DEU NO JORNAL

BRASIL APOIA ACUSAÇÃO LEVIANA DE GENOCÍDIO CONTRA ISRAEL

Guilherme Macalossi

Primeira audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ) aconteceu no dia 11, em Haia

Primeira audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ) aconteceu no dia 11, em Haia

O malfadado apoio brasileiro à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça acusando o Estado de Israel de genocídio na Faixa de Gaza não é apenas um erro diplomático, é uma deliberada escolha moral em favor do relativismo. A acusação leviana, além de banalizar o conceito de genocídio, imputando-o falsamente a quem não o pratica, também ajuda o antissemitismo, que cresce em todo mundo e também no Brasil sob a omissão e o menoscabo indecorosos das autoridades.

Ainda que se possa fazer juízo crítico sobre a reação de Israel ao ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, bem como das estratégias militares adotadas pelo governo de Benjamin Netanyahu, nem de perto elas podem configurar o crime de genocídio, que pressupõe, segundo a própria convenção a que recorre a África do Sul, a “intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. É isso o que está acontecendo?

Ninguém poderá negar que, dado o poderio militar israelense, inclusive com seu arsenal nuclear, seria muito fácil dizimar a população palestina concentrada no estreito território de Gaza. A capacidade de promover aniquilação não se traduz em ação efetiva, ainda que a estratégia do Hamas vise o derramamento da maior quantidade de sangue possível da população que ele diz representar e defender. São usados como propaganda da “causa”. Os palestinos que ali residem, quase todos jovens e crianças, são os primeiros reféns dos terroristas, que os expõem à morte para capitalizar politicamente, infligindo a Israel também o desgaste de uma operação militar prolongada. E, nesse particular, tem tido sucesso, como a denúncia da África do Sul evidencia.

O Hamas, por outro lado, não esconde sua intenção genocida, ainda que lhe falte capacidade para tanto. “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele”, estabelece seu estatuto de criação. A própria natureza do ataque do 7 de outubro obedece a lógica do extermínio indiscriminado. Os terroristas, partindo da Faixa de Gaza, saíram a matar aleatoriamente qualquer judeu que estivesse pela frente, sendo militar ou não. Qualquer um era alvo porque o objetivo era buscar a destruição de Israel.

Os países que acusam Israel de genocídio também são aqueles que não reconhecem o Hamas como grupo terrorista. Em carta encaminhada a Mauro Vieira, atual ministro das Relações Exteriores, o ex-chanceler Celso Lafer, que ocupou a função durante o governo Fernando Henrique Cardoso, apontou para “instrumentalização do direito internacional” e condenou a adesão do Brasil à acusação. “É um deslize conceitual de má-fé valer-se da imputação de genocídio para discutir as controvérsias jurídicas relacionadas à aplicação do direito humanitário e aos problemas da situação humanitária prevalecente em Gaza – que são graves problemas, de generalizada preocupação”, escreveu. Segundo Lafer, a denúncia “tem como propósito, mediante a invocação do genocídio, contribuir para a deslegitimação do Estado de Israel no plano internacional”.

Em setembro de 2023, contrariado porque Vladimir Putin poderia ser preso se viesse ao Brasil, o presidente Lula disse desconhecer a existência do Tribunal Penal Internacional, que emitiu uma ordem de prisão contra o ditador russo, e tentou apequená-lo afirmando que só “bagrinhos” seriam signatários. Na época, o então ministro da Justiça Flávio Dino até conjecturou sobre a possibilidade de o país deixar o Estatuto de Roma. Agora como o alvo é Israel, a corte volta a ser um órgão legítimo para o governo brasileiro. Nossa política externa optou por deixar de lado o pragmatismo geopolítico, dando espaço para o proselitismo ideológico anti-israelense que ressoa em parte considerável do lulopetismo e da esquerda.

DEU NO JORNAL

AVUANDO PELOS CÉUS DO MUNDO

Orlando (EUA), Miami (EUA), Amsterdã (Holanda), Paris (França), Londres (Inglaterra), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e outras dezenas de badalados pontos de roteiros internacionais estão na lista de destinos que a Petrobras bancou para funcionários ao longo de 2023.

A companhia ainda não disponibilizou os meses de novembro e dezembro, mas o acumulado já chega aos R$ 31.437.904,77 com diárias e passagens.

Só em abril, a fatura fechou em R$ 5,7 milhões.

Em fevereiro, viagem de 11 dias para um funcionário que passou por Bristol (Inglaterra) e Paris (França), saiu pela bagatela de R$ 26,2 mil.

Em janeiro, consta viagem de um funcionário para sete destinos, entre eles Munique (Alemanha) e Xangai (China), preço: R$ 75,6 mil.

Em outubro, outro funcionário passou nove dias entre Catar e China. O tour, relativamente curto, deixou longa fatura: R$ 63,6 mil.

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Este absurdo vai ser resolvido em breve.

A Presidenta Esbanjanja determinou que ninguém pode gastar mais que ela em vôos e mordomias internacionais.

E já deu ordens à Petrobras pra parar com isso.

Pronto: problema resolvido.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

O BRASIL PRECISA DE PARTIDOS QUE TENHAM IDEOLOGIA E A LEVEM A SÉRIO

Valdemar garante que Bolsonaro apoiará Ricardo Nunes em 2024.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e o ex-presidente da República Jair Bolsonaro

O professor Marcos Cintra disse que Jair Bolsonaro precisa ter o próprio partido. Aqui em Brasília já estavam se mobilizando para isso, mas não havia tempo suficiente até a eleição presidencial e desistiram, porque precisavam de mais tempo para coletar as assinaturas. Agora temos essa fofoca entre Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, que fez elogios a Lula, e depois veio a resposta do ex-presidente, que não gostou. Eu sempre achei que isso um dia não daria mais certo.

O Partido Liberal tem uma tradição, só que, como diz Marcos Cintra, o partido de Bolsonaro teria de ser um partido realmente liberal, defensor do liberalismo, e eu entendo o que ele quer dizer. Cintra está hoje no União Brasil; foi secretário da Receita no governo Bolsonaro em 2019, é um dos defensores da desoneração da folha de pagamento, tinha planos de uma boa reforma tributária – sua ideia, ao lado do Flávio Rocha, é a do imposto único. Cintra é economista com bacharelado, mestrado e doutorado em Harvard, foi diretor do Departamento de Economia da FGV. Foi também deputado, entre 1999 e 2003, e era líder do PL, vejam só. Não é qualquer um, é um estudioso, e o que ele disse é para nos fazer pensar.

É um grande negócio ser dono de partido aqui no Brasil, ainda mais em ano eleitoral, porque tem o Fundo Partidário e o fundo eleitoral. É um dinheirão, é como uma indústria sem chaminé, porque nem precisa de chaminé. Temos de pensar sobre a necessidade de termos um partido sem nenhum fisiologismo, realmente um partido com ideias, com doutrina partidária. A maior parte dos partidos tem um programa escrito no estatuto só para criar a legenda. Todos dizem a mesma coisa, defendem a justiça social, e isso e aquilo. Precisamos ter partidos de verdade aqui no Brasil.

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Pai ministro não tem culpa da ostentação de filho maior de idade

Neste caso de Felipe Brandão, filho do ministro Benedito Gonçalves, é preciso separar as coisas. As pessoas fazem a notícia já identificando o “filho do Fulano”, mas o Fulano não tem culpa se o filho vai para a Holanda, visita uma rua de marcas de grife que eu nem sabia que existia, como a Via Condotti em Roma, toma um banho de loja. E um sujeito lá entrevista as pessoas na rua, deve ser de gozação, para ver o sujeito todo fantasiado, com tênis vermelho, uma calça com flores, pulseira valendo não sei quantos mil, relógio de mais de R$ 1 milhão que dá as horas igualzinho a um relógio de R$ 300.

O caso repercutiu muito nas redes sociais, mas o que me deixou irritado, na primeira vez que vi, foi a exposição desse menino que está ao lado de Brandão no vídeo. Não sei se é filho, mas, se foi filmado, teve autorização do pai, que deveria ter dispensado o filho disso. Imaginem esse menino, depois, entrando na escola quando recomeçarem as aulas, o bullying que vai sofrer, porque ele também estava lá, todo fantasiado de coisa cara. Isso é que foi o grave, mas não foi o que a juíza no Rio alegou para proibir o vídeo; a alegação principal era de que as publicações visavam atingir Gonçalves. Por mim, não; eu fui formado num jornalismo em que o pai não tem culpa das travessuras do filho maior de idade. É como o filho do Pelé: o Pelé não tem nada a ver com o filho que se envolveu em drogas.

O que eu condeno, então, era Brandão expor o menino também. Ele podia se expor ao ridículo, mas não o filho. O filho entrou nessa, se exibiu também para o sujeito que estava fazendo a filmagem, porque viu o pai mostrar, imitou o pai. Não há pena isso. Enfim, a juíza mandou tirar o vídeo do ar, e isso acabou dando mais impulso a esse assunto. Eu mesmo só estou falando disso agora porque houve essa intervenção da Justiça.

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PENINHA - DICA MUSICAL