JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS “MEIZINHAS” DO PASSADO – QUANDO NÃO HAVIA “PLANO DE SAÚDE”

Brasileiro, principalmente nordestino, sabe bem do que vou falar. Doenças, onde quase tudo era resolvido em casa. Até mesmo uma fratura no braço, num dos dedos – o “mastruço” resolvia e o leite de jasmim “adijitorava”, como dizia minha Avó Raimunda Buretama.

Como não existia ainda o “azulzinho”, a gemada (ovos de galinha caipira no chá da casca de jatobá) levantada qualquer defunto – muitos sabem de qual defunto estou falando.

Benzedura com galho de arruda para afastar os males da “espinhela caída” e os maus olhares e até rosário de sabugo de milho para curar tosse nos cachorros.

Doenças da vida, como gonorreia ou esquentamento, lêndeas e piolhos e até chatos, a juventude sabia como resolver, dependendo da faixa etária.

Qual o menino ou a menina tão logo ouvia assuntos relacionados ao sexo e sua prática, que não recorria à masturbação?

Qual o menino que, ao “roçar” (se esfregar) na namorada que não ficava em ereção?

E qual a menina que, ao ser acariciada pelo namorado, que não ficava “molhadinha”?

Claro, estamos falando da juventude dos anos 40, 50 e 60 – a juventude atual resolve mesmo é na cama. Claro, se não tiver aderido ao homossexualismo.

Mas, sabemos todos, a faixa etária menor recorria sempre ao chavão: “eu quero a minha mãe”!

E a ela cabia encontrar a solução. E encontrava, sim.

Pomada Minâncora fazia milagres

“A Pomada Minâncora é um cicatrizante, antisséptico e adstringente para tratar e prevenir doenças da pele como espinhas, frieiras, escaras e como coadjuvante no tratamento de picadas de insetos, urticárias e pequenos ferimentos superficiais.

Além disso, também pode ser utilizado para prevenir odores desagradáveis nos pés e axilas ou contra o ressecamento da pele.

A função antisséptica da pomada Minâncora evita a proliferação de micro-organismos presentes na superfície da pele, enquanto a função adstringente cria uma camada protetora e contribui para a diminuição da inflamação. Contraindicado para menores de 2 anos e alérgicos a qualquer componente da fórmula.”

Vick Vaporub unguento milagroso

VICK VAPORUB (levomentol, cânfora e óleo de eucalipto). Indicações: é destinado ao alívio da tosse e do mal-estar muscular que acompanham gripes e resfriados, além da congestão nasal.

Biotônico fortificava tudo

O Biotônico Fontoura é um suplemento mineral, principalmente à base de ferro, utilizado para complementar a ingestão diária de nutrientes e, em particular, para ajudar a combater a anemia carencial. Também é recomendado para ajudar a estimular o apetite, especialmente em crianças e em casos de perda de apetite.

Para que serve o Biotônico Fontoura:

Estimulação do apetite:

Pode auxiliar no aumento do apetite, especialmente em crianças e em situações de falta de apetite.

Prevenção de fadiga:

Ajuda a reduzir a sensação de cansaço e fadiga, comum em casos de carência de ferro.

Fortalecimento da imunidade:

Contribui para a manutenção da saúde do organismo, fortalecendo o sistema imunológico.

Melhora da aprendizagem:

Em crianças, pode ajudar a melhorar a concentração e a disposição para o aprendizado.

Contraindicações:

– Hipersensibilidade aos componentes da fórmula.

– Anemias que não sejam causadas por falta de ferro (como a anemia megaloblástica ou a anemia sideroblástica).

– Tuberculose ativa, úlcera duodenal, gastroenterite, hepatite, insuficiência hepática, hemossiderose ou intolerância gástrica ao ferro.

Observações:

– O Biotônico Fontoura não engorda, mas pode ajudar a aumentar o apetite, o que pode levar a um ganho de peso saudável quando combinado com uma dieta equilibrada.

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Niède Guidon

Niède Guidon nasceu em Jaú, SP, em 12/3/1933. Arqueóloga criadora do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, em 1979 e transformado em Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Neste Parque criou também o “Museu do Homem Americano” e o “Museu da Natureza”, em 2018, abertos à visitação pública. Mas seus feitos maiores não foram apenas estes. Sua maior façanha foi ter alargado em 40 mil anos a história da humanidade na América.

Seus primeiros estudos se deram na cidade natal e em Pirajuí e em Campinas, onde concluiu o curso colegial. Em 1954 ingressou na USP-Universidade de São Paulo e concluiu o curso de História Natural. Foi trabalhar no Museu Paulista, dirigido por Herbert Baldus, que a colocou no Departamento de Arqueologia. Querendo se aprofundar na área e não havendo curso de arqueologia por aqui, foi estudar em Paris. Concluiu o doutorado em pré-história pela Sorbonne e especialização na Université de Paris; retornou ao Brasil em 1963 e continuou a trabalhar no Museu Paulista. No mesmo ano organizou uma exposição de pinturas rupestres e recebeu a visita de um senhor que lhe disse: “Na minha terra tem muitas ‘pinturas de índio’ parecidas com estas”. Ela ficou curiosa e anotou o nome do lugar, São Raimundo Nonato, um lugarejo perdido no sertão do Piauí. Junto com umas amigas foi até lá numa longa viagem de fusca, mas não conseguiram chegar devido a queda de uma ponte.

Em 1964, com o Golpe Militar, perdeu o emprego sem nunca ter se metido em política. Alguém de olho no seu cargo dedurou-a como sendo do Partido Comunista. Voltou à Paris, passou a trabalhar como pesquisadora; fez curso de pós-graduação na Sorbonne; foi professora na École des Hautes Études en Sciences Sociales e desenvolveu uma importante carreira acadêmica em arqueologia. Obteve os maiores títulos da universidade francesa, mas não esqueceu a história dos “desenhos de índios” do Piauí. Em 1973 pode visitar o local junto com seus alunos franceses e ficou deslumbrada com a descoberta da maior concentração de sítios arqueológicos com pinturas rupestres do mundo. Constatou que as pinturas eram mais narrativas, com uma grande quantidade de figuras humanas representadas de modo e gestos diferentes e animais também diferenciados. Segundo ela, “parecia uma história em quadrinhos”.

De volta à Paris entrou em contato com o CNRS-Centre National de la Recherche Scientifique, mostrou fotos do local e ressaltou que era uma região sem nenhuma pesquisa. Assim, conseguiu verba dos franceses para mais uma viagem. Arregimentou colegas da USP para ajudar na empreitada e criou a missão franco-brasileira, dando início a exploração cientifica do local. A partir de recursos obtidos junto ao BID-Banco Interamericano de Desenvolvimento, o trabalho resultou na criação do Parque Nacional Serra da Capivara (decreto nº 83.548, de 5/6/1979), com a finalidade de proteger o mais importante patrimônio pré-histórico do País. Mais tarde o Parque foi ampliado (decreto nº 99.143, de 12/3/1990) com a criação de áreas de preservação permanentes de 35 mil hectares. Desde a época em que trabalhou na USP já era amiga do casal Ruth e Fernando Henrique Cardoso, que mais tarde foram grandes apoiadores de benfeitorias no Parque.

Toda essa estrutura tem um sentido maior e deve-se aos estudos arqueológicos iniciados por Niède, que pretendia reescrever a história da povoação das Américas. A teoria mais aceita diz que o homem chegou ao continente pelo estreito de Bering, vindo da Ásia, há 15 mil anos. No entanto, ela achou vestígios no local que datam de mais de 50 mil anos. Os papas da Arqueologia não estão ainda inteiramente convencidos, mas o acúmulo de evidências arqueológicas fortalece cada vez mais suas hipóteses. Pesquisas desenvolvidas no Chile, México e EUA corroboram sua tese. Os artefatos encontrados no Parque foram realmente feitos por seres humanos, e possuem idade entre 33 mil e 58 mil anos, contrariando os adversários de sua teoria. Ela acredita que o Homo Sapiens chegou na América, vindo da África atravessando o Atlântico. Conforme explicou: “o mar estava então 140 metros abaixo do nível de hoje, a distância entre a África e a América era muito menor e havia muito mais ilhas”.

O Parque conta com 130 mil hectares e 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, dos quais 204 estão abertos à visitação pública. Tais evidências justificaram a criação da FUMDHAM-Fundação Museu do Homem Americano, em 1986, cujo objetivo é buscar a “compreensão do bioma da região, a reconstituição do passado humano e sua adaptação ao meio, nas diferentes realidades ambientais pelas quais passou a região, desde a primeira ocupação.” Desde 1991, o parque integra a lista de patrimônios culturais mundiais da Unesco e em 2003 foi considerado pela ONU como Unidade de Conservação com melhor infraestrutura da América Latina. O Museu do Homem Americano vem acumulando uma quantidade razoável de peças desde meados de 1970, e durante esse tempo tem recolhido também muitos objetos, fósseis e peças referentes a natureza. São animais pré-históricos, como a preguiça e o tatu gigantes, que necessitavam de um ambiente exclusivo. Assim, em 2002 foi projetado o Museu da Natureza, localizado a 30 km. da sede da FUMDHAM.

Trata-se de um moderno museu instalado no sertão. Na inauguração, em 18/12/2018, a revista “Veja” dedicou-lhe extensa reportagem com o título: “O óvni no meio da caatinga”, dado sua aparência arquitetônica, uma estrutura de aço e vidro de quatro mil metros quadrados em forma de mandala high-tech. O que se pretende é que o museu seja autossustentável, e para isso é preciso que os governos estimulem o turismo na região. Na opinião de sua criadora, a preservação de todo o Parque só será possível com a exploração turística do local. No momento faltam condições de acesso e infraestrutura adequadas.

Niède viveu em São Raimundo Nonato, desde 1992, cuidando do Parque até 4/6/2025, quando veio a falecer aos 92 anos. Com mais de 60 anos de dedicação exclusiva ao Parque Nacional, museus arqueológicos e expressiva contribuição científica, foi homenageada em diversas ocasiões, não obstante continuar sendo uma ilustre desconhecida pela maior parte do povo de seu País: “Mulher do Ano 1997”, pela revista Claudia, da Editora Abril; “Prêmio Faz Diferença” (2005) pelo jornal O Globo; “Prêmio Tejucopapo”, pela revista Nordeste 21; “Medalha Comemorativa dos 60 anos da Unesco”, (2010); “Medalha de Ouro” na premiação para a cultura ‘Herity Italia” (2010); “Prêmio da Fundação Conrado Wessel” (2013); “Prêmio Itaú Cultural 30 Anos” (2017).

Em 2020 foi convidada a ingressar na APL – Academia Piauiense de Letras. De todos estes prêmios e homenagens, o que ela gostaria mais seria ver o Parque sendo visitado pelos turistas de todo o mundo. Ela tinha convicção e conhecimento de causa e efeito para achar que a “melhor forma de preservar é trazer turistas e desenvolver a região”. Além de inúmeros artigos publicados em revistas especializadas, deixou alguns livros documentando seus achados: Peintures préhistoriques du Brésil, publicado em 1991, pela I’imprimerie Hérissey-Évreux; A água e o berço do homem americano. publicado pela Fundação Museu do Homem Americano em 2011; Os biomas e as sociedades humanas na pré-história da região do Parque Nacional Serra da Capivara, Brasil (em parceira com Anne-Marie Pessis e Gabriela Martin), publicado pela A&C Comunicação em 2014.

Em 2023 a pesquisadora Adriana Abujamra lançou a biografia Niède Guidon: a arqueóloga do sertão, publicada pela Editora Rosa dos Tempos (Grupo Record). Para concluir, vale ressaltar que a demissão de funcionários durante a pandemia e a constante escassez de recursos está colocando em risco a conservação dos sítios pré-históricos do Parque Nacional Serra da Capivara. Um Patrimônio Cultural da Humanidade registrando que a humanidade no Brasil é 50 mil anos mais antiga do que se propaga. Trata-se de um dos conjuntos de sítios arqueológicos mais relevantes das Américas, que têm fornecido dados e vestígios importantes para uma revisão geral das teorias estabelecidas sobre a entrada do homem no continente americano.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UM CHICO TAMBÉM ARRETADO DE ÓTIMO

Na minha encarnação presente, acumulei admirações especiais por inúmeros Chicos: o São Francisco de Assis, o Chico Anísio, o médium Chico Xavier, o inesquecível trovador Francisco Alves, o argentino Papa Francisco, o primo Chico Gonçalves, o amazônico Chico Mendes, o poeta Chico Bezerra e o Rio São Francisco. Recentemente, o meu único irmão, o José Carlos, geólogo residente em Salvador, me presenteou com um livro de crônicas de um outro Chico, o Chico Ribeiro Neto, um notável jornalista da Boa Terra, “mais vivo do que certo”, segundo ele próprio declara. Intitulado Museu do Chico, o livro contém 74 crônicas de deixar qualquer leitor com uma vontade arretada de “quero mais”, tamanha a qualidade dos textos, todos eles merecedores de muita admiração e mãos avermelhadas de incontidos aplausos.

Atualmente, estão rareando no país ótimas crônicas que deveriam edificar novas mentes críticas de qualidade. E o fenômeno está sendo provocado por crescentes desconstruções cognitivas, causas primeiras de uma tecnologia evolucionária que provoca a transformação de muitos em manadas de tecleadores sem eira nem beira pensante, fazendo os derredores recordarem-se de um filme notável, Tempos Modernos, protagonizado pelo imortal Charles Chaplin, um inesquecível especialista em 4C – Cutucações Cinematográficas Crítico-Construtivas, de deixarem os atuais políticos dos quatro cantos do Brasil com intenso “calor na bacurinha”, expressão popular conhecida em todo Nordeste, tamanho o nível ético-comportamental da grande maioria deles, atualmente comprometida com as patifarias cometidas contra aposentados e pensionistas do INSS, também acobertando gente que mereceria prisão longa e castração física integral, dessas que transformam os bagos extraídos em omeletes de cardápio de ambiente grã-fino.

Recebido o livro pelos correios, às 19 horas do dia 11 último, avisado o mano do recebimento e satisfeito com a dedicatória do Chico também ótimo, a leitura das crônicas foi iniciada logo depois do jantar, somente estancada pela companheira Rejane, alta madrugada, que desejava principiar a comemorar o Dia dos Namorados, entregando-me um cartaz por ela produzido, com uma fotografia nossa e uma dedicatória de deixar tudo em pé de guerra. Um cartaz que resultou em muitos teréns carinhosos até o café da manhã.

Algumas crônicas do Chico Ribeiro Neto me fizeram quase fazer xixi nas calças de tanto rir, duas das eleitas sendo As fases da lua do amor e a crônica do dono de bar tão canguinhas, que cobrava taxa dos seus clientes para desentupimentos intestinais de pouco fedor, dobrando o preço se os efeitos sonoros e fétidos fossem constatados pelo lado de fora do vaso rudemente sanitário. O dono até estava desejando encomendar um defecômetro.

As crônicas do Chico Ribeiro deveriam ser lançadas em todas as bibliotecas online brasileiras, servindo de excelente guia de como se deve escrever bem crônicas, alimentando sempre as esperanças por um jornalismo brasileiro repleto de novos Chico Ribeiro, um cronista baiano que descreve fatos e feitos magistralmente, sem nunca perder a vontade de urinar fora do espaço apropriado.

Como seria bom ver o Chico Ribeiro escrevendo numa das colunas do Jornal da Besta Fubana, ampliando a já notável comunidade leitoral do JBF, composta de gregos e troianos de todos os naipes pensantes, criticantes e futurantes.

Fica a sugestão para o amigo Luiz Berto.

PENINHA - DICA MUSICAL