WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

LIVRE ARBÍTRIO

São Paulo Apóstolo

Tudo me é permitido,
Mas nem tudo me convém.

*I Coríntios, 6, 12.

Nem tudo que posso faço,
Nem tudo que quero tenho…
De querer eu me abstenho
Quando é demais pro meu passo,
Ou quando aperta o meu laço.
Querer mais do que se tem
As vezes não nos faz bem
E noutras não faz sentido…
Tudo me é permitido,
Mas nem tudo me convém.

Melchior SEZEFREDO Machado

O livre árbitro me dá
O direito de viver
Sou eu que devo saber
Aonde quero chegar
A conta quem vai pagar
É, só eu e mais ninguém
Mas só existe um porém!
Nada disso é dividido.
Tudo me é permitido,
Mas nem tudo me convém.

Poeta Nascimento

Você pode até querer
Do seu jeito planejar
Onde você quer chegar
Mas não tem esse poder
Pois logo vai perceber
Esse poder só Deus tem
Na vida, e mais ninguém.
Isso já foi definido.
Tudo me é permitido,
Mas nem tudo me convém.

Léo Brasil

O livre arbítrio foi dado
Por nosso Deus Soberano
Pra que cada ser humano
Siga o que for do agrado:
Se escolher o pecado,
Se afastará do bem,
No Tribunal do Além
O Parecer será lido.
Tudo me é permitido,
Mas nem tudo me convém.

Wellington Vicente

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Guimarães Rosa II

Não deixa de ser um prenúncio do que viria 12 anos depois com a publicação de sua obra-prima Grande sertão: Veredas, em 1958. Considerada uma das grandes obras da literatura brasileira, segundo os críticos, a obra “renova a linguagem narrativa, sobretudo as noções de tempo, espaço e personagem. O andamento do enredo não segue a cronologia linear. Os episódios têm ritmo aparentemente caótico, sem obedecer à sequência temporal própria do romance realista, e o espaço é dimensionado pelo fluxo de viagem”.

Para escrevê-lo, o autor realizou duas viagens: em 1945, foi ao interior de Minas Gerais rever as paisagens de sua infância, e em 1952, acompanhou a condução de uma boiada pelo sertão mineiro que marcaria sua vida e sua obra. Junto com 8 vaqueiros e levando 300 cabeças de gado, percorreu em 11 dias os 240 quilômetros que separam Três Marias e Araçaí, na região central de Minas Gerais. A viagem foi toda feita a cavalo e durou 11 dias. Munido de pequenas cadernetas e lápis de duas pontas pendurado no pescoço, ele perguntava tudo aos vaqueiros e anotava na caderneta.

O próprio Rosa qualificou esta obra como uma “autobiografia irracional”, marcada por elementos regionalistas, existencialistas e religiosos. Ainda, segundo os críticos, sua prosa faz uso de “uma linguagem levada ao limite por meio de recursos como a fusão de fala popular, expressões regionais, neologismos, palavras indígenas e construções inusitadas de frases que, por vezes, se chocam com a própria sintaxe da língua portuguesa. O escritor traz à tona a complexidade da experiência humana com uma linguagem única e inventiva. Explora as formas de narrar subvertendo a cronologia linear e cria cenários tão profundamente brasileiros quanto imaginativos e oníricos”.

Diante de tantas análises e questões sobre seu estilo literário, ele chegou a ensaiar uma reposta: “Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como o usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, eu traduzo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros. A gramática e a chamada filologia, ciência linguística, foram inventadas pelos inimigos da poesia”. Mas poderia responder de modo diferente, como o fez noutra oportunidade, de modo mais poético: “Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens”.

Sua literatura recupera também o universo onírico da cultura popular, o gosto pela história e o estilo assombroso dos “casos”, de enredo curto e cheio de surpresas. “Em muitos desses textos breves, o sertão continua vestido de Idade Média, com cavaleiros corteses, e mulheres-damas, que jamais perdem a condição de senhora a quem se serve por amor e por quem se guerreia, e para quem se empreende a travessia dos medos. Nas narrativas, porém, os tipos medievais aparecem travestidos de jagunços, fazendeiros, prostitutas, beatos e loucos”.

Sua obra foi estudada em muitas teses e dissertações acadêmicas e por diversos críticos sob diversos ângulos, com destaque para alguns livros: WILLI BOLLE (2004), com grandesertão.br: o romance de formação do Brasil. Editoras Duas Cidades/Ed. 34; EDUARDO COUTINHO (1991), com Guimarães Rosa. Editora Civilização Brasileira; WALNICE NOGUEIRA GALVÃO (1986), com As formas do falso: um estudo sobre a ambiguidade no Grande sertão: veredas. Editora Perspectiva; ETTORE FINAZZI-AGRÒ (2001), com Um lugar do tamanho do mundo: tempos e espaços da ficção em João Guimarães Rosa. Editora da UFMG; FRANCIS UTÉZA (1994), com João Guimarães Rosa: metafísica do Grande sertão. Editora da USP, entre outros.

A partir de 1961, passou a escrever uma coluna semanal de contos no jornal O Globo e no mesmo ano ganhou o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra. Muitos dos contos publicados são compilados nas coletâneas Primeiras Estórias (1962) e Tutameia (1967), seu último livro, uma nova coletânea de contos e nova efervescência no meio literário, novo êxito de público. A obra, aparentemente hermética, divide a crítica. Uns veem o livro como “a bomba atômica da literatura brasileira”; outros consideram que em suas páginas encontra-se a “chave estilística da obra de Guimarães Rosa, um resumo didático de sua criação”. Por esta época suas obras são continuamente editadas e reeditadas em todo o mundo, e seu nome foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura, numa iniciativa de seus editores alemães, franceses e italianos.

Foi eleito por unanimidade para a ABL em 1963, mas não tomou posse. Supersticioso, temendo ser tomado por uma forte emoção no momento de sua consagração, adiou a cerimônia de posse por quatro anos. Em 1967, na cerimônia de posse, chegou a afirmar, em tom de despedida, como se soubesse o que se passaria ao entardecer do domingo seguinte: “…a gente morre é para provar que viveu.” e faleceu 3 dias depois, em 19/11/1967, vitimado por um infarto fulminante, prematuramente aos 59 anos, no auge da carreira literária e diplomática.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UM TEÓLOGO OUSADO E MUITO PORRETA

No próximo 12 de novembro celebrar-se-á o primeiro aniversário de eternização do teólogo espanhol José Maria Castillo, um dos mais corajosos das últimas décadas, um espanhol por quem eu tinha uma grande admiração, desde quando foi insensatamente punido pelo cardeal Joseph Ratzinger, futuro papa Bento XVI, para mim um pontífice nada contemporâneo, embora genialmente talentoso.

Considerado um dos mais notáveis, José Maria Castillo, é autor de uma impactante obra publicada e um percurso existencial de muita valia. Nascido em 16 de agosto de 1929, numa aldeia em Granada, Espanha, foi jesuíta por mais de 50 anos, com formação em teologia dogmática pela Universidade Gregoriana, de Roma. E lecionado em várias universidades, nomeadamente na Faculdade de Teologia de Granada, da Universidade Loyola.

Em 1988, a Congregação para a Doutrina da Fé, tendo como prefeito o cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, proibiu-o de continuar a lecionar, ainda que sem nunca o ter acusado formalmente, nem dado oportunidade de ser ouvido e se defender.

Diante desse tal procedimento vaticano, Castillo decidiu assumir apenas a sua condição de batizado, deixando de ser presbítero e abandonando a Companhia de Jesus.

Um dos motivos mais relevantes que o levaram deixar a vida sacerdotal foi a rejeição do seu livro Espiritualidade para os insatisfeitos, por parte de uma editora dos jesuítas e “as desqualificações que recebeu de várias instituições da Igreja”.

Tal procedimento, entretanto, não o impediu de sempre proclamar a sua gratidão para com os jesuítas. “Tudo o que sou e sei devo-o aos jesuítas”, observou ele numa entrevista que deu ao jornalista António Marujo (Público, em 3 de janeiro de 2012), quando de uma conferência proferida no colóquio Igreja em Diálogo, no Seminário da Boa Nova, em Valadares. “O que acontece é que a Companhia de Jesus é uma instituição dentro de outra instituição maior que é a Igreja Católica. É daí que vêm as dificuldades”, esclareceu Castillo.

De qualquer modo, deixar de lecionar e ver parte da sua obra travada ou proibida lançou-o num período depressivo prolongado. “Para mim foi um golpe muito duro: tive uma depressão muito forte”, confessou ele a amigos próximos

Tem-se atualmente a impressão que, na época de Bento XVI, o Vaticano temia por uma pós-modernidade que potencializaria uma Teologia Criativa, mais socialmente comprometida com os despossuídos, menos capitalista, mais social-democrata, mais executora das mensagens deixadas pelo Homão da Galileia, solidárias para com os desassistidos de todos os tempos.
Um amigo seu, Xavier Pikaza, também teólogo, assim testemunhou sobre Castillo:

“Antes e depois de renunciar ao ‘estatuto hierárquico’, J. M. Castillo sublinhou o sentido comunitário da Igreja, colaborando no surgimento e liderança de comunidades populares, de tipo participativo e democrático. Insistiu no caráter experiencial e fraterno da vida cristã, sublinhou a importância de temas como a liberdade e a felicidade, a busca interior e o sentimento gratuito e responsável da pertença eclesial, destacando sempre a exigência de justiça”.

Posteriormente, o próprio Papa Francisco lhe enviou uma carta de próprio punha, onde dizia: “Perdi-o anos 80, e agora volto a encontrá-lo”. Um testemunho de muita alegria fraterna por quem injustamente foi punido por saber pensar com independência.

Um teólogo que se eternizou em paz com o Altíssimo, sempre confiante na permanência do autêntico cristianismo num mundo repleto de fundamentalismos autoritários.

Decididamente, José Maria Castillo não se postava como manada, sempre sabendo pensar muito além do ainda sequer cogitado.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

AUTORIDADE CLIMÁTICA II

Não é possível que o mundo não esteja percebendo a qualidade dos políticos que governam o Brasil atualmente.

Não é possível que o brasileiro, por mais pobre que seja, não esteja percebendo o tamanho da competência desse monte de gestores, que nos guia rumo a progresso.

DEU NO JORNAL

SÓ QUALIFICADOS

O deputado estadual Leonardo Siqueira (Novo-SP) entrou na Justiça para afastar seis dirigentes da Petrobras indicados por Lula.

O deputado defende que a turma não cumpre requisitos, como qualificação, para ocupar o cargo.

* * *

Ô povinho implicante e encrenqueiro.

Pare com essa picuinha, senhor deputado.

Gente qualificada ocupando cargos é o que mais existe no atual governo.

A começar pelos ministérios.

Um fato incontestável.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

É MUITO POUCO

O governo Lula (PT) já torrou R$ 1,21 bilhão este ano com passagens aéreas e diárias pagas a servidores, comissionados, terceirizados e até “convidados eventuais” que realizaram viagens a trabalho em 2024.

* * *

Não entendo porque nessa nota aí de cima foi usado o verbo “torrar”.

E ainda mais se referindo a uma quantia tão mixuruca, apenasmente R$ 1,21 bilhãozinho.

Uma nota muito tendenciosa.

Os gastos do governo com passagens e diárias são pouquíssimos e muito bem empregados.

Que o diga a nossa econômica e severa primeira dama.