SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

É LULINHA??

Tenho acompanhado, aqui da minha taba, com aquela proverbial preguiça caeté, as safadezas que estão ocorrendo em Pindorama e os guabirus “pìu grasso” que estão se enrolando nos diversos escândalos envolvendo grossos dinheiros roubado do otário pagador de imposto. E essa reflexão fez-se-me lembrar de um vaticínio do grande Potiguara Maurício Assuero quando o aiatolá Mulamed Ladron foi eleito. Se bem se me alembro, perguntaram a ele, em um seminário sobre contabilidade atuarial o que ele considerava como andariam as contas públicas, com a eleição do nosso aiatolá e ele, mangando, mas dizendo a verdade, espinafrou a plateia dizendo que seriedade iria se ter com aquele prontuário policial na cadeira de presidente.

Acertou no vinte! Nem demorou três anos para que os escândalos financeiros começassem a aparecer no atacado e no varejo, explodindo com os casos da ladroagem escancarada dos velhinhos do INSS e agora o golpe bilionário do Banco Master que já soterrou o STF com a lama podre do escândalo, colocou dois ministros – Dias Tóffolli e Moraes -, não como ministros, mas como gangsteres e criminosos que atuam na corte suprema do país, defendendo interesses próprios e de seus comparsas, e soberanamente dão uma banana para o pagador de impostos.

Mas, tudo isso são detalhes dentro de esquema maior e bem mais perigoso para o Mulamed Ladron: o envolvimento do nome do filho, conhecido como Lulinha, na roubalheira dos velhinhos aposentados do Brasil. E, eu chamo a atenção da bugrada de Pindorama porque a história apresentada, o enredo costurado tem falhas, tem inconsistências que não se ajuntam. É como a história do fazendeiro mentiroso que diz que atirou no ouvido direito de um veado e a bala saiu na pata esquerda. Simplesmente é estapafúrdia.

Ainda que eu, caeté, tenha uma preguiça monumental de pensar, vamos pensar um pouco. Um sujeito que era catador de merda de elefante em zoológico, de repente ganha uma bolada para entregar para uma operadora de telefonia um programa de jogos para celular. Nunca entregou, a operadora foi para o vinagre, mas a grana caiu na conta do rapaz. Mas isso, foi lá no começo do século XXI, quase todo mundo já esqueceu dessa maracutaia.

Agora o caso é outro. O mesmo catador de bosta recebe uma bolada inicial de 30 milhões de reais e uma mesada de 300 mil reais mensais, morando na Espanha, para fazer lobby no governo do pai, o dito aiatolá defensor de tiranos e ditadores, e facilitar a vida de ladrões de velhinhos. Eu, apesar de minha preguiça, não consigo ver nexo algum nessa ópera bufa que tenta tirar o foco do essencial e colocar no acessório.

Ainda que o dito “Lulinha” tivesse esse suposto acesso aos estamentos do poder comandado pelo pai, não faz sentido algum esse recebimento de dinheiro, mesmo porque o trabalho de lobista necessita tutano, massa cinzenta e desenvoltura para transitar pelas esferas do poder, coisa que esse senhor nunca teve, mesmo porque tem uma capacidade intelectual limitada.

Não, meus caros, para ser politicamente correto, “povos originários”, não é o senhor Lulinha o foco dessa mesada. Tem muito mais minhoca embaixo desse lameiro, tem muito surubim escondido embaixo dessas pedras nas sombras das águas. Eu não acredito um grama nessa conversa fiada de que Lulinha é um operador competente para se chegar a esses valores bilionários de ladroagem.

Lulinha é só um painel luminoso, só a fachada de um moulin rouge – hoje estou exercitando a língua de Racine -, todo iluminado e colorido para esconder algo mais sórdido e para esconder o beneficiário final dessa grana toda que era surrupiada dos velhinhos deste país amaldiçoado pelas nossas escolhas erradas.

Dinheiro é a coisa mais difícil de se esconder. Como a história do bode na sala, basta seguir o rastro do dinheiro, ou o cheiro do bode. Alguém, em Pindorama, que ainda não perdeu a sanidade, ou não se rendeu à canalhice institucionalizada, acredita mesmo que Lulinha recebia por mês, o que eu recebo por ano, morando na Espanha, retribuições por abrir portas para negócios safados, em Brasília? Alguém que ainda não recebeu um laudo do CID-10, atestando idiotia total, ou inimputabilidade, acredita que o beneficiário final dessa mesada é mesmo o Lulinha? Alguém pode me explicar, como se eu tivesse cinco anos de idade, que essa lorota contada e recontada, tem fundamento na verdade?

Não meus amigos! Lulinha não é o beneficiário final dessa bolada suja. É apenas um testa de ferro, um intermediário. Se ainda houver um pingo de honestidade e ética nas instituições dessa famigerada república, basta seguir o cheiro do bode e se chegará ao beneficiário final dessa ladroagem toda. Eu não acredito um grama que Lulinha seja esse beneficiário final, ou seja esse lobista competente que abre todas as portas na república petista, ainda que seja o filho do aiatolá presidente.

Meu conselho, se é que conselho de caeté vale alguma coisa: sigam o cheiro do bode e o rastro do dinheiro. A única coisa que fico de torcida é que sobre pelo menos um naco da panturrilha do “Sardinha” para eu poder assar aqui na minha taba.

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INCERTEZAS

Essa semana li que o Ministério Público entrou com uma ação para afastar o presidente do IBGE das suas funções. É público e notório que suas atitudes são muito próximas de tudo que ele praticou quando foi presidente do IPEA, ou seja, tirou de cargos importantes técnicos capacitados para colocar, em seus lugares, pessoas sem muito conhecimento, mas agradecidos pela oportunidade de estar produzindo “resultados” importantes para o Brasil.

Tanto o IPEA quanto o IBGE trabalham com série de dados macroeconômicos que são fundamentais para o entendimento das políticas econômicas. Há quem não goste de usar estatística, mas a questão não é o uso da estatística, mas a forma como os dados são processados e relatados. Os números do IBGE são fantásticos! Colocam o Brasil à mesa das grandes economias, mas há fatores que não se modificam ao longo dos anos como, por exemplo, a lista de classificação municípios em miséria absoluta.

Não é raro o aproveitamento do conhecimento específico para criar cenários falsos. O caso do Banco Master, por exemplo, vai mais ou menos nessa direção, posto que o banco forjou uma carteira de depósito a prazo que, simplesmente, inexistia. As Lojas Americanas não colocaram no balanço o endividamento, fato ao ser descoberto revelou um rombo de R$ 20 bilhões.

A manipulação de dados econômicos se configura como um dos grandes, e graves, problemas das economias, ou seja, qualquer economia, por mais sólida que seja, perde a credibilidade quando adota práticas nada salutares. O comportamento das instituições públicas e privadas, vai impactar diretamente nas decisões governamentais, colocando em risco a atração de investimentos, a formulação de políticas públicas e a confiança da sociedade nos indicadores que orientam a economia.

Um dos casos mais impactantes aconteceu no ano 2000 e envolveu a Grécia que, tentou por diversas vezes entrar na União Europeia, mas são contas públicas representavam um risco expressivo para o grupo. Naquela ocasião, para conseguir se integrar à zona do euro, o governo grego manipulou o tamanho real do déficit público e da dívida nacional e forneceu a União Europeia dados falsos, fato que foi descoberto em 2009. Em outras palavras: foi descoberto que para atender às exigências do Tratado de Maastricht e, com isso, permitir que a Grécia passasse a fazer parte da zona do euro. Os dados verdadeiros, quando publicados, gerou uma crise fiscal que levou a medidas severas de austeridade e à intervenção de organismos internacionais.

Outro fato de grande magnitude (feito medida de terremoto), ocorreu na Argentina, entre 2007 e 2015, e envolveu o instituto oficial de estatísticas do país (INDEC). Nesse período quem governava a Argentina era Cristina Kirchner – que coisa, não? – e havia um protesto público, de economistas e organismos internacionais, contra os dados divulgados, principalmente em relação aos índices oficiais de inflação que foram – que coisa, não? – artificialmente reduzidos. O impacto dessa manipulação era, direto, sobre títulos públicos indexados e negociações salariais e o caso gerou perda de credibilidade nas estatísticas oficiais. A situação tornou-se tão grave que o Fundo Monetário Internacional chegou a emitir uma censura formal ao país.

Tudo isso não é exclusivo de governos. Falei do caso das Lojas Americanas, mas outro famoso, ocorrido no início dos anos 2000, envolveu a empresa Enron – Estados Unidos – que fez uso de mecanismos contábeis para esconder dívidas e inflar artificialmente seus lucros. Quando a fraude foi descoberta, a empresa entrou em colapso, milhares de funcionários perderam seus empregos e investidores sofreram prejuízos bilionários. O caso levou à criação da Lei Sarbanes–Oxley, que reforçou regras de governança corporativa e transparência contábil.

Outro escândalo corporativo relevante foi o da WorldCom, também nos Estados Unidos. A empresa manipulou seus balanços ao registrar despesas operacionais como investimentos de capital, inflando seus lucros em bilhões de dólares. A fraude foi descoberta em 2002 e resultou em uma das maiores falências da história empresarial norte-americana.

Além dessas situações, existem casos em que governos manipulam indicadores macroeconômicos de maneira mais sutil, alterando metodologias estatísticas, atrasando a divulgação de dados ou selecionando quais informações divulgar ao público. Embora nem sempre configurem fraude direta, tais práticas podem distorcer a percepção da realidade econômica e prejudicar a formulação de políticas públicas.

A manipulação de dados econômicos também pode ocorrer no setor financeiro, mas eu nunca vi algo da natureza do banco Master. Não foi apenas uma fraude na captação de recursos, foi um avanço intricado nas relações de poder. O Banco Central tem capacidade de investigar desvios de conduta dos bancos e, ao que me lembro, Banco Econômico, Bamerindus, Bandeirantes, Banorte, Mercantil de Pernambuco, foram bancos liquidados extrajudicialmente, mas nenhum dos seus acionistas majoritários mantinha qualquer relação com o agente público.

Hoje, a gente sabe que Vorcaro pagou milhões com festinhas para nossas autoridades competentes. Só de degustação de whisky foram US$ 640 mil, o que dá, mais ou menos, R$ 3,3 milhões. Nós temos, absoluta, certeza de que amanhã teremos outro escândalo envolvendo nossas autoridades competentes. O que é incerto é apenas o tamanho dos fatos.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PAISAGEM SERTANEJA

Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Mote deste colunista

Espetáculo todo dia
Foto imagem uma beleza
São coisas da natureza
Mas parece uma magia
Da natura é poesia
Temos a revelação
Do dia é terminação
Quando a noite vai chegando
Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Cabal Abrantes

Eu vi num entardecer
O sol indo descansar
Depois de muito brilhar
Sem ninguém reconhecer
O valor do seu poder
Fez ele parecer ser tão
Amável nesta questão
De ver o dia findando
Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Leo Brasil

Quatro horas da manhã
Já começa a clarear
A passarada a cantar
É disso que eu sou fã
O canto do maracanã
Olho e avisto o clarão
Dar até a impressão
Que Jesus está voltando
Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Poeta Nascimento

Um risco de luz se traça
Na escuridão do horizonte,
E antes que o sol desponte
Um tênue brilho já grassa
De forma inda um pouco baça.
Voltando a minha visão
Pro céu em transformação,
No parto do sol raiando,
Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Melchior SEZEFREDO Machado

Vi um canário da terra
Na copa do umbuzeiro
Parecendo um seresteiro
No palco do pé da serra
Enquanto o torino berra
Já reclamando a ração
O vaqueiro passa a mão
Numa vaca amamentando
Eu vi a barra quebrando
Nas quebradas do sertão.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

EU GOSTO DE VER O PÔR DO SOL E DE CONTAR ESTRELAS

Pequeno Príncipe e a raposa olhando o pôr do sol

“Quando a gente está triste demais, gosta do pôr de sol”. (Antoine du Saint-Exupèry)

Jamais serei poeta.

Nada tenho contra esses privilegiados. Louvo-os!

Eu não sei fazer rima. Nem versos. Nem poesia.

Mas, a vida me ensinou a contar estrelas.

Já contei milhares delas.

Para cada uma, dei um nome – já tenho mais que um Cruzeiro do Sul.

Converso com elas. As estrelas.

Com algumas, até já convivi.

Com a limpidez do céu da noite, quando estou triste pego um caderninho e rabisco uma poesia……. minto!

Conto estrelas, quando estou triste.

Até a insônia me permite contar estrelas que vejo e cumprimento como fazem os beija-flores em voos rasantes de reconhecimento.

Conto estrelas, quando estou triste.

Em vários momentos, a insônia me entristece – por isso, conto estrelas.

Tanto quanto o Pequeno Príncipe e a Raposa gostam de ver o pôr do sol, todo fim de tarde, a insônia me impõe a tristeza – por isso, conto estrelas.

Também!

Vem-vem – o poeta

Todo fim de tarde, quando muitos estavam vendo o pôr do sol – um verso poético que se repete em várias partes do mundo, com a mesma rima – olhando para onde o sol nasceu ao amanhecer, vejo aquela árvore com galhos secos e desfolhados, sem rima, mas poeticamente recebe a esperança no cântico do vem-vem.

Para entender cada verso e toda a rima daquela poesia, é preciso estar triste.

Vem-vem canta a minúscula ave, enchendo de esperança a tristeza de quem espera a chegada de alguém. Que, às vezes, não vem.

Como o céu nublado no fim de tarde que não permite ver mais um pôr do sol, ou a chuva que não permite olhar (e contar) estrelas, o vem-vem canta sem saber que alguém não vem.

Mas amanhã e depois, em muitos fins de tarde, o vem-vem vai fazer poesia.

Cantando!

Mãos fazendo a poesia da debulha do milho

A terra recebe a semente semeada. A terra ajuda a semente semeada a nascer e a crescer, dia após dia. Verso após verso – com a rima da chuva, faz o milagre poético da colheita. As etapas, são versos rimados em poesias conclusas. Em sementes.

A colheita é a poesia da multiplicação da semente.

Tanto quanto o Pequeno Príncipe e a Raposa precisam do céu sem nuvens para que continuem vendo a cada fim de tarde o pôr do sol; e a insônia continue acontecendo para que aconteça a contagem das estrelas, a poesia da semente só terá rima em todos os versos, com o debulhar do milho.

Na debulha, mãos envelhecidas e calejadas transformam o semear, o nascer e o colher do milho em poesia.

Não.

Eu não sou poeta.

Eu não sei rimar.

Mas, a vida me ensinou a ver o pôr do sol, a contar estrelas e a debulhar o milho.

DEU NO X