LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PACOTE FISCAL: DÓLAR NA ESCALA DE 6 PARA 1

Nikolas Ferreira

Presidente Lula com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet

Sob o governo Lula, o valor do dólar atingiu o valor de R$ 6, o maior valor já registrado na história. O pacote fiscal que o governo tanto titubeou em anunciar não serviu para enganar ninguém, já que nenhum corte efetivo de gastos foi anunciado e as promessas feitas pelo ministro da Economia, Fernando Haddad, não foram detalhadas.

Como em vários outros casos, a esquerda paga mais uma vez pela própria incompetência. Para refrescar a sua memória, voltaremos em 2019, quando o PT classificou a alta do dólar, que na época estava a R$ 4,29, como sendo por culpa da incapacidade do governo anterior. 

Em 2021, o mesmo Partido dos Trabalhadores fez um post no X questionando o que chegaria primeiro no valor de R$ 6 (a moeda americana ou a gasolina). Visto que agora não falam mais no assunto, eu respondo: a gasolina ganhou, mas o dólar não deixou barato e ultrapassou a marca também.

Também em 2021, Haddad fez um post afirmando que “pelas minhas contas, só o preço da gasolina daria pra dois impeachments”, e a deputada do PSOL, Sâmia Bonfim, escreveu: “a alta do dólar aumenta o preço do pão que a gente come no café da manhã, porque o valor do trigo está atrelado à moeda americana.

Quando o dólar sobe, a sua comida fica mais cara. Sabe de quem é a culpa? Jair Bolsonaro”. Será que o ministro da Economia defende o impeachment do seu chefe agora? E a culpa do aumento do preço do pão com a esquerda no poder é culpa de quem?

Avançando mais um ano, em junho de 2022, a ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet, fez um post com a seguinte frase: “O dólar passa de 5 reais hoje, por quê? Porque nós temos uma instabilidade política e jurídica. É um governo que não garante segurança jurídica para os investidores”. Tebet previu o futuro. É exatamente o que está acontecendo agora com o governo do qual ela faz parte. Uma pena que ela não esteja mais comentando sobre o assunto.

A desvalorização do real frente ao dólar gera impacto para todos os brasileiros, e até a esquerda sabe disso, tendo em vista que entre 2018-2022, período em que ocorreu a pandemia de COVID que impactou a economia dos países mundialmente, já tentavam usar isso para atacar o governo Bolsonaro. 

A gasolina citada por Haddad, bem como o pãozinho mencionado por Sâmia, ficam mais caros, além de outros produtos derivados de trigo e farinha, que são importados do exterior.

Tudo isso sem falar nos impactos econômicos também para quem produz e empreende no país, além da questão da inflação e dos juros.

Agora não há surto de doenças como aconteceu nos anos anteriores. Toda a culpa pelos rombos, alta do dólar, os prejuízos das estatais, aumento da dívida bruta do Brasil e a incapacidade de controlar gastos enquanto continuam esbanjando o dinheiro público tem nome: PT e seus aliados. 

Incapazes de assumir qualquer tipo de falha, jogam a fatura para o mercado, Banco Central, memes da “extrema-direita” e até para o feriado de Thanksgiving nos Estados Unidos. No momento em que finalizo este texto, um dólar está valendo R$ 6,11, o novo recorde histórico. Mais uma escala 6×1 tomando conta do debate nacional.

DEU NO JORNAL

MENOS NO NORDESTE

Segundo o Paraná Pesquisas desta semana, 37,4% da região Sul diz que a situação financeira pessoal piorou com Lula (PT) no governo.

É a mesma percepção de 37,3% da população do Norte e Centro-Oeste.

* * *

Pois aqui no Nordeste é completamente diferente.

Pesquisa do Data Besta informa que 99,13% da população declara que a situação financeira pessoal foi pras alturas no gunverno Lula.

Sei não…

Quando falam em “situação financeira pessoal” devem estar se referindo aos preços da cesta básica…

COMENTÁRIO DO LEITOR

NO QUI

Comentário sobre a postagem CARNE DO BRASIL

Luiz Carlos Freitas:

Li ou vi, em algum lugar, que toda a quantidade de carne que a França importou do Brasil em 2024, é consumida em uma hora, pelos brasileiros.

Proporcionalmente, podemos deduzir, que esse supermercado é abastecido com a carne que é consumida por aqui em apenas um minuto.

Então, por quê tanto espalhafate é esse?

Que palhaçada é essa?

Estão dando uma atenção e uma importância por causa de um traque. Uma bufa. Um ploft.

Liberté, égalité et fraternité pour les Brésiliens aussi.

Não sei se mando tomarem no cu ou no qui (letra u com pronúncia em francês).

😂😂😂😂😂

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A MÁGICA DO CORTE DE GASTOS

Luciano Trigo

O anúncio do pacote fiscal de Fernando Haddad pareceu ilusionismo: uma tentativa de distrair a plateia

Todo mundo sabe que o truque dos mágicos é desviar a atenção do espectador com uma mão enquanto faz algo com a outra. O desvio de atenção é uma técnica básica no repertório dos ilusionistas, que aprenderam a explorar algumas características da psicologia humana, como a atenção seletiva e os limites da percepção.

Como o truque funciona?

O mágico faz um movimento ostensivo, chamando a atenção para uma das mãos (a “mão chamativa”), enquanto a outra (a “mão discreta”) age de maneira sutil, escondendo ou manipulando alguma coisa. Incapaz de processar as duas informações ao mesmo tempo, a mente humana tende a focar no estímulo mais chamativo.

É tudo muito rápido, então o truque exige extrema habilidade. O mágico também pode recorrer a uma varinha, ou a uma pergunta, para criar um momento de distração: “Estão vendo esse lenço?” Na fração de segundo em que a plateia olha para o lenço, ele esconde uma moeda na outra mão, ou ativa algum mecanismo secreto.

O êxito da execução também depende do carisma. Quando o mágico é bom, o público tende a se deixar levar: se ele conduz o olhar para uma mão, é porque nada importante acontece na outra. Ao criar uma narrativa convincente, o mágico controla, assim, o olhar do espectador, que acredita ter visto tudo – quando, na verdade, perdeu o principal.

O aguardado anúncio do pacote de corte de gastos (a mão discreta), acompanhado da promessa de isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 (a mão chamativa), seguiu essa dinâmica ilusionista, na tentativa de gerenciar a percepção da plateia e minimizar as críticas ao mágico, digo, ao ministro Fernando Haddad.

Em um momento em que se esperavam cortes robustos, dar com um a mão enquanto se tira com a outra se aproxima mais de uma mudança na composição das despesas do que, efetivamente, em economia. Mas, a rigor, a isenção nem sequer faz parte do pacote de cortes. E já avisaram, também, que ela só será apreciada pelo Congresso em 2025 (leia-se depois do Carnaval, lá para o final de março, no mínimo), enquanto os cortes devem ser votados até o final deste ano.

Manipular a percepção da sociedade não é uma estratégia incomum. Em momentos de crise, quase todos os governos tentam mitigar o impacto de medidas impopulares com anúncios atraentes. No caso presente, o sucesso do truque dependeria de um delicado equilíbrio entre a necessidade de responsabilidade fiscal e a manutenção da imagem de um governo comprometido com o bem-estar social.

Esta mágica vai dar certo?

A julgar pelas primeiras reações do mercado e até da complacente grande mídia, parece que não. O pacote não convenceu nem a direita, nem a esquerda. Com exceção daqueles que enxergam alguma vantagem pessoal nas medidas anunciadas e daqueles que apoiam incondicionalmente tudo que o governo faz, o descontentamento é generalizado.

Quem se preocupa com a deterioração fiscal do país avalia que os cortes anunciados são insuficientes; quem se preocupa com a situação dos mais pobres rapidamente percebeu que o pacote implica perdas significativas para os trabalhadores mais vulneráveis.

Segundo um apoiador convicto do governo, a mudança do cálculo do salário mínimo e do abono salarial será responsável por um terço da economia prevista até 2030 (“serão 110 bilhões de reais a menos para o bolso dos mais pobres”). Isso sem considerar os efeitos a médio prazo da desvalorização do real frente ao dólar e do provável aumento da inflação, que também machuca sempre mais fortemente os mais carentes.

Aparentemente, a mão chamativa da isenção no Imposto de Renda não está surtindo os efeitos esperados. Não provocou um sentimento de ganho imediato ou alívio econômico, até porque a isenção não virá tão cedo (e nem é certo que ela seja aprovada no Congresso, dependendo do contexto da economia daqui a quatro ou cinco meses).

Ao contrário, está prevalecendo a percepção de que os efeitos práticos da mão discreta na vida cotidiana do trabalhador serão muito maiores – e chegarão mais depressa. As contradições na narrativa ficaram evidentes, na medida em que promessas de inclusão social e justiça econômica são comprometidas por medidas que beneficiam elites econômicas e prejudicam os trabalhadores.

É importante lembrar que o Brasil viveu uma situação parecida em janeiro de 2015, logo após a reeleição de Dilma Rousseff. Naquele momento, em um contexto que também era de deterioração das contas públicas, o plano formulado pelo ministro Joaquim Levy tentou restaurar a economia e a confiança do mercado por meio de medidas como: corte de gastos públicos, mudanças nos benefícios trabalhistas (incluindo alterações no seguro-desemprego), aumento de impostos e ajustes tarifários.

O plano de Levy, bem mais abrangente que o anunciado nesta semana por Fernando Haddad, também enfrentou forte resistência política, teve impacto social negativo e contribuiu para o aprofundamento da crise – que, naquele caso, resultaria no impeachment de Dilma, no ano seguinte.

Diferentes fatores levaram aquele plano a fracassar, incluindo a resistência do Congresso, já que Dilma tinha uma base aliada fragmentada, e a falta de articulação política do Governo, o que agravou a deterioração da confiança do mercado e da população. Base fragmentada e articulação frágil são problemas que o governo atual também enfrenta.

Mas aquele plano também fracassou por causa da percepção de que o governo Dilma estava traindo compromissos de campanha de 2014, como a ampliação de programas sociais, o que gerou frustração entre seus próprios eleitores e nos chamados movimentos sociais. Ela estava traindo o alardeado compromisso do governo com a justiça social e com a narrativa de apoio às classes de renda mais baixa.

Resultado: a aprovação de Dilma despencou, os protestos contra o governo se multiplicaram, e a frustração com a economia fez uma parte significativa da população apoiar o impeachment.

Toda mágica tem seus riscos. Assim como no ilusionismo, quando o público percebe o truque – ou seja, que a isenção foi usada para mascarar as medidas impopulares do pacote – ele passa a vaiar o mágico. Se a percepção do benefício da isenção for inferior à percepção do malefício dos cortes, a insatisfação da população tende a crescer, mesmo entre aqueles que votaram em Lula, agravando a erosão da confiança pública em seu governo. Ficará cada vez mais difícil manter a atenção da plateia focada naquilo que se quer destacar.

DEU NO JORNAL

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PACOTE CONFIRMA QUE PT QUER LEVAR O BRASIL AO ABISMO FISCAL

Editorial Gazeta do Povo

Pacote de Haddad

O ministro Fernando Haddad, em entrevista coletiva sobre pacote fiscal

Os piores temores em relação ao tão prometido e tão adiado pacote de corte de gastos do governo Lula se concretizaram na quarta-feira, quando o ministro Fernando Haddad, em cadeia nacional de rádio e televisão, anunciou as medidas que exigiram tanto tempo de negociação, com direito a ameaças de demissão de ministros da área social. Antes da noite do dia 27, a parcela do Brasil minimamente atenta já suspeitava que o governo não tivesse a menor ideia a respeito do que fazer, e que qualquer pacote provavelmente estaria longe do necessário para conter a crise fiscal que provoca inflação e força juros mais altos. Agora, todos temos certeza disso, para a tristeza de uma nação que não vê solução no futuro próximo.

Em um país que precisa desesperadamente reduzir seus gastos, tudo o que Haddad conseguiu oferecer foi um conjunto desconexo de medidas que, em sua maior parte, apenas reduzem a velocidade do aumento da despesa, em vez de efetivamente cortá-la. E tudo embalado em marketing e mentira. No pronunciamento, Haddad justificou a necessidade do pacote alegando o “cenário externo, com conflitos armados e guerras comerciais”, quando é notório que o desarranjo brasileiro é produto genuinamente nacional. O ministro exaltou um crescimento baseado em estímulo ao consumo, superaquecendo a economia, como se o PT estivesse salvando o país, e não lançando as bases para a repetição da crise de 2015-16. E, por fim, embalou as medidas em dois slogans, “Brasil eficiente” e “Brasil justo”.

Quando se retira a maquiagem, no entanto, o retrato do pacote de Haddad é deprimente. A tão alardeada “contribuição importante” das Forças Armadas consiste em mudanças que ainda as deixam em enorme vantagem em comparação com as regras previdenciárias que regem a maioria dos brasileiros, e que apenas farão cócegas no déficit do sistema de proteção social dos militares. O combate aos supersalários é um imperativo moral, mas ainda deixará inúmeras brechas para vencimentos bem superiores ao teto constitucional. O salário mínimo, ao qual estão indexados vários outros gastos governamentais, seguirá tendo aumento real garantido, ainda que agora limitado a 2,5 pontos porcentuais acima da inflação. Algumas medidas se destinam a coibir fraudes e concessão indevida de benefícios sociais. Se Haddad não usou a palavra “corte” no seu pronunciamento, foi porque, de fato, corte praticamente não há.

Não bastasse a mediocridade do pacote de Haddad, incapaz de garantir qualquer equilíbrio às contas públicas, Lula e a equipe econômica ainda resolveram colocar sua cereja do bolo, como se o pacote fosse tão severo que necessitasse de uma “compensação” para que a popularidade do governo não continuasse caindo. Foi assim que o ministro anunciou “a maior reforma da renda de nossa história”, afirmando que estava “honrando os compromissos assumidos pelo presidente Lula” e prometendo que, “com a aprovação da reforma da renda, uma parte importante da classe média, que ganha até R$ 5 mil por mês, não pagará mais Imposto de Renda” – uma promessa que, no entanto, ainda levará muito tempo para se tornar realidade, como afirmou o próprio líder do PT na Câmara dos Deputados.

Que a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física está severamente defasada há muitos anos é um fato – segundo a Unafisco, a defasagem acumulada entre 1996 e 2024 varia de 125% a 167%, dependendo da faixa de renda. Cada ano sem a devida correção pela inflação corresponde a um aumento de impostos na prática, algo que a Gazeta do Povo tem criticado já há muitos anos. Mas Lula e Haddad conseguiram a proeza de arruinar algo que, em outras condições, seria elogiável. Primeiro, porque ainda não está claro se haverá, de fato, uma correção também para as demais faixas de renda, onde a defasagem é maior; segundo, porque, apesar das promessas de Haddad, há sérias dúvidas sobre a capacidade de a arrecadação perdida com a ampliação da isenção, estimada em R$ 45 bilhões, ser integralmente compensada pela cobrança adicional proposta para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais e por outras reformas no IR. Isso significa que, no fim, a nova isenção jogaria contra a saúde fiscal do país.

O mercado financeiro reagiu antes mesmo do anúncio de quarta-feira, pois ao longo do dia 27 já circulavam informações sobre o pacote de Haddad. O dólar disparou de R$ 5,81, no fechamento de terça-feira, para R$ 6,00 no fechamento desta sexta-feira, tendo chegado a R$ 6,11 ao longo do dia. Como nada que acontece de errado no país é culpa de Lula ou do PT, o ministro Rui Costa e a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, colocaram a culpa do derretimento do real no suspeito de sempre: o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Mas o movimento não tem nada de “especulação”, como afirmou a deputada: é a constatação de que as medidas são pífias diante do tamanho do problema fiscal brasileiro. Curiosamente, Costa afirmou também que “o chamado mercado não é composto de pessoas desinformadas, de pessoas que se influenciam pela manchete. O chamado mercado tem assessoria técnica, tem muita gente trabalhando para ele e conhece as medidas”; se prestasse mais atenção do que diz, talvez o ministro encontrasse nas próprias palavras a explicação para “o mercado” seguir desconfiando do Brasil e exigindo juros cada vez maiores para emprestar dinheiro ao país.

O Brasil precisava que seu governo reduzisse despesas; em vez disso, ganhou medidas que apenas freiam ligeiramente a velocidade de aumento da gastança, e uma potencial queda abrupta na arrecadação. A inflação já corre acima da banda de tolerância, e algumas instituições financeiras já elevam suas projeções para a próxima reunião do Copom, em meados de dezembro, prevendo uma elevação de 0,75 ponto na Selic em vez de 0,5 ponto. Não surpreende, se considerarmos que o pacote de Haddad até veio, mas o corte de gastos, este continua previsto para o Dia de São Nunca.

DEU NO X