DEU NO X
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
REGRESSO AO LAR – Guerra Junqueiro
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi há vinte?…há trinta? Nem eu sei já quando!…
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!…
Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
Oh! a ingénua alma tão desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!…
Trago d’amargura o coração desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!…
Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d’astros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!
Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!…) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…
Cante-me cantigas, manso, muito manso…
Tristes, muito tristes, como à noite o mar…
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh’alma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!…

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, Portugal, (1850-1923)
DEU NO JORNAL
É MUITA FELICIDADE!
Na inauguração da sede de R$ 200 milhões da Apex, Wesley Batista, da JBS/J&F, que, como o atual presidente, andou em cana com o irmão Joesley, disse que “o Brasil tem a felicidade de ter Lula liderando”.
* * *
Isso é que é felicidade!!!
Enorme, imensa.
Tão grande quanto os milhões que custaram a sede.
O descondenado liderando!!!
É pra gente se mijar-se nas calças de tanta felicidade.
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
BOM DIA !
DEU NO X
ARRANJE UM CULPADO PRO SEU ERRO!
Lula ainda está apto a conduzir o país? Ele vem dando sinais de que está sem nenhum filtro, isso revela tanto o que o inconsciente esconde, quanto a dúvida sobre sua capacidade cognitiva. pic.twitter.com/mPfYpeRKuR
— José Medeiros (@JoseMedeirosMT) December 15, 2025
ALEXANDRE GARCIA
VAI COMEÇAR A BATALHA PELA DOSIMETRIA

Senador Esperidião Amin (PP-SC), relator do PL da dosimetria na CCJ do Senado
Na quarta-feira o relator do projeto de dosimetria, que já foi aprovado na Câmara, deverá entregar seu relatório à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O presidente da CCJ, o senador baiano Otto Alencar – eu não esqueço que ele foi contra o tratamento que curava a Covid em poucos dias, mas ele dizia que não existia –, é contra esse projeto. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está disposto a submeter logo o projeto aos senadores.
Renan Calheiros também está trabalhando contra, bem como o líder do governo. Mas não sabemos o que Lula conversou com Trump. O presidente já disse que, na hora de receber para a sanção esse projeto, vai “se aconselhar com Deus”. É possível que ele não queira nem sancionar nem vetar, deixe passar o prazo, e aí a lei entra em vigor automaticamente. Estamos curiosos pelo texto, porque Esperidião Amin tem sabedoria. Vamos ver o que ele fará, até para evitar que o projeto volte à Câmara, porque não sei se haveria tempo para as pessoas voltarem para casa antes do Natal – afinal, se o projeto for mesmo aprovado, muita gente já cumpriu tempo mais que suficiente na prisão.
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Fraudador da Justiça no Rio ressuscitou a história da sorte no jogo
A Polícia Federal descobriu desvios de R$ 15 milhões na 2.ª Vara Trabalhista de Nova Iguaçu (RJ). O diretor da vara, ou seja, o chefe administrativo, tinha a senha do juiz titular da vara, vendia alvarás e fazia desvios em indenizações e processos trabalhistas. Ele viajava muito para o exterior, tinha uma vida abastada e dizia no fórum que estava ganhando muito no jogo, que tinha muita sorte. Essa história nós conhecemos da época dos “anões do orçamento”: João Alves ganhava sempre na loteria, uma coisa incrível. É incrível que algo assim aconteça dentro da Justiça, deve ser até agravante, assim como é assustadora a falta de ética dentro de grandes tribunais. Chega a ser nojento (desculpem o termo), mas não há perdão para a falta de ética, porque isso é falta de formação, de princípios, de estrutura moral da pessoa.
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Australianos continuam achando que o problema são as armas, não as pessoas
Depois do ataque terrorista antissemita em Sydney, na Austrália, o governo australiano parece que não entendeu nada, porque diz que agora vai restringir armas. Pensam que é a arma que mata, mas não: é o cérebro que mata. É tão fácil de entender isso! A arma é inerte, embora não seja inerme. Ela está parada, precisa de um cérebro que dê a ordem para as mãos pegarem a arma e matarem alguém.
Benjamin Netanyahu disse ter enviado há meses uma carta para o chefe de governo da Austrália, dizendo que a omissão do governo diante da campanha antissemita na Austrália podia ampliar um câncer muito grande, e foi o que aconteceu. Ataque a judeus é ataque à civilização ocidental. As bases da nossa civilização são judaico-cristãs, o Velho e o Novo Testamento.
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Fuga de María Corina da Venezuela teve riscos e afetou sua saúde
Agora sabemos que María Corina Machado passou muito mal, correu risco de vida na travessia da Venezuela para Curaçao, porque ela e os que a resgataram ficaram completamente à mercê das ondas de um mar revolto, de ventania. Fora o medo, porque poderiam até ter sido confundidos com um barco de drogas. Ela chegou a Curaçao tão derrubada, molhada, com hipotermia (pois estava muito frio), que ficou um dia em observação médica, e por isso não chegou a tempo para receber o Nobel no dia marcado, sendo substituída pela filha. María Corina chegou apenas no dia seguinte e agora, em um hospital de Oslo, foi diagnosticada com uma fratura numa vértebra, de tanto que aquele pequeno barco, aquela casquinha de noz, sacudiu. Em Curaçao, que é um departamento autônomo do reino da Holanda, ela já tinha sido examinada, foi de avião para Oslo, e agora sabemos desse problema na vértebra. Ela tem 59 anos e resistiu muito bem, tanto que sai à rua, e aparece na sacada do hotel para retribuir a saudação das pessoas.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
MARLENE DE SOUZA MELO – VITÓRIA-ES
Atenção senhores dentistas, peço atenção especial aos pacientes petistas.
Eles tem um pedido a fazer aos senhores: sem anestesia.
Atendam o pedido deles!
Atenção senhores dentistas, peço atenção especial aos clientes petistas, eles tem um pedido a vocês: pic.twitter.com/j4hMisjmj1
— Ricardo Roveran (@RicardoRoveran) December 15, 2025
DEU NO JORNAL
TUDO CERTO
Os pedidos de extradição ao governo da Espanha contra Fábio Luís, o “Lulinha”, dormitam no gavetão do presidente da Câmara, Hugo Motta, a quem cabe encaminhá-los à Procuradoria Geral da República (PGR), mas, até agora, nada.
O filho de Lula (PT) é acusado de receber de Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, R$ 25 milhões e mensalão de R$ 300 mil mensais, segundo depoimento à Polícia Federal do ex-braço direito do Careca INSS Edson Claro, citado na CPMI do INSS.
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O pai foi descondenado.
O filho ficará incondenado.
Normal, normal.
Tudo dentro dos conformes.
CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS
MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (1969) – UMA OBRA-PRIMA DE SAM PECKINPAH: O POETA DA VIOLÊNCIA

Cartaz em Blu-Ray de “Meu Ódio Será Sua Vingança.”
“The Wild Bunch,” EUA, (1969), ou “Meu Ódio Será Sua Herança,” possui uma abertura intrigante onde a uniformidade com a longa e antológica sequência final do longa-metragem. O filme começa com um grupo de policiais uniformizados, montados a cavalo, entrando numa pequena cidade norte-americana decadente. O bando cruza com crianças que brincam no meio da rua, perto dos trilhos de um trem. Algumas tomadas esparsas mostram que a brincadeira infantil é um bocado cruel: os meninos jogaram escorpiões no meio de um formigueiro, e os bichos venenosos estão sendo devorados pelas formigas. Junto, há uma tenda onde um pastor exaltado prega a salvação da alma, ignorando a crueldade infantil contra os animais indefesos.
“Meu Ódio Será Sua Herança” encerra enfocando os remanescentes do mesmo grupo de homens que aparece no princípio. Eles não são policiais, e sim uma quadrilha de assaltantes de banco; aquele era apenas um disfarce, como o espectador logo vai descobrir na movimentada e sangrenta sequência que abre o filme com gosto de pólvora. Não há heróis aqui, nem vilões. Todo o longo espectro de personagens é moralmente questionável.
Na ocasião do fim do longa os foras da lei estão no México, e se dirigem para resgatar um dos membros do grupo, preso por um rebelde paramilitar chamado General Mapache (Emilio Fernandez). O violentíssimo tiroteio que se segue não apenas encerra o filme de maneira brilhante, mas fecha um círculo e explica a cena dos escorpiões da abertura; os escorpiões são uma metáfora para os bandidos.
Os escorpiões são intrigantes porque jamais estiveram no roteiro do longa-metragem. Na verdade, eles foram uma sugestão de Emilio Fernandez, que contou ao cineasta Sam Peckinpah como se divertia no deserto mexicano, quando era menino. Peckinpah percebeu a fascinante simetria e filmou o ataque das formigas aos escorpiões abusando de planos-detalhes. Ao fazê-lo, acabou concebendo uma das aberturas mais estranhas, criativas e interessantes do cinema contemporâneo.
Enquanto filmava nos sets poeirentos do México, é possível que o diretor não soubesse que estava colocando uma pá de cal no já combalido gênero western. Adepto dos chamados westerns crepusculares, que lamentavam a proximidade do fim do gênero por causa do crescente desinteresse das novas gerações de espectadores, “Meu Ódio Será Sua Herança” transportava para a história este lamento. Foi uma despedida honrosa e adequada, já que o filme não é ambientado nos anos de ouro do Velho Oeste, mas em 1913.
Às vésperas da Revolução Mexicana, o antigo código de honra dos homens violentos e beberrões já não valia mais nada. O mundo agora era urbano. Botas viravam sapatos engraxados, revólveres transformavam-se em metralhadoras. A violência migrava dos descampados empoeirados para as cidades grandes. O Velho Oeste dava os últimos suspiros. Esse é o grande tema da obra de Sam Peckinpah, e também o pano de fundo do mais controverso e impactante dos filmes que dirigiu.
Em 1969, “Meu Ódio Será Sua Herança” foi recebido da mesma forma que “Clube da Luta” foi em 1999: sob acusações pesadas de ser hiperviolento e gratuito, até mesmo fascista. Para alguns, Peckinpah glorificava a violência. Reza a lenda que o astro William Holden teve uma violenta briga com o cineasta, após ver o filme pronto e odiar o resultado final. A verdade é que o filme é tremendamente violento mesmo: somente no verdadeiro balé de sangue que é o duelo final, Peckinpah gastou doze dias e mais de 10 mil cartuchos de bala de festim.
Sim, é verdade que o filme apresentou uma nova maneira de representar a violência no cinema, utilizando pela primeira vez a câmera lenta para mostrar mortes. Caprichando no sangue e no estilo, Peckinpah enfatizava o sangue e fazia as mortes ganharem um significado simbólico e poético que ultrapassa a morte em si. No cinema dele, morrer dói pra caramba. Mas muita gente não entendeu.
A péssima recepção do filme pelas plateias no mundo foi ajudada pela estrutura narrativa incomum. Um filme tradicional enfatiza o enredo ou os personagens; “Meu Ódio Será Sua Herança” não faz nenhum dos dois. Pike (William Holden) lidera o bando de assaltantes que se encaminha para uma última missão, que é roubar um trem carregado de armas para um rebelde mexicano. Eles são perseguidos por um grupo, liderado por Deke Thornton (Robert Ryan), cujo objetivo é capturar ou matar Pike.
Os dois já foram parceiros, anos antes, mas algo separou seus caminhos. Nenhum deles é retratado com profundidade; Peckinpah só oferece fragmentos do passado. Pike e Deke são homens duros, que mostram nos rostos cansados e nos ombros caídos o peso dos anos. Ambos são melancólicos. Sabem que estão ultrapassados pelo tempo. Sabem que o fim está próximo.
O grupo de Pike bebe o tempo todo e frequentemente cai na gargalhada com piadas bobas, como se estivesse à beira da histeria. O personagem de William Holden, ruminando as palavras e com o olhar perdido no horizonte, resume perfeitamente o clima do filme: eles pertencem ao passado. Não há futuro possível para gente assim.
“Meu Ódio Será Sua Herança” documenta a melancolia do fim de uma era, a troca de guarda entre duas gerações muito diferentes. À medida que encerrou o tempo dos faroestes e inaugurou a fase da hiper-violência, representou a mesma coisa para Hollywood. Pouquíssimos filmes têm essa honra de serem marcos divisórios. Por isso, este aqui é um clássico inesquecível.
Para tentar compreender por que o western não foi mais o mesmo depois do filme do Poeta da Violência e outros clássicos que vieram depois de cineastas comprometidos com a Arte Cinematográfica, é obrigatório assisti-lo por várias vezes para absorver a ironia refinada do diretor Sam Peckinpah nas cenas de violências, pré-anunciando a morte do gênero, sem contar que a tecnologia está aí para idiotizar as histórias fascinantes dos antigos THE END westernianos. “A Mulher Rei” (2022) é um exemplo cagado e cuspido dessa idiotice tecnológica feminal. Transformou-se uma história rica de fatos bélicos, sangrentos, numa luta de porrinha de boteco na Champs-Élysées de Paris do século XIX, com Goiano Braga Horta servindo CACHAÇA TURMALINA DA SERRA, FABRICADA NA PARAÍNA DE ZÉ LIMEIRA, VESTIDO DE AGROBOY.
a) Trailer MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah, WARNER, 1969
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