A Odilon Thomaz, com amor!
À exceção do dia que me tronara mãe de Francisco, as coisas mais importantes que aconteceram na minha vida foram os meus mortos e, com isso me refiro à morte de meus entes queridos. Talvez o leitor tenha a impressão de que isso seja lúgubre, mórbido. Eu não vejo assim. Muito pelo contrário: para mim é uma coisa tão natural, tão lógica e tão certa. Apenas em nascimentos e mortes saímos do tempo. A Terra detém sua rotação e as trivialidades com as quais desperdiçamos as horas caem no chão feito purpurina. Quando uma criança nasce ou uma pessoa morre, o presente se parte no meio e nos permite espiar durante um instante pelas frestas de nossa vil humanidade.

