DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Mote desta colunista

Quem não tem capacidade
Para seguir o seu roteiro,
Pega o dos outros ligeiro,
Dele faz sua verdade.
Com toda sinceridade!
Abro a boca pra dizer,
E se você quer saber,
Segredo não vou guardar:
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Dalinha Catunda

Quem tem coragem na vida
Enfrenta qualquer perigo
Põe pra correr inimigo
Vai com garra para lida
Pela FÉ tá guarnecida
E nada lhe faz temer
Afirmo, pois, com prazer
ninguém vai me derrubar
Tem o diabo pra tirar
Mas, tem Deus pra devolver.

Dulce Esteves

Nessa vida tem de tudo
Gente ruim e gente boa
Tem sol quente e tem garoa
Tem buraco e viaduto
Cabra frouxo e cabra bruto
Tem o cego e o que vê
Tem a noite, o amanhecer
Mas no fim pode anotar
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver

Giovanni Arruda

Fé e força de vontade
Pra enfrentar o problema
Um pouco de estratagema
E sempre usar a verdade,
Pois quem tem idoneidade
Não tem o que se temer,
Mande bem e pra valer
Deixe o demo se lascar:
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Bastinha Job

Quando sou surrupiado
Por alguém sem consciência
Não perco minha decência
Nem me sinto revoltado
Da pena até do coitado
A má ação faz sofrer
Pequeno para entender
Que quem erra vai pagar
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Jairo Vasconcelos

DEU NO JORNAL

A “DEMOCRACIA” ONDE O POVO É UM PERIGO

Editorial Gazeta do Povo

A partir da próxima sexta-feira, dia 12, o plenário do Supremo Tribunal Federal começa a julgar a liminar de Gilmar Mendes que muda drasticamente as regras para a cassação de ministros da corte, limitando ao procurador-geral da República a prerrogativa de oferecer denúncia ao Senado e elevando o número mínimo de senadores necessários para a abertura do processo. A tendência é de que a liminar seja referendada por ampla maioria, mostrando que, para os ministros, o povo – que está na raiz do termo “democracia” – não passa de um inconveniente, ou mesmo um perigo que precisa ser contido.

Em sua liminar, Gilmar recorreu ao já manjado truque do “controle de constitucionalidade”, instrumento que é uma das atribuições da suprema corte, mas que no Brasil foi desvirtuado há muito tempo. Em vez de ser uma análise técnica a respeito da compatibilidade entre uma certa lei ou prática administrativa e a Constituição, tornou-se a mera imposição das vontades dos ministros a respeito de determinado tema: é assim que os ministros derrubam, reescrevem ou mesmo criam normas legais, ainda que os textos aprovados pelo Congresso em nada violem nem a letra, nem o espírito da Constituição. Foi o que ocorreu agora, com a Lei 1.079/50, que prevê a possibilidade de impeachment de diversas autoridades – incluindo os ministros do Supremo.

E Gilmar Mendes nem sequer esconde suas motivações. O Brasil já cassou dois presidentes da República de acordo com a Lei 1.079/50 – e jamais ocorreu a ambos os mandatários cassados, nem a seus advogados, nem a suas bases de apoio parlamentar, argumentar que a lei era inconstitucional ou teria “caducado” por ter sido promulgada sob a égide da Carta Magna de 1946, e que já foi substituída por outras duas Constituições, em 1967 e 1988. Por que, então, alterá-la neste momento? O ministro respondeu sem o menor pudor, ao participar de um evento em Brasília, na quinta-feira passada: “As pessoas dizem: mas por que liminar? Eu estou lhes dando as razões. Com tantos pedidos de impeachment, com as pessoas anunciando que farão campanhas eleitorais para obter maioria no Senado, dois terços do Senado, para fazer o impeachment”.

Em outras palavras, o ministro treme diante da possibilidade de os “213 milhões de pequenos tiranos” – na infeliz frase de sua colega Cármen Lúcia, muito representativa de como ela enxerga o povo – considerarem importante que o Senado exerça a contento seu papel de contrapeso do STF, a ponto de elegerem senadores dispostos a conter os abusos do Supremo; como a blindagem oferecida pela imprensa e por boa parte da sociedade civil organizada ao longo dos últimos anos está começando a ceder, ainda que muito timidamente, os ministros decidiram agir por conta própria para garantir que permaneçam em seus cargos, não importa o que fizerem. Criar regras muito mais exigentes para o impeachment foi a maneira que Gilmar Mendes encontrou, embora, aparentemente, o melhor para ele seria acabar de vez com a possibilidade, a julgar pelo que escreveu na liminar, chamando de “função atípica e excêntrica” a competência do Senado de “processar e julgar juízes pela prática de crime de responsabilidade”.

Boa parte da liminar é uma defesa de importantes prerrogativas da magistratura, como forma de garantir que juízes decidam com liberdade, sem pressões políticas. São trechos irretocáveis, mas não é isso o que verdadeiramente está em jogo. Nenhuma dessas prerrogativas existe como carta branca para um juiz ou ministro do Supremo fazer o que bem entende, atropelando a Constituição, decidindo contra legem, usando decisões judiciais para promover perseguição política. É isso o que tem ocorrido no Brasil, e é para remediar essa situação que a campanha para o Senado em 2026 ganhou os contornos atuais: não para forçar o Supremo a decidir conforme as preferências político-ideológicas do grupo majoritário de ocasião, mas para ser o contrapeso que freia o abuso e a hipertrofia do Judiciário.

Mas a admissão de Gilmar Mendes desnuda a alma dos ministros: eles querem continuar impondo a própria vontade, acima das leis e da Constituição; perseguindo os críticos da corte, anônimos ou famosos; falando à vontade sobre tudo, fora dos autos; mantendo laços no mínimo questionáveis com investigados ou réus em processos que estão ou podem chegar ao STF; pressionando parlamentares para que aprovem matérias de seu interesse. E, para que isso seja possível, é preciso sufocar a voz da população que considere tudo isso um abuso da autoridade dos ministros. Que eles considerem o povo um perigo que tem de ser combatido é tudo o que precisamos saber sobre a “democracia” que eles tanto dizem estar defendendo.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

EMISSORA CONDENADA

Jocelaine Santos

No mundo do contrário, o certo é errado e o errado é que é o certo. No Brasil de hoje, é essa lógica distorcida que parece imperar. Um exemplo é a forma como premissas fundamentais têm sido solapadas para dar lugar a abusos e arbitrariedades do Judiciário nacional. Vozes são caladas na canetada, sejam de pessoas ou até de veículos de comunicação. Vejamos o caso recente da condenação da Jovem Pan ao pagamento de R$ 1,5 milhão por – e, por favor, prestem bem atenção ao “crime” – supostamente promover desinformação e veicular conteúdos que colocariam em risco a democracia.

Nunca antes nesse país – e nem em qualquer outro – imprensa livre foi tratada como ameaça à democracia: imprensa livre é, isto sim, ameaça a regimes autoritários e ditaduras. São os ditadores de plantão, independentemente de serem de esquerda ou de direita, que gostam de impedir que a imprensa noticie livremente e dê voz a opiniões diversas. Ditadores gostam da imprensa que serve apenas para repercutir as versões oficiais, incensar o governo, adular governantes e repetir o que diz a cartilha dos poderosos de plantão. Assista a uma TV estatal qualquer e verá um pequeno exemplo disso.

Ditadores gostam de fechar jornais e prender jornalistas e exemplos não faltam. Quer ver? Vejam algumas notícias que encontrei: Jornalista é preso na Venezuela após denunciar existência de um buraco em uma avenida – Nicolás Maduro não gosta nada que apontem a miséria de seu governo. Do outro lado do mundo, é Vladimir Putin quem persegue a imprensa: Rússia condena jornalistas a oito anos de prisão por notícias sobre massacre de Bucha ou ainda Justiça russa condena jornalista ucraniano a 14 anos de prisão por “ódio político” contra Putin.

O regime da China, que nossos ministros do Supremo dizem admirar, é outro que não simpatiza em nada com a imprensa livre: Jornalista detida por denunciar surto de Covid na China pega mais quatro anos de prisão. Em Cuba não é diferente: Cuba prende jornalista crítico do regime comunista. E também na Nicarágua: Ditadura da Nicarágua prende jornalista por reclamar da inflação.

O que esses países têm em comum? Em todos eles não há mais democracia e o poder é exercido de forma autoritária. “Ah, mas tem eleição na Venezuela.” Pode até ter, mas não vale nada: os resultados são tão confiáveis quanto uma nota de 300 reais. O sistema eleitoral, totalmente instrumentalizado pelo governo Maduro, não só favorece o governo como garante que nenhuma oposição vingue.

Nessa lista de atrocidades cometidas por ditadores de todo o mundo contra a imprensa – e só mencionei algumas poucas – caberia incluir facilmente o caso da emissora Jovem Pan, condenada por promover desinformação e colocar a democracia em risco. Para quem não lembra do caso, um resumo: durante o trágico ano eleitoral de 2022 – e que pode ganhar uma versão 2.0 em 2026 – a Jovem Pan, assim como fizeram a maioria das emissoras de rádio e TV, exibiu programas que tratavam do tema eleições, com a participação de analistas políticos, que expuseram suas opiniões sobre o processo eleitoral brasileiro, um dos únicos que usa urna eletrônica no mundo, e sobre a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso (agora ex-ministro), muitas vezes associadas a ativismo judicial, também foram feitas pelos comentaristas.

Nada disso é crime: opinar e criticar um sistema eleitoral ou a atuação de um órgão de Justiça ou de seus ministros faz parte do direito de expressão e opinião. No caso da imprensa, é mais que bem-vindo dar espaço para opiniões diversas sobre um tema tão relevante quanto as eleições de um país. Criminalizar uma emissora porque deu espaço para que comentaristas políticos dessem sua opinião sobre as eleições é algo que não estranharíamos na China, na Rússia ou na Venezuela. Nunca poderia acontecer em qualquer país que se diga democrático.

Mas aconteceu no Brasil, e foi recebido com tal naturalidade que assusta. O Ministério Público Federal (MPF) e a União acusaram a emissora de promover desinformação e veicular conteúdos que colocariam em risco a democracia. O MPF, aliás, pediu a cassação da emissora – simples assim. Em decisão ainda em primeira instância, ou seja, que ainda poderá ser modificada, a Justiça Federal condenou a Jovem Pan a pagar mais de R$ 1 milhão a título de indenização por “danos morais coletivos” – algo que, juridicamente, nem tem cabimento.

O recado desse tipo absurdo de decisão, que criminaliza alguns tipos de opinião, estabelecendo o que pode ou não ser dito – em outras palavras, que censura – e que tem se tornado regra, é claro. Ela cria um precedente em que a crítica a autoridades e ao sistema, algo absolutamente legítimo, pode se tornar um passivo financeiro arriscado. Na prática, o risco de receber uma punição pode inibir o trabalho jornalístico e gerar um ambiente de autocensura. Às vésperas de um ano eleitoral que deverá ser tão ou mais tenso que 2022, a perspectiva é sombria.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

AS CERTEZAS DE 2026: GOVERNO GASTADOR VAI FORÇAR JUROS ALTOS

O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad: déficit primário passou de R$ 100 bilhões em nove meses.

O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad: déficit primário passou de R$ 100 bilhões em nove meses

Eu estava em São Paulo nesta segunda-feira, aeroporto cheio, e as pessoas querendo saber o que vai acontecer no ano que vem. Minha primeira resposta é: “Não tenho bola de cristal num país em que até o passado é imprevisível”. Mas algumas coisas há como prever: por exemplo, a economia estará prejudicada pelos juros altos, que precisam ser mantidos altos por causa do desequilíbrio das contas públicas. O Banco Central tem de cumprir o seu dever, como está cumprindo, de proteger a moeda e o crédito; se ele não proteger a moeda, vamos perder muito mais do que os juros que pagamos. Se você recebe R$ 10 mil no fim do mês e a inflação for alta, no fim do mês seguinte aqueles R$ 10 mil já passaram a valer R$ 9,5 mil; você já perdeu R$ 500, porque a moeda perdeu poder aquisitivo.

Também podemos prever que o governo vai aumentar gastos. Por quê? Porque é ano eleitoral. O governo vai aumentar as benesses. Lula festeja quando aumenta o número de gente recebendo Bolsa Família, “bolsa gás”, “bolsa eletricidade”, quando deveria ser o contrário: um governo decente festejaria se menos pessoas precisassem disso; significaria que estão conseguindo reduzir a pobreza. Lembram-se do presidente Ronald Reagan? Ele dizia que o melhor programa social se chama emprego. A pessoa vai trabalhar e não se humilha recebendo esmola. É mais do que se humilhar: a pessoa vai se destruindo por não trabalhar, por ficar parada, por ficar apartada do mundo, por não participar, por se sentir culpada de os outros estarem trabalhando para ele ganhar isso. Porque a bolsa isso, a bolsa aquilo não vêm do bolso de Lula; vêm dos impostos pagos com o suor das pessoas.

E o déficit está aumentando muito com isso. Bilhões e bilhões e bilhões estão fora do tal arcabouço, para tapear o limite de gastos. Como é que o governo anterior terminou com R$ 54 bilhões de superávit, e este aqui está estourando todas as contas? Recebeu superávit, gastou o superávit e fez déficit. Os Correios só davam lucro, agora só dão prejuízo cada vez maior.

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Empate técnico em Honduras foi resolvido contando os votos. E aqui?

Em Honduras, estão quase terminando de contar os votos porque a eleição terminou praticamente empatada entre dois candidatos de direita, ambos muito perto de 40% dos votos. A candidata de esquerda, apoiada pela atual presidente (a mulher de Manuel Zelaya, aquele do chapelão), ficou nos 19%. A diferença de votos entre os dois candidatos da direita chegou a ser de apenas 515 votos. Se acontecesse isso aqui no Brasil, como é que faríamos? Não há voto de papel para contar. Vão contar bytes? Ou vão apertar um botão para aparecer o mesmo resultado de novo? É o que aconteceria, pelo jeito, a menos que me expliquem. Porque eu não consigo entender e duvido que alguém entenda como o seu voto está sendo contado. A não ser que haja a segurança de uma conferência, assim como quando pagamos algo com cartão e recebemos um comprovante da maquininha.

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Em 2026, mesmo que haja vários candidatos de direita no primeiro turno, no segundo são todos contra Lula

Flávio Bolsonaro vai atrapalhar a direita? Não. O próprio Lula lançou essa história de “nós contra eles”. Então, em 2026 será Lula e o anti-Lula; quem tiver mais votos ganha. Digamos que haja vários candidatos de direita e um candidato de esquerda, Lula, no primeiro turno; Lula termina o primeiro turno com 45%, o melhor candidato de direita ficou com 30%, outro teve 20%, e um outro ficou com 5%. Aquele que ficou com 30 vai para o segundo turno, e deve somar os votos dos outros dois, o de 20% e o de 5%, não é?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X