CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS EDUARDO SANTOS – RECIFE-PE

FLORÃO DA AMÉRICA

Na minha coluna de ontem, aqui no JBF, afirmei que a juventude era o 5º Poder da República.

Logo se comprovou, com a vigorosa e independente iniciativa do jovem deputado federal, Nikolas Ferreira, ao concentrar, numa longa caminhada de 240 km, incalculável multidão que se deslocou de Paracatu-MG, até Brasília, concentrando os participantes no Cruzeiro, o Marco Zero de entrada da cidade, onde se ouviu um só grito:

“Acorda Brasil!”.

O que mais enobrece o realizador é o fato de não ter planejado o que iria fazer, nem ter feito ruidosa propaganda. Ademais, não arrecadou nenhuma quantia para realização da caminhada, nem contratou marqueteiros, não utilizou a Lei Rouanet, Trios-elétricos, não teve ajuda de prefeituras nem convocou partidos. Foi tudo espontâneo.

A população não poderia mais ficar acomodada! Chegou a hora de levantar o entusiasmo, mostrar a bravura do povo e o brio de todos, para reagir e mostrar ao mundo nossa reação.

Acima de tudo considerar que haja sido um novo Grito de Independência, que se inicia com a exigência para a completa anistia de presos inocentes, dos privilégios para presos condenados, a expulsão de pessoas que se arvoram de poderes indevidos, que vêm lambuzando nossa Constituição.

Agora vamos mostrar, de forma ordeira, que fomos o valoroso Brasil, Florão da América.

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

FUMO – Florbela Espanca

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

TOFFOLÃO

Marcel van Hattem

Venho alertando, denunciando e combatendo há anos aquilo que, apenas agora, virou consenso na grande mídia brasileira: as ilegalidades, abusos e inconstitucionalidades de quem deveria fazer Justiça. Com exceção da Gazeta do Povo, além de outras honrosas companhias, o que estamos vendo desde abril de 2019, com a abertura do Inquérito das Fake News, é uma complacência e até mesmo um apoio aos métodos autoritários de ministros do STF, a começar por Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Foram eles os grandes protagonistas daquele inquérito original, usado para censurar a Revista Crusoé, que trazia em sua capa, justamente, uma denúncia contra Dias Toffoli por recebimento de propina de Marcelo Odebrecht.

Mesmo com a cortina de ferro imposta pela mídia, segui denunciando os abusos, as relações promíscuas, o ativismo judicial e a corrosão silenciosa das instituições brasileiras promovidos pelo STF. Quem aludia à verdade foi frequentemente tratado como conspiracionista, golpista e radical. A implacável perseguição a quem ousou, nesses últimos anos, manter-se fiel à verdade e íntegro resultou em censura, multas pesadas e até mesmo prisões ilegais e arbitrárias.

Chegado 2026, a caixa de Pandora foi aberta. Ninguém pode ignorar mais o escândalo que envolve o Banco Master e enreda altíssimas figuras da outrora República — inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal e, especialmente, mais uma vez, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Enquanto a mídia brasileira desperta de seu sono profundo, é, ironicamente, a revista The Economist, um dos mais respeitados e antigos veículos internacionais, quem descreve, com frieza e método, aquilo que, até pouco tempo atrás, preferiu-se ignorar nos meios nacionais: o escândalo do Banco Master não é apenas financeiro. Longe disso: é também político e institucional, consequência das mazelas criadas pela própria Corte, que a tornaram intocável, fora do alcance de qualquer fiscalização externa. Como dizia Lord Acton: “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

E o que foi que tornou o caso do Banco Master o exemplo mais acabado da crise e bandalheira institucional que vivemos? O texto da The Economist escancara o que já denunciamos há anos: o Brasil vive uma teia de relações espúrias entre poder econômico, classe política e Judiciário. Quando um ministro do STF mantém relações indiretas com personagens centrais de um escândalo bilionário; quando contratos milionários são firmados com escritórios ligados a familiares de magistrados; quando há viagens em jatos privados de advogados de partes interessadas; quando processos “caem por sorteio” sempre nos mesmos colos; quando investigações são arquivadas sem explicações convincentes, não estamos mais falando de coincidências. Estamos falando de uma verdadeira captura institucional.

O caso envolvendo Alexandre de Moraes é emblemático. Um contrato de dezenas de milhões de reais entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, seguido de contatos frequentes com o presidente do Banco Central antes da liquidação do banco, levantou suspeitas legítimas. A reação do ministro, em lugar de esclarecer a situação, levantou ainda mais suspeitas. Partiu-se para a intimidação, inclusive com investigação contra órgãos de controle para apurar supostos “vazamentos”. É o velho método autoritário: em vez de explicar os fatos, ataca-se quem pergunta.

A situação de Dias Toffoli não é menos constrangedora. Viagens em jato privado com advogado ligado ao banco. Relatoria de processos sensíveis envolvendo o caso. Investimentos de familiares de Vorcaro em empreendimento turístico associado a parentes do ministro — o agora famoso Resort Tayayá. Pode até não haver prova cabal de dolo, ainda, mas há algo igualmente grave em uma democracia: a perda completa da aparência de imparcialidade. À esposa de César não é dado apenas ser honesta; ela deve parecer honesta também. E, assim, um novo escândalo nasce no Brasil, batizado de Toffolão.

O mais revelador de tudo é que foi preciso um escândalo financeiro bilionário, com repercussão internacional, para que parte da grande imprensa começasse a, finalmente, “perceber” o problema. A matéria da The Economist não nos surpreende. E não deveria surpreender a ninguém, pois ela apenas confirma que o Brasil precisa urgentemente de um Judiciário contido pela Constituição, de um Congresso que volte a exercer suas prerrogativas e de uma cultura política que rejeite o conluio entre Estado e interesses privados.

O sistema reagirá, como sempre reage. Mas a verdade, uma vez exposta, ainda mais ao olhar internacional, tem um efeito corrosivo sobre o arbítrio. E nós — a Gazeta do Povo, eu e tantos outros — continuaremos denunciando. Não porque agora “virou moda”, mas porque sempre foi necessário. A diferença é que, hoje, felizmente, quem jamais poderia ter dormido dá sinais de que está acordando.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NA PONTA DO LÁPIS

Apontando o lápis e fazendo contas

Nhanhar é bom (eu sempre gostei!). E nunca gostei de preservativo. Melhor “evitar” as consequências de outra forma. Nas horas de extrema necessidade mental, até a velha e quase esquecida masturbação, resolve.

Meu pai não conhecia e jamais fez uso dessas práticas modernas que muitos usam. Com minha mãe, gerou seis filhos (cinco machos e uma fêmea). As consequências, na prática, vieram depois.

Pois, nesse período do ano, depois de gastos extras (ainda não existia o décimo-terceiro – hoje existe até o décimo-quarto) com a enganação do Papai Noel descendo pela chaminé com uma sacola de presentes, vinha a preocupação obrigatória da compra do material escolar. E, não era apenas o material didático. Muitos precisavam comprar todo ano o fardamento escolar e os calçados – os meninos cresciam e os tamanhos do vestuário mudavam.

Hoje é diferente. O Governo dá tudo e nada pede em troca, pois Ele se contenta apenas com os votos no mês de outubro. Se o estudante aprende ou não, Ele entende que não lhe diz respeito. Mas diz. Ou, pelo menos deveria dizer.

Eis que surge uma pergunta: Se o Governo dá tudo (com exceção do bom ensino), por que os alunos não aprendem nada? E, nas escolas particulares, além do pagamento das mensalidades, os pais precisam fornecer papel higiênico e outros que tais. Mesmo o(s) filho(s) sequer entre num dos banheiros.

Países do primeiro mundo já estão voltando com as castanhas, quando o brasileiro ainda está indo apanhar os cajus. Aqueles países caíram na real e entenderam que o uso da tecnologia avançada para os alunos iniciantes, retira deles o “raciocínio” prejudicando a cognição do que é ensinado.

No Brasil, quanto menos o estudante raciocinar e aprender, melhor. Desde que ele alcance a idade estabelecida para votar.

Concluindo: os seis filhos do meu pai (Chico, Didi, Zé Alfredo, João, Jandira e Jorge) estudaram em escolas públicas, no tempo que ainda não se falava em Paulo Freyre (e damos graças à Deus) e o pai comprava tudo, somando na ponta do lápis.

Disciplina e aprendizado eram obrigatórios. Cantávamos o Hino Nacional, comemorávamos o Dia do Professor, o Dia da Árvore, o Dia do Estudante e, obrigatoriamente, desfilávamos em meio aos militares no dia 7 de Setembro.

Hoje fico lembrando do Chico (Oliveira Ramos) que, durante anos, manteve 6 filhos estudando no Maristas – e ali, nada era gratuito. Precisava calcular tudo na ponta do lápis.