JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Apontando o lápis e fazendo contas

Nhanhar é bom (eu sempre gostei!). E nunca gostei de preservativo. Melhor “evitar” as consequências de outra forma. Nas horas de extrema necessidade mental, até a velha e quase esquecida masturbação, resolve.

Meu pai não conhecia e jamais fez uso dessas práticas modernas que muitos usam. Com minha mãe, gerou seis filhos (cinco machos e uma fêmea). As consequências, na prática, vieram depois.

Pois, nesse período do ano, depois de gastos extras (ainda não existia o décimo-terceiro – hoje existe até o décimo-quarto) com a enganação do Papai Noel descendo pela chaminé com uma sacola de presentes, vinha a preocupação obrigatória da compra do material escolar. E, não era apenas o material didático. Muitos precisavam comprar todo ano o fardamento escolar e os calçados – os meninos cresciam e os tamanhos do vestuário mudavam.

Hoje é diferente. O Governo dá tudo e nada pede em troca, pois Ele se contenta apenas com os votos no mês de outubro. Se o estudante aprende ou não, Ele entende que não lhe diz respeito. Mas diz. Ou, pelo menos deveria dizer.

Eis que surge uma pergunta: Se o Governo dá tudo (com exceção do bom ensino), por que os alunos não aprendem nada? E, nas escolas particulares, além do pagamento das mensalidades, os pais precisam fornecer papel higiênico e outros que tais. Mesmo o(s) filho(s) sequer entre num dos banheiros.

Países do primeiro mundo já estão voltando com as castanhas, quando o brasileiro ainda está indo apanhar os cajus. Aqueles países caíram na real e entenderam que o uso da tecnologia avançada para os alunos iniciantes, retira deles o “raciocínio” prejudicando a cognição do que é ensinado.

No Brasil, quanto menos o estudante raciocinar e aprender, melhor. Desde que ele alcance a idade estabelecida para votar.

Concluindo: os seis filhos do meu pai (Chico, Didi, Zé Alfredo, João, Jandira e Jorge) estudaram em escolas públicas, no tempo que ainda não se falava em Paulo Freyre (e damos graças à Deus) e o pai comprava tudo, somando na ponta do lápis.

Disciplina e aprendizado eram obrigatórios. Cantávamos o Hino Nacional, comemorávamos o Dia do Professor, o Dia da Árvore, o Dia do Estudante e, obrigatoriamente, desfilávamos em meio aos militares no dia 7 de Setembro.

Hoje fico lembrando do Chico (Oliveira Ramos) que, durante anos, manteve 6 filhos estudando no Maristas – e ali, nada era gratuito. Precisava calcular tudo na ponta do lápis.

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