DEU NO JORNAL

“T” DE TRAMBIQUEIROS

Não começou em Brasília a trajetória de fraudes que garantiram a Daniel Vorcaro a glória, a fortuna e a desgraça, resultando na liquidação do seu Banco Master.

Porém, a proposta da delação frustrada do ex-banqueiro sugere que a gênese do império financeiro tem endereço certo: os governos do PT na Bahia quando chefiados por Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e Rui Costa, ex-todo-poderoso ministro de Lula.

A proposta de delação de Vorcaro prometia expor a relação com a dupla.

O PT entregou a Vorcaro o CredCesta, programa que permitiu ao Master ingressar no fabuloso e rentável mundo de empréstimos consignados.

No ápice dessa influência, decreto de 2022 de Rui Costa proibiu uso da portabilidade para quem tentava se livrar das taxas abusivas do Master.

* * *

Ou seja: o início de tudo se deu com a sigla certa: PT.

É o que diz a nota aí de cima.

Não há motivo pra espanto.

Tá tudo dentro da normalidade banânica.

DEU NO JORNAL

PAUTA-BOMBA EXPLODE NO COLO NÃO DO GOVERNO, MAS DO BRASIL

Editorial Gazeta do Povo

editorial pauta bomba

O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, e o presidente da casa, Davi Alcolumbre, no dia da votação da “pauta-bomba”

Em uma única tarde, o Senado aprovou três projetos que mostram uma disposição firme em competir com o Palácio do Planalto na Copa do Mundo da gastança pública. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, em caráter terminativo (sem necessidade de passar pelo plenário, a não ser que haja recurso nesse sentido), a elevação do piso salarial de médicos e dentistas, que agora segue para a Câmara; a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde, que já passou pela Câmara e agora vai ao plenário; e o plenário aprovou um projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, que volta para a Câmara por ter sofrido alterações.

O trio de aprovações tem sido descrito como uma derrota para o governo, já que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a se empenhar pessoalmente na interlocução com o Senado para barrar a chamada “pauta-bomba”, sem sucesso. Mas quem sai realmente derrotado é o pagador de impostos brasileiro – inclusive aqueles grupos diretamente beneficiados pelas três medidas. A razão é bastante simples, e inclusive prescinde de uma discussão, já iniciada, sobre uma eventual inconstitucionalidade por possível falta de estimativa de custo e indicação de onde virá o custeio.

Quem haverá de bancar os cerca de R$ 220 bilhões estimados como efeito orçamentário dessas medidas? Como ninguém está falando em abolir aberrações como o Fundo Partidário e o megafundo eleitoral, ou em eliminar desperdícios e privilégios como supersalários, sobram três caminhos: ou o país emite moeda, ou se endivida ainda mais – em ambos os casos, gerando mais inflação e juros –, ou deixa de gastar em outras áreas importantes, sendo que o espaço para esse tipo de remanejamento já é mínimo. Em resumo, é o brasileiro que paga por tudo isso, e sofre as consequências da gastança aprovada pelo Senado, independentemente da coloração política de quem esteja sentado na cadeira presidencial – é no colo do povo, não do presidente, que a bomba explode.

Mas só os muito ingênuos – ou os muito mal-intencionados – veriam o ministro da Fazenda tentando barrar a “pauta-bomba” e concluiriam que estamos diante de um arauto da responsabilidade fiscal. Afinal, Durigan está desde 2023 no governo Lula, e não só acompanhou, mas ajudou a levar adiante o programa gastador do petista, que não fecha as contas apesar dos sucessivos recordes de arrecadação. Só o “kit reeleição” está custando ao pagador de impostos brasileiros quase R$ 200 bilhões, quase igualando o impacto estimado dos projetos aprovados no Senado. Pedir socorro ao Supremo Tribunal Federal (sem o qual Lula não governa, como ele mesmo já confessou) não passa de uma enorme demonstração de hipocrisia da parte do ministro – aliás, não custa nada perguntar a Gilmar Mendes, que já se manifestou antes mesmo de a corte ser provocada, pode onde ele andava quando era o Executivo, e não o Legislativo, que se empenhava em falir o Brasil.

Executivo, Legislativo e Judiciário, assim, dividem a gastança entre boa e ruim, e o critério é única e exclusivamente a procedência das medidas: a “nossa” gastança é necessária, é meritória, é defesa da soberania, da democracia e do que mais houver em termos de clichês a serem empregados de acordo com o momento; a gastança “deles” é populista e eleitoreira. Mas qualquer brasileiro de bom senso percebe que ambas ajudam a esfacelar as contas públicas da mesma maneira, e que é especialmente o bolso do cidadão mais pobre, aquele que mais paga impostos como proporção de sua renda, que haverá de bancar tanta bondade.

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NOTÍCIA RUIM

Diretor-presidente do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo confirma que a corrupção voltou a liderar entre os principais problemas na visão dos eleitores brasileiros, seguido por segurança pública e saúde.

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Péssima notícia pro gunverno lulo-petralha.

Corrupção é o principal problema na cabeça dos eleitores, aqueles que irão votar na próxima eleição.

Coitadinho do descondenado…

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TORRANDO EM PARIS

Enquanto o governo sabota projetos para socorrer produtores rurais e até chama a renegociação das dívidas de “pauta-bomba”, Lula deu sinais de que vai manter o opulento padrão na viagem que inventou, diz que de última hora, a Paris (França) para participar do G7.

O pagador de impostos vai bancar fatura de R$ 480.542,20, isso só com carrões para a comitiva do petista zanzar por lá. Se por aqui a ANAC até parou atividades por falta de dinheiro, por lá, as limusines já estão até pagas.

O Itamaraty contratou a V&D Luxury, que só trabalha com modelos top de linha da Mercedes, sedans ou vans. Além do chofer, claro.

No site, a empresa oferece limusines para clientes de alto padrão com a mensagem “Torne sua viagem tão luxuosa quanto seu destino”.

O Itamaraty também já mandou alugar “salas” de apoio para Lula, que ainda está a quase 9 mil quilômetros de Paris,

São dois espaços, a “Salle du Conseil”, para 10 pessoas, e a “Salle des Arcardes”, para 30 pessoas.

A fatura é nossa: R$ 38.687,35.

* * *

Não há motivo para espantos.

Tá tudo dentro da normalidade esbanjanjadeira lulo-petralha.

E nós, os contribuintes, é que vamos pagar a conta.

Só isso.

Abram os bolsos.

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TEM GOSTO PRA TUDO NESSE MUNDO

Dados da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) confirmam 18 meses consecutivos em que a rejeição dos brasileiros a Lula (PT) e a seu governo é maior que a aprovação.

Em janeiro de 2025, quando pela primeira vez esse instituto de pesquisas registrou rejeição de Lula maior que a aprovação, isso foi registrado como “fato inédito” naqueles dois primeiros anos do terceiro governo do petista.

Em maio de 2025, a rejeição subiu em flecha e chegou a atingir os 57%.

Desde meados de 2025, a rejeição a Lula oscila entre os 48% apontados pelo levantamento desta semana e 53% apurados há um ano.

Em maio de 2026, a rejeição ao governo Lula era de 49%. Segundo manchetes amigas, a imagem de Lula supostamente “melhorou”.

Este ano, a aprovação de Lula se manteve apenas entre 43% e 47%. A rejeição, sempre maior, ficou entre 48% e 52%.

* * *

Pelo que tá escrito nessa nota aí de cima, ainda tem gente que aprova o gunverno banânico.

Mais de 40%.

Como dizia Seu Luiz, meu saudoso pai e filósofo sertanejo, gente besta e mato é o que mais tem nesse mundo.

Ele tava certíssimo…

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LEÃO XIV E A DEFESA DA DIGNIDADE HUMANA E DA VIDA EM TODOS OS MOMENTOS

Editorial Gazeta do Povo

No terceiro dia de sua visita à Espanha, iniciada no dia 6 e que deve se estender até a próxima sexta-feira, dia 12, o papa Leão XIV foi recebido no Palácio das Cortes, a sede do Congresso dos Deputados, e se dirigiu aos cerca de 600 parlamentares espanhóis com um discurso ao mesmo tempo respeitoso e forte, e que já se pode considerar histórico. Nele, o líder da Igreja Católica expôs uma concepção da pessoa humana que transcende convicções ideológicas, e que merece a atenção de legisladores não só em uma Espanha e uma Europa cada vez mais seculares, mas em todo o mundo, pois recorda verdades que um dia podem ter sido evidentes a todos, mas que ao longo dos últimos séculos têm sido soterradas por ideologias as mais diversas.

“Venho perante todos vós como bispo de Roma e pastor da Igreja Católica”, iniciou o papa, ciente de que os líderes religiosos têm todo o direito de manifestar no espaço público, mas que ao fazê-lo precisam usar argumentos que possam ser compreendidos e compartilhados por todos, independentemente da fé. “Respeitando a missão própria das instituições e a legítima responsabilidade de quem recebeu o mandato de legislar”, Leão XIV invocou toda a rica tradição cultural e jurídica da Espanha, com um olhar especial para a Escola de Salamanca e seu papel nas discussões sobre as relações entre os descobridores espanhóis e os povos do Novo Mundo recém-descoberto.

Os mestres de Salamanca, disse o papa, “compreenderam que a razão não podia ser invocada para revestir de legitimidade o que a força ou o interesse apresentavam como conveniente” e levantaram “a pergunta pelo valor irredutível de todo o ser humano e os limites morais do poder”. Concluíram “que a autoridade traz sempre consigo uma responsabilidade e que todo o ser humano deve ser reconhecido como sujeito de direitos e deveres”, e que “a medida das relações sociais” é “a dignidade, a justiça e o bem comum”. Estes são os princípios que devem nortear o trabalho do legislador. Quando ele não respeita a dignidade humana, quando aprova leis injustas, quando despreza o bem comum, quando nega direitos aos seres humanos, ele abusa de sua responsabilidade.

“Os novos mundos que se abrem diante de nós já não se desenham nos mapas: desdobram-se na técnica, na economia, na biomedicina e no universo digital, onde o poder humano alcança âmbitos cada vez mais delicados da vida pessoal e social”, continua o papa, afirmando que “toda sociedade autenticamente justa edifica-se sobre o reconhecimento da dignidade inviolável da pessoa humana. Tal dignidade precede qualquer concessão do Estado e não pode ficar subordinada a consensos sociais mutáveis ou à oscilação das maiorias de cada momento. Pertence a todo ser humano pelo simples fato de existir, e por isso deve orientar todo o ordenamento jurídico positivo”. Ainda que também a Igreja proclame essa dignidade intrínseca do ser humano, diz Leão XIV, ela é algo reconhecível por qualquer pessoa dotada de razão.

E o reconhecimento dessa dignidade tem consequências práticas, que impõem um dever moral ao legislador. Leão XIV pede atenção especial à família, “fundamento natural da comunidade”; defende o papel da educação, ressaltando que “há de respeitar sempre o ‘direito fundamental e inalienável’ dos pais a ‘escolher o tipo de instrução e formação a transmitir aos filhos, em conformidade com as suas convicções morais, culturais e religiosas’”; trata da questão migratória e daqueles que “veem-se obrigados, por circunstâncias muitas vezes dramáticas, a partir das suas comunidades e a deixar para trás entes queridos, histórias e vínculos”; critica o rearmamento, ameaça à paz entre as nações; e pede respeito à “liberdade de pensamento, de consciência e de religião, direito fundamental que tutela o âmago mais íntimo das pessoas”.

Acima de tudo, Leão XIV afirma que a convicção sobre a dignidade humana tem de se refletir em leis que defendam integralmente a vida humana. “Pode chamar-se plenamente justa uma comunidade que deixa na sombra a criança ainda não nascida, o idoso, o doente, quem sofre em silêncio ou quem depende inteiramente do cuidado dos outros?”, questionou o papa. “A defesa da vida humana não é uma questão parcial nem um interesse confessional: é uma meta de civilização. Toda vida humana deve ser reconhecida e guardada desde a sua concepção até ao seu ocaso natural, em cada circunstância da sua existência”, continuou Leão XIV, sabedor de que entre os que o ouviam havia parlamentares que aprovaram a legalização da eutanásia na Espanha, em 2021, bem como ampliações ao direito ao aborto em 2010 e 2023, sempre sob governos de esquerda – o atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, pretende incluir o direito ao aborto na Constituição espanhola, assim como fez a vizinha França em 2024.

Ao terminar seu discurso, Leão XIV foi aplaudido de pé por sete minutos. Mas o aplauso não será sincero se os deputados e senadores espanhóis não colocarem em prática os princípios defendidos pelo papa. “Uma lei não alcança a sua verdadeira grandeza pelo mero fato de ter sido formalmente aprovada; alcança-a quando, além de ser válida na sua forma, pode comparecer perante a dignidade da pessoa e sair desse exame sem se envergonhar”, disse o pontífice; que os parlamentares espanhóis olhem para o que vêm aprovando, para o que pretendem aprovar, e julguem com honestidade a grandeza ou a miséria do seu trabalho.

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O PRESIDENTE, O ENFORCAMENTO E A REGULAÇÃO

Guilherme Fiuza

A proposta de uma punição letal contra um opositor passou quase sem reação. Para o presidente, o custo foi baixo

Lula disse que o senador Flávio Bolsonaro merece ser enforcado como traidor da pátria. Não foi uma gafe — como alegou o presidente quando disse que traficantes são vítimas dos usuários de drogas. Na ocasião, houve uma espécie de desmentido — ou seja, a versão oficial foi de que não era sua intenção dizer aquilo.

Muitos dizem que não faz diferença. Que se trata, no mínimo, de um ato falho — ou seja, alguém expressar sem querer aquilo que realmente acha. E a fala fica ali, registrada em vídeo e repetida inúmeras vezes em diversas mídias, “testemunhando” o que realmente foi dito. De qualquer forma, faz muita diferença quando há um desmentido ou uma alegação de mal-entendido.

Dessa vez, ao que se saiba, não houve nada disso. Nenhuma atenuante surgiu no radar; nem mesmo uma dessas “fontes próximas” procurou mitigar o ataque, alegando qualquer coisa, até mesmo um momento de destempero. Nada. Segundo Lula, Flávio Bolsonaro merece a forca. E ponto final.

Nesse aspecto, as coisas estão estranhas, bem estranhas mesmo, em torno dessa fala do presidente da República sobre seu (até aqui) principal concorrente eleitoral.

Cada época tem o seu contexto — que determina a dimensão do ato agressivo. Quase três décadas atrás, por exemplo, o ex-governador Leonel Brizola declarou que o então presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser “metralhado”. O país tinha acabado de passar pela maxidesvalorização do real após a crise da Rússia, e o nascente segundo mandato de FHC no Planalto estava sob ataque de todos os lados.

Brizola era um retórico — um político habituado a usar linguagem figurativa, licenças poéticas e diversas expressões espirituosas que caíram na boca do povo. E, depois de fazer barba, cabelo e bigode na política com o Plano Real, adquirindo força inclusive suficiente para colocar a reeleição na Constituição — a tempo de se beneficiar da mudança —, FHC estava no alvo. Qualquer vereador, naquele momento, tinha o seu petardo na agulha contra o presidente.

Mesmo com a conjuntura acima descrita, que de certa forma atenuava (ou pelo menos contextualizava) o ataque de Brizola, a declaração leviana do ex-governador teve ampla repercussão — e recebeu ampla rejeição na sociedade. Fernando Henrique tinha por hábito não passar recibo, não reclamar do noticiário e não judicializar seus conflitos. Mas os tempos eram outros.

Hoje existe a hipersuscetibilidade geral. Existe a indústria dos ofendidos. E existe a alegação de combate ao “discurso de ódio” para cercear a crítica — mesmo aquela que não seja mero exercício do ato de odiar. Ou seja: hoje todos estão pisando em ovos para se expressar publicamente, para dirigir uma reação pertinente a alguma autoridade ou instituição, porque se normalizou a demonização da crítica. Frequentemente, no estranho padrão atual, criticar é afrontar a democracia…

E enforcar? O que seria?

Nada. Pelo menos a julgar pela suavidade com que a declaração de Lula foi assimilada pela sociedade. O presidente da República declarou, furiosamente, aos palavrões, quase aos berros, que seu principal concorrente eleitoral merece ser punido com a forca. Será que voltamos para 1999?

Mesmo em 1999, a tirada mórbida de Brizola pareceria um afago perto da declaração pensada e calculadamente proferida por Lula. O presidente chegou, inclusive, a conclamar os brasileiros a “meditarem” sobre o que ele estava dizendo.

A sociedade, o Estado e as forças de coerção, tão rigorosos com qualquer adjetivo mais azedo, deixaram passar essa. A proposição de um ato de violência contra um opositor, revestida pela ideia de punição com uma medida letal que não está na lei, saiu bem barata para o presidente. Pelo menos até aqui, pode-se dizer que a “regulação” das mentes tem suas exceções especialíssimas.