Por que Dias Toffoli não confia na PF?
Toffoli controla a investigação, escolhe peritos e limita a PF. Isso explica tudo! pic.twitter.com/tGEFov5TtO
— Jakelyne Loiola (@Jakelyneloiola_) January 17, 2026
Por que Dias Toffoli não confia na PF?
Toffoli controla a investigação, escolhe peritos e limita a PF. Isso explica tudo! pic.twitter.com/tGEFov5TtO
— Jakelyne Loiola (@Jakelyneloiola_) January 17, 2026
A atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master rendeu críticas da associação dos peritos criminais federais.
A associação diz que vê com preocupação e risco as limitações impostas pelo ministro do STF.
* * *
Peritos criminais.
Gente de alta capacidade pra investigar.
Estão preocupados com as limitações que foram impostas.
Por que será?
Agora fiquei encucado…
É amor? Não sei. Esta intranquilidade,
Este gozo na dor, esta alegria
Triste que vem de manso e que me invade
A alma, enchendo-a e tornando-a mais vazia;
Este cansaço extremo, esta saudade
De uma cousa que falta à vida… O dia
Sem sol, as noites ermas, a ansiedade
Que exalta e a solidão que anestesia,
É amor. Egoísmo de sofrer sozinho,
De as penas esconder do humano açoite,
De transformar as pedras do caminho
Em carícias sutis para colhê-las
E andar como um sonâmbulo, na noite,
Escancarando os olhos às estrelas …

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE (1889-1958)
Que me perdoem as pessoas que entendem que armas de fogo devem ser de uso restrito das forças estatais e criminais, mas eu sou a favor do direito à autodefesa.
Consequentemente, sou contra o excesso de obstáculos legais ao acesso do cidadão – que paga seus impostos, procura cumprir as leis, etc,etc… – aos meios que lhe proporcionem a efetividade dessa autodefesa. Inclusive o porte de armas de fogo.
Feito esse esclarecimento, essa é uma história que eu precisava contar. É baseada em fatos ocorridos há mais de dez anos, e nela o malandro estava armado, mas o mané também estava.
E mais não digo.
Quem quiser saber o que aconteceu tem que ver o vídeo.
Não bateu 2% da meta pretendida pelo governo para o “Voa Brasil”, que tentou vender para velhinhos passagens aéreas encalhadas em horários cruéis.
Foram 52 mil bilhetes até este mês.
O pretendido: 3 milhões.
* * *
Um fracasso retumbante, espantoso.
Mais um do atual desgoverno.
E o desmantelo continua.
Eu nasci num ensolarado domingo de carnaval. Aos cinco anos, fantasiado de pierrô com lança-perfume na mão, frequentava o baile infantil do Clube Fênix. Aos dez, moleque, acompanhava o carnaval de rua, atrás dos blocos. Durante a juventude aguardava o carnaval chegar acontecendo as pré carnavalescas: Baile do Hawaii, Preto de Branco, o chiquérrimo Baile de Máscaras onde a alegre e bonita burguesia em fantasia ou smoking caía no passo. Amanhecia o dia dançando na areia da praia, banho de mar na praia da Avenida da Paz.
Quinze dias antes do carnaval a COC, Comissão Organizadora do Carnaval, realizava, todas as noites, na Rua do Comércio, a Maratona Carnavalesca, Além do corso, fila de carros rodeando o centro da cidade; nas esquinas uma orquestra tocava frevança. Caíamos no passo junto às meninas virtuosas, soldados, empregadas, prostitutas, o povão se misturando na alegria do frevo, sem diferenças e preconceitos, apenas sorrisos, remelexo do corpo e a alegria de traçar uma tesoura nos passos de um frevo.
Domingo anterior ao carnaval acontecia o animadíssimo Banho de Mar à Fantasia. Desfile e concurso de troças, escolas de samba, fantasias e bloco carnavalesco. A turma de Ruben Camelo, Bráulio Leite, Pitão, Santa Rita, Alipão, os irmãos Moura, exibia as críticas, bem humoradas, à política, aos costumes, aos acontecimentos da época. Eles eram os arautos da animação, brincavam nas ruas, nos clubes e biroscas da cidade.
Outros foliões fantasiavam-se com irreverência: Fusco, Tarzan, Lincoln, concorriam aos prêmios. Eu e amigos ficávamos apreciando a passagem dos desfiles diante à Comissão Julgadora aguardando uma tradição: todos os Blocos de Frevo: Vulcão, Cavaleiros do Monte, Vou Botar Fora, Tudo ou Nada, Bomba Atômica, Pitanguinha Vai à Lua, Sai da Frente, entre outros, depois do desfile na Avenida, dirigiam-se à casa do Coronel Mário Lima. Meu pai aguardava a tropa do frevo com dois caldeirões de “laco-paco” de maracujá, cerveja gelada, cachaça e tira-gosto. Os músicos adoravam, tocavam três a quatro frevos, a moçada caía no passo no enorme terraço da casa onde nasci. Havia organização, um bloco de cada vez, se revezando. O domingo terminava tarde, minha casa entulhada de amigos, convidados, penetras, o povo. Acompanhávamos o último bloco até desaparecer em Jaraguá ao anoitecer.
O Carnaval iniciava à noite do sábado de Zé Pereira. Primeiro, a juventude brincava na Rua do Comércio, no corso em cima de um jipe, vestido de macacão, maizena na mão, meladeira entre os amigos, costume herdada dos entrudos nos primeiros carnavais no Brasil. Em toda esquina da Rua do Comércio uma orquestra de frevo animava o povão, dançando, cantando; amores surgindo, amores fugindo. É carnaval, tudo valia, amor de carnaval desaparece na fumaça. Meia-noite ao chegar em casa tomava um banho reativante rumo ao baile do Zé Pereira no Tênis Clube. A orquestra tocava marchinhas românticas, sambas e frevos até o dia amanhecer.
Domingo de Carnaval por volta das dez horas da manhã, a moçada já fazia fila para entrar na matinal do Clube Fênix, o calor retumbava com a música quente no Ginásio de Esportes, os foliões alegres bebiam de mesa em mesa, lança-perfume no ar e nos lenços. Todos conhecidos como se fosse uma imensa família, moças bonitas, barriguinha de fora, dançavam em cima das cadeiras ao som das grandes orquestras e bateria de Escola de Samba. À noite depois do corso, mais festa, mais baile. Inexoravelmente vinham a segunda e a terça-feira. “Um pé pra frente, dois prá trás, é hoje só, amanhã não tem mais”.. “Oh! quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar”. No final da última noite, a Orquestra do Maestro Passinha, no Clube Fênix, dava as últimas voltas no salão, finalmente, descia à praia, o sol nascendo, os foliões dançando o Vassourinhas na areia branca, terminava num mergulho no mar azul esverdeado.
Cansados, molhados, sentados nos bancos da Avenida da Paz, namorados abraçados, ainda com fôlego de beijos agarrados, alegres, outros descansavam deitados na grama. Finalmente alguns amigos me acompanhavam a um café em casa. Abraçados, caminhando e cantando pela Avenida, bonitas canções: “Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções. Ninguém passa mais, brincando, feliz, e nos corações saudades e cinzas foi o que restou.”
“Nenhum governo na história desistiu voluntariamente de seu poder” – Murray Rothbard
Eu não acho que Trump esteja fazendo um bom governo. A enorme confusão com tarifas de importação acabou ficando parecida com tosquia de porco, como diria meu avô: muito grito e bem pouca lã. Trump também não conseguiu nada de positivo nas brigas entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e Palestina. De forma geral, ele parece estar mais preocupado em aparecer na mídia do que em governar seu país. Não é o primeiro nem será o último: Obama passou oito anos fazendo isso.
Este comportamento midiático, porém, acabou gerando um resultado positivo, talvez até involuntário, mas bastante importante. Podemos dizer que é uma mudança de paradigma.
Nos últimos cem anos, o “estado”, que é apenas uma entidade jurídica, tornou-se na cabeça das pessoas algo real, que tem vontades, interesses, direitos e até mesmo “soberania”. Acredita-se que o estado deve ser sempre obedecido e sempre ter a última palavra. E acredita-se também que se isso for seguido por todos, o mundo será um lugar pacífico e justo, e em cada país o tal estado soberano resolverá todos os problemas.
É curioso que as pessoas não percebam a contradição: acreditam que é necessário que em cada lugar exista uma autoridade única, absoluta, com poder ilimitado sobre o resto da sociedade – o estado. E não percebem que o conjunto desses estados convive em completa anarquia, sem nenhuma autoridade única que possa impôr aos demais o cumprimento das regras supostamente em vigor. Sim, existe a ONU e um monte de órgãos vinculados, mas trata-se apenas de um imenso cabide de emprego multi-nacional que não tem nenhum poder prático. Como escrevi há algumas semanas, os países criaram um monte de regras para as guerras, e agora fogem das regras dizendo que as guerras não são guerras.
Quem deveria ser soberano é o povo, não o governo. Mas o discurso corrente fala sempre em soberania do estado ou em soberania do país, o que de certa forma reproduz o feudalismo da Idade Média, quando a maioria das pessoas era chamada de “servo” e era considerada como propriedade de um determinado lugar. O dono do lugar poderia mudar, via guerra, herança ou casamento, mas a servidão dos moradores continuava. Como continuação dessa idéia, as pessoas foram levadas a acreditar que fronteiras desenhadas em mapas são coisas concretas e inquestionáveis, que devem ser respeitadas e veneradas com fervor religioso e que concedem ao governo dentro de cada fronteira o poder absoluto de mandar.
Aí chega Trump, e faz todos relembrarem um antigo conceito: manda quem pode e obedece quem precisa. O mundo sempre foi e sempre será governado pelos mais fortes. O direito de mandar é conquistado, não surge de discursos de “soberania nacional” e “auto-determinação dos povos”, direito que aliás é negado sistematicamente pelos governos: a própria carta da ONU fala no direito de secessão como consequência lógica do princípio da auto-determinação, mas também inventa um “princípio da integridade territorial” que na prática justifica o hábito dos governos de escreverem nas constituições que seus territórios são “indivisíveis”. O resultado é que para o povo a tal auto-determinação é só uma piada.
Recentemente o governo Trump divulgou uma versão atualizada de sua Doutrina de Segurança Nacional, onde é citada a Doutrina Monroe, criada duzentos anos atrás e conhecida pela expressão “A América para os americanos”. No mundo de hoje, o novo documento serviu, de um lado, para memes e piadas nas redes sociais, e de outro, para discursos emocionados dos defensores da soberania nacional mundo afora. Na prática, o que Trump está fazendo é explicando de forma bem didática aquilo que o restante do mundo já deveria saber: que os fortes não negociam com os fracos; os fortes negociam entre si, e aos fracos resta obedecer.