O presidente Lula (PT) brincou nesta segunda-feira (9), em discurso carregado de tom eleitoral, sobre seu homônimo americano, Donald Trump, e disse que, se ele “conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente”.
Há um tipo de degradação que não faz barulho. Ela não explode, não quebra vitrines, não derruba prédios. Ela acontece quando quem ocupa o topo do Estado fala sem medir o peso das próprias palavras. Instituições não são brinquedos retóricos.
Forças armadas, diplomacia, ciência, educação — tudo isso existe para funcionar apesar dos governos, não para servir de palco a bravatas, ressentimentos ou frases de efeito.
Quando um presidente expõe o próprio país ao ridículo, não está sendo “autêntico”. Está sendo imprudente. Quando diminui publicamente estruturas nacionais, não está sendo “crítico”.
Está sendo irresponsável.
Existe uma diferença abissal entre crítica séria e autodepreciação institucional.
A primeira fortalece. A segunda humilha — e humilha sempre quem não pode responder: servidores, militares, técnicos, diplomatas, cidadãos comuns.
O constrangimento estampado no rosto de quem estava ao lado não é detalhe. É o sinal mais honesto de que algo foi ultrapassado. Porque o corpo reage antes do discurso, e o silêncio constrangido é a última linha de defesa quando o decoro já foi violado.
Países não se governam com piadas mal colocadas, nem com comparações infantis.
Estado não é mesa de bar. Geopolítica não é meme. E liderança não é licença para falar qualquer coisa sem consequência. Essa lama institucional não cai do céu.
Ela é produzida, frase por frase, gesto por gesto, até que o excepcional vire rotina e o absurdo vire “estilo”.
E talvez o mais triste seja isso: não é o ataque externo que mais fragiliza um país — é quando quem deveria sustentar o edifício resolve chutar os próprios pilares.
Isso é o esgoto institucional disfarçado de sinceridade.
Antórnio Seguro, do Partido Socialista, derrotou André Ventura por 66,7% dos votos válidos contra 33,3%, em Portugal, neste domingo (8)
António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu com folga as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal. O político, que se apresenta como “democrata, progressista e humanista”, fez dois terços dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido Chega.
Ventura reconheceu a derrota, mas sem desanimar: “Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer História! Obrigado pela confiança”. A direita e a centro-direita fizeram cerca de metade dos votos no primeiro turno, mas mesmo assim o socialista venceu a disputa. Por quê?
Em boa parte porque a eleição foi transformada numa disputa entre “moderados” e “radicais”, em vez de esquerda e direita. Seguro é tido como um quadro mais moderado do Partido Socialista, tendo inclusive feito oposição responsável à direita quando o país teve de realizar reformas e apertar os cintos.
Já André Ventura se vende como antissistema, detonou todos os candidatos no primeiro turno, colocando-se como o único capaz de enfrentar o establishment. Essa é uma boa estratégia para chegar ao segundo turno, mas não para atrair o apoio dos demais candidatos de centro-direita e direita…
Os “liberais limpinhos” acharam mais seguro, com o perdão do trocadilho, apoiar o candidato socialista Seguro. Os globalistas estão aliviados, a esquerda global congratula o vencedor, e todos comemoram que a “ultradireita” saiu derrotada – desta vez. Não creio que seja boa notícia para Portugal.
Mas algumas lições podem ser extraídas do pleito. A principal delas: para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos “radical”, e um tom excessivo na campanha, contra “tudo e todos”, pode assustar. Calibrar a mensagem antissistema com essa estratégia mais pragmática é o grande desafio da direita nacionalista.