatização da BR Distribuidora.

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Normal, normal.

Tudo dentro dos conformes.

Os sonhos do descondenado são sempre contra o que é bom pro país.

DEU NO JORNAL

ROMBÃO

Sob o governo Lula, o rombo das estatais federais já chegou a R$ 5,9 bilhões até abril, recorde para o período e maior que todo o déficit de 2025.

Os dados foram apresentados pelo Banco Central.

* * *

Ainda tá pouco.

O rombo vai aumentar muito mais até o descondenado tirar o traseiro da cadeira presidencial.

Enquanto isso não acontecer, o rombo vai virar rombão.

DEU NO JORNAL

ZORRA TOTAL

Vem dos ativistas de esquerda, alinhados ao governo, o espetáculo mais patético, justificando o fato de o governo Lula (PT) não agir contra organizações criminosas.

Parecem viver uma Síndrome de Estocolmo: defendem, justificam ou minimizam as mesmas gangues que aterrorizam a população.

Mal disfarçam fascínio pelos que, nas periferias e favelas, exercem o poder com eficiência brutal.

Para eles, o criminoso é vítima da “desigualdade”, nunca o algoz. E o cidadão refém nem merece menção.

Soberania não é discurso contra os EUA, é a capacidade de controlar território, proteger o povo, impedir o crime de substituir o poder público.

Facções controlam rotas de drogas, impõem toque de recolher, recrutam crianças, dominam penitenciárias e até financiam campanhas eleitorais.

O governo Lula não age porque não quer. Prefere narrativas e rejeitar ajuda externa não por patriotismo, mas por ideologia e conveniência.

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Jamais o gunverno lulo-petralha iria agir contra os cumpanheros.

Isso é claro e evidente.

Faz parte da cartilha ideológica do bando vermêio-istrelado.

A zorra administrativa não vai peitar nunca a zorra criminal.

DEU NO JORNAL

O PAPEL DO ESTADO NO INCENTIVO À CULTURA

Editorial Gazeta do Povo

estado cultura

Nem controle ideológico, nem distanciamento total devem marcar a participação do Estado no setor cultural

A notícia de que uma rede de cinemas usava uma brecha nas regras da chamada “cota de tela” – a exigência de que parte da grade de exibição seja preenchida com filmes nacionais – para liberar horários melhores para as produções de maior apelo comercial reacendeu a discussão sobre o papel do Estado na definição da política cultural. Este debate sempre foi marcado pelas posições mais diversas, desde a defesa de um direcionamento ideológico do apoio estatal às artes, até o afastamento completo do Estado do setor cultural, que ficaria única e exclusivamente a cargo da população e dos agentes privados.

Há três grandes linhas que norteiam a maioria das posições a respeito da relação entre Estado e cultura: 1. não se envolver; 2. controlar e dominar; ou 3. apoiar e incentivar. Uma boa análise do problema requer, de início, identificar em quantos segmentos se divide a cultura para, em função das peculiaridades de cada setor, decidir sobre a política oficial para cada segmento. A direita liberal, de saída, descartada a segunda opção (controlar e dominar), típica de regimes políticos ditatoriais que, em geral, se dedicam a buscar o controle do pensamento, das crenças e dos hábitos da população. Nesses regimes, filmes, televisão, teatro, música, literatura, jornalismo, crítica literária e outras formas de expressão e opinião são todas controladas (e censuradas) pelo governo, sem cuja concordância nada se faz.

Se a opção “controlar e dominar” é inaceitável e incabível em sociedades livres, abertas e democráticas, por ser incompatível com a própria ideia de liberdade e direito de manifestação cultural, restam outras possibilidades. Para os liberais, a livre manifestação cultural deve ser um direito e, portanto, pessoas, empresas, entidades culturais e a comunidade devem atuar em liberdade e segundo as regras do livre mercado. Deixar a manifestação cultural livre e em paz, no entanto, não significa a ausência total de regras, pois há segmentos e aspectos culturais que requerem alguma ação pública, mostrando que a opção de distanciamento completo, preferida de libertários e liberais antiperfeccionistas, também não é uma opção ideal.

Um exemplo é o caso de museus que guardam e protegem objetos históricos, cuja manutenção e administração requerem algum dinheiro público e proteção contra formas de destruição. Recorde-se, a esse respeito, o lamentável episódio do saque e destruição do Museu de Bagdá, em 2003, quando mais de 170 mil peças foram destruídas ou roubadas nos dias que se seguiram ao colapso do regime de Saddam Hussein. Aquele museu mantinha peças da antiga Mesopotâmia, região considerada o berço da civilização, onde surgiram as primeiras cidades, o primeiro alfabeto e o primeiro código jurídico. Ali, a humanidade jogou fora um pedaço importante de seu passado e objetos que representavam civilizações antigas, cuja guarda, sob responsabilidade do poder público, falhou lamentavelmente.

Outro caso é o das chamadas “belas artes”, que, mesmo não tendo forte apelo popular, oferecem algo valioso a quem entra em contato com elas, e por isso também podem merecer a proteção e o apoio estatal – e é inegável que, em muitos lugares, atividades culturais como orquestras sinfônicas só conseguem sobreviver bancadas pelo Estado. Por outro lado, também parece evidente que nem tudo deve receber apoio governamental, a começar por obras que desrespeitem valores importantes para a sociedade, ou promovam ideias que violem, por exemplo, a dignidade do ser humano. Sociedades fundadas na liberdade de opinião e expressão, portanto, sabem analisar os vários tipos de manifestação cultural para adotar a opção de apoiar e incentivar sem controlar e dominar, além de guardar aquilo que é histórico e não pode ser objeto de comércio.

No Brasil, houve o caso da Embrafilme, que durante o tempo em que funcionou, foi acusada de selecionar filmes e projetos para executar ou incentivar segundo o controle e a censura dos burocratas que a dirigiam, sempre submetidos ao padrão ideológico do governo a que pertenciam. Em 2009, durante o segundo governo Lula, uma Conferência Nacional de Comunicação chegou a defender a recriação da estatal, que havia sido extinta em 1990. Independentemente do nome, interessava aos estatistas apenas a existência de uma empresa estatal de produção, com cargos e verbas cobertas com dinheiro do pagador de impostos e, por isso mesmo, com algum poder de controle sobre a cinematografia comercial e vontade de impor sua visão de mundo a toda a população.

Vale a pena manter e expandir bibliotecas públicas, museus históricos e obras de memória dos feitos nacionais, para ficar em alguns exemplos. O Brasil tem uma forma indireta de promover a cultura nacional por meio da Lei Rouanet, que autoriza empresas e pessoas físicas a destinarem parte de seus impostos a projetos culturais. Ainda que tenha alguns vícios problemáticos, essa lei nasceu com a ideia de que as pessoas físicas ou jurídicas busquem apoio a projetos culturais, desde que cumpram regras sobre regularidade fiscal, qualidade técnica dos projetos, cumprimento dos códigos de postura, obediência às normas de segurança, respeito às leis ambientais, proteção aos direitos trabalhistas dos envolvidos, prestação de contas e submissão à fiscalização pelo poder público. E a Lei Rouanet não deixa de ter um viés liberal, ao deixar que uma pessoa ou empresa possa escolher onde investe ao menos parte dos impostos que deve, em vez de entregá-los todos ao governo para que decida como bem entender.

O uso de recursos públicos no apoio e incentivo à cultura, portanto, é legítimo. O que o Estado não pode fazer é impor regras que violem o princípio da proporcionalidade, ou avançar até o ponto de autorizar ou vetar determinado projeto ou ação em função de sua ideologia e lado político, pois isso abre espaço para a censura e o controle estatal sobre as ações culturais desenvolvidas pela sociedade. O apoio direto a determinadas manifestações culturais, regras de incentivo à participação da iniciativa privada na produção e patrocínio, e regulamentações como a mencionada “cota de tela” são políticas públicas que merecem debate, dado o papel fundamental da cultura em qualquer sociedade.

DEU NO JORNAL

“VAMO TUDO SE LASCÁ”

Francisco Escorsim

escala 6x1 pec das domésticas

PEC das Domésticas prometeu dignidade e entregou informalidade. A história está se repetindo

Tomava um café na padaria. Ao meu lado, uma senhorinha prestava atenção ao que passava na tevê pendurada num canto da parede.

Era possível escutar os jornalistas debatendo. O movimento da padaria já tinha aquietado, era meio da manhã. O assunto era a votação da PEC 6×1, ou 5×2, ou sei lá que nome deram.

Ela notou que eu a observava e comentou: “Vamo tudo se lasca…”. Surpreso, perguntei o porquê. Contou-me que era empregada doméstica que trabalhava na mesma família havia 15 anos e que quando inventaram uma lei dessas, pra supostamente proteger as empregadas, aconteceu o oposto: foi demitida e sofre até hoje pra encontrar emprego de diarista.

Voltei no tempo. Lembrei um pouco da discussão que havia naquela época. Falavam também de justiça social, de dignidade, de corrigir uma dívida histórica e patati e patatá. Lembro da certeza quase religiosa das pessoas no Twitter – que nem se chamava X ainda – dizendo que, finalmente, as patroas seriam forçadas a tratar as funcionárias como seres humanos.

No papel, parecia uma beleza: FGTS, hora extra, jornada controlada. Quem poderia ser contra? Mas aí o mundo real cobrou a conta. E o mundo real é essa senhorinha ao meu lado.

O que aconteceu na prática? O desespero bateu na classe média, a conta não fechou no orçamento doméstico e a lei virou um bumerangue mortal. O que ia proteger as domésticas acabou criando o maior exército de diaristas sem direito a férias, sem 13.º e sem eSocial do planeta. Uma informalidade institucionalizada com selo de garantia de Brasília.

Duas vezes por semana na mesma casa para não gerar vínculo, lembra? A imensa maioria das domésticas se tornou diarista.

Calados, seguimos acompanhando a discussão na tevê. O filme é rigorosamente o mesmo. A turma vota o fim do sábado útil com aquele olhar de quem está salvando a humanidade enquanto a encaminha ao abismo.

É claro que trabalhar seis dias por semana é uma moenda de gente. Ninguém discute a exaustão do trabalhador. Mas a canetada assume que o Brasil inteiro é uma agência de publicidade descolada em São Paulo, onde o sujeito bate o ponto no notebook e almoça sushi. Esquecem que o país real tem muito mais de comércio miúdo do interior, a farmácia de bairro, a lanchonete da esquina que opera com a corda no pescoço e a margem espremida.

No Sudeste, as grandes redes dão de ombros: colocam três totens de autoatendimento, demitem os caixas humanos, automatizam o processo e repassam o custo pro cliente. O mundo corporativo absorve a pancada criando mais desemprego tecnológico.

E no Brasil dito profundo? O dono do mercadinho não tem recursos para contratar um segundo funcionário CLT para cobrir o sábado. Ele simplesmente não tem de onde tirar esse dinheiro. A reação dele vai ser a mesma da classe média com as domésticas. Vai mandar embora o funcionário registrado e vai contratar o mesmo sujeito na segunda-feira por fora.

Ou vai exigir que ele abra um MEI para emitir nota como “prestador de serviços intermitentes”. O trabalhador vira uma empresa de um homem só, sem seguro-desemprego, sem fundo de garantia, mas com o sábado livre para pensar na vida.

No fim das contas, aprovarão a proteção ao trabalhador na quinta-feira e entregarão esse mesmo trabalhador para a selva dos bicos na segunda de manhã. É a velha história: Brasília cria o direito no papel, e o mercado dispensa o trabalhador para a invisibilidade da calçada.

Terminei o cafezinho, mas não fui embora. Fiquei a prosear com a Maria das Dores, o nome dela. Mostrou-me fotos dos netos. Continua a trabalhar por eles. É ela quem cria os quatro.

DEU NO JORNAL

PROTEÇÃO AO CRIME

Em sua paralisia deliberada diante da escalada do crime, o governo Lula (PT), recusou cooperação internacional contra facções que dominam favelas, fronteiras e presídios.

E insiste em proteger PCC e o Comando Vermelho da classificação de organizações terroristas.

Em nota, atacou opositores, rotulando-os de “traidores da pátria”, como se o Brasil estivesse em guerra contra Washington, e não contra PCC, Comando Vermelho ou qualquer outra estrutura que sequestra a soberania popular.

O antiamericanismo fora de moda de Lula recusou a oferta dos EUA de inteligência compartilhada, bloqueio de recursos e ações coordenadas.

Em vez de combater os bandidos, tentando tomar dos opositores a poderosa bandeira do combate ao crime, Lula ataca quem cobra atitude.

Lula finge ignorar que o governo perdeu o controle sobre extensas áreas do território nacional, onde quem manda não é a lei e sim o fuzil.

* * *

A frase “paralisia deliberada diante da escalada do crime“, que abre essa nota aí de cima, resumo tudo.

Absurdo total.

Completa irresponsabilidade.

É de lascar!

Esperar alguma atitude racional e sensata do atual presidente petralha, é tarefa impossível.

É igual dar conselho a doido: pura perda de tempo.