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CORES

Ainda sobre o debate das facções, o senador Sergio Moro (PL-PR) diz que Lula revelou “suas verdadeiras cores” ao se posicionar contra a designação dos EUA do CV e do PCC como organizações terroristas.

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Verdadeiras cores?

Fiquei curioso, dotô Moro.

Além do vermêio comuna, existem mais algumas outras cores no bando comandado pelo descondenado???

Diz aí pra gente.

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OS TRAIDORES E A FORCA

Luciano Trigo

Quando um presidente fala em forca, mesmo metaforicamente, ele se aproxima de uma tradição política incompatível com os valores democráticos

A história brasileira costuma ser lembrada por meio de símbolos simplificados. Tiradentes, por exemplo. É o mártir da independência. Já Joaquim Silvério dos Reis ficou marcado como o traidor que vendeu seus companheiros à Coroa portuguesa. Mas, quando figuras públicas recorrem a esses personagens para atacar adversários, é importante recapitular os fatos em toda a sua complexidade.

Na semana passada, Lula afirmou que determinados adversários mereceriam a forca, evocando a memória de Joaquim Silvério dos Reis — que, na verdade, não foi enforcado, mas este é o menor dos problemas. A analogia revela um problema histórico e moral profundo. Afinal, quem foi o traidor, aos olhos do regime vigente em Minas Gerais no final do século XVIII? E quem acabou sendo enforcado: o traidor ou o herói?

Joaquim Silvério dos Reis era um rico proprietário de terras e minerador. Endividado junto à Coroa portuguesa, viu na delação da Inconfidência Mineira uma oportunidade para obter vantagens pessoais. Em 1789, denunciou às autoridades o movimento que articulava uma ruptura com o domínio português. Em troca, recebeu favores da administração colonial, incluindo o perdão de dívidas e outras compensações. Morreu de causas naturais, já idoso.

Do ponto de vista da memória nacional construída posteriormente, Silvério se tornou o arquétipo do traidor: o homem que colocou seus interesses particulares acima do ideal de liberdade defendido pelos inconfidentes.

Mas a perspectiva da Coroa portuguesa era exatamente oposta. Para Lisboa, Joaquim Silvério dos Reis não era um traidor: era um colaborador leal, que prestou um serviço ao Estado ao denunciar uma conspiração criminosa. Quem atentava contra a ordem estabelecida eram os inconfidentes. Eles é que planejavam desafiar a autoridade legítima do reino e romper com o sistema político vigente.

Tiradentes não foi enforcado por defender a liberdade em abstrato. Foi executado porque o governo da época o considerou um rebelde e um traidor. Mas a sua execução não é lembrada como um triunfo da justiça, e sim como um exemplo de perseguição estatal contra aqueles que ousaram desafiar o poder.

Como acontece hoje, a Coroa portuguesa também acreditava estar defendendo a ordem, a legalidade e a estabilidade. Também acreditava que seus opositores ameaçavam a integridade do Estado. Também se via como guardiã do bem comum. E foi em nome dessa convicção que condenou Tiradentes à morte. Isso comprova que a justiça histórica nem sempre coincide com a justiça proclamada pelos governantes de cada época.

O problema da declaração não está apenas na violência da imagem empregada. Está também na inversão histórica que ela sugere. Ao associar adversários a Joaquim Silvério dos Reis, presume-se automaticamente que o governo representa a causa justa e que os opositores ocupam o papel dos traidores. Mas foi exatamente esse tipo de certeza moral que levou regimes autoritários de diferentes épocas a perseguirem dissidentes.

Uma analogia alternativa parece muito mais pertinente ao debate. Se quisermos transportar a lógica da Inconfidência Mineira para os dias atuais, Tiradentes não se pareceria com os defensores do poder estabelecido, mas justamente com aqueles que são apontados pelo regime vigente como inimigos da democracia, ameaças ao Estado de direito ou traidores da pátria.

Evidentemente, as circunstâncias históricas são distintas, e não se trata de equiparar personagens ou causas específicas. Meu ponto é outro: a História ensina que governos costumam atribuir aos seus opositores os rótulos mais severos possíveis, enquanto reservam para si o papel de guardiães da legalidade. Mas Tiradentes se tornou um símbolo nacional justamente porque as gerações posteriores concluíram que o julgamento do poder não era o julgamento da História.

Essa constatação deveria servir de advertência sempre que autoridades contemporâneas tratam adversários políticos como inimigos a serem perseguidos, silenciados ou eliminados. Governantes democráticos deveriam evitar qualquer flerte retórico com a ideia de eliminar adversários políticos.

Quando um presidente fala em forca, mesmo metaforicamente, ele se aproxima de uma tradição política incompatível com os valores democráticos. A democracia pressupõe a coexistência de opiniões divergentes. Adversários devem ser derrotados nas urnas, no debate público e no campo das ideias, não conduzidos ao cadafalso — nem mesmo simbolicamente.

Convém recordar quem realmente terminou na forca em 1792. Não foi o homem que defendeu o poder estabelecido. Foi justamente aquele que ousou enfrentá-lo. O mártir da Inconfidência foi enquadrado, pelo poder de sua época, na categoria dos “traidores” e “inimigos da ordem”.

A História está repleta de casos semelhantes. Muitos personagens hoje reverenciados como defensores da liberdade foram considerados subversivos, extremistas ou traidores pelas autoridades de seu tempo. A diferença entre um herói e um traidor, entre um mártir e um criminoso, depende do julgamento das gerações futuras. E o julgamento da história frequentemente surpreende aqueles que acreditam possuir o monopólio da virtude.

Por isso, a lembrança da Inconfidência Mineira deveria inspirar prudência, não bravatas. A principal lição da Inconfidência Mineira não é que traidores merecem a forca. É que o poder costuma chamar de traidor quem desafia seus interesses. Ontem foi Tiradentes. Hoje pode ser qualquer opositor inconveniente.

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ELEIÇÕES

Desde a posse de Donald Trump nos EUA, as cinco eleições realizadas na América Latina foram vencidas por candidatos conservadores ou da direita: Equador, Bolívia, Honduras, Chile e Costa Rica.

E faltam definir Colômbia e Peru, onde a eleição pode ser decidida por só 4 mil votos.

* * *

E em Banânia?

Será que trilharemos o mesmo caminho nas próximas eleições?

Vamos torcer pra que esse sofrido recanto de mundo siga a mesma tendência do resto do continente.

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É A SEGURANÇA, ESTÚPIDO!

Adriano Gianturco

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Policiais levam presos da Operação Contenção, no Rio, em outubro de 2025: candidato que prometer linha-dura contra o crime terá mais chances

O que será que as pessoas desejam no continente mais violento do mundo?!

No Peru, acabamos de ter o segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre a direitista Keiko Fujimori (filha do homônimo ex-ditador) e o esquerdista Roberto Sánchez. Fujimori é a favorita, a apuração ainda está em curso, mas de qualquer forma o fator que mais a impulsiona é exatamente a promessa de combater com punho duro o crime. Na Colômbia, a mesma coisa está prestes a acontecer.

No ano passado, no Chile, José Antonio Kast ganhou as eleições, entre outras coisas, por sua plataforma para a segurança pública – que apesar de ser relativamente boa no Chile em comparação com os vizinhos, estava piorando. Na Bolívia e no Paraguai, Rodrigo Paz e Santiago Peña, respectivamente, também foram eleitos em parte por isso.

Destaque para o Equador, um país que piorou muito nos últimos anos, virou centro do narcotráfico mundial – graças à máfia albanesa, que escoa cocaína para os portos europeus – e com criminalidade e violência crescentes. Houve tentativa de golpe de Estado, e a população vive como refém, assustada. Não por acaso Daniel Noboa ganhou recentemente as eleições com a promessa de acabar com tudo isso, com o apoio de Donald Trump.

O emblema de toda essa situação é, claro, a linha-dura de Nayib Bukele em El Salvador, com 96% de aprovação popular.

Até na Argentina, onde Javier Milei foi eleito principalmente para reverter o caos econômico, a segurança também preocupa. Milei usa a “mão dura”, e já reduziu os homicídios em 11,5%, chegando à menor taxa dos últimos 25 anos.

A contraprova disso é o Uruguai, a “Suíça da América do Sul”: um país tão seguro que essa agenda não cola muito por lá.

É o movimento pendular latino de séculos. Há autoritarismo, vêm os marxistas prometendo direitos sociais, direitos humanos e igualdade, e em vez disso entregam mais pobreza, mais autoritarismo e mais criminalidade; então, volta a direita militarista com a linha dura. Um vaivém. A segurança é o calcanhar de Aquiles do marxismo, e no Brasil não é diferente.

Até 2018 pouco se falava de segurança no debate público brasileiro; os debates presidenciáveis nem mencionavam o assunto. O problema parecia não existir, como se estivéssemos na Suíça. Foi Jair Bolsonaro quem deu visibilidade ao tema, e isso o ajudou a vencer.

A criminalidade chegou ao topo da discussão a partir de 2025, com o governo Lula. Hoje, as pesquisas de opinião mostram que a segurança é uma das maiores preocupações da população: 41% dos entrevistados pelo Ipsos a mencionaram como prioridade, mas 90% disseram estar preocupados com a violência. Não por acaso 53% concordam em classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas. Além disso, 70% das pessoas culpam o governo federal pelos números da criminalidade e veem a questão como responsabilidade da União.

Ou seja, se e quando um candidato se decidir a colocar esse tópico no topo da lista, e prometer (e depois concretizar) linha-dura, como no resto do mundo, ganhará com facilidade. Se alguém propuser prisão perpétua (sem revisão e sem condicional) para homicídio doloso, e maioridade penal de 14 anos, ganhará de lavada. Não é “rocket science”, é obviedade. Repito isso há anos. A famosa Pirâmide de Maslow coloca em ordem as prioridades das pessoas, e a segurança vem em segundo lugar, logo depois das necessidades fisiológicas (comer, dormir etc.).

Em 1992, um dos slogans da campanha de Bill Clinton era “it’s the economy, stupid!”. O lema surgiu porque, enquanto o governo George W. Bush tentava focar nos sucessos da política externa, a campanha de Clinton redirecionou o debate para a realidade prática dos eleitores: a perda de empregos e o custo de vida. A frase tornou-se um marco na análise política global, reforçando que, independentemente de questões ideológicas, a percepção do bem-estar econômico é quase sempre o fator que mais pesa na decisão do eleitorado. Parafraseando o mote de Clinton, “é a segurança, estúpido!” A economia vem depois. As pessoas querem isso, ainda mais na América Latina.

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EM GOIÁS

O eleitorado goiano quer distância de Lula, aponta pesquisa Numen Data:

Flávio Bolsonaro (PL) lidera com 33,8%, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) com 27,9%.

E Lula (PT) é apenas o terceiro: 26,7%.

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Parabéns pro eleitorado goiano.

Que ele sirva de exemplo pro resto deste explorado país.

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INDECÊNCIA ELEITORAL BILIONÁRIA

O indecoroso valor que os partidos políticos vão receber apenas para torrar nas eleições deste ano, uma montanha de dinheiro de mais de R$ 4,9 bilhões, supera o que o governo federal de Lula vai investir, até agora, no Programa de Aceleração do Crescimento, o “Novo PAC”.

Por mais que a ação não tenha decolado e ameaça ser outro projeto petista que flerta com o fiasco, o valor destinado é de R$ 4,4 bilhões; R$ 500 milhões atrás daquilo que caciques políticos vão poder torrar até outubro.

O fundão bancaria cerca de 15.123 ambulâncias para Unidades de Suporte Básico, ideais em emergências que exigem assistência imediata.

A fortuna destinada aos partidos também poderia comprar 10.425 do modelo Unidades de Suporte Avançado, conhecidas como UTI móvel.

Seria possível destinar duas ambulâncias para cada um dos 5.570 municípios do Brasil e ainda sobrariam 3.983 unidades de socorro.

O fundão também supera os R$ 4,1 bilhões que o governo destinou para construir 1.178 creches e escolas de educação infantil via PAC.

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É de lascar!!!

Os números, as comparações e as contas nessa nota aí de cima são estarrecedores.

E fico por aqui.

A ânsia de vômito não me permite dizer mais nada.