DEU NO X

DEU NO JORNAL

DESPREZADO

O vice Geraldo Alckmin, que também ocupa o posto de ministro do Desenvolvimento e Indústria, Comércio e Serviço, finalmente conseguiu, na sexta (17) um despacho privado com Lula.

O primeiro do ano.

* * *

Chega fico com pena do desprezado Xuxu.

Que é vice presidente!

E também ministro do gunverno luleiro.

Depois de muito esperar,  finalmente conseguiu um despacho privado neste ano de 2024 com o titular.

No quinto mês do ano!

É de fazer chorar.

LÁGRIMAS DE CROCODILO - VÍRUS DA ARTE & CIA - Lu Dias Carvalho

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Vejam o preparo para a cena do beijo, digno de Hollywood.

O fotógrafo orienta os figurantes, prepara a câmera e aponta para o ator.

Lula encena um beijo, depois outro.

No final, a expressão facial do populista Lula para o seu ‘cineasta’, diz tudo: “Ficou bom?”

Um teatro macabro.

DEU NO JORNAL

TRANSFORMARAM UMA TRAGÉDIA EM AÇÕES DE MARKETING E PROPAGANDA POLÍTICA

Nikolas Ferreira

Transformaram uma tragédia em ações de marketing e propaganda política

A catástrofe no Rio Grande do Sul deveria, em tese, mostrar que em momentos como esse disputas políticas e ideológicas pouco importam, afinal há milhares de pessoas necessitando de ajuda. Na prática, a esquerda infelizmente transformou uma tragédia em ações de marketing e propaganda política.

Claro que não foi com essa intenção, mas é incrível como a postagem de uma “jornalista” resumiu bem o que o Governo Federal está fazendo em meio à crise no RS: “Desconfie de quem diz estar fazendo o bem filmando sua própria suposta bondade o tempo inteirinho”. Não só estamos desconfiando, como está claro que, para os governistas, ajudar a população do sul do país está longe de ser o primeiro plano.

Com a mesma e velha história de um suposto combate às fake news, Paulo Pimenta pediu a investigação de postagens que teriam notícias falsas sobre ações no estado gaúcho, o que foi acatado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Só não entenderam que, se para eles há dificuldades de interpretação sobre o que é mentira e o que é censura, para nós, não.

Usar esse pretexto para calar opiniões e constatações, simplesmente por não serem elogios ou palavras que os agradam, além de gravíssimo é uma vergonha, pois até em momentos de calamidade, os tiranos não deixam de lado a perseguição ideológica. Estamos em uma “democracia” em que o permitido, sendo verdade ou não, é o que agrada o ego de quem só quer elogios, mesmo não merecendo.

A estratégia lulista para levantar a narrativa de que o Estado está trabalhando muito é tão precária que nem mesmo os que vivem de bajular o atual presidente estão se arriscando a atravessar essa linha, pois ficou difícil defender o indefensável. Recentemente, enfim conseguiram elogiar os voluntários que estão fazendo um trabalho árduo, mas o incômodo que mostraram contra o “civil salva civil” não será esquecido.

No mundo paralelo do PT, forçar uma comoção exagerada, postar um vídeo sorrindo enquanto pessoas trabalham e posar para fotos em um avião com cestas básicas criteriosamente espalhadas em cada poltrona da aeronave – que não comporta 900 toneladas mas neste caso se resolve com uma errata – sinaliza algum tipo de virtude ou colabora com a boa imagem. Ainda não entenderam que o Brasil é enorme e não se restringe ao que pensam no Palácio do Planalto. Na verdade até entenderam, mas preferem continuar com o teatro humanitário e silenciar os que não aplaudem as cenas.

Lula continua perdido. A todo tempo precisa mencionar e reforçar sua crença em Deus para tentar enganar o público cristão e diante do que aconteceu no sul não foi diferente. Seu principal inimigo continua sendo ele próprio, já que mesmo que de forma efetiva a esquerda não represente classes específicas ou minorias, há a necessidade de seguir a cartilha e ao menos tentar mostrar o contrário.

O resultado disso foram falas como: “eu falei para a Janja no domingo que é impressionante. Eu não tinha noção que aqui tinha tanta gente negra. E ela me falou que são os mais pobres” ou “máquinas de lavar são muito importantes para as mulheres”; e a cereja do bolo em “quando vai fechar a porteira?”. Não gostou? Aceite, afinal nunca há preconceito ou ataques se o interlocutor é progressista. São apenas gafes. Intermináveis, porém somente gafes. Para quem acha que Paulo Pimenta nunca acerta, o fato dele preferir usar o celular enquanto seu chefe discursa serve para mostrar que há uma primeira vez.

Comparando os discursos que reconhecem e elogiam o voluntariado com aquele que diz que a “mãe Terra está limpando o sul”, como dito por uma assessora de um deputado do PSOL, não é difícil escolher qual defender, mesmo que tentem te convencer que a fala antidemocrática seja aquela que carrega verdades e não ódio contra os sulistas. Mesmo que não seja unanimidade, a grande maioria do Brasil reconhece quem de fato está reportando os acontecimentos e ajudando aqueles que necessitam, sem colocar a própria imagem em primeiro lugar. Não será a tirania nem o discurso encenado de emissoras com cada vez menos credibilidade que mudarão isso.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

TEATRO MACABRO

Flávio Gordon

O presidente Lula e o ministro Paulo Pimenta durante evento em São Leopoldo (RS), em 15 de maio de 2024.

O presidente Lula e o ministro Paulo Pimenta durante evento em São Leopoldo (RS)

“Então, termina sendo o abrigo uma espécie de paraíso.” (Luiz Inácio Lula da Silva, mandatário brasileiro, em 15 de maio de 2024)

Em São Leopoldo, um dos municípios mais afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, parece que o show da Madonna não terminou. Sim, tal como no evento-catarse na Praia de Copacabana, no qual pulularam tentativas kitsch de “arte” blasfema anticristã e propaganda esquerdista de DCE, recendeu a pornografia (só que política) o evento montado pelo regime lulopetista na cidade rio-grandense. Ali, como em tudo o mais promovido pelo PT, o que deveria ser uma reunião dedicada aos esforços de ajuda humanitária às vítimas da tragédia transformou-se em comício e ostentação teatral de virtudes inexistentes.

Quando da vitória do atual mandatário na heterodoxa eleição de 2022, lembro-me de ter publicado um singelo poema de desgosto. Intitulado “De bode”, e composto por versos alexandrinos (pelo que quero dizer versos de 12 sílabas métricas, bem entendido, sem qualquer referência a personagens de nossa República Democrática Popular e Lagosteira), o poema destacava uma característica do atual mandatário brasileiro, a saber: o seu dom de “barganhar” e “apoucar” tudo no que se envolve. Pois não é que o sujeito conseguiu apoucar e apequenar um evento que, no caso de qualquer líder político respeitável, seria marcado por demonstrações de grandeza, solidariedade e desinteressada compaixão? E, como o vício político é contagioso, diga-se que o rebaixamento promovido pelo líder transbordou necessariamente para os seus acólitos. Como no verso de Antonio Machado: “Cuán difícil es, quando todo baja, no bajar también”.

Pois muitos baixaram no indecente comício de São Leopoldo, evento-símbolo de uma série de posturas e medidas aviltantes tomadas por políticos, militantes e propagandistas de esquerda desde o início da tragédia. O sinal mais evidente desse rebaixamento geral foi o exibicionismo estatal e o ciúme satânico do governo em relação à caridade civil espontânea. Foi esse ciúme, por exemplo, que fez o líder do regime indicar para o cargo de ministro especial para a reconstrução do Rio Grande do Sul ninguém menos que Paulo Pimenta, antes ministro da propaganda e hoje governador rio-grandense de fato, uma vez que o timorato Eduardo Leite, auto-humilhado por sua própria ausência de virtudes, foi cassado sem oferecer resistência.

Sem qualquer feito digno de nota referente ao auxílio às vítimas das enchentes – e, a bem da verdade, sem qualquer feito digno de nota em geral, exceto o de disseminar teorias da conspiração como a da “fakeada” em Bolsonaro –, o sujeito foi premiado única e exclusivamente por sua obstinada dedicação a perseguir e censurar os críticos do regime, o que, por si só, basta para demonstrar a real preocupação lulopetista em relação à tragédia. A presença de uma tal criatura no evento, e sua promoção a “reconstrutor” do Rio Grande do Sul, foi um ato de escárnio com todos aqueles indivíduos e organizações que, diante da letargia paquidérmica e da ineficiência estatal, empenharam esforços heroicos para os primeiros socorros às vítimas. Pela postura tirânica do comissário Pimenta, fica claro que, em lugar de reconstruir o estado afetado, o que o governo quer reconstruir é a própria imagem, gravemente danificada aos olhos da sociedade. Esperando por um Plano Marshall, os gaúchos receberam o Plano Pepper.

A ostentação de generosidade e a afetação de empatia por parte do regime foram teatralizadas do início ao fim. E, dentre os muitos atores canastrões da peça, destaca-se a senhora Janja da Silva, uma espécie de ministra informal de propaganda e, segundo denúncia de uma ex-colaboracionista ressentida, comandante de uma verdadeira milícia digital pró-governo. Começando pelo sensacionalismo em torno do cavalo Caramelo, e culminando na inusitada foto do avião presidencial com kits de ajuda humanitária ocupando cada um dos assentos (numa clara subutilização do espaço), todas as iniciativas da primeira-dama visaram tão somente à autopromoção.

Diante de um tal teatro macabro – que contou com a animada presença de um cada vez mais militante e menos magistrado Luís Roberto Barroso –, não pude deixar de lembrar daquilo que, em O Caminho de Swann (primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido), Marcel Proust comenta sobre a bondade genuína:

“Quando tive mais tarde ocasião de encontrar, no curso da vida, em conventos, por exemplo, encarnações verdadeiramente santas da caridade ativa, tinham geralmente um ar alegre, positivo, indiferente e brusco de cirurgião apressado, essa fisionomia em que não se lê nenhuma comiseração, nenhum enternecimento diante da dor humana, nenhum temor de feri-la, e que é a fisionomia sem doçura, a fisionomia antipática e sublime da verdadeira bondade.”

Com uma evidente alusão bíblica, o trecho recorda a passagem dos Evangelhos na qual Jesus Cristo trata da autêntica caridade, também ela discreta, sem comiseração, sem doçura e, sobretudo, sem autopromoção:

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai Celeste. Quando, pois, deres esmola, não toques trombetas diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, recompensar-te-á.” (Mt,6,1-4)

Nada podia ser mais distante do espetáculo grotesco de caridade estatal encenado em São Leopoldo, repleto de exibicionismo moral, pieguice, narcisismo, espalhafato, autocomiseração, roubo de méritos alheios e autopromoção às custas das vítimas. Aos promotores de uma tal pantomima, resta, mais uma vez, o recado dos Evangelhos: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mt,23,27-28).

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ARTISTAS DO RÁDIO

Equipe de artistas da PRA-8, em 1947

Sentados: Dorinha Peixoto, Ziul Matos, (cujo nome era Luiz Campos) Dantas de Mesquita, Abílio de Castro e Mercedes del Prado. De pé: Fernando Castelão, Rildo Uchoa, Oswaldo Silva, Hélio Peixoto e Tavares Maciel, todos do “cast” da Rádio Clube de Pernambuco. Foto no “Palácio do Rádio”, em 1946.

O programa de Rádio brasileiro mais conhecido nos anos 1950 foi o “Repórter Esso”, noticiário que cobrindo boa parte do País dava incomum prestígio às várias emissoras que o transmitiram por quase 30 anos.

Os jornalistas e locutores eram considerados artistas e suas fotos podiam ser encontradas nos jornais, na “Revista do Rádio” e nas famosas Estampas dos Sabonetes “Eucalol”.

Em 1948, quando eu tinha uns 10 anos, fui seduzido pelos vários programas da PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco, único meio de comunicação sonora de massa que se sintonizava no Recife. Por isso me empolgava ouvir aquelas vozes maravilhosas. Era um alumbramento!

Linguajares límpidos e sem erros de gramática eram ouvidos tanto nos noticiários, quanto nas radionovelas, ou anunciando as músicas e propagandas:

Pílulas de Vida do Dr. Ross:
pequeninas, mas resolvem.

No frio ou no calor “Chica Boa” é um amor.

Licor de Cacau Xavier: incomparável.

Aqui quem fala é Seu Kilowatt, o criado elétrico.

Naquele tempo se destacavam em Pernambuco as vozes de José Renato, Abílio de Castro e Fernando Castelão.

Se acaso sintonizássemos as Ondas Curtas, a fim de localizar as demais emissoras do Brasil e do exterior, era maior a vibração, porque se ouviam os locutores brasileiros que atuavam no exterior, dentre eles Aymberê e Luiz Jatobá, ambos da BBC de Londres.

Passei a ter o desejo de ser locutor de rádio. Vivia anunciando os programas da época como se ao microfone estivesse. Parecia um “peãozinho doido” andando por dentro de casa, com a boca próxima a uma lata de leite, para ter a impressão de que era um microfone. Várias vezes mamãe me ouviu falando no banheiro, local em que havia boa ressonância:

E agora vamos ouvir a “Crônica do Meio Dia”, escrita por Xavier Maranhão, na voz de Abílio de Castro.

PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco, Brasil, falando diretamente do Palácio do Rádio Oscar Moreira Pinto.

Amadurecendo, entendi que para ser um locutor primoroso era preciso ter voz de homem e não de menino, dominar bem o vernáculo, pronunciar com perfeição todas as palavras, não deixar transparecer sotaques de diferentes regiões. Para isso se exigia, também, a arcada dentária perfeita, mas eu era bastante dentuço, além disso, fanhoso. Por isso, adeus locução!

Por imposição do destino me dediquei à escrita em jornais, porém nunca deixei de admirar a locução dos grandes noticiaristas que passaram pelo Rádio pernambucano.

Recordo, para conhecimento das gerações atuais, os grandes locutores, apresentadores e atores das novelas do nosso Rádio, imortalizados por sua dicção perfeita, já a partir dos anos de 1960:

Abílio de Castro, Geraldo Liberal, Dantas de Mesquita, Fernando Castelão, Fernando Ramos, José Renato, Barbosa Filho, Aldemar Paiva, Ziul Matos, Samir Habou Hana, Paulo Duarte, Paulo Fernando Távora, Tavares Maciel, José Santa Cruz (recentemente falecido), Geraldo Freyre e Edson de Almeida, este, o locutor que durante 12 anos foi o responsável pela apresentação do “Repórter Esso”, o noticioso de maior audiência em Pernambuco.

A partir dos anos 1970 as emissoras do Recife passaram a oferecer mais jornalismo, esportes e prestação de serviços, ficando com as televisões os espetáculos de auditório, novelas, etc.

Foi o tempo em que apareceram as FM’s, e assim as emissoras de broadcasting tiveram que ser totalmente reformuladas. Em consequência, os melhores apresentadores do rádio foram saindo para a Televisão, dentre eles Fernando Castelão que batia todos os ibopes com o seu “Você faz o show”, no horário nobre dos domingos.

A partir de 1948, quando foi inaugurada a PRL-6, Rádio Jornal do Commércio, surgiram os incomparáveis: Etiene Rodrigues e Aluízio Pimentel, que concluiu sua carreira como locutor noticiarista na TV Globo.

Não realizei meu desejo de criança que seria o de me tornar locutor de Rádio, porém, aprendi a escrever notícias breves – como se fosse para o Repórter Esso – e hoje administro um grupo de comunicação, via WhatsApp, que denominei “Correspondentes Unidos”, interligando pessoas de vários lugares do País e até do estrangeiro.

Recordo, assim, o proveitoso estágio de Jornalismo na PRL-6, a Rádio Jornal do Commercio, onde recebi aulas para aprender a escrever, no padrão exclusivo exigido para o “Repórter Esso”, o mais famoso noticiário de todos aqueles tempos, no Brasil.

Assim os prefixos de radio jornalismo que eu vivia imitando na casa de meus pais, feito um doidinho, tiveram grande influência em minha trajetória, através das notícias escritas. E nunca deixei de entender que os locutores eram também artistas do Rádio.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MESTRES DO IMPROVISO

Poeta Toinho:

Se eu fosse o presidente
Deste país tropical
Eu baixaria um decreto
De valor fenomenal
4 dias de quaresma
40 de carnaval .

Lenelson Piancó:

A saudade nessa época
Da minha mãe me atropela
Por isso eu procuro pai
Pra amenizar a sequela
Que eu estando perto dele
Me sinto mais perto dela.

Pinto do Monteiro:

Essa palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança

Saudade é tudo, é nada
saudade é como perfume
eu só comparo a saudade
com o peso do ciúme
que a gente carrega o fardo
mas não conhece o volume.

Zé Catota:

Na noite que eu nasci
O diabo pisava em brasa
A peitica no quintal
Cantava e batia asas
Passava um rasga mortalha
Rasgando em cima da casa.

Na noite que eu nasci
Na terra deu-se um abalo
Ladrava cão no munturo
Corria burro e cavalo
E as galinhas no puleiro
Cantava mais do que galo.

Sebastião Dias:

O cemitério é a casa
dos nossos restos mortais;
ambição, ódio e vingança
ficam do portão pra trás,
porque, do portão pra frente,
todos nós somos iguais.

Na madrugada altaneira,
geme o vento atrás do monte;
um cururu toma banho
na água fresca da fonte
e a lua dorme emborcada
no colchão do horizonte.

Depois que a chuva caiu,
ficou verde o arrebol,
a babugem cobre o chão;
parece um verde lençol,
cicatrizando as feridas
das queimaduras do sol.

Deixei uma seca grande
no Nordeste brasileiro:
de verde, só aveloz,
papagaio e juazeiro,
que o Nordeste, pra sorrir,
tem que Deus chorar primeiro!

É um dia de tristeza
quando a mãe para o céu vai.
Os filhos se cobrem em prantos;
O caçula diz: ô pai,
Não vê, mamãe ta dormindo!
Abra o caixão que ela sai!

Vou me tornar vagabundo,
cantar pra o meu público fã,
que Deus, em forma de nuvem,
está por detrás da chã
pra ver o rosto do dia
nos espelhos da manhã.

Das quatro e meia em diante,
sinto de Deus o poder,
um sopro espatifa as nuvens
para o dia amanhecer,
Deus enfeita o firmamento
E a vassoura do vento
Varre o céu pra o sol nascer.

Vamos parar a cantiga
que a garganta está cansada!
Já vejo nos horizontes
Os reflexos da alvorada
E a noite sentindo dores
Pra ser mãe da madrugada!

O pintor caprichou tanto
e a pintura está tão boa,
que até a garça pintada
no aceiro da lagoa
está tão linda e perfeita
que se espantar ela voa.