DEU NO JORNAL

NADA DE ESPANTO

“Para surpresa de zero pessoas”, diz Fabio Wajngarten, ex-ministro de Jair Bolsonaro, sobre a revelação de que o maior vencedor do suspeitíssimo leilão do arroz é um empresário que já confessou propina.

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Propinista confesso vencer licitação nesse gunverno luleiro não é motivo pra espanto.

Normal, normal, normal.

Tudo dentro do padrão petrálhico.

XICO COM X, BIZERRA COM I

NETFLIX E BOLA DE MEIA

Passei toda a infância e adolescência sem Wi-Fi, Facebook e Netflix. Não me fizeram falta. Twitter, sequer tinha notícias do que se tratava, tampouco esse tal de Youtube. E cheguei à idade que hoje tenho, sem traumas, complexos e, mais importante, feliz da vida. Talvez porque tinha (e tenho) amigos de verdade e não virtuais, filhos e netos que moram muito próximos para valorizarmos a relação familiar, independentemente do Instagram. Não tenho do que reclamar. Criança, ligava pra minha avó, de um orelhão da esquina de minha casa. Isso quando tinha fichas. À época, tecnologia de ponta. Logo depois, instalaram uma linha telefônica em minha casa e eu passei a fazer uso daquele aparelho preto e grande que ficava sobre a mesinha. Era bom. Não tenho mais avó e não mais existem os orelhões. Nem os ‘monstrengos’ pretos que ficavam sobre a mesinha. Hoje minha paciência está indisponível, fora de área de cobertura. É muita ‘modernagem’ para meu HD incapaz. Melhor quando eu era menino. Depois da escola, fazíamos o dever de casa – que hoje chamam de tarefa, e depois saíamos para brincar. Costumávamos criar nossos próprios brinquedos e brincar com eles. Jogar bola de meia com amigos reais era muito mais divertido que jogar os joguinhos que os meninos jogam com amigos virtuais da internet. Vou parar por aqui. Preciso mandar uns WattSapp para amigos, escrever uma croniqueta no meu Laptop, comprar uma bateria nova para o meu Smartphone e dar uma passadinha no Facebook. Volto semana que vem. Qualquer coisa, mandem MSG.

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO JORNAL

UM TIJOLO NO LUGAR DO CORAÇÃO

Luís Ernesto Lacombe

Lula durante visita ao bairro de Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul (RS), junho de 2024.

Lula durante visita ao bairro de Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul (RS)

Não é o quê… A questão é quem… Mácula antiga nesse país, vergonha que só aumenta. Não interessa o que façam, o que deixam de fazer… Interessa quem faz e quem deixa de fazer. É conforme o sujeito que se vai determinar a aplicação das leis, ou o desprezo a elas, uma livre interpretação do que está escrito, uma adaptação qualquer mal-ajambrada de tudo. Atropela-se a legislação, atropelam-se normas, regras, ordens, preceitos, princípios, obrigações, deliberações, cânones… Quem? Quem? É isso que norteia o país da hipocrisia, dos absurdos.

“Rachadinha é corrupção, é crime…” Mas, se a acusação for contra um aliado de quem está no poder, arquive-se a denúncia. Quer agredir verbalmente um colega de parlamento? Depende de quem você é… Se está no grupo que controla quase tudo, diga a uma deputada, sem nada temer: “Você é ridícula. Você é feia, ultrapassada. Vai hidratar esse cabelo, vai se cuidar”. Também pode chamar deputado de “veadinho”, de “boiola”… Estando com as pessoas certas, você jamais será preconceituoso, homofóbico, machista, racista.

Agressões físicas? Sim, um grupo está liberado para dar tapa, empurrões, chutes… Claro, sempre naqueles que merecem apanhar. Não há Conselho de Ética que se oponha a essa “lei”… Quem? Quem? Por isso, uma deputada casada com um colega da Câmara que há pouco tempo expulsou com violência da casa do povo alguém que o “incomodava” pode publicar nas redes sociais: “Chega! Até onde será permitido o uso indiscriminado da violência como forma de fazer política dentro do parlamento brasileiro?”

Quem é você? Quem é o outro? Com base nas respostas, será decidido quem pode e quem não pode invadir e depredar prédios públicos. Quando aqueles ao lado dos poderosos fazem algo assim, são chamados de “manifestantes”. Quebram tudo, agridem, mas com a melhor das intenções, é só um protesto contra os tiranos e autoritários, é pelo povo… Os outros, os outros, mesmo que não haja provas contra eles, são a escória da escória, são piores do que traficantes, assaltantes, estupradores, assassinos… Cadeia neles, para que não esqueçam: o que importa é quem, não é o quê…

Mentir? Claro que a alguns isso é permitido. Depende sempre de quem… Há o grupo que pode encher-se de orgulho pelas mentiras que conta. E suas mentiras serão prontamente transformadas em “verdades”. Elas serão a salvação e proteção do país. Você pode, dependendo do lado em que está, interditar o debate, censurar, perseguir, como se estivesse numa peregrinação heroica em defesa da democracia. Pode até dizer que está aberto a críticas, a rebater opiniões contrárias às suas, ao argumento, contra-argumento, ponto, contraponto… E, na sua concepção muito particular de “debate”, você pode chamar os outros de nazistas, fascistas, genocidas.

Dependendo de quem você é, pode se candidatar a presidente, ainda que condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro. Se tem o cabelo laranja, mesmo condenado numa farsa, ainda com direito a recursos, você não pode nada. Dependendo de quem você é, pode fazer campanha eleitoral antecipada, com verba da Lei Rouanet, vender arroz com a logomarca do governo federal, gastando um dinheirão. Abuso de poder econômico, abuso de poder político… Sobre escombros, com microfone de lapela, direção de fotografia, está liberada a propaganda em meio a tragédias. Tijolinho na mão, um tijolo no lugar do coração… E está tudo bem. Só depende de quem você é.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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