DEU NO JORNAL

ONU USA A COPA CONTRA TRUMP

Guilherme Fiuza

Política de imigração dos EUA é questionada pela ONU

A Copa do Mundo continua sendo a maior reunião da humanidade. Nenhuma outra situação ou evento concentra tanto as atenções e expectativas ao redor do planeta num mesmo foco. Em primeiro lugar, isso é saudável – especialmente por se tratar de entretenimento esportivo (e não política ou guerra). Mas há também significativos efeitos colaterais.

O fato de os EUA, uma das três sedes da Copa, estarem sob a presidência de Donald Trump tem sido um dos fatores mais presentes na comunicação em torno do evento. Todos os críticos de plantão da atual política da Casa Branca para imigração tiveram (e continuam tendo) os holofotes da Copa para o seu discurso de contornos humanitários. Seria ótimo se o ser humano fosse de fato o centro das preocupações desses críticos.

A dúvida se são mesmo é evidente. O termo de comparação é a política migratória de Joe Biden, o antecessor de Trump. A “flexibilidade” fronteiriça com supostos propósitos inclusivos teve alguns resultados desastrosos. Os mais visíveis foram a entrada de criminosos no país – que acabaram vitimando seres humanos inocentes – e a distorção eleitoral com votos de imigrantes ilegais.

É claro que a reação do governo Trump a essa política foi para as manchetes com o sotaque de sempre. Se o atual presidente comenta que o descuido do antecessor permitiu a ocorrência de crimes violentos nos EUA, a “interpretação” imediata é de que Trump chama imigrantes de assassinos. Boa parte da imprensa chegou ao ponto de retirar a palavra “ilegais” das notícias sobre ações na área de imigração. É preciso investir no bordão “Trump xenófobo”.

A demagogia migratória é uma tragédia contemporânea, tanto na Europa quanto na América. Os aproveitadores de sempre criaram um ativo político que, no final das contas, na maioria das vezes não beneficia nem os cidadãos nativos, nem os próprios imigrantes. A ação da atual administração Trump tem sido essencialmente contrapor essa demagogia – o que hoje em dia é praticamente um ato de bravura, considerando-se as máquinas de perseguição a todos os que ousam se expressar de forma crítica sobre o tema.

Aí vem a ONU, em plena semana de abertura da Copa do Mundo, solicitar que os EUA “revejam” sua política de imigração durante a competição. Essa aparente bondade é um contrassenso intrínseco, sabendo-se o quanto eventos dessa dimensão se tornaram através da história oportunidade para atos políticos violentos e terrorismo. Ou seja: a ONU quis lacrar sob os holofotes da Copa.

“Espero sinceramente que repensem profundamente sobre as formas como as medidas de controle da imigração afetam os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos”, disse Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Seria interessante saber o que o Sr. Volker pensa da ação de uma agência da ONU – denunciada pela administração Trump – que acobertava professores a serviço do grupo terrorista Hamas. Mais de uma centena de funcionários da agência para assistência a refugiados palestinos estavam envolvidos com o Hamas, muitos inclusive tendo participado do massacre de 7 de outubro de 2023. Será que a ONU não poderia “repensar” suas parcerias e colaborações obscuras com células de violência durante a Copa?

Aí um jogador de Gana cuja entrada foi aceita nos EUA acabou sendo barrado no Canadá. Ele tem um processo judicial em curso e pela lei canadense não pode entrar no país. Será que a ONU vai repetir para o Canadá o apelo enfático que fez aos Estados Unidos? Só no dia em que o Canadá for presidido por Donald Trump.

DEU NO JORNAL

GASTANÇA

Após meses de enrolação, o governo Lula (PT) atualizou os gastos com Cartões de Pagamento do Governo Federal, os famosos “cartões corporativos”.

As despesas saltaram para R$ 33,5 milhões, após serem omitidas no Portal da Transparência e paralisadas em R$ 9,5 milhões desde fevereiro.

Só a Presidência da República torrou por R$ 2,3 milhões em 12 cartões corporativos, este ano.

Os cidadãos que pagam a conta não têm o direito de saber a natureza dos gastos, protegidos por “sigilo”.

A Presidência de Lula realizou 2,2 mil compras com cartões, em 2026.

Quase todas as despesas são sigilosas “por motivos de segurança”.

* * *

Fiquem tranquilos nossos leitores.

Esta gazeta escrota tem uma fonte confiável dentro do palácio presidencial.

Tivemos acesso à natureza dos gastos.

Segundo esta fonte, mais de 98% dos gastos citados na nota aí de cima foram feitos com papel higiênico.

É isso.

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DEU NO JORNAL

É PRECISO VER PARA CRER NO ACORDO ENTRE ESTADOS UNIDOS E IRÃ

Editorial Gazeta do Povo

acordo estados unidos irã

Iranianos passam diante de mural em Teerã, capital do Irã

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em seus perfis de mídias sociais que um acordo de paz entre EUA e Irã será assinado na próxima sexta-feira, dia 19. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha atuando como intermediador entre os dois países desde março, um mês depois dos primeiros ataques norte-americanos e israelenses ao Irã. Os preços internacionais do petróleo já caíram nesta segunda-feira, diante da perspectiva de uma reabertura total do Estreito de Ormuz, mas este é um dos típicos casos em que será necessário ver para crer. Primeiro, porque os próprios termos do acordo ainda são vagos em muitos pontos; segundo, porque a própria paz já está sob ameaça, a julgar por declarações iranianas e israelenses.

O fim do programa nuclear iraniano – um objetivo totalmente justificável, já que Teerã buscava ativamente a obtenção de uma bomba atômica, o que elevaria a “ameaça existencial” que o regime dos aiatolás já representa para Israel – não está garantido, ao menos considerando o que se sabe sobre o acordo. Segundo o site Axios, Estados Unidos e Irã negociarão por dois meses as questões relacionadas ao enriquecimento de urânio e ao destino do material radioativo atualmente em posse dos iranianos. Durante a guerra, Teerã vinha afirmando que não abriria mão de seu programa nuclear, e parece improvável que desista agora; o que acontecerá se persistir um impasse a esse respeito?

Nem mesmo o ponto que mais preocupa os mercados internacionais – a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação internacional – pode ser dado como certo. Embora Trump tenha falado de uma reabertura “sem pedágios” em suas publicações, os iranianos afirmam que cobrarão taxas após o período de negociações, que cobririam “serviços de navegação, proteção ambiental, potencialmente seguro de navios e outros serviços oferecidos pelo Irã e Omã”. Em outras palavras, não deixaria de ser um pedágio, ainda que disfarçado de “cobrança de taxas” que não existia antes da guerra.

Além disso, enquanto todas as atenções se voltam ao Estreito de Ormuz, uma outra passagem marítima importante também tem sido alvo de interferência iraniana com repercussão muito menor: trata-se do Estreito de Bab El-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. Ali, os iranianos agem para causar disrupção na navegação e no comércio internacional por meio de seus aliados, os houthis do Iêmen, país que controla o estreito ao lado dos africanos Djibuti e Eritreia. Antes que os houthis começassem a atacar navios com mísseis e drones, em 2023, 30% do comércio mundial por navios de contêineres e 12% dos carregamentos marítimos de petróleo passavam por Bab El-Mandeb. Se a lógica de pedágios e bloqueios prevalecer, um princípio importante do Direito Internacional, a liberdade de navegação, estará em xeque.

Por fim, o Irã condiciona qualquer assinatura de um acordo de paz ao fim das ações israelenses no Líbano – Israel tem atacado instalações do grupo terrorista Hezbollah, uma das entidades dedicadas à destruição de Israel pelas quais Teerã “terceiriza” suas agressões ao Estado judeu, isso quando não ataca diretamente o território israelense, como passou a fazer desde abril de 2024. No entanto, membros do governo de Israel têm dito que não estão vinculados ao que for decidido entre EUA e Irã, e que não encerrarão a campanha militar enquanto o Hezbollah continuar ameaçando Israel com suas operações no Líbano.

“Quando as pessoas virem este acordo – esperamos divulgar o texto esta semana –, elas vão perceber que isso tornará toda a região mais segura”, prometeu o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance. Entre as condições para um Oriente Médio mais seguro, no entanto, estão o fim do programa nuclear iraniano, a eliminação das ameaças à existência de Israel, e o restabelecimento da navegação livre pela região. Sem isso, a região pode até viver tempos de relativa tranquilidade, mas ainda não estará perto da paz verdadeira.

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O AGRO NÃO É PAUTA-BOMBA: GOVERNO NÃO PODE TER MÁ VONTADE COM PRODUTORES RURAIS

Guilherme Macalossi

É preciso ter “responsabilidade fiscal”, disse o ministro Dario Durigan em uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena durante a edição do programa Alô Alô Brasil. Ele condenou a aprovação do PL da Securitização no Senado Federal. A proposta permite o refinanciamento de dívidas de agricultores acossados pelas crises externas e pelos eventos climáticos. Segundo o governo, trata-se de uma das “pautas-bomba” em tramitação no Congresso Nacional. Ele ameaçou até a recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra os interesses do agronegócio.

Impressiona, aliás, a conversão repentina de Durigan em um modelo de ministro fiscalista, planilheiro, zeloso pelo controle das contas públicas. O tom preocupado de agora não combina com sua conduta omissa quando o governo, poucos dias atrás, anunciou um programa de financiamento de R$ 30 bilhões para que motoristas de táxi e aplicativos comprem carros. Ou se é fiscalista com tudo, ou se é apenas hipócrita.

Ainda que muitas pautas de interesse tanto do governo quanto dos deputados e senadores sejam perigosas para o equilíbrio fiscal, não dá para enquadrar a que beneficia o agronegócio nessa categoria. Até porque tal equilíbrio está inequivocamente atrelado ao seu desempenho econômico. O agro não é um fosso sem fundo de custos, é um vetor de desenvolvimento. O mais importante do país. Todos seus números são superlativos e crescentes, ainda que passe por uma crise inédita.

Os produtores rurais brasileiros enfrentam uma tempestade perfeita. O preço das commodities está em baixa no mercado internacional, as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu dificultam a importação de insumos básicos como fertilizantes e combustíveis, o problema climático afeta a produtividade média e os juros altos asfixiam a tomada de crédito necessária para que o setor se mantenha competitivo.

Ainda assim, no primeiro trimestre de 2026, o agro foi responsável por praticamente metade das exportações brasileiras, cumulando um saldo de U$ 70 bilhões até o mês de maio. Alguns poderão alegar que esse resultado comprovaria o contrário: de que não haveria necessidade de aprovar um refinanciamento tão abrangente. É uma leitura burra.

Apenas evidência a necessidade de se atender um setor estratégico para o Brasil, inclusive para suas pretensões geopolíticas. Se o que temos aqui é um exemplo de preconceito político, porque parte do agronegócio não tem simpatia por Lula, tanto pior. Uma escolha dessas está acima de paixões partidárias ou ideológicas. A má-vontade com os produtores rurais depõe contra os interesses nacionais.

DEU NO JORNAL

É BILHÃO QUE SÓ A PESTE

Governadores riem atoa com tabelas que mostram a arrecadação estadual com o pagamento do IPVA, que cresceu em 2025 e ultrapassou a inescrupulosa marca de R$ 90,6 bilhões.

Estado governado pelo PT há décadas, a Bahia lidera o ranking com maior crescimento real da arrecadação com o imposto, a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) engordou os cofres em 19,69% a mais do que em 2024.

O levantamento é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

* * *

A liderança baiana tá dentro dos conformes.

Adonde o PT comanda, a prioridade é meter os nove dedos no bolso do pagador de impostos.

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A VACINA E A MORDAÇA

Editorial Gazeta do Povo

vacina dengue censura

Fabricação de vacina contra a dengue no Instituto Butantan

O governo federal suspendeu provisoriamente, no dia 8, a aplicação em massa da vacina Butantan-DV, contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O Ministério da Saúde investigará 42 casos de reações mais severas ao imunizante – desses, houve três casos mais graves, com duas mortes. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que “ainda não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre tomar a vacina e estes três casos graves, e dois óbitos, mas é um sinal de alerta”. É justamente para descobrir se há relação de causa e efeito que se conduz a investigação, e por isso o governo foi prudente em suspender a aplicação.

Os ditos “eventos adversos” (incluindo efeitos graves) não são exatamente inesperados quando se passa para a última fase de testes de um novo medicamento ou vacina, envolvendo grandes grupos – a Butantan-DV havia sido aplicada em meio milhão de pessoas. Há um sem-número de situações, que vão de doenças preexistentes a características genéticas, que podem levar um indivíduo específico a ter uma reação inesperada ao receber a vacina ou remédio. Se os laboratórios e autoridades sanitárias encontram a relação de causa e efeito, ela se torna uma contraindicação – um caso clássico é o de pessoas com alergia severa à proteína do ovo, que não podem tomar determinadas vacinas.

A suspensão, portanto, não deve ser motivo de alarmismo – as 42 reações correspondem a 0,0084% do total de pessoas que receberam a vacina –, nem atestado da insegurança do imunizante. O problema, no entanto, não é esse, mas o clima de censura que, desde a pandemia de Covid-19, tomou conta do debate sobre vacinas no Brasil. Qualquer questionamento, inclusive aqueles vindos de especialistas no assunto, passou a ser tratado como “negacionismo” ou “fake news”, e quem ousa perguntar é imediatamente classificado como “anticiência”. É verdade que os “legistas de mídias sociais”, aqueles que usavam a falácia do post hoc ergo propter hoc para culpar a vacina da Covid por qualquer morte súbita de pessoas que haviam se imunizado contra o coronavírus, fizeram um grande mal ao debate. Mas igual ou maior dano fizeram aqueles que tentaram, de todas as maneiras, interditar qualquer discussão.

A própria suspensão da aplicação indica que, ao menos desta vez, não se está repetindo a neurose da pandemia. Naquela época, qualquer relato de possível evento adverso era imediatamente rechaçado como inverossímil, seguido de uma afirmação enfática e unânime, das autoridades e dos veículos de comunicação, sobre a segurança da vacina – uma atitude que, paradoxalmente, era bastante anticientífica; afinal, se absolutamente toda vacina ou medicamento tem efeitos colaterais e contraindicações, que isso não ocorresse com as vacinas contra a Covid seria uma autêntica maravilha do engenho humano. Mesmo assim, ainda que em menor escala, os ataques à liberdade de expressão já ressurgiram.

Em meados de maio, a Justiça Federal do Rio de Janeiro ordenou o bloqueio completo das contas da médica Isabel de Fátima Alvim Braga, servidora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nas mídias sociais da Meta (dona do Facebook e do Instagram). Nas publicações, ela questionava vacinas, pesquisas e outras atividades da fundação. Mesmo que algumas das críticas pudessem dar ensejo a um processo disciplinar interno (e ainda assim isso não seria isento de controvérsia), a decisão judicial, que cria censura prévia, evoca os piores dias da pandemia no que diz respeito à liberdade de expressão.

O infectologista Francisco Cardoso afirma que “o papel ético do profissional de saúde é apresentar posicionamentos, sejam favoráveis ou contrários a qualquer tratamento ou vacina, sempre com base em argumentos consistentes, sustentados por evidências técnico-científicas. Isso é o que qualifica o debate”. O combate a alegações estapafúrdias e teorias da conspiração é importante; no entanto, se ele extrapola para a perseguição e censura pura e simples contra quem apresente questionamentos técnicos, prejudica não só as liberdades básicas do cidadão, mas abala a credibilidade da própria ciência, quando a população passa a se perguntar que razões inconfessáveis estariam por trás da mordaça. “Quando as autoridades começam a se comportar como publicitárias de políticas públicas, hesitação vacinal é um dos frutos disso”, disse à Gazeta do Povo o jornalista e biólogo Eli Vieira. Só em um ambiente de liberdade a ciência pode se construir e conquistar confiança.

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A PATRULHA BÚFALO: LEMBRANÇAS DO MEU TEMPO DE ESCOTEIRO

Roberto Motta

Fui escoteiro. Quer dizer: primeiro fui lobinho, a categoria inicial do escotismo. Minha mãe me levou a uma loja no centro de Salvador para comprar a farda azul escura, o chapéu e o lenço que usávamos em volta do pescoço. Ainda sinto o cheiro daquela farda: cheiro de aventura. Nossa Akelá – a líder do grupamento de lobinhos – era uma jovem senhora, bonita, alta, de cabelos negros e sobrancelhas grossas. No início de nossas reuniões cantávamos o hino nacional e hasteávamos a bandeira.

Quando virei escoteiro, tudo mudou: mudamos para um uniforme cinza e passei a fazer parte da Patrulha Búfalo. Nosso grito de guerra era “Búfalo, Búfalo, hurra !”. Nosso quartel-general era uma espécie de depósito que ficava no meio de uma encosta, do lado de fora do campo de futebol do Colégio Padre Antônio Vieira.

Ali fazíamos reuniões e recebíamos instruções sobre as coisas que um escoteiro deve saber, como fazer uma fogueira, dar nós e sinalizar no código das bandeiras. O líder da Patrulha Búfalo era Kelsen, um rapaz gentil, forte e decidido, que provocava suspiros nas meninas. Seu auxiliar – não sei qual era a designação oficial do cargo – era Papagaio que, como todo melhor amigo de herói, desempenhava um papel cômico.

Nosso primeiro e único acampamento foi em uma fazenda abandonada em Buraquinho, no litoral norte de Salvador. Achamos um local no meio de um descampado, limpamos o chão, montamos as barracas e esticamos os sacos de dormir. Quando escureceu, saímos andando pelo terreno da fazenda; eu, que tinha medo de fantasmas, fui contaminado pela coragem dos meus companheiros.

A única luz vinha da lua. No meio da caminhada, quando já retornávamos às barracas, encontramos uma casa abandonada, fechada e toda escura – talvez a antiga sede da fazenda. Liderada por Kelsen, a tropa se aproximou da casa e subiu na varanda. Alguns se sentaram, outros se deitaram. De repente, sem qualquer aviso, Kelsen começou a cantar. “Que falta eu sinto de um bem”, ecoou sua voz na noite. No segundo verso outras vozes se juntaram à dele: “que falta me faz um xodó”. Era uma música do sanfoneiro Dominguinhos, um sucesso da época. Eu cantei junto. Depois cantamos outras músicas. Eu não sabia que escoteiros cantavam; eu não sabia que homem cantava; eu não sabia que eu cantava. Meu Deus, que felicidade.

Era 1971, dois anos antes de nos mudarmos para o Rio. Eu ainda estava descobrindo o mundo e começando a transição para a adolescência. O Brasil estava em convulsão – como quase sempre está – mas nada daquilo afetava a minha vida. Eu nunca tinha ouvido falar de crime. Eu só tinha medo de fantasmas e dos cachorros que uivavam ao longe nas madrugadas do bairro da Pituba. Nossa casa, no Boulevard Paulo VI, número 373, era rústica para os padrões modernos. O quintal era de terra e a porta da sala vivia suja da lama que trazíamos das excursões pelos terrenos do outro lado da rua.

Quando acabou a cantoria, a Patrulha Búfalo voltou em fila indiana, nosso líder à frente, rumo às barracas e ao sono debaixo da lua.

No dia seguinte, caminhamos por uma estrada de terra até chegar a uma praia de águas claríssimas e cheia de gente. Ali, dentro da água, a Patrulha Búfalo organizou o que, segundo me disseram, era uma brincadeira tradicional dos escoteiros. Um de nós era escolhido para se afastar do grupo levando consigo a ponta de uma corda. A outra ponta era segurada pelo resto da patrulha.

Quando o escolhido chegava a uns 20 metros de distância ele segurava firme na corda e mergulhava. Esse era o sinal para que o resto da patrulha puxasse a corda com toda a força. O escoteiro sortudo atravessava a água em alta velocidade até chegar ao grupo. Era uma espécie de jet ski submarino que durava apenas alguns segundos.

Em 1973 nos mudamos para o Rio e a Patrulha Búfalo ficou para trás. Kelsen e Papagaio, onde quer que você estejam, espero que a vida os tenha tratado tão bem como vocês nos trataram.

Búfalo, Búfalo, hurra!

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MI, MI, MI

Despesas do governo Lula (PT) com viagens dispararam para R$ 675,5 milhões, apenas desde o início do ano.

Dados levantados via Portal da Transparência apontam que a administração petista aumentou o ritmo dos gastos nas últimas semanas; já foram R$ 299,3 milhões com passagens aéreas e outros R$ 374,5 milhões com diárias distribuídas a funcionários, em 2026.

Os gastos ainda não incluem o mês de junho.

Nas últimas duas semanas de maio, o governo Lula (PT) conseguiu torrar quase R$ 190 milhões apenas com viagens.

* * *

Detalhe importante:

Estas despesas com viagens no governo Lula, expostas no Portal da Transparência, não incluem o custo de viagens do petista e da primeira-esbanjanjadeira, mantidos em segredo por suposto “motivo de segurança”.

É de lascar!

Essa torração de dinheiro, citada na nota aí de cima, não inclui o mês atual de junho, que ainda está na metade.

É milhão que só a peste!

E tudo pago pelo contribuinte.

O ideal seria que essa farra fosse custeada só por quem fez o L.

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