CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

APOSENTADORIA E MALANDRARIA

O cantor Boaventura Bonfim, Camila e Cibele

Quando trabalhamos em certas empresas, onde temos o privilégio de permanecer por longos anos, sempre nos vem à mente o dia da aposentadoria.

Éramos jovens trabalhadores e já ouvíamos os mais antigos falando constantemente nesse dia. A data sempre surgia à nossa mente como se fôra um zumbido nos ouvidos, pois se tratava, na verdade, de um patamar triunfal. O pódio da profissão!

Eis, porém, que nem sempre nos preparamos de verdade para a aposentadoria, embora os principais pensamentos sejam realizar várias opções: ter tempo para viajar, montar um negócio ou mesmo não fazer plano algum: “Deixar a vida nos levar”, como diz o Zeca Pagodinho.

Os anos foram passando e muitos de nós que permaneceram em funções importantes – como os magistrados, por exemplo – tiveram seu dia de triunfar; ou seja, chegar à aposentadoria plenamente saudáveis.

Primeiramente alguns profissionais que conheço me disseram que logo nos primeiros dias de malandreiragem se sentiram aliviados pois se livraram dos fardos da responsabilidade diária.

Mas, aí vem aquela coisa de pensar que perdendo a “patente” não se sente mais nada. Um choque, portanto, será a readaptação a um novo estilo de vida. E esse novo anseio chega na sequência dos dias da “liberdade”.

Livre da obrigação de tantos anos começa-se o tiranete da busca de alguma coisa para fazer, pois não é fácil um aposentado – por exemplo: um Juiz de Direito, um oficial de Marinha, arranjar uma atividade rendosa e que para exercê-la se exija apenas meio expediente.

E ficam bom tempo a pensar: “Ser escravo depois de uma carreira tão expressiva, Deus me livre! ”

Um caso típico apresento como exemplo. Tenho um amigo correspondente, ilustre cidadão residente em Fortaleza, com quem quase todos os dias me comunico pela internet, Dr. Boaventura Bonfim, atento leitor desta gazeta do famoso Luiz Berto.

Boaventura tornou-se um caso raro de adaptação a outra atividade, mesmo que não remunerada, mas representa algo que lhe dá gosto incomum: a arte de cantar e de pronunciar conferências sobre vários temas filosóficos e de autoajuda.

Notei, por algumas despretensiosas remessas de suas artes, que ele está desenvolvendo intensa atividades, depois de aposentado. Embora não sendo rendosas, atendem aos seus anseios juvenis mais significativos, uma delas o desejo de um dia vir a ser cantor, independentemente de ter sido identificado como um John Lennon, na juventude.

Equipou-se, para ser, no caso do canto e das palestras, um Influenciador. Tanto que adquiriu microfone e demais apetrechos de cena, e tem preparado bons programas, todos cheios de graça, pois se apresenta, às vezes, com as encantadoras filhas Camila e Cibele.

Aprendeu a fazer a mágica de poder cantar com “orquestras invisíveis”, cujos sons saem de pequena geringonça que coloca discretamente em cima da mesa do estúdio, de onde saem os sons instrumentais, mostrando que seus acompanhantes são de especial categoria. E exibe o macete para seu público.

Já pensou, caro leitor, você cantando no chuveiro sob acompanhamento da Orquestra Cassino de Sevilha, apenas por conta de minúsculo aparelhinho, que funciona como Play Back?

Dá gosto apreciar-se um ex-Desembargador dominar os sons mais emocionantes de inesquecíveis músicas, interpretadas em espanhol; as belas canções dos saudosos Pero Vargas, Lucho Gatica ou Carlos Gardel.

Todavia, tais programas, mesmo sob a égide do amadorismo, merecem se expandir pelas ondas hertzianas, mundo afora, para gaudio de gentes das “Oropa, França e Bahia”, como nos disse o amado Jorge.

Um sujeito de sorte, Dr. Boaventura Bonfim, porque está conseguindo desenvolver, principalmente, a atividade artística que ficou encastoada em sua alma durante tantos anos de intenso trabalho com as leis!

O cantor e sua esposa Edvanda

Agora solta no ar seu canto. Não pode imaginar até onde irá chegar sua voz. Não solicita nem ao menos um magro Pix por suas apresentações.

Recebe sim, uma paga especial: a remuneração em moeda cujo valor nem é capaz de avaliar: a realização de seus sonhos, aqueles inesquecíveis momentos da época em que se apresentava em Crateús, sua cidade natal, como um dos participantes do conjunto “Os Diamantes”.

Como seguidor do futuro “Canal Boaventura”, terei a iniciativa de começar a divulgar suas atividades, para amigos pernambucanos que residem na América do Norte. Seu canto vai ser ouvido por pessoas em Las Vegas, Phoenix, Dallas, San Francisco, Utah e vários lugares do Brasil onde as imagens deste jornal chegam.

O que mais desejo é vê-lo vitorioso nessa atividade pós-aposentadoria. Afinal não é moleza o cidadão se aposentar e ficar a malandrear. Que se torne um cantor de fama é o que peço a Deus, para que jamais venha a ser chamado de malandreante.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

TRÊS POEMAS NA SEXTA-FEIRA SANTA

É SEXTA-FEIRA! – Josemar Bessa

Tradução livre e adaptação de um poema de M. Lockbridge

É sexta-feira
Jesus está orando
Pedro está dormindo
Judas está traindo
Mas o domingo está chegando!
É sexta-feira
Pilatos julgando
O conselho está conspirando
A multidão está difamando
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!
É sexta-feira,
Os discípulos estão fugindo
Como ovelhas sem pastor
Maria está chorando
Pedro está negando
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!
É sexta-feira
Os romanos batem em meu Jesus
Eles o vestem de escarlate
Eles o coroam com espinhos
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!
É sexta-feira
Veja Jesus caminhando para o Calvário
Seu sangue pingando
Seus pés tropeçando
Sobrecarregado está em seu espírito
Mas você vê, é só sexta-feira
Mas o domingo está chegando!
É sexta-feira
O mundo está vencendo
As pessoas estão pecando
E o mal está sorrindo
É sexta-feira
Os soldados pregam as mãos do meu Salvador
Na cruz
Pregam os pés do meu Salvador
na cruz
E então eles o crucificam
Ao lado de criminosos
É sexta-feira
Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa
O domingo está chegando!
É sexta-feira,
Os discípulos estão questionando
O que aconteceu com o seu Rei
E os fariseus estão celebrando
Que seu plano astuto
Foi alcançado com sucesso
Mas eles não sabem
É apenas sexta-feira,
Mas o domingo está chegando!
É sexta-feira
Ele está pendurado na cruz
Sentindo-se abandonado por seu Pai
Deixado sozinho e morrendo…
Pode alguém salvá-lo?
Ooooh
É sexta-feira
Mas o domingo está chegando!
É sexta-feira
A terra treme
O céu escurece
Meu rei entrega seu espírito
É sexta-feira
A esperança está perdida
A Morte ganhou
O pecado conquistou
E Satanás apenas ri.
É sexta-feira
Jesus é enterrado
Soldados montam guarda
E uma pedra é rolada no sepulcro
Mas é sexta-feira
Só é sexta-feira
Mas o domingo está chegando.

* * *

GALOPE A BEIRA MAR – NOVO TESTAMENTO – Fernando Paixão

Eu lembro que o povo lá da Galileia
No tempo passado esperava o Messias
Até que cessou a contagem dos dias
Surgindo do meio da classe plebeia
Um jovem pregando pra sua plateia
Dizendo que as coisas precisam mudar
E chama discípulos pra lhe ajudar
Convidando gente do campo e da praça
Chamou pescadores que viu na barcaça
Cantando galope na beira do mar.

Tudo começou quando na Palestina
O povo amargava uma forte opressão
Sofrendo sonhava por libertação
E de Nazaré uma jovem menina
Tão doce, inocente, pura e pequenina
Um anjo aparece pra lhe avisar
Que seu ventre puro iria gerar
Um filho que ia ser grande poeta
Salvador e santo, pastor e profeta
Cantando galope na beira do mar.

A jovem assustada prostrou-se no chão
Dizendo que aquilo não era possível
Mas a pulsação do seu peito sensível
Qual jovem criança quase sem razão
Dizendo pro anjo: não tenho varão
Por isso não posso esse filho gerar
Mas, faça-se em mim o que Deus desejar
Pra Deus quero ser uma serva fiel
Cantando louvores ao Deus de Israel
Nos dez de galope na beira do mar.

O tempo passou e o povo escutava
A voz que clamava no alto deserto
Pra cima, pra baixo, pra longe e pra perto
Soava essa voz que o profeta pregava
Nas águas do rio também batizava
Pedindo ao povo pra se preparar:
Que nosso Messias não tarda a chegar
– Batizo com água começando o jogo
Mas ele batiza com Espírito e com fogo
Cantando galope na beira do mar.

Jesus aparece para João Batista
Mergulha nas águas do Rio Jordão
Quando se batiza tem uma visão
Narrada no livro do Evangelista
O céu se abrindo diante da vista
Palavra serena ele ouve no ar
O Espírito Santo vem sobrevoar
Jesus nessa hora se faz consciente
Que ele é o Filho do Onipotente
Cantando galope na beira do mar.

E para o deserto ele foi conduzido
A soma dos dias contava quarenta
Jesus persevera, se esforça e enfrenta
Todo pesadelo por ele sofrido
Escuta uma voz lhe falando no ouvido
Eu tenho poderes pra lhe ofertar
Porém Jesus Cristo se fez superar
Não foi seduzido por seu inimigo
Com a força de Deus se livrou do perigo
Cantando galope na beira do mar.

E assim começou para o pobre e pequeno
Feliz despontar de uma nova bonança
Porque nessa hora a finada esperança
Já ressuscitava em Jesus Nazareno
Aquele rapaz com aspecto sereno
Com plenos poderes se pôs a pregar
Chamando os pequenos para celebrar
Seu Reino de paz, de justiça e igualdade
Um Reino onde impera somente a verdade
Nos dez de galope na beira do mar.

A sua mensagem não foi escutada
Por gente importante da sua nação
Porém encantando toda multidão
A boa semente da paz foi plantada
Mas foi o Sinédrio que armou a cilada
Dizendo: esse homem nós vamos calar
Prenderam, julgaram para o condenar
A morte cruel duma cruz amargou
No terceiro dia ele ressuscitou
Cantando galope na beira do mar.

* * *

O VÍRUS E O VELHO – Mané Beradeiro

Meu doutor eu sou do mato.
Lá não tem televisão,
Meu rádio tá quebrado,
Telefone tem também não!
Eu senti o mundo parado
O povo todo trancado
Numa grande aflição!
Quando procurei a feira,
Na cidade do meu chão,
Nem bancas estavam lá.
Surgiu minha indagação:
– O que é que se assucede?
– Será guerra mundial?
Mas não ouço um estrondo, nenhum um tiro de canhão.
Doutor me arresponda:
– Que está acontecendo?
E o doutor foi explicando
Coisa que eu não sabia.
Um tal de coronavírus vindo lá do estrangeiro,
Tá matando muita gente, muito mais que Lampião,
Que os peidos de Jandira, que o bafo de Tonhão,
Que inhaca de Raimundo,
Que a fome no meu sertão.
Eu fiquei agoniado e disse para o doutor:
– Será possível que não tenha
Um homem que mate esse sujeito?
Que fure os olhos dele, quebre as pernas por inteiro,
Destrua as suas armas, lasque logo este estrangeiro?
Doutor, só mais uma pergunta. Pode ser?
– Esse tal de coronavírus come mesmo o quê?
Menino! Quando o doutor falou fiquei todo arrepiado.
Minha alma deu um pulo, meu corpo ficou gelado.
Vou voltar pra minha casa e ficar todo trancado.
O tal do coronavírus come velho pra todo lado!

COMENTÁRIO DO LEITOR

O DEFUNTO ERA MAIOR

Comentário sobre a postagem BREGUICE PRESIDENCIALEIRA

João Francisco:

O paletó do Janjo parece que o defunto era maior.

Está grande nos braços, desce para baixo quase no meio das pernas.

A calça dobra nas canelas.

A gravata é a mesma da primeira posse em 2002

Também a camisa a gol é da época do casamento com a Marisa.

O alfaiate judiou.

Compara com o Macron, com seu terno francês.

* * *

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (33) ‒ CEMITÉRIOS

De volta às conversas, hoje só no assunto cemitérios e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna).

Dona ADELAIDE. Velório da mãe, no Cemitério de Santo Amaro (Recife). Disse, a ela, o de praxe

– Meus pêsames.

Olhou para mim de um jeito diferente, como se estivesse nas nuvens, e perguntou

– Pêsames por quê?, meu filho.

– Sua mãe.

– O que é que ela tem?

Sem acreditar, apontei para a morta

– No caixão.

– O que é que minha mãe está fazendo ali?

– Acho melhor perguntar a ela.

E Maria Lectícia me expulsou do recinto.

ALBERTO TEIXEIRA, empresário. Em Arouca (cidade próxima do Porto, Portugal), num Dia de Finados, foi rezar no túmulo da família. E comentou, desolado, com o sobrinho José Brandão

– O lugar está à pinha (cheio). Vim encontrar meus mortos e vejo só vivos dos outros.

AMERICANO, amigo que vivia de pescar lagostas na ilha de Santo Aleixo. Conto só o triste dia em que se suicidou sem querer. Chegou em casa quase meio-dia, quando mulher e filhos iam já saindo para o culto

‒ Podem ir que vou depois.

Foram suas últimas palavras. De noite, ao voltar, a família encontrou seu corpo junto da panela, na beira de um fogão com o gás aberto. Tentou, mas não conseguiu, acender o fogo com fósforos é algo complicado para quem tem na cabeça cachaça demais. E dormiu ali mesmo, no chão, respirando aquele gás. Para nunca mais acordar. Pobre americano.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista. Chegou sem saber qual o velório certo (havia cinco, alí). Então perguntou, no primeiro,

– Quem é o morto?

E o cidadão, apontando para um caixão,

– É aquele ali dentro.

DIVANE CARVALHO, jornalista. Algumas vezes, a gente se arrepende do que diz. Foi o que ocorreu naquela manhã de domingo, seu aniversário. Liguei bem cedo

– Parabéns, Divane, desejo que tenha um dia esplendoroso.

– Acho meio difícil, Zé Paulo. Que estou aqui, no necrotério, esperando o corpo de meu marido (Luciano Fraticelli) para enterrar ainda hoje.

ELIAS SULTANUM, santeiro. Comprou casa velha junto ao Mercado da Ribeira (Olinda); só para lembrar construído, por volta de 1.560, onde se vendia carne, farinha, peixes e escravos. Já morando nela, começou uma reforma. Só que passou a ouvir uma barulheira que não tinha fim. Na quarta noite sem dormir, foi até o meio da escada e anunciou

– Atenção, senhores fantasmas, acabaram as reformas. A casa fica do jeito que está.

Em seguida, foi para o quarto e dormiu bem. Fim das reformas, fim dos barulhos. E ninguém, até hoje, conseguiu explicar o que aconteceu.

FERNANDO SABINO, escritor. No fim, vítima de um câncer no fígado, se escondia na Rua Canning (Ipanema, Rio). Mas teve o cuidado de, antes de partir, deixar escrito seu epitáfio:

‒ Aqui jaz Fernando Sabino,
que nasceu homem e
morreu menino.

FILINTO ELYSIO (nome arcádico de Francisco Manuel do Nascimento, 1734-1819), poeta. Parte do grupo conhecido como Ribeira das Naus, teve uma vida complicada. Padre, se apaixonou por Maria, filha da marquesa de Alorna e freira de um Convento. Acabou processado pela Inquisição, ainda no Século XVIII. Para um amigo, que acabara de enviuvar, escreveu curioso Epitaphio

– Minha esposa aqui jaz.
Que bem que faz.
Por sua e minha paz.

GERMANO HAIUT, ator. Ao sair do Cemitério dos Judeus, no Barro, me disse

– Taí, se há uma coisa que não entendo é muro de cemitério. Porque os de fora não querem entrar e, quem está dentro, não pode sair.

HENRIQUE DE RESENDE, advogado. No Cemitério de Cataguazes (MG) está esse epitáfio, no seu túmulo, escrito por ele mesmo

‒ Contra sua vontade, bem se entende,
Sempre amando a vida como outrora
Aqui repousa Henrique de Resende
Que preferia repousar lá fora.

NELSON DOS ANJOS, diplomata. Um belo dia, em julho de 2022, recebemos mensagem de sua mulher Clementina

– Nelson estava bem e, de repente, faleceu!!!

Saudades do amigo querido.

OTTO LARA REZENDE, escritor. Eram quatro amigos inseparáveis que formavam grupo inspirado nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, personagens descritos na terceira visão profética do apóstolo João, está no livro bíblico da Revelação ‒ fome, guerra, morte, peste, que acontecerão antes do fim dos tempos. Agora eram os Quatro Cavaleiros de um Íntimo Apocalipse ‒ Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto, o que mais gostava de conversar no grupo. Um dia Sabino entregou, a Otto, seu epitáfio ‒ que depois a família, por implicância, recusou.

‒ Aqui jaz Otto Lara Resende,
Mineiro ilustre, mancebo guapo!
Deixou saudades isso se entende:
Passou cem anos batendo papo.

VICENTE PHAELANTE, advogado (e parceiro no bridge). Tinha irmã, que o criou, morando no interior. Com esclerose e diabetes avançados. E a coitada, belo dia, preparou bolo de chocolate que degustou com uma Coca-Cola de dois litros. Resultado, morreu em pouco tempo. E ninguém pensou em suicídio. Por não haver bilhete nem comportamento nenhum indicando estar triste. Deve ter sido mesmo a cabeça que voou. Vicente decidiu que seria enterrada no jazigo da família, aqui no Recife, e foi até lá para buscar o corpo. Acertou com uma funerária local que o levasse direto para o cemitério de Santo Amaro, na manhã seguinte bem cedo. Não tinha sentido fazer velório que ninguém a conhecia mesmo, na capital. Falou com o Diário de Pernambuco, para o anúncio fúnebre. E a mulher do jornal

– Qual tipo quer?

– O mais barato.

Explica-se. Com a impressão do jornal feita em placas de chumbo, naquele tempo, seria preciso apenas três. Uma, com o nome da morta. Outra com o de Vicente, que convidava para o enterro. E a terceira, para detalhes. O resto vinha com o palavreado de sempre, já tudo pronto. Era mais barato por isso. Ocorre que dia seguinte, no Diário, apareceu a morta convidando para o enterro dele. Algum problema no telefone. Liguei, assim que li,

– Alô.

– É você?, Zé Paulo.

– Vicente?!!!

– Ele mesmo.

– Você está morto ou vivo?

Explicou e pediu fosse ajudá-lo, na tarefa de receber os amigos que iriam ao cemitério. O caixão estava já sob cuidados do pessoal da funerária, junto do jazigo. Na entrada Vicente, com um caderninho na mão, anotava o nome dos que chegavam, explicava o que ocorreu e dizia

– Vão embora não que tem o enterro da minha irmã.

Em resumo, foi o mais festivo da história do cemitério, com pequena multidão para homenagear uma desconhecida. E, todos, muito animados. Tivesse vendedor de cerveja, no local, e não iria sobrar nada. Em seguida fez lista por ordem alfabética dos presentes, datilografou e pôs na carteira. A partir daí, toda vez que o encontrava, era

– Vicente, morreu… (um nome qualquer), vamos para o enterro?

E ele, bem calmo, abria a carteira, tirava a listinha e conferia. Se o nome não estivesse nela, e até morrer de verdade, dizia sempre o mesmo

– Vou não. Só vou a enterro de quem foi no meu.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

TEATRINHO

Comentário sobre a postagem A AMAZÔNIA É DE MACRON

Pablo Lopes:

Quem quiser que acredite no teatrinho encenado pela dupla Lule e Lacron.

Ambos fingem se preocupar com a floresta amazônica e a usam como desculpa para sabotar o agronegócio brasileiro.

O francês teme nossos agricultores e pecuaristas, pois sabe que seus produtores não têm a menor possibilidade de concorrer com com os nossos.

Já o persona non grata odeia nosso agronegócio, a quem chama de fascista, pois eles representam tudo o que esquerda abomina: amor pelo trabalho, independência e geração de riquezas.

O modelo defendido pelo nine é o do MST que, uma vez implantado, só poderia resultar em uma coisa: fome!, fome no Brasil e em boa parte do mundo. Essa é a única verdade.

Então ficamos assim, a dupla finge que se preocupa como meio ambiente; a imprensa finge que acredita e segue o jogo.