DEU NO JORNAL

INADIMPLÊNCIA

O deputado Hélio Lopes não perdoou o aumento da inadimplência das famílias e resumiu o governo Lula:

“Esse desgoverno só conquistou recordes negativos para o país e está deixando o povo cada vez mais pobre.”

* * *

O aumento da inadimplência é apenas um item, sinhô deputado.

Tem outros que também retratam o atual desgoverno.

Essa republiqueta tá se afundando cada dia mais.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AMOR QUE MORRE – Florbela Espanca

O nosso amor morreu… Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria…
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre… e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia…

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

UMA DANÇA RITUAL EM TORNO DE DOIS CADÁVERES

Em sua obra-prima “O Tempo e o Vento”, o escritor gaúcho Érico Veríssimo diz o seguinte: “A política no Rio Grande do Sul é uma dança ritual em torno de dois cadáveres, Júlio de Castilhos e Silveira Martins. A maioria se deixa levar irracionalmente pelo fascínio mágico de um nome ou pela cor de um lenço, e por esses mitos é capaz de matar ou morrer.”

Eu li essa frase aos dezessete anos de idade, quando cursava o segundo grau no CEFET-PR, e ela nunca mais saiu da minha cabeça. Com o tempo, fui me convencendo de que Érico mirou no seu estado natal mas acertou no país inteiro. De estado para estado e de região para região, mudam os nomes, mas a prática é cada vez mais a mesma: não importam idéias, propostas, conceitos, importam apenas os nomes e as cores. Claro que isso de “matar ou morrer” hoje é apenas metafórico, se é que algum dia chegou a ser literal.

Poucas palavras definem tão bem a nossa política como “caudilho”. Pertence à língua espanhola, e como o Brasil gosta de fingir que não faz parte da América Latina, também finge que a palavra só serve para nossos vizinhos que falam espanhol. Grande engano. A filosofia do “salvador da pátria” é tão forte por aqui quanto por lá. Quem não quiser usar palavras estrangeiras pode trazer de Portugal a expressão “sebastianismo”, que designa a esperança na volta de Dom Sebastião, rei português que desapareceu em uma batalha no norte da África em 1578. Por aqui, tivemos getulistas contra lacerdistas, tivemos janguistas, brizolistas, ademaristas, malufistas, tancredistas, e agora temos lulistas e bolsonaristas.

Esqueça designações como “esquerda” ou “direita”, “progressista” ou “conservador”, “fascista” ou “socialista”. São expressões vazias, que são usadas como auto-elogios na primeira pessoa e como xingamentos na terceira. A orientação política do brasileiro (de outros também, mas não é o objetivo desse pitaco) não se define por inclinações sociológicas, ideológicas ou filosóficas, mas pela simpatia por um personagem, que rapidamente se transforma em devoção e daí em idolatria – ou fascínio, para voltar à frase de Veríssimo. Aliás, no mesmo capítulo há outra frase que vale a pena destacar: “Quando se pergunta a um caboclo se é maragato ou pica-pau, com frequência se ouve essa resposta: ´Sou gente do Coronel Fulano´”

Em tempos de redes sociais, o fenômeno se multiplica e chega ao absurdo. Aquilo que os otimistas chamam de “debate político” é na verdade um confronto entre dois grupos gigantescos de fãs/fanáticos de um político e de outro, repetindo sem pensar frases feitas e memes, com o único intuito de alimentar o próprio ego. Algumas poucas vozes solitárias pedem inutilmente que se tente debater soluções para os problemas reais do país, mas a grande maioria já decidiu que a causa de todos os problemas é “o outro lado”, e que basta derrotá-lo para que tudo se resolva. Como neste debate a única coisa que importa é o sobrenome, não as idéias, o surgimento de novas propostas torna-se impossível, porque qualquer nome novo é visto como inimigo.

Colocando em termos práticos, o Brasil está em um momento crítico de transição: o bolsonarismo está prestes a se tornar um “governo no exílio”, o que o coloca no caminho da irrelevância. De outro lado, o lulismo em breve se tornará órfão por um simples motivo biológico: Lula está com 81 anos e o declínio de sua saúde é evidente. Em um ambiente saudável, ambos os movimentos teriam outras lideranças prontas a dar continuidade aos respectivos projetos. Mas não temos ambiente saudável, nem lideranças, nem projetos. Temos apenas a devoção cega. Estamos prestes a entrar em uma era, que não se pode saber quanto durará, em que a frase de Érico Veríssimo será tristemente verdadeira: Nossa política é uma dança ritual em torno de dois cadáveres.

(*) Para quem não conhece a história política do RS, os “maragatos” se opunham ao governo federal monárquico e defendiam o parlamentarismo e a descentralização do poder. Seu símbolo era um lenço vermelho no pescoço e seu ícone máximo era Gaspar Silveira Martins (1835-1901). Do outro lado, os “pica-paus” ou “chimangos” apoiavam o governo federal, usavam lenço branco e tinham como ídolo Júlio de Castilhos (1860-1903).

PROMOÇÕES E EVENTOS

DEU NO JORNAL

“REFORMA”

Luciano Hang, da Havan, se diz preocupado com a tal “reforma” tributária de Lula e alerta que o imposto total pode chegar a 30%:

“Se confirmado, o Brasil poderá ter a maior alíquota-padrão de IVA do mundo”.

* * *

A maior do mundo, segundo o bem informado empresário.

Teremos mais um recorde brilhando entre as conquista do atual desgoverno.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)

“O ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. Era uma Vez no Oeste é, do começo ao fim, uma dança da morte. Todos os personagens do filme, exceto Claudia Cardinale, têm consciência de que não chegarão vivos ao final.”- Sergio Leone.

Três homens chegam a cavalo numa estação ferroviária, à espera de alguém. De quem, o espectador no cinema não sabe. Os minutos correm. O suor dos homens contagia os espectadores, o suspense torna-se quase insuportável. Gotas d’água e moscas transformam-se em instrumentos de tortura. As imagens em close dominam a tela.

Nesse momento, o primeiro diálogo:

– Frank não veio?

– Frank não teve tempo de vir. Mandou-nos.

– Vocês trouxeram um cavalo para mim?

– Ha, ha, olhando em volta, eu só vejo três. Parece que temos um a menos?

– Vocês trouxeram dois a mais.

O próprio início de Era uma Vez no Oeste tornou-se legendário, um mito do cinema moderno. E a ele somava-se uma trilha sonora incomparável: poucas músicas na história do cinema foram tão marcantes como a composta pelo gênio italiano de Ennio Morricone. Sob diversos aspectos, Era uma Vez no Oeste consagrou-se como um clássico do cinema e um modelo de filme: música, encenação, direção, atuação, fotografia – em tudo isso, o filme criou um novo padrão em 1968.

Com o seu filme Por um Punhado de Dólares (1966), o diretor Sergio Leone inventaria o gênero denominado de spaghetti western, o qual ele próprio consolidaria com duas continuações. Com Once Upon a Time in the West (título original de Era uma Vez no Oeste), Leone voltou a criar uma obra-prima de caráter próprio, mesclando a mitologia do faroeste americano com a ópera europeia.

A história narrada pelo filme é bastante conhecida. O caladão que tocava gaita ( Charles Bronson), cujo personagem tem nome no filme de “harmônica”, busca vingança. Quando criança, ele fora testemunha de um ritual macabro de assassinato, sendo obrigado a tocar uma canção na gaita-de-boca enquanto o seu pai era enforcado a mando do matador de aluguel Frank.

Paralelamente, Leone conta também a história da conquista do Oeste pela ferrovia, a história da linda prostituta Jill McBell (Claudia Cardinale), do assassino de aluguel Frank (Henry Fonda) e do velhaco de boa índole Cheyenne (Jason Robards), em imagens belíssimas e diálogos lacônicos, que são tão simples como verossímeis:

– Ninguém sabe o que o futuro trará. Por que eu estou aqui? Eu quero a fazenda ou a mulher? Não. Você é o motivo. E vai me dizer agora quem você é! Diálogo entre Frank e Harmônica perto à ferrovia que estava nascendo.

– Algumas pessoas morrem de curiosidade.

Isso se confirma no final. Henry Fonda, que em toda a sua longa e bem-sucedida carreira anterior sempre encarnara o mocinho, sucumbe sobre o chão poeirento com a gaita na boca. Morto pelo homem sem nome, (Charles Bronson), que quase sempre fazia o papel do malvado. Também essa inversão de papéis foi um choque para os espectadores da época.

Em Era uma Vez no Oeste convergia muita coisa e eram muitas as interpretações possíveis naquele ano de 1968. Capitalismo e revolução, cultura clássica e cultura pop americana, mitologia grega e ópera, amor e tragédia: ou seja, cinema na forma e perfeição mais pura e original, além de uma música que, ainda hoje, dá um arrepio na espinha.

Era uma vez no oeste – Trailer

DEU NO JORNAL

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ALÍQUOTA DA NOVA CBS É TUDO DE QUE UM GASTADOR PRECISAVA

Editorial Gazeta do Povo

Aviso não faltou. Ao longo da tramitação do projeto de lei que regulamentava a primeira fase da reforma tributária no Congresso, havia uma unanimidade: cada setor beneficiado com alguma isenção ou redução contribuiria para que a alíquota-base do novo IVA dual ficasse cada vez maior. Deputados e senadores não se importaram, e foram inflando a lista. O resultado veio agora, às vésperas do início da transição para o novo sistema: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a parte federal do IVA dual que substituirá o PIS e a Cofins, terá alíquota de 11,3%, aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas ainda pendente de aprovação pelo Senado, o que precisa ocorrer até 15 de dezembro.

A alíquota supera as previsões de especialistas, que oscilavam entre 9% e 9,5%; o governo partia de 8,8%; e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, a outra parte do IVA dual, de competência estadual e municipal) previa 9,2%. O certo é que, se não houver nenhuma alteração, o Brasil caminha para ter o IVA mais alto do mundo, superando os 27% da Hungria – os especialistas pela reforma juravam inicialmente que o país poderia até chegar perto, mas não conquistaria essa duvidosa liderança global; em janeiro de 2025, no entanto, o secretário especial para a Reforma Tributária, Bernard Appy, passou a falar em 28%. Já há tributaristas, como Luiz Gustavo Bichara, estimando uma alíquota total de IVA de 34,2% caso o IBS também seja anabolizado como foi a CBS.

E uma pergunta paira no ar: teriam os atuais ministros do TCU, em sua maioria oriundos da política, resolvido dar um enorme presente a Lula, recentemente reeleito para a Presidência da República? Especialistas e empresas dedicadas à análise da reforma tributária têm chamado a atenção para o fato de que, embora a legislação determinasse que o cálculo da alíquota fosse feito com base nos dados de 2024 e 2025, o TCU, alegando que a escrituração de 2025 ainda não estava completa, e graças a um acordo com a Receita Federal, usou os números de 2023 e 2024. Isso alterou a base de cálculo de forma significativa, jogando potencialmente no colo do governo dezenas ou até centenas de bilhões de reais que ele não teria caso o TCU tivesse feito o que diz a lei, mas de que Lula precisa desesperadamente para bancar todas as bondades prometidas para comprar os votos necessários na reta final da campanha eleitoral.

O empresário brasileiro já terá de passar o fim de 2026 fazendo inúmeras contas para saber como lidar com o aumento automático do valor pago por hora trabalhada, graças à aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal, sem redução proporcional dos salários. Agora, terá de pensar também em como essa alíquota inesperadamente mais alta que o previsto inicialmente afetará seu planejamento e o comportamento do consumidor final diante de um possível aumento de preços de produtos e serviços – tudo isso a apenas dois meses do início da cobrança, e sem considerar que o governo ainda não divulgou as alíquotas do Imposto Seletivo, que incidirá sobre alguns produtos; o ministro Dario Durigan havia prometido essa definição para a semana passada, mas o prazo não foi cumprido.

Com a gastança lulista esgarçando as contas públicas até o limite, e contratando uma crise futura, o país não precisava testar também a Curva de Laffer – o conceito segundo o qual, quando a tributação cresce demais, as empresas simplesmente param de produzir porque a atividade já não compensa. Mas, graças ao TCU, e sabe-se lá com que incentivo do governo, é o que está prestes a acontecer a partir de 2027. O Senado pode rever a alíquota, ou poderia até reduzir a lista de exceções. Mas isso significaria comprar briga ou com o Planalto, ou com setores do empresariado; parece mais fácil deixar tudo como está e diluir a conta entre todos os pagadores de impostos. Assim, uma reforma que tem o mérito de simplificar o atual manicômio tributário nacional tem tudo para aumentar ainda mais uma carga que já é excessiva, para o júbilo de um presidente que só sabe gastar e poderá culpar meio mundo, do TCU aos congressistas que aprovaram a reforma, para não arcar com o ônus político de um aumento de impostos.

PENINHA - DICA MUSICAL