

Manifestantes com cartazes em ato pela anistia em São Paulo
Dizem que já são mais de 240 assinaturas pelo projeto de lei da anistia para aqueles que estão presos, ou com tornozeleira eletrônica, foram condenados a 14, a 17 anos de prisão. Gente que nada fez, que estava armada de Bíblia ou de batom, que foi encarcerada. É um tremendo exagero para uma manifestação que, sim, teve bagunça, teve invasão de palácios, teve destruição de patrimônio público, inclusive patrimônio tombado. Mas devem pagar por isso aqueles que realmente fizeram algo, havendo prova disso, de que a pessoa estava dentro do palácio, rasgando cortinas, quebrando cadeiras.
Em vez disso, generalizaram para assustar as pessoas, dizendo que não se manifestem mais, ou irão para a cadeia. É como fizeram na pandemia: inventaram que todos morreriam, que um não podia chegar perto do outro, que todos tinham de usar máscara para respirar o próprio ar, do contrário iriam morrer, estão aqui as covas. Lembram de como a televisão mostrava as covas todas abertas para botar você? É o temor, intimidando as pessoas para que não se manifestem mais.
Isso é o contrário de democracia. Democracia é a manifestação do povo, que é a origem do poder. O povo apenas transfere esse poder para os seus representantes no Poder Executivo e no Poder Legislativo. No Judiciário não há representantes do povo porque os tribunais não são órgãos políticos, são órgãos de aplicação da justiça, órgãos técnicos.
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Hugo Motta não vai ajudar, mas também deixou implícito que não vai atrapalhar
Se o apoio à anistia chegar a metade mais um dos 513 deputados, o projeto não passa nem pela comissão especial; vai direto para o plenário. E isso está se aproximando; parece que estão garantidas 240 assinaturas, mas já deve haver mais do que isso. Deve estar bem pertinho já de 257, a ponto de Jair Bolsonaro ter ido conversar com Hugo Motta e perguntado a ele “presidente, que história é essa de dizer que isso não é importante?” É importante, sim: muitos estão presos, longe da família, sem nenhuma renda, com a família passando dificuldades, e perdendo o que há de mais sagrado depois da vida, que é a liberdade.
Hugo Motta respondeu que, chegando a esse número, ele não tem nada a ver com isso, é com as lideranças, para elas decidirem. O presidente da Câmara tem receio, digamos assim, do Supremo, que julga deputados, Ele, e gente da família dele, estão na mira de algumas investigações por causa de emendas. Então ele está com receio disso, não quer se comprometer pessoalmente com a anistia, mas garantiu que, se o número for atingido, ele não irá se opor. Então, a questão é chegar a esse número.
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A vontade popular está na rua, e o povo quer a anistia
A Avenida Paulista cheia mostrou o que é a vontade popular. A despeito de pesquisas de opinião e antigas estações de televisão falarem contra a anistia, o povo mostra que não é bem assim. Se a maioria fosse a favor das decisões do Supremo, os ministros não precisariam usar aviões da Força Aérea Brasileira para andar pelo país; poderiam conviver com os demais passageiros, como acontecia antigamente e eu cansei de ver. Várias vezes viajei com ministros do Supremo, sempre tranquilamente: eles entravam no avião, sentavam-se, não eram nem reconhecidos, porque o STF não era um órgão político cujos membros davam entrevistas, antecipavam decisões, mostravam opinião. Mas muitos dos atuais ministros do Supremo quiseram assim, e estão pagando pelo ônus de terem se tornado uma instituição política, porque agora ficam sob o escrutínio da população, que é a dona verdadeira do supremo poder.
“Três acusados de matar e decapitar uma mulher foram soltos por uma juíza que entendeu que eles não oferecem risco à sociedade”
— Allan Dos Santos (@allanconta5) April 10, 2025
Pedro Aurélio saiu do consultório feliz. A geriatra ao esmiuçar os resultados dos exames, constatou diabete, pressão alta e outras achaques normais em um homem de 73 anos. Tudo controlável, além de um regime alimentar, prescreveu medicamentos para a pressão e a diabete. Recomendou caminhadas diárias cerca de 30 minutos, cortar o açúcar, diminuir bebida alcóolica, podia levar a vida normal. Como estava em plena época de fim de ano, cheia de confraternizações, Pedro Aurélio deixou para iniciar as recomendações médicas após o ano novo. O carnaval naquele ano foi cedo, mais uma vez foi adiado o tratamento. Pedro Aurélio amava festas e o carnaval,
Na quarta-feira de cinzas, Pedro Aurélio com uma bruta ressaca, um péssimo humor retornou de ônibus de Olinda numa excursão. À tarde, sozinho em casa, sentou-se na poltrona para assistir a apuração do desfile da Escola de Samba do Rio de Janeiro. Anos atrás ele desfilou pela Salgueiro e torcia por essa escola. De repente deu-lhe uma tonteira, suando frio, dor no braço e no coração. Deu um suspiro, tentou levantar-se da poltrona, porém, desmaiou, deu um suspiro, arriou a cabeça, ali ficou.
Dona Emília, esposa dedicada, chegou ao apartamento às sete da noite, ouviu a televisão ligada e um susto ao perceber a cena trágica, Pedro Aurélio com a cabeça pendida ao lado. Ela o sacudiu, gritou pelo nome, percebeu, o marido estava morto.
Dia seguinte uma comoção no enterro no Parque das Flores, muitos amigos, Pedro Aurélio era criatura simpática, bom comerciante. Os amigos ocorreram para despedir-se do último boêmio da cidade, como disse um parceiro olhando o defunto no caixão.
Em certo momento apareceu uma senhora, aparentando cinquenta anos, rosto bonito, junto a um jovem de seus 12 anos. O rapaz encostou-se no caixão, alisou a cabeça do defunto, chorou sem conseguir parar. Todos souberam do fato, era seu filho, Pedrinho. Pedro Aurélio tinha vida dupla, sustentava outra família no bairro do Clima Bom.
Andréa, a filha, e Edivaldo, o genro, ficaram consolando Dona Emília, irada, não se conformava com a traição de tanto tempo. Agora, aos 60 anos, se achava velha para recomeçar a vida, não havia razão para viver. Não ficou para o enterro.
Gentil, o genro Edivaldo, convidou Dona Emília para passar um tempo com eles no quarto de hóspede de sua casa, o tempo é remédio para todos os males. Dona Emília, aceitou, estabeleceu-se na casa da filha de mala e cuia. Nos primeiros dias pediu para ninguém falar sobre o “Defunto”. Não compareceu à missa de sétimo dia. Vergonha de encarar as amigas, lembrariam do chifre que ela havia tomado durante sua vida.
Acontece que Dona Emília começou a mandar dentro de casa, dava ordens nas empregadas, escolhia o almoço, fiscalizava a faxina, metia-se na vida dos netos adolescentes. À noite assistia todas as novelas, acabando com o prazer de Edivaldo ver seus filmes escolhidos na NETFLIX. Ficou de vez, aparecia em seu apartamento apenas para limpar. Passaram-se quatro meses, Edivaldo, Andréa e os filhos andavam nervosos, chateados com a velha mandando em casa.
No aniversário de Edivaldo ele convidou alguns amigos para uma cervejinha e almoço no sábado pela manhã. Continuaram pela tarde, inclusive Ulisses, um solteirão, boa vida, pequena aposentadoria, vivia sem dinheiro e muitas dívidas. Gostou da sessentona Dona Emília, viúva, boa grana. Passaram a noite conversando alegremente. Confidencialmente trocaram telefones. Na semana seguinte encontraram-se discretamente no apartamento da viúva. Dona Emília com sessenta anos ainda dava bom caldo. Ulisses tinha a mesma idade. Quatro meses se passaram, avisaram à família, estavam vivendo juntos. Dona Emília havia retornado ao apartamento há algum tempo.
Andréa não pode provar, porém, tem certeza que tudo aconteceu por manobra estratégia de Edivaldo, sabedor da situação precária afetiva e financeira de seu amigo Ulisses, convidou-o para o aniversário apostando no namoro entre os coroas. Edvaldo nega as insinuações da esposa com sutil sorriso nos lábios. Hoje, todos estão felizes, como os finais de histórias. Quem morreu foi Pedro Aurélio.
O deputado Rui Falcão (SP) irá disputar a presidência do PT, em nome de uma das muitas facções minoritárias do partido.
Será derrotado: Lula é quem manda e fez sua facção apoiar o ex-ministro Edinho Silva.
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Nessa nota aí de cima a palavra “facção” está perfeita.
Resume tudo.
Em se tratando de bandos internos do PT, o nome é este mesmo.
Recife. Já de volta. Lisboa, que para o amigo Fernando Pessoa era só “uma eterna verdade vazia e perfeita” (Lisbon Revisited), agora é passado. Ir é bom, mas voltar é melhor. Muito melhor. E começo essa primeira coluna no retorno lembrando, por sua importância institucional, a cassação da Deputada Federal Carla Zambelli pelo TRE de São Paulo. Na mesma linha dura do Supremo. Alinhados, os dois. Algo preocupante pela carga ideológica que traz.
Fundamento dessa medida, segundo a Folha de São Paulo, foi não apenas o uso de uma arma (para o qual, aliás, tinha licença); mas, especialmente, o “abuso na liberdade de expressão”. Não, amigo leitor, você não está lendo errado. Falar, nos tempos atuais, passou a ser algo perigoso. Arriscado. De quem não tem juízo. Sobretudo se for contra o sistema. Sigamos no exame do caso.
Fundamental, numa Democracia, é o direito que todos temos (ou deveríamos ter) de dizer o que quisermos. Afinal, de que adianta uma consciência livre se não podemos falar?, eis a questão. Obedecendo aos limites fixados na lei, claro. Respondendo, sempre, nos casos de Calúnia, Injúria e Difamação ‒ arts. 138, 139 e 140 do Código Penal.
Com relação a parlamentares, esse direito foi sempre amplíssimo. Em regra que formalmente, no essencial, não vem mudando. Basta ver nossa Constituição de 1967, que dizia: Art. 34. “Os Deputados e Senadores são invioláveis no exercício do mandato, por suas opiniões, palavras e votos”.
Também a seguinte, de 1969: Art. 32. “Os Deputados e Senadores são invioláveis no exercício do mandato, por suas opiniões, palavras e votos, salvo no caso de crime contra a honra”. Ambas, nos sombrios anos do autoritarismo de 1964.
Chegando a nossa atual Constituição de 1988, já na Redemocratização, que define o tema com quase as mesmas palavras: Art. 53. “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.
Conformando esse espectro das Imunidades Parlamentares, os estudantes de Direito Constitucional aprendem que elas, usando palavras de Georges Burdeau (Traité de science politique), são “privilégios que garantem o livre exercício do mandato”. E correspondem a uma proteção contra atos praticados no cumprimento específico de suas funções (“irresponsabilidade”) ou mesmo estranhos às atividades parlamentares, como crimes comuns (“inviolabilidade”).
Aprendem também que essas imunidades não são muito diferentes, de um país a outro ‒ em alguns poucos exemplos Itália (art. 68 da Constituição), França (art. 26), Espanha (art. 71), Japão (art. 51). Na Inglaterra, o mesmo direito que tem o parlamentar de dizer o que quiser sem ser processado, tem também qualquer cidadão, desde que em espaços públicos e com os pés fora do chão (como se estivesse num púlpito) ‒ devendo por isso falar sobre bancos de praça, caixotes ou mesmo prosaicos lenços. Já vi no Hyde Park, em Londres, um cidadão pulando enquanto, no ar, falava (muito) mal da rainha. Num de seus cantos, por lá, funciona um Speakers Corner (esquina dos oradores) onde, todos os domingos pela manhã, pessoas comuns (e alguns excêntricos) se reúnem para falar de assuntos diversos, sobretudo religiosos e políticos. Com total liberdade.
Aprendem mais os estudantes que essa regra tem variações, por vezes melhor definindo responsabilidades; como na Alemanha (art. 46, único país que admite limitação no direito de falar), onde os parlamentares respondem sempre que ocorra “injúria infamante”; ou acentuando o corporativismo, como no caso do Brasil (art. 53), onde o parlamentar pode ser preso apenas em flagrante de crime inafiançável ou em processo instaurado com autorização do poder legislativo (uma regra pouco usada, nos outros países). Em todos os casos sendo reconhecida doutrinariamente, essa imunidade, como uma garantia da própria representação política.
Sabemos hoje que a proteção amplíssima dos parlamentares, na versão que agora dá à Constituição o Supremo, passa a ter limites. Não tem limites, pela Constituição. Mas tem, segundo o Supremo. O de não se poder fazer “críticas que ameacem a Democracia”. Mas quem define quais seriam essas críticas ou de que ameaças se trata?, esse o problema.
Já vivemos isso, antes. Na Ditadura Militar de 1964 as garantias formais para o Parlamento, como vimos, eram as mesmas de agora. Só que nada se podia dizer que ameaçasse a “Segurança Nacional”. Nem falar de censura ou torturas. Muito menos de mortos e desaparecidos políticos. E quem definia isso?, meus senhores. Os próprios militares, claro. O sistema. O direito era absoluto, na Constituição; e seletivo, nas mãos do tal sistema.
A história se repete mesmo, volto a dizer. E não só como farsa. Provando que mais razão tinha o florentino (Maquiavel, O príncipe) que o prussiano (Marx, 18 Brumário). Antes, a liberdade para falar era só um mito, hoje também. Antes era a “Segurança Nacional”, hoje a “Democracia”. Antes, o que os militares quisessem, hoje o que os ministros do Supremo querem (ou concedem).
A Deputada Carla Zambeli sustentou que nosso sistema de votação não é seguro. Esse o seu excesso, segundo o TRE. E a ironia é que não mentiu. Porque, em todas as Democracias importantes do primeiro mundo, urnas são auditáveis. A partir de 1990 foram sendo introduzidos, em todos os países, com um mesmo padrão ‒ o DRE (Direct Recording Eletronic); sendo admitidas, no Brasil, só em 1996. Mas, a partir de 2015, quase todos os países do planeta passaram a ter urnas auditáveis. Enquanto nós, não.
O próprio Congresso determinou isso, em 2015, com a Lei 13.165 ‒ estabelecendo a auditagem das urnas. Só para ver o Supremo dizer que a Lei não valia, para ele. Pela razão, quase inacreditável, de que “permitiria a identificação do votante”. Um sistema que não permite isso em nenhum lugar do planeta, mas que poderia se dar no Brasil. Como?, senhores.
Sem contar que, nas Democracias que se prezam, quem faz leis é o Poder Legislativo; enquanto, no Brasil, valem só as leis reconhecidas ou criadas pelo Supremo. Conformando um novo Poder Legislativo, por fora da Constituição.
Carla Zambelli (946.244 votos) é (ou era) deputada. E não lhe valeu a imunidade conferida pela Constituição. Pior é não ser a única sofrendo punição. No caso dela, é o TRE. Na mesma linha, agora pelo próprio Supremo, o Deputado Federal Daniel Silveira está preso por fazer críticas aos ministros da Casa. E o Deputado Federal Marcel van Hattem sendo processado por dizer que um agente da Polícia Federal mentiu. Tudo funcionando como uma ameaça do tipo “cuidado, senhores; é mais prudente, para sua saúde, ficar calado”. Perdão, amigo leitor, mas isso não é Democracia.
Clemenceau dizia “A Democracia? Vocês sabem o que é? O poder dos piolhos de comerem os leões”. (Pequena filosofia de bolso). Só que, no mundo real, ganham sempre os mais fortes. Os poderosos do sistema. Vamos ter que dizer, nesse estranho tempo em que vivemos, apenas o que os leões da Justiça Eleitoral e do Supremo permitirem. Sem críticas, claro. Em resumo, é isso.
As cores de abril chegaram faceiras, através de flores coloridas e perfumosas, enchendo os corações de amor e esperança. Ninguém mais se lembra da alegria de fevereiro, com máscaras, Colombinas, Pierrô e Arlequim, nem das águas de março, ”marcando o verão”.
De fevereiro, restou-nos, como sempre, nossas caras de palhaços, diante dos carrascos das nossas ilusões.
A belíssima composição “As Cores de Abril”, de Vinicius de Moraes, é uma ode à beleza e à renovação, que acompanham a chegada da primavera. A letra utiliza a mudança das estações como metáfora para a transformação e a esperança, elementos recorrentes na obra do poeta.
O poeta Vinicius de Moraes se coloca na narrativa, aconselhando a todos que cantem e celebrem a vida. A expressão ‘ser feliz é viver morto de paixão’ encapsula a filosofia do artista de se entregar completamente às emoções, vivendo intensamente cada momento. A música é um convite para apreciar o espetáculo da natureza e encontrar a felicidade na paixão pela vida.
Nosso calendário foi uma evolução do antigo calendário romano e os nomes dos meses homenageiam os deuses.
Estando os nomes dos meses ligados aos costumes e instituições romanas, o nosso calendário para contagem do tempo permanece o mesmo, estabelecido pelo imperador romano Júlio César.
Escrevendo a história dos nomes dos doze meses do ano, é como se estivéssemos assistindo a um desfile dos meses romanos.
JANEIRO – Primeiro, aparece uma figura estranha, um deus com duas caras, um deus que olha para diante e para trás, e que segura na mão esquerda uma chave. É JANO.
Os romanos adoravam Jano, num templo que estava aberto durante as guerras e que se fechava quando havia paz. Era o deus dos princípios e dos fins. JANO era também considerado o porteiro do céu, e os romanos o tinham como protetor das suas portas e portões. Como o ano tem doze meses, o templo de JANO tinha 12 portas.
FEVEREIRO – Segue-se ao deus JANO, uma majestosa dama romana. Era FEBRUA, a deusa das purificações. Celebravam-se no segundo mês do ano, festas especiais em honra a Juno e Plutão, rei dos infernos e havia sítios especiais para aplacar as almas dos defuntos. Essas festas eram também de expiação para o povo, e chamavam-se “februais”. O termo vem da palavra februm, que significa purificar; neste mês acontecia um ritual de purificação romana.
Fevereiro é o mês mais curto do ano, pois tem 28 dias nos anos comuns, e 29 nos anos bissextos. Constando o ano, aproximadamente, de 365 dias e 6 horas, ao cabo de quatro anos essas 6 horas formam um dia, que se agrega a Fevereiro. Essa inovação é do tempo de Júlio César, o qual, vendo os inconvenientes que resultavam de não serem levadas em conta aquelas 6 horas, chamou a Roma o astrônomo Sosígenes, de Alexandria, o qual propôs que de quatro em quatro anos se acrescentasse um dia a Fevereiro; daí ficou o mês, a cada quatro anos, com mais um dia, passando a ser chamado de “bissexto”.
MARÇO – Nome originado de Marte, o deus da guerra. No desfile imaginário, ele passa num carro puxado por dois cavalos, cujos nomes eram Terror e Fuga. É uma figura de guerreiro ameaçador, manejando uma comprida lança, levantando para o céu um escudo luzidio e erguendo a sua cabeça altiva, sendo iluminado pelos raios e pelo capacete. Para os romanos, Marte era mais do que um guerreiro. Era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. Pediam-lhe chuva, consultavam-no sobre casos particulares, sacrificando no seu altar um cavalo, carneiro, pega ou abutre.
ABRIL – Depois de Marte (Março), aparece ABRIL. Não é nem deus nem deusa. É o Anjo da primavera. Gracioso, delicado, meigo e bom. Chega espalhando pela terra lindas flores e fazendo nascer nos sulcos feitos pelas rodas do carro do guerreiro, flores tão pequeninas, tão bonitas e tão delicadas, que comove vê-las. “Abril é o que abre.”
MAIO – Nome em homenagem à deusa MAIA, que desfila sentada num trono de luz. Seu pai chamava-se Atlas e sobre os seus ombros pesava o mundo inteiro. Ele tinha sete filhas, das quais a mais célebre foi Maia, cujo filho era Mercúrio, que levava as ordens dos deuses para a terra.
Júpiter, o pai de todos os deuses, levou Maia e as irmãs e colocou-as como estrelas no firmamento. Eram elas que formavam o grupo de estrelas chamadas plêiadas. A sétima estrela do grupo é invisível. Representa uma das irmãs que casou com um homem chamado Sisypho, e, desde então, como o pobre Sisypho foi condenado a rolar eternamente uma pedra por um monte acima, ela, envergonhada, escondeu a cara.
JUNHO – Seguem no cortejo duas figuras disputando o sexto lugar. Uma é a deusa Juno e a outra é um homem de nome JUNIO. Mas a deusa Juno deu nome ao mês de Junho. Juno era a rainha do céu e esposa de Júpiter. Seu trono de ouro estava junto de seu marido. Todos os deuses lhe prestavam homenagem, quando se apresentavam no palácio de Júpiter; tinha poderes superiores e exercia domínio sobre os fenômenos celestes; produzia o trovão nas alturas, desencadeava os ventos e mandava nos astros. Gostava de passear pelos bosques sagrados, num carro puxado por pavões.
JULHO – Em honra ao guerreiro e imperador Júlio César, surgiu o nome do mês de Julho. Júlio César não só conquistou nações, fez leis célebres e escreveu livros imortais, como também emendou o calendário, que estava em estado deplorável. O tempo e os meses já não se correspondiam como antigamente; a primavera vinha em janeiro e o inverno nos meses que deviam corresponder à primavera. O mês “quintilius’ foi eliminado em sua honra, tomando o seu nome Júlio.
AGOSTO – Nome derivado de Augusto, o primeiro imperador romano, última personagem da procissão pagã imaginária a que assistimos. A princípio, Augusto chamava-se Octávio e governou os romanos, com Marco Antônio e Lépido. Por fim, foi imperador, e fez muito pela glória e engrandecimento do seu magnífico império. O povo, na intenção de lhe agradar, mudou o seu nome de Octávio para Augusto, que significa “nobre”.
O oitavo mês foi escolhido para ter o nome de Agosto, porque era nessa ocasião que o imperador Augusto celebrava os principais acontecimentos da sua vida. Foi em Agosto que ele foi nomeado Cônsul, que acabaram as suas guerras e que conquistou o Egito. Augusto ficou na história como uma grande personagem. O seu reinado recebeu o nome de Idade de Ouro, porque ele não só trouxe paz ao mundo, farto e cansado de guerras, como também fez florescer a arte e a literatura.
Foi no reinado desse imperador poderoso que, longe, na Síria, nasceu a Criança, cujo reinado ainda não acabou e cujo nascimento criou uma época. Nunca o imperador orgulhoso pensou, quando se gabava no seu palácio, de ter encontrado Roma feita de tijolo e tê-la deixado de mármore, que existia já uma Criança que dividiria as épocas da terra e poria uma Cruz entre o reinado de Augusto e o começo de uma nova religião.
Os poetas imortais, Horácio e Virgílio, viveram nessa época. Fundaram-se, então, livrarias e construíram-se templos por toda a parte.
SETEMBRO – Os outros meses aparecem disfarçados, com nomes enigmáticos. Para compreendermos o nome do mês de setembro é necessário recordar que o primitivo calendário romano constava de dez meses e que começava em Março, sendo, portanto, Setembro, o sétimo mês. Por isso, é representado pelo número sete, em algarismos romanos, VII. Este número lia-se em latim “septen”, de onde se derivou Setembro.
OUTUBRO – Para os romanos, como hoje é para os povos que lhes sucederam no continente europeu, Outubro era o mês das colheitas e vindimas. O nome provém de “octos”, que em latim é oito. Com efeito, era o oitavo mês do antigo calendário romano, passando a ser o décimo, quando Nuna, rei de Roma, fixou o princípio do ano no dia primeiro de Janeiro.
Celebravam neste mês, tanto os romanos como os gregos, muitas festividades. Em uma dessas festas era costume atirar aos poços e fontes coroas tecidas de flores e ervas, como tributo às ninfas, a quem tais festas eram consagradas. Era também o mês da colheita das frutas, cujas primícias se ofereciam às divindades.
NOVEMBRO – Era o nono mês, no primeiro calendário romano, e por isso lhe chamavam “November”. Contava-se que, entre as festividades e ritos religiosos mais importantes, estava o consagrado a Diana, deusa das montanhas e dos bosques. Começava com um banquete dedicado a Júpiter e com os jogos circenses, chamados assim, porque se realizavam no circo. No mesmo mês se celebravam os jogos “plebeus”, instituídos para comemorar a reconciliação de patrícios, nobres e plebeus. Eram oferecidos sacrifícios a Netuno, deus dos mares; e se faziam as festas abrumais ou do inverno, por começar na Itália o tempo chuvoso, nevoento e frio.
DEZEMBRO – do latim “December” de “decem”, dez – o décimo e último mês do antigo calendário romano. É representado hoje por um velho de barbas brancas, que traz brinquedos para dar às crianças no dia de Natal, 25 de dezembro.
Para algumas pessoas, esse velho representa São Nicolau, que viveu no século IV e é considerado o patrono das crianças. Essa ideia teve origem numa lenda, segundo a qual São Nicolau teria feito ressuscitar três crianças que haviam sido assassinadas por um carniceiro. Dezembro é um mês característico do frio inverno nos países da Europa, e por isso o representam numa paisagem desolada, com os caminhos cobertos de neve.
Falando sobre os doze meses do nosso calendário, vem-nos à memória um desfile dos meses romanos.
Primeiro, aparece janeiro, o deus JANO, com duas caras; um deus que olha para frente e para trás, e que segura na mão esquerda uma chave.
Os romanos adoravam Jano, num templo que estava aberto durante as guerras e que se fechava quando havia paz. Era o deus dos princípios e dos fins. JANO era também considerado o porteiro do céu, e os romanos o tinham como protetor das suas portas e portões. Como o ano tem doze meses, o templo de JANO tinha 12 portas.
Seguindo-se ao deus JANO, vem uma majestosa dama romana, FEBRUA, a deusa das purificações, chamada de FEVEREIRO.
Celebravam-se no segundo mês do ano, festas especiais em honra a Juno e Plutão, rei dos infernos e havia sítios especiais para aplacar as almas dos defuntos. Essas festas eram também de expiação para o povo, e chamavam-se “februais”. Nesse mês, acontecia um ritual de purificação romana.
Fevereiro é o mês mais curto do ano, pois tem 28 dias nos anos comuns, e 29 nos anos bissextos. Constando o ano, aproximadamente, de 365 dias e 6 horas, ao cabo de quatro anos essas 6 horas formam um dia, que se agrega a fevereiro.
Essa inovação é do tempo de Júlio César, o qual, vendo os inconvenientes que resultavam de não serem levadas em conta aquelas 6 horas, chamou a Roma o astrônomo Sosígenes, de Alexandria, o qual propôs que de quatro em quatro anos se acrescentasse um dia a Fevereiro; daí ficou o mês, a cada quatro anos, com mais um dia, passando a ser chamado de “bissexto”.
Seguindo-se a fevereiro, vem março, nome originado de Marte, o deus da guerra.
No desfile imaginário, ele passa num carro puxado por dois cavalos, cujos nomes eram Terror e Fuga. É uma figura de guerreiro ameaçador, manejando uma comprida lança, levantando para o céu um escudo luzidio e erguendo a sua cabeça altiva, sendo iluminado pelos raios e pelo capacete. Para os romanos, Marte era mais do que um guerreiro. Era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. Pediam-lhe chuva, consultavam-no sobre casos particulares, sacrificando no seu altar um cavalo, carneiro, pega ou abutre.
Finalmente , vem o mês mais bonito e perfumado do ano, ABRIl. Não é deus nem deusa, mas é o Anjo da Primavera. Gracioso, delicado, meigo e perfumoso. Chega espalhando pela terra lindas flores e fazendo nascer nos sulcos feitos pelas rodas do carro do guerreiro, flores perfumadas, bonitas e pequeninas, formando um espetáculo emocionante.
Depois de Abril, vem MAIO, nome em homenagem à deusa MAIA, que desfila sentada num trono de luz. Seu pai chamava-se Atlas e sobre os seus ombros pesava o mundo inteiro. Ele tinha sete filhas, das quais a mais célebre foi Maia, cujo filho, Mercúrio, levava as ordens dos deuses para a terra.
Júpiter, o pai de todos os deuses, levou Maia e as irmãs e as colocou como estrelas no firmamento. Eram elas que formavam o grupo de estrelas chamadas plêiadas. A sétima estrela do grupo é invisível. Representa uma das irmãs que casou com um homem chamado Sisypho, e, desde então, como o pobre Sisypho foi condenado a rolar eternamente uma pedra por um monte acima, ela, envergonhada, escondeu a cara.
Chega JUNHO, seguindo no cortejo duas figuras, disputando o sexto lugar. Uma é a deusa JUNO e a outra é um homem de nome JUNIO. Mas a deusa JUNO deu nome ao mês de Junho.
JUNO era a rainha do céu e esposa de Júpiter. Seu trono de ouro estava junto de seu marido. Todos os deuses lhe prestavam homenagem, quando se apresentavam no palácio de Júpiter; tinha poderes superiores e exercia domínio sobre os fenômenos celestes; produzia o trovão nas alturas, desencadeava os ventos e mandava nos astros. Gostava de passear pelos bosques sagrados, num carro puxado por pavões.
Em seguida, chega JULHO, em honra ao guerreiro e imperador Júlio César. Júlio César não só conquistou nações, fez leis célebres e escreveu livros imortais, como também emendou o calendário, que estava em estado deplorável. O tempo e os meses já não se correspondiam como antigamente; a primavera vinha em janeiro e o inverno nos meses que deviam corresponder à primavera. O mês “quintilius’ foi eliminado em sua honra, tomando o seu nome Júlio.
O oitavo mês é AGOSTO, nome derivado de Augusto, o primeiro imperador romano, última personagem da procissão pagã imaginária a que assistimos. A princípio, Augusto chamava-se Octávio e governou os romanos, com Marco Antônio e Lépido. Por fim, foi imperador, e fez muito pela glória e engrandecimento do seu magnífico império. O povo, na intenção de lhe agradar, mudou o seu nome de Octávio para Augusto, que significa “nobre”.
O oitavo mês foi escolhido para ter o nome de AGOSTO, porque era nessa ocasião que o imperador Augusto celebrava os principais acontecimentos da sua vida. Foi em Agosto que ele foi nomeado Cônsul, que acabaram as suas guerras e que conquistou o Egito. Augusto ficou na história como uma grande personagem. O seu reinado recebeu o nome de Idade de Ouro, porque ele não só trouxe paz ao mundo, farto e cansado de guerras, como também fez florescer a arte e a literatura.
Foi no reinado desse imperador poderoso que, longe, na Síria, nasceu a Criança, cujo reinado ainda não acabou e cujo nascimento criou uma época. Nunca o imperador orgulhoso pensou, quando se gabava no seu palácio, de ter encontrado Roma feita de tijolo e tê-la deixado de mármore, que existia já uma Criança que dividiria as épocas da terra e poria uma Cruz entre o reinado de Augusto e o começo de uma nova religião.
Os poetas imortais, Horácio e Virgílio, viveram nessa época. Fundaram-se, então, livrarias e construíram-se templos por toda a parte.
Veio SETEMBRO e outros meses apareceram, disfarçados, com nomes enigmáticos.
Para compreendermos o nome do mês de setembro, é necessário recordar que o primitivo calendário romano constava de dez meses e que começava em Março, sendo, portanto, Setembro, o sétimo mês. Por isso, é representado pelo número sete, em algarismos romanos, VII. Este número lia-se em latim “septen”, de onde se derivou Setembro.
Veio OUTUBRO. Para os romanos, como hoje é para os povos que lhes sucederam no continente europeu, Outubro era o mês das colheitas e vindimas. O nome provém de “octos”, que em latim é oito. Com efeito, era o oitavo mês do antigo calendário romano, passando a ser o décimo, quando Nuna, rei de Roma, fixou o princípio do ano no dia primeiro de Janeiro.
Celebravam neste mês, tanto os romanos como os gregos, muitas festividades. Em uma dessas festas era costume atirar aos poços e fontes coroas tecidas de flores e ervas, como tributo às ninfas, a quem tais festas eram consagradas. Era também o mês da colheita das frutas, cujas primícias se ofereciam às divindades.
Chegou NOVEMBRO, o nono mês, no primeiro calendário romano, e por isso lhe chamavam “November”. Contava-se que, entre as festividades e ritos religiosos mais importantes, estava o consagrado a Diana, deusa das montanhas e dos bosques. Começava com um banquete dedicado a Júpiter e com os jogos circenses, chamados assim, porque se realizavam no circo. No mesmo mês se celebravam os jogos “plebeus”, instituídos para comemorar a reconciliação de patrícios, nobres e plebeus. Eram oferecidos sacrifícios a Netuno, deus dos mares; e se faziam as festas abrumais ou do inverno, por começar na Itália o tempo chuvoso, nevoento e frio.
Finalmente, surgiu DEZEMBRO – do latim “December” de “decem”, dez – o décimo e último mês do antigo calendário romano. É representado hoje por um velho de barbas brancas, que traz brinquedos para dar às crianças no dia de Natal, 25 de dezembro
Para algumas pessoas, esse velho representa São Nicolau, que viveu no século IV e é considerado o patrono das crianças. Essa ideia teve origem numa lenda, segundo a qual São Nicolau teria feito ressuscitar três crianças que haviam sido assassinadas por um carniceiro. Dezembro é um mês característico do frio inverno nos países da Europa, e por isso o representam numa paisagem desolada, com os caminhos cobertos de neve.
VINÍCIUS E TOQUINHO “AS CORES DE ABRIL”