DEU NO X
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
A MORTE DO JANGADEIRO – Padre Antonio Tomás
Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada
Entre os uivos do mar que se encapela.
Prudente, o jangadeiro se acautela
Contra os mil acidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.
Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n´água escura;
E, em brancos véus de espuma, o desditoso.
Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)
DEU NO X
NÃO PODERÃO SER PUBLICADAS NA ELEIÇÃO
DEU NO JORNAL
NÓIS É QUE PAGA
Somente nos dois primeiros meses do ano, autoridades brasileiras federais já desfrutaram 141 vezes de voos em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) custeados pelos brasileiros explorados por carga tributária brutal.
A regalia é concedida a ministros de Estado, chefes das Forças Armadas e à cúpula dos Três Poderes.
São viagens nacionais e internacionais, como os voos do presidente da Câmara, Hugo Motta, que em janeiro esteve em Cali (Colômbia) e San José (Costa Rica).
* * *
A expressão “custeados pelos brasileiros”, contida nessa nota aí de cima, resume tudo.
Não é preciso dizer mais nada.
A farra avuadora é paga com dinheiro que sai dos nossos bolsos.
DEU NO X
POVO MALDOSO E SEUS ADJETIVOS
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: Cartola
Angenor de Oliveira, nasceu em 11/10/1908, no Rio de Janeiro-RJ. Compositor, poeta, violonista e cantor de músicas clássicas da MPB. Compôs As rosas não falam, O mundo é um moinho, Acontece, O sol nascerá entre outras e participou da fundação da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.
Filho de Aída Gomes de Oliveira e Sebastião Joaquim de Oliveira, seu nome era Agenor, mas foi registrado Angenor, fato descoberto anos depois quando foi se casar com Dona Zica, em 1960. Nasceu no bairro do Catete e aos 8 anos a família mudou-se para o bairro das Laranjeiras, onde teve contatos com o samba e aprendeu a tocar violão com seu pai. A família de 8 filhos passou por uns perrengues financeiros e teve que mudar, em 1919, para a nascente favela no Morro da Mangueira, onde fez amizade com Carlos Cachaça, que além de amigo por toda a vida, tornou-se parceiro em alguns sambas. Nesta época conheceu outros apreciadores do samba, da boemia e, digamos, da malandragem. Após o falecimento da mãe, terminou o curso primário e foi trabalhar como servente de pedreiro. Para se proteger do cimento e cal caindo na cabeça, passou a usar um chapéu-coco e com isso ganhou dos colegas o apelido “Cartola”.
Aos 17 anos, ainda novato na vida boêmia, teve alguns conflitos com o pai e foi expulso de casa. Passou um tempo levando a vida de vadio, bebendo, perambulando na noite e dormindo em trens do subúrbio. Tal vida levou-o à doença e ficar acamado num barraco. Uma vizinha -Deolinda- casada e com uma filhinha ficou com pena dele e passou a cuidar e gostar daquele rapaz de 18 anos. Acabaram se envolvendo e decidiram viver juntos. Ela deixou o marido, levando a filha, que Cartola passou a criar como sua. Enquanto isso o ofício de compositor e violonista se afirmava nos bares e pontos locais ao lado do amigo Carlos Cachaça. Junto com outros amigos, formaram uma turma de brigões e arruaceiros e criaram um bloco carnavalesco, denominado justamente de “Bloco dos Arengueiros”, em 1925. Não havia intenção alguma de se criar uma escola de samba, mas foi o que se deu.
O bloco fundiu-se com outros e deu origem a agremiação Estação Primeira de Mangueira, criada em 28/4/1928. Cartola foi um dos 7 fundadores e diretor de harmonia, em que permaneceu até 1930. O nome da escola de samba foi escolhido devido ao fato de ficar no Morro da Mangueira a primeira estação de trem partindo da Central do Brasil. Ele compôs o primeiro samba – Chega de demanda – escolhido para o desfile. A partir daí começou a ficar mais conhecido e passou a vender alguns sambas para cantores famosos.
Pouco depois foi procurado por Mário Reis, através de Clóvis Miguelão, que foi até o morro comprar uma música. A música – Que infeliz sorte – não se adaptou à voz de Mário Reis e acabou sendo lançada por Francisco Alves, o maior ídolo da música na época. Muitos outros sambas foram vendidos ao cantor e serviu para projetar o compositor. Ele cedia apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservava a autoria, o que ajudou bastante expandir seu nome no mercado de discos.
Em 1932, Francisco Alves e Mário Reis gravaram outro samba seu: Perdão, meu bem. Nesta época conheceu e manteve parceria com Noel Rosa, resultando no samba Tenho Um Novo Amor, interpretado por Carmen Miranda. No mesmo ano a Mangueir foi campeã do desfile promovido pelo jornal O Mundo Esportivo, com a música Pudesse Meu Ideal, sua primeira parceria com Carlos Cachaça. No ano seguinte viu pela primeira vez um samba seu se tornar sucesso comercial: Divina Dama, na voz de Francisco Alves. A partir dai, passou a compor exclusivamente para a sua escola no morro e ficou por um tempo fora do círculo artístico e de produção discográfica.
Em 1935 a Mangueira foi premiada de novo com um samba seu: Não quero mais, em parceria com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, gravado em 1936, por Araci de Almeida e regravado, em 1973, por Paulinho da Viola, com o título alterado para Não Quero mais amar a ninguém. Em 1940, dá-se novo impulso na carreira. Foi convidado pelo maestro Heitor Villa-Lobos, seu fã, para formar um grupo de sambistas com Donga, Pixinguinha, João da Baiana, entre outros, para fazer algumas gravações de MPB para o maestro norte-americano Leopold Stokowski, acompanhado da Orquestra Sinfônica da Juventude Americana, que percorria a América Latina recolhendo músicas nativas. Dos sambas gravados por ele Quem me vê sorrindo saiu em um dos quatro discos de 78 rpm, lançados comercialmente apenas nos Estados Unidos pela gravadora Columbia.
Em seguida atuou como cantor na rádio e ainda em 1940 criou, junto com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro na Rádio Cruzeiro do Sul, apresentando inéditos. Em 1941 formou, junto com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em um programa da Rádio Cosmos, em São Paulo. Nos anos seguintes, teve pouca participação no cenário musical. Apareceu como corista da gravação de alguns cantores na Colúmbia e chegou a se apresentar com um grupo de morro no Cassino Atlântico.
Para agravar a situação, contraiu meningite, ficando breve período andando de muleta. Foi cuidado por Deolinda, mas pouco depois ela faleceu e ele desapareceu durante uns 7 anos. Fora do ambiente musical, muitos pensavam até que tinha morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Passou um período difícil em sua vida. Sem mais a atenção de Deolinda e o prestígio no morro da Mangueira, vivia numa favela no bairro do Caju, com uma mulher chamada Donária. Conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios.
Seu destino foi alterado com a entrada em cena de uma nova -e definitiva- mulher em sua vida. Quando Eusébia Silva do Nascimento, a dona Zica, o encontrou, ele estava entregue à bebida, desdentado e sobrevivendo de biscates. Apesar disso, Zica, uma antiga admiradora, se apaixonou por ele, e o levou de volta ao morro da Mangueira, indo morar numa casa na subida do morro, perto da quadra da escola de samba. Em 1957 trabalhava como vigia e lavador dos carros dos moradores de um edifício em Ipanema. Certo dia foi identificado pelo jornalista Sérgio Porto, conhecido como Stanislaw Ponte Preta), sobrinho do crítico musical Lúcio Rangel, que havia dado ao sambista, anos antes, o apelido de Divino Cartola.
Ao vê-lo magro e maltrapilho, Stanislaw decidiu ajudá-lo, começando por divulgar a redescoberta. Àquela altura, Cartola era dado como desaparecido ou mesmo morto por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com o jornalista foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor. A promoção rendeu algumas apresentações na Rádio Mayrink Veiga e em restaurantes, além de matérias em jornais e revistas. Sérgio também arranjou para o sambista, por meio do cronista e pesquisador Jota Efegê, um emprego de contínuo no jornal Diário Carioca em 1958. No mesmo ano foram gravados seus sambas Grande Deus e Festa da Penha, respectivamente por Jamelão e Ari Cordovil. Em 1960 Nuno Veloso gravou Vale do São Francisco, um em sambem parceria com Carlos Cachaça.
(continua no próximo domingo)
DEU NO X
TÁ LÁ
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
TRÂNSITO EM JOÃO PESSOA
João Pessoa está ficando
Movimentada demais!
Mote deste colunista
Quando cheguei por aqui
Não tinha corre, nem fila,
A cidade era tranquila,
Confusões eu pouco vi.
Agora daqui pra ali
A gente já perde a paz,
De carro nem ando mais,
E a coisa só piorando,
João Pessoa está ficando
Movimentada demais!
Melchior SEZEFREDO Machado
Só tô saindo de casa
De Uber com a “muié”
Pois não posso andar a pé
A coluna me arrasa
Não posso mais bater asa
O tempo me botou pra trás
Véi, tem vontade, não faz
Termina se acomodando
João Pessoa tá ficando
Movimentada demais!
Poeta Nascimento
É culpa de Juliete
Que disse no BBB
Vão pra lá vocês vão ver
E isso virou chiclete
Todo ano se repete
Gente que nem satanás
Perdemos a nossa paz
Cada vez mais tão chegando
João Pessoa está ficando
Movimentada demais!
Ronaldo Barbosa
Está difícil de sair
Pelas ruas caminhar
De ir nas lojas comprar
E seu carro dirigir
Tá difícil ir e vir
Pelo que vi nos jornais
Turistas e marginais
O povo só reclamando
João Pessoa está ficando
Movimentada demais!
Leo Brasil
Quem pegar a João Maurício,
Meio dia, noite ou à tarde
Perceberá o alarde
E o nível do sacrifício
O motora em seu ofício
Grita: -Aqui não cabe mais!
O cobrador perde a paz,
Passageiro sai bradando:
-João Pessoa está ficando
Movimentada demais!
Wellington Vicente
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
BALIZAMENTOS PÓS FOLIA
1. Passadas as folias e estrepolias momescas, de voltas às aulas e aos preparativos pré pascoalinos, saibamos bem entender que a felicidade não é a mesma para todos, que amar significa entender mais intensamente, sem ilusões nem obsessões, sem mandos nem desmandos, que o saber é um processo cumulativo individualizado, oferecido pelo Maior de Tudo, o Criador do Homão da Galileia e de todos nós, cabendo a cada um potencializar os dons recebidos, sem obsessões consumistas, sem alucinações mentais e sexuais, como se a cabeça de baixo tivesse dominância.
2. Fiquemos sempre atentos a uma verdade histórica que impressiona mentes e corações: na última geração foram queimados mais recursos energéticos do que em todas as gerações anteriores, favorecendo a acumulação de bens para um cada vez menor número de privilegiados!
3. Um questionamento que se faz, hoje, nos quatro cantos do Brasil: A água é fonte de vida ou fonte de lucro? Busquemos sempre raciocinar criticamente cada vez mais, fortalecendo a CSNC – Cidadania Social Nacional Comunitária, antes que tudo seja tarde demais!
4. Estou plenamente convencido de que, no Brasil, os feminicídios somente se reduzirão a um mínimo com penas mais longas aplicadas e a castração física integral dos culpados. Para quem somente pensa da cintura para baixo, sejam extraídos integralmente os neurônios escrotais. Um CAC é uma pessoa que tem permissão para ter arma. Infelizmente, tem gente que também é CAC – Canalha, Assassino, Covarde. Para estes, cadeia longa e castração física integral.
5. Para quem deseja intensificar sua fé no Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador, livrando-se dos dogmas sobre Ele estabelecidos ao longo dos séculos, uma leitura pascoalina para lá de muito oportuna: JESUS NÃO FUNDOU UMA RELIGIÃO, Durval Checchinato, Belo Horizonte MG, Artesã Editora, 2023, 376 p. Páginas que explicitam uma análise criteriosa sobre dois atuais sinais do tempo (kairós): o retorno ao Jesus histórico e o retorno a uma Igreja emanada de Pentecostes. Leitura oportuna para mentes radicalmente voltadas para um regime de igual participação em comunidades refundadas sob a força do Espírito Santo.
6. Uma reflexão notável deveria balizar o atual ano eleitoral brasileiro: “A banalidade do mal consiste na incapacidade de pensar” (Hannah Arendt). Sempre acompanhada, se possível, de um mantra mais que indispensável: “Sem buscar erradicar o mal social, o votante sempre se sairá mal” (João Silvino da Conceição, nordestino sem rancor)
7. Que todo o Sistema Judiciário Brasileiro assimile radicalmente: A audiência é de Custódia, jamais de Misericórdia!
8. Ser humano metido a machista, que assassina companheira, merece cadeia longa, extração cirúrgica do pinto e dos bagos, com penas sem saidinhas nem reduções. Tampouco celas individuais.
9. Saibamos militar por uma Cidadania Integral de todos os brasileiros, nulificando os mais diferenciados analfabetismos: o profissional, o político, o social, o religioso, o familiar, o conjugal, o sindical, o condominial, o celularático, o moral, o acadêmico, o comunitário e o esportivo. Basta de manadas em nossos derredores!!!
10. Para os irmãos espiritualistas e espiritistas que se preparam para mais uma Semana Santa, uma leitura muito oportuna: a Exortação Apostólica DILEXI TI – SOBRE O AMOR PARA COM OS POBRES, do Papa Leão XIV, de 4 de outubro de 2025, à disposição na Livraria Vozes, Recife Pernambuco.
11. Para todos os 60+ dos quatro cantos do Brasil, uma recomendação: Envelheçam sem esmorecer, vivendo com dignidade e moderação, sem ansiedades nem obsessões, complementando-se através de leituras sementeiras, como metamorfoses ambulantes em evolução, iluminando cada vez mais a Criação do Senhor do Todo!
DEU NO X

