Brasília assiste a movimento sem precedentes na história institucional brasileira: o Supremo Tribunal Federal (STF) sinaliza que pode interferir em decisão técnica do Banco Central e anular a liquidação do Banco Master, suspeito de irregularidades graves, demonstrando o poder de influência do banqueiro Daniel Vorcaro.
Atos recentes do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, e ações do Tribunal de Contas da União (TCU) põem em xeque a autonomia do BC como regulador bancário.
O STF nunca antes questionou decisão técnica do Banco Central, órgão independente, por lei, para garantir a estabilidade financeira do país.
Toffoli reforçou a expectativa de reversão após ordenar acareação entre Daniel Vorcaro (Master) e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.
Na acareação de terça (30), também com o ex-presidente do BRB, Vorcaro tentará desqualificar o trabalho de Aquino e seus auxiliares.
O TCU questiona a “velocidade” e até os fundamentos da decisão de liquidar o banco Master, pavimentando o caminho para sua reversão.
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A expressão “sem precedentes”, contida no primeiro parágrafo desta nota aí de cima, resume tudo.
Chega o final do ano e a gente deseja um “próspero ano novo”. Espero que isso não se configures apenas como uma convença social, mas que tenhamos, mesmo, um ano de prosperidade, apesar das peripécias governamentais. Janeiro não será apenas o início de um novo ano, será o mês da adoção do novo regime tributário.
Primeiro cabe lembrar que haverá isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Em segundo lugar, o governo não faz nenhum favor em relação a isto, porque se pegarmos os valores de isenção de 2010, e atualizarmos pela inflação, a gente chega mais ou menos nesse patamar atual. Em outras palavras, tudo parece ser, apenas, uma atualização monetária. É importante lembrar que se uma pessoa tem duas fontes de rendas e se a soma ultrapassa essa base, ele irá pagar imposto sobre o que exceder os R$ 5 mil.
Agora, a parte mais cruel dessa história ficou guardada para o trabalhador autônomo. Os ministros e o presidente falam tanto em aumentar a tributação sobre os mais ricos, mas tudo que fazem é lascar os mais pobres. Basta pensar que o salário-mínimo era reajustado por inflação mais crescimento econômico e agora é inflação mais 2,50%. Isso leva o salário-mínimo para R$ 1.621,00. Poderia ser um pouco melhor? Sim, mas vamos acreditar que isso é suficiente para atender demandas de quem o recebe.
O ponto crucial dessa reforma foca, diretamente, trabalhadores autônomos. O eletricista que ia na tua casa fazer uma avaliação e/ou correção elétrica e que você fazia um Pix básico para pagar. Até então, não havia preocupação em saber a origem do dinheiro que foi transferido via Pix, desde que observados determinados limites. Por exemplo, uma pessoa que recebe R$ 5 mil via Pix, terá que explicar a origem disso. Caso tenha sido decorrente da venda de um produto ou serviço, o cara precisa emitir uma nota fiscal e declarar e pagar imposto sobre isso.
Cabe acrescentar duas outras coisas: os gastos que você faz com o seu cartão de crédito precisa ser coerente com sua renda. Não empreste seu cartão para que terceiros façam compras e não receba dinheiro de terceiros para completar o pagamento fatura, porque isso pode se configurar como “renda não declarada”. Outra questão está relacionada com aluguéis. Você tem um apartamento alugador e inquilino faz Pix para pagar o aluguel. Beleza! Pagarás imposto. Sabe aquela aulinha particular que você deu sobre equações do segundo grau? É renda. Declare.
Não vou entrar no mérito da questão para discutir se os mais ricos pagam menos impostos do que os mais pobres. No Brasil, os impostos incidem sobre consumo, produção, patrimônio e renda e se a gente foi olhar isso do ponto de vista de indivíduo mais pobre, a gente vai encontrar um cenário complicado mesmo, porque o cara não tem renda, não tem patrimônio, em geral não é produtor, restando-lhe apenas o consumo. Portanto, o cara paga imposto pelo que consome. Um rico paga por tudo isso e ainda mais tem uma faixa de consumo muito mais ampla.
A gente está acostumado a receber informações sem muita qualidade ou veracidade, mas há muita coisa que é dita e que causa um efeito enorme em que não tem conhecimento no assunto. Ontem, recebi uma matéria que alardeava o tanto de recursos externos que entrou no Brasil (US$ 1,1 trilhão) e a pessoa que compartilhou só faltou soltar vivas e fogos comemorando os “feitos” governamentais. Porém, quando você procura saber a causa, vai se surpreender. Desse montante fantástico, US$ 884,48 bilhões era, de capital especulativo, ou seja, recursos utilizados por investidores externos para comprar ações de empresas brasileiras, como a Petrobrás.
Acho que todos nós entendemos a importância dessa grana para a Petrobras, mas ao primeiro sinal de ameaça, este capital sai rapidinho do Brasil. Em adição, UD$ 256 bilhões eram empréstimos a subsidiárias e ai cabe dizer corretamente: são EMPRÉSTIMOS, formalizados a uma determinada taxa de juros, mas que são quitados mediante remessa de lucros. Fica claro que isso pode ser responsável pelo enquadramento da inflação dentro da meta.
O que mais me assusta é que 2026 é um ano eleitoral. Ou seja, nosso sofrimento decorrente da incerteza continua latente. Até o momento ninguém decreta que devemos ter paz e confiança.
Queimadas, Pacajus, 1953: caminho de areia solta entre a BR-116 e as terras dos Albano e dos Nogueira. Meados de setembro, pico da fartura dos cajus frutos (aprendi, cedo, que o “fruto” é a castanha) que naquelas paragens salvou o ronco das barrigas de muitos.
No trecho do caminho de terra solta, a casa de Antônio Luciano, marido da minha tia Maria, irmã caçula da minha mãe.
Mais que de repente o cachorro late, como se fora uma campainha, avisando que tem estranho na porteira da cerca.
– Sinhá Maria, posso apanhar uns cajus?!
Tia Maria solta o alguidá de barro que estava lavando no jirau, e diz:
– Pudê, pode, minha fia – mais dêxe as castanhas, visse!
“Cajueiro pequenino Carregado de fulô Eu também sou pequenino Carregado de amor
Cajueiro velho amigo Meu amor jurou em vão Jurou se casar comigo Se eu lhe desse o coração
Cajueiro não fulora Também sente a minha dor O meu bem me deu um fora E com outro se casou
Cajueiro baixa a calha Deixa o meu gato passar Vou embora pra bem longe Vou morar no Ceará”
Abdias do Forró
Era um dia de sábado. O sol já tava frio – e nós até já tinha bebido o café da tarde. Beiju de farinha no acompanhamento, com nata de leite passada. Pouco sal.
Vovó pegou a vassourinha e começou a varrer o enorme terreiro que Vovô havia brocado, limpando tudo. Agora, era a vez da Vovó fazê a limpeza. Na boquinha da noite, prumode não deixar cheiro de fumaça, Vovô ia fazê a coivara. Tinha que tá tudo limpinho. A gente ia recebê visitas. Vinha gente de longe.
Adispois de fazê a coivara, Vovô ia cuidar de acendê dois lampiões prumode luminá o local. A gente ia recebê visita. Vinha gente de longe.
Naqueles tempos a gente chamava de “cantoria”. Ninguém sabia o nome de nada. Repente, desafio, arenga de violeiros, galope à beira-mar, frege, fala de cordel. Tudo para nós era “cantoria”.
Na cozinha, Vovó fazia bules e mais bules de café. Adoçava com açúcar preto (mascavo). O café deixava sobre uma chapa de ferro colocada nas bocas do fogão a lenha. Fogo baixo. Prumode o café num esfriá nem esquentá demais.
Não tão longe dali, aproveitando a escuridão que dava boas vindas, as cigarras iniciavam sua ópera. Mais parecia mesmo, a “Ópera de Verdi”!
Pessoas convidadas para a “cantoria” começavam a chegar. Alguns deixavam suas montarias ao largo da área – sem esquecer de verificar se havia milho no saco atrelado à boca do animal.
– Noite!
Diziam os que chegavam.
– Noooiiite!
Respondiam os que haviam chegado antes, e os de casa. Afinal, a gente ia eceber visita. Vinha gente de longe.
“Cajueiro pequenino Carregado de fulô Eu também sou pequenino Carregado de amor.”
De repente, parecendo que havia sido combinado, as cigarras interromperam a ópera. As andorinhas pararam de ziguezaguear e a luz vinda dos dois lampiões brilharam mais. Os cantadores chegaram. A “cantonia” ia começar.
Antes do frege, Tia Maria, beata assumida que fazia parte da Congregação das Marianas, levantou e pediu licença:
– Gente, vamos ficar de pé, todos, e fazer a oração que Deus nos ensinou em agradecimento por estarmos todos juntos e com saúde: “Pai nosso que estás no céu…..”!
Sentados. Todos escutaram o agradecimento dos cantadores pelo convite feito pelos donos da casa e a boa receptividade demonstrada com a chegada deles.
E, como sempre fazem no cumprimento obrigatório da modas sertanejas e das cantorias:
“A alegria do filho correndo e gargalhando… A paz de meditar nas obras de Deus… O prazer do cuscuz, do café, da rede macia… E a honra de trabalhar ao lado de poetas como Zé.”
“Ter cuscuz no meu prato pra comer, Beber meia garrafa de café, São as coisas que eu gosto de fazer.”
“Cajueiro pequenino Carregado de fulô Eu também sou pequenino Carregado de amor.”
Afinal, a gente ia eceber visita. Vinha gente de longe.
Max Wolff Filho nasceu em 29/7/1/1911, em Rio Negro, PR. Militar integrante da FEB-Força Expedicionária Brasileira durante a II Guerra Mundial, que o reconheceu como o maior herói pelo seu desempenho em campo de batalha na região de Montese, Itália.
Filho de Etelvina e Max Wolff, teve os primeiros estudos em Rio Negro, conviveu com as tensões da Guerra do Contestado, a I Guerra Mundial e trabalhou desde criança em diversas atividades. Serviu ao Exército no 15º batalhão de Curitiba e combateu na Revolução de 1932, no Vale do Paraíba. Foi professor de educação física e defesa pessoal. Integrou a Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde chegou 3º sargento e atuou como Comandante da Polícia de Vigilância.
Aos 33 anos, apresentou-se voluntariamente para lutar na II Guerra Mundial, quando ingressou na 1ª Cia. do 11º Regimento de Infantaria, em São João Del Rey, MG. Na FEB, ocupou o posto de 3º Sargento e, devido a sua coragem e modo de procedimento, passou a ser admirado pelos colegas, bem como por seus superiores no V Exército de Campanha. Participou de todas as ações de seu Batalhão no ataque ao Monte Castelo, levando munição à frente de batalha e retornando com feridos e mortos.
Numa destas batalhas, foi designado para resgatar o corpo do Capitão João Teixeira Bueno, auxiliar do General Zenóbio da Costa. Era uma missão difícil, mas o Sargento não titubeou: “Coronel, por favor, diga ao general que, desde o escurecer, este padioleiro e eu estamos indo e voltando às posições inimigas para trazer os nossos companheiros feridos. Faremos isto até que a luz do dia nos impeça de fazer. Se numa dessas viagens, encontrarmos o corpo do Capitão Bueno, nós o traremos também”. Não encontrou o corpo do capitão Bueno que, apenas ferido, havia sido resgatado por outro soldado, mas ainda lhe foi possível salvar muitas outras vidas.
Em 12/4/1945 seu pelotão de choque avançou nos planos concebidos para a conquista de Montese. Em dado momento, achando que os inimigos recuaram, avançou em direção ao topo da elevação. Enquanto isso, os inimigos deixaram que o pelotão se aproximasse até quando não podiam mais errar, Uma rajada de balas atingiu o sargento no peito. Ao cair recebeu mais tiros junto com seu pelotão, dando fim ao embate, restando alguns poucos soldados salvos do confronto.
Mais tarde, Montese foi conquistada e seu nome ficou gravado na mente dos companheiros como herói. Foi agraciado pelo Exército com 4 medalhas: de Campanha; Sangue do Brasil; Bronze Star (americana) e Cruz de Combate de 1ª Classe. Seus restos mortais jazem no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro e recebeu o epiteto de “Rei dos Patrulheiros”. A Escola de Sargento das Armas (ESA), em Três Corações, MG, leva seu nome e o tem patrono, ergueu um monumento ao seu pelotão, com os soldados em tamanho natural dispostos no jardim da Escola.
Em 2010, foi criada a medalha Sargento Max Wolff Filho, pelo Decreto nº 7118. A medalha é uma condecoração do Exército Brasileiro conferida a subtenentes e sargentos em reconhecimento à dedicação e interesse pelo aprimoramento profissional que tenham se destacado no seu desempenho profissional, evidenciando características e atitudes inerentes ao Sargento Max Wolff Filho. Em São Paulo, uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI), no Jardim Belém, recebeu seu nome; em Curitiba o 20º Batalhão de Infantaria Blindado passou a ser denominado “Batalhão Sargento Max Wolff Filho”
1. Você sabia que Isaac Asimov (1920-1992) estimou em 530.000 o número de planetas na nossa galáxia com civilização tecnológica? E sabia também, segundo cientistas da Escola de Astronomia da Austrália, que há mais estrelas no Universo do que grãos de areia em todos os desertos e praias da Terra? Com tais números, em 2026 sonhe sempre com os pés bem plantados no chão, boca limpa e bunda bem lavada.
2. Diante de algumas jumentalidades posturais de parte da esquerda brasileira, buscando confrontar-se sempre com as merdalidades grosseiras praticadas pelo atual Congresso, para as eleições de 2026, uma consistente reconstrução de ideários, táticas e estratégias de campanha, propiciando um mais acentuado apoio das comunidades do país, defenestrados os ideários sectários dos extremos.
3. Os pensamentos vigorosos de um gigante da Física, Stephen Hawking, deveriam ser lidos e debatidos por todos aqueles de cucas afiadas que se estão preparando para amanhãs brasileiros de estudos astronômicos. Uma leitura mais que ótima: Breves respostas para grandes questões, Stephen Hawking, Rio de Janeiro, Intrínseca, 2018, 256 p. Vale a pena uma leitura reflexiva, amplamente rabiscativa.
4. Parabenizo a Prefeitura da Cidade do Recife pela organização das festividades de final de 2025. Sem atropelos, está cumprindo todas as etapas agendadas previamente.
5. Os programas esportivos de TV devem escolher: ou serem informativos e sensatamente bem estruturados, ou serem humorísticos, repletos de anedotas e piadinhas de nula criatividade.
6. Em Brasília, tem um malandrão na Saúde, que pôs em seu Curriculum Vitae ser especialista em neuromarketing. Muita improvisação curricular! Tem até alguém que já declarou a ele que o pior vírus era o vírus-de-bruço, para o qual não há vacina, só seringa de ponta grossa. Tal especialista deve ter sido contaminado pela egolatria desde rapazote.
7. Finalmente, desejo a todos os leitores do JBF, um noticiário sempre arretado de muito ótimo, um 2026 eleitoral sem feminicídios, sem desmatamentos, sem agressões climáticas, com um Congresso Nacional consciente de seus deveres para com os amanhãs brasileiros, eleito por um eleitorado não manada, nunca alienado, tampouco hedonista, que respeita seus títulos eleitorais como se fossem pilastras férreas de suas próprias honras.
Feliz 2026 para gregos e troianos de todas as regiões, religiões, gêneros e etnias, todos brasileiros de quatro costados!!