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Editorial Gazeta do Povo

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Correios devem lançar novo PDV, já que o anterior não atingiu nem um terço do objetivo

Como uma das principais apostas dos Correios para estancar a sangria que aflige a estatal desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto não funcionou, a empresa está planejando – quem poderia imaginar? – repetir a dose. O plano de demissão voluntária (PDV) lançado em 2026 só atingiu cerca de um terço da meta: eram 10 mil desligamentos esperados, mas quase 3,2 mil funcionários pediram as contas. Por isso, a empresa já planeja uma nova rodada de PDV, ainda sem data de lançamento e que pretende reduzir o inchadíssimo quadro da estatal em mais 5 mil empregados, dos quase 80 mil que estão hoje nos Correios. Não vai funcionar, garante o presidente do Sindicato dos Correios no Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida.

A situação da estatal é desesperadora. O prejuízo em 2025 foi de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do rombo do ano anterior – e o resultado de 2026 pode ser ainda pior, pois o Tesouro Nacional estima déficit de R$ 9,1 bilhões. A receita bruta caiu 11,35% em 2025 na comparação com 2024. Um consórcio formado por Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Itaú e Santander aceitou emprestar R$ 12 bilhões à estatal em 2025, mas reluta em colocar mais R$ 8 bilhões na empresa; enquanto isso, o aporte governamental de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, parte do acordo que viabilizou o empréstimo, ficará para 2027, como parte da “herança maldita” que Lula deixará para seu sucessor – ainda que esse sucessor seja ele mesmo, a depender dos resultados de outubro.

E não há garantia nenhuma de que esse dinheiro todo de fato seja capaz de reverter a trajetória dos Correios. A empresa, cuja eficiência já fez dela motivo de orgulho nacional, mostrou-se incapaz de competir em uma nova realidade em que plataformas de e-commerce adquirem frotas próprias para suas entregas, com outras empresas de logística também capazes de realizar melhor o trabalho que os Correios parecem ter desaprendido a fazer. Reverter a decadência exige muito mais que o valor levantado pela estatal junto ao setor bancário – valor esse que, muito provavelmente, será drenado pelas despesas do dia a dia em vez de servir para quaisquer investimentos necessários a uma virada de chave.

A privatização apareceria como a melhor solução em um caso desses, mas a janela de oportunidade para os Correios já se fechou. Quando a estatal ainda tinha lucro, ou prejuízos inferiores a R$ 1 bilhão, atrativos como uma capilaridade única no Brasil ainda serviriam para atrair interessados, e o Brasil poderia ter se inspirado em casos bem-sucedidos de outros países que privatizaram seus serviços postais sem abandonar a chamada “universalização” do atendimento; Jair Bolsonaro até tentou, colocando os Correios no programa de desestatização, mas a venda, aprovada pela Câmara, emperrou no Senado. Com a troca de governo, à medida que o estatismo, o inchaço e a ineficiência foram se alastrando, à atratividade diminuía na mesma velocidade. Hoje, é impensável que um investidor privado aceite pagar até mesmo um valor simbólico para assumir os Correios, diante do gigantismo do rombo e dos desafios.

O estatismo jurássico, a teimosia petista e o aparelhamento político transformaram os Correios em uma empresa inviável, que o próprio governo se recusa a ajudar, adiando seu aporte bilionário para o fim do prazo acertado – quando talvez seja tarde demais. A estatal se tornou o paciente cuja hemorragia não cessa, independentemente de quantas bolsas de sangue ele receba, até que um dia elas não sejam mais suficientes diante da gravidade do quadro, ou até o estoque simplesmente termine. Uma empresa que ainda tinha salvação, mesmo quando seu declínio já havia começado, caminha para um fim que seria evitável, caso as decisões sobre seu futuro não estivessem nas mãos de gente tão obtusa.

Um comentário em “DESTINO DOS CORREIOS SOB O PETISMO É SANGRAR ATÉ MORRER

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