COMENTÁRIO DO LEITOR

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MENTIRAS E TERCEIRIZAÇÃO DA CULPA: LULA ESTÁ EM PLENA FORMA

Editorial Gazeta do Povo

Lula e Fernando Haddad

Lula e Fernando Haddad em reunião realizada em 16 de dezembro

Após passar vários dias internado em São Paulo, sendo submetido a duas intervenções, o presidente Lula demonstrou estar de volta à velha forma, pois já passou a falar demais, a mentir compulsivamente e a culpar terceiros pelos problemas que ele mesmo cria. No domingo, em entrevista à TV Globo, afirmou que “a única coisa errada nesse país é a taxa de juros estar acima de 12%. Essa é a coisa errada. Não há nenhuma explicação”, acrescentando que “a inflação está quatro e pouco. É uma inflação totalmente controlada”. Em outras palavras, a responsabilidade pela deterioração da economia e das expectativas a respeito do futuro do Brasil não é do governo, mas do Banco Central e da “Faria Lima”, que o petismo quer até mesmo investigar, a julgar pela mais recente ação do deputado Zeca Dirceu.

Para início de conversa, a inflação não está em “quatro e pouco”, mas em quatro e muito, quase cinco. O acumulado de 12 meses até novembro está em 4,87%, estourando o limite máximo de tolerância para a meta de inflação deste ano, que é de 4,5% para uma meta de 3%. No mais recente relatório Focus, os agentes do mercado financeiro preveem que o IPCA fechará 2024 em 4,89%. Se a inflação de fato superar os 4,5%, o presidente do Banco Central terá de escrever uma carta ao ministro da Fazenda explicando por que a meta não foi cumprida. Como o índice deve ser divulgado apenas em janeiro, essa tarefa já caberá a Gabriel Galípolo, o escolhido de Lula para presidir o BC, e que poderia muito bem abreviar sua mensagem a Fernando Haddad dizendo apenas que “a inflação estourou a meta porque seu governo gasta demais e não faz nada para mudar isso”.

A ata da mais recente reunião do Copom, realizada na semana passada e que terminou com a decisão unânime de elevar a Selic em um ponto porcentual, explica muito bem o que está acontecendo. O governo está bancando o crescimento do PIB pela via do estímulo ao consumo, o próprio e o das famílias. Quando afirma que “o cenário se mostra menos incerto e mais adverso que na reunião anterior”, o Copom afirma que os maiores medos em termos de pressão inflacionária se materializaram. Os diretores do BC ainda alertam para “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública”. Nada disso é culpa nem do BC, nem do mercado financeiro: quem gasta e se endivida perigosamente é um governo que chama toda despesa de “investimento” e se recusa a fazer os cortes necessários.

A reação negativa ao anúncio do pacote de Fernando Haddad nada teve de especulação ou má vontade; é a reação natural, diante de um conjunto de medidas que não faz um corte de despesas propriamente dito, limitando-se a frear o ritmo de crescimento real (acima da inflação) das despesas governamentais. Ainda que o fim de ano seja naturalmente uma época de pressão sobre o câmbio devido à demanda das empresas multinacionais por dólares para remeter às matrizes no exterior, o novo patamar de R$ 6 por dólar reflete a constatação de que não há esforço fiscal digno do nome por parte de Lula. É salutar recordar que o ciclo de desvalorização do real em 2024 se intensificou quando o governo mudou a meta de resultado primário de 2025 e 2026, indicando o desinteresse ou a incapacidade (mais provavelmente, as duas coisas juntas) de Lula de conter os gastos e estabilizar a dívida pública como porcentagem do PIB.

“Ninguém nesse país, do mercado, tem mais responsabilidade fiscal do que eu. […] Entreguei esse país, sabe, numa situação muito privilegiada”, disse ainda o presidente, achando que convence alguém a respeito de seu compromisso fiscal. Quanto a “entregar o país em situação privilegiada”, não custa recordar que os indicadores de PIB e resultado primário do fim do segundo mandato do petista, de 2007 a 2010, são consequência do início da implantação da “nova matriz econômica” lulopetista, capaz de gerar bons números no curtíssimo prazo enquanto semeava, no médio prazo, a pior recessão da história do país, em uma combinação de estímulo irresponsável à despesa (exatamente como hoje) e maquiagem nas contas, que hoje o governo consegue realizar de outra maneira, ao retirar dos cálculos oficiais do arcabouço fiscal diversos tipos de despesa.

Logo depois de criticar os juros, Lula emendou um “nós vamos cuidar disso também”, sem dizer como exatamente faria isso, mas lançando uma sombra de dúvida sobre a atuação de Galípolo à frente do Banco Central. Até agora, ele tem se mostrado responsável, ajudando inclusive a formar unanimidades nas elevações da Selic que tanto irritam Lula. Se é tudo uma máscara que cairá assim que ele tomar posse na presidência do BC e os indicados por Lula se tornarem maioria do Copom, saberemos na próxima reunião, que deve terminar com outra elevação de um ponto “em se confirmando o cenário esperado” – e tudo aponta para a confirmação desse cenário. Galípolo tem diante de si duas opções: defender a independência do BC, fazendo o que tem de ser feito, ou tornar-se um novo Alexandre Tombini. A escolha é simples, mas depende do que ele considera mais importante: o bem do país ou a vontade de quem o indicou ao posto que passará a ocupar em janeiro.

PENINHA - DICA MUSICAL

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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RODRIGO CONSTANTINO

UFANISMO ESTATIZANTE NÃO É PATRIOTISMO SAUDÁVEL

Os incomodados que se mudem. Foi a versão popular da fala da empresária lulista Luiza Trajano, da Magazine Luiza, ao dizer que quem não gostar do Brasil que vá embora. É, também, como mostrou Luciano Trigo em sua coluna na Gazeta, um resquício do velho ufanismo durante o regime militar.

Como lembra Trigo, “Somente em contextos de regimes autoritários ou em períodos de intensa polarização política o amor ao país é tratado como sinônimo de apoio incondicional ao governo”. Essa é a velha tática de todo tirano coletivista: confundir deliberadamente sua pessoa com a da nação. Se você tem críticas ao seu governo, então você não ama o povo e a nação de verdade…

Os lulistas alegam que o amor venceu. Mas amor ao que, exatamente? Será que quem ama o Brasil deve amar o dólar acima dos seis reais? Será que amar o país significa amar a volta dos imensos prejuízos das estatais, que foram usadas para esquemas de corrupção? Devemos amar o retorno dos empresários petistas ao Palácio do Planalto para novos acordos espúrios?

Talvez, para amar o Brasil, seja preciso aplaudir o abuso de poder supremo, as canetadas autoritárias de Alexandre de Moraes, a soberba do “iluminado” Barroso e os ataques patológicos de Gilmar Mendes ao mais eficaz esforço de combate à corrupção na nossa história.

Quem ama o país tem, pelo visto, que celebrar bilhões e bilhões aos artistas decadentes, mas muito engajados politicamente, e milhões destinados aos cofres de quem trocou o jornalismo pela militância mal disfarçada. Amar o Brasil impõe respeitar uma nulidade intelectual como o imitador de focas, tratado como pensador relevante no tabuleiro ideológico. É isso?

Se, para amar e poder ficar no Brasil, o cidadão tem que considerar isso tudo louvável e ainda tratar Janja com o imerecido respeito, então realmente ninguém decente vai nutrir qualquer sentimento positivo pela nação. Felizmente, amor à Pátria não tem absolutamente nada a ver com vassalagem a corruptos e ditadores safados. Pelo contrário…

Quem ama o Brasil de verdade deve estar lutando contra essa corja toda, buscando resgatar a democracia solapada, as liberdades destruídas, os valores morais jogados no lixo. Quem ama o Brasil odeia o PT. Quem quer bem ao povo brasileiro condena o narcoestado. Quem é patriota de verdade rejeita o ufanismo estatizante de empresários oportunistas que são cúmplices de um regime nefasto que vem destruindo a nação uma vez mais.

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MASSACRE DOS INOCENTES: GOVERNO LULA PODE VALIDAR UM GENOCÍDIO SILENCIOSO

Paulo Briguet

Lula e Marina De Pol Poniwas, atual presidente do Conanda

No princípio, quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós, uma estrela guiou os magos do oriente até o recém-nascido Rei. Trazendo consigo preciosos dons — ouro, incenso e mirra —, os magos adoraram o menino Jesus, reconhecendo nele o Salvador prometido. Contudo, nas sombras, Herodes, cego pela inveja e pelo medo, tramou a morte dos inocentes, com o objetivo de silenciar a promessa da vida e consolidar o próprio poder.

Narra o Evangelho de São Mateus:

“Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: ‘Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos não quer consolação, porque já não existem.”

Herodes morreu — consumido por vermes e dores atrozes —, mas os seus discípulos continuam agindo pelas sombras. Em nossos dias, assistimos a uma nova encenação desse crime. 

Em vez de uma estrela, há uma resolução que, como um cometa, anuncia a iminente destruição de pequenas vidas no ventre de suas mães. Em vez de magos, temos conselheiros que, em nome de um falso direito, buscam legitimar a morte de inocentes. No lugar de Herodes, temos aqueles que, seduzidos pelo poder, tentam silenciar a voz dos que clamam pela vida.

Os herodianos do nosso tempo, incapazes de conquistar apoio para sua agenda macabra, adotaram uma nova estratégia para permitir o assassinato de bebês em nosso país. 

A manobra ocorre por meio do Conanda — órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e ao governo Lula — que tenta aprovar um texto para autorizar o aborto até o nono mês de gestação para gestantes até 14 anos, sem o consentimento dos pais.

O artigo 16 desta demoníaca minuta é explícito: “a interrupção da gravidez será realizada independentemente do tempo gestacional”. Se aprovada, essa norma levaria ao genocídio silencioso de cerca de 15 mil bebês por ano em nosso país. 

Além disso, o Conanda quer perseguir os médicos que se recusem a assassinar bebês com base em convicções éticas e religiosas. Diz o artigo 4º da malfadada resolução: “A recusa indevida em cumprir uma obrigação legal com base em convicções morais, políticas, religiosas e crenças pessoais deve ser denunciada aos conselhos de fiscalização profissional, aos conselhos de direitos e ao Ministério Público”.

A proposta como um todo é um ataque direto à dignidade da vida humana. É como querer apagar o sol com um dedo. É negar a beleza da criação e a grandeza do mistério da vida. O que está em jogo é mais do que uma simples resolução. 

Temos aqui uma usurpação do direito à vida, promovida às vésperas do Natal. A data — 23 de dezembro — não foi escolhida por acaso, tenham certeza. Dois dias depois, comemora-se o nascimento de Jesus Cristo. Cinco dias depois, comemora-se a festa dos Santos Inocentes — as crianças assassinadas a mando de Herodes.

Está nas mãos do governo Lula decidir se esse genocídio será autorizado em nosso país. Metade dos membros do Conanda são indicados diretamente pelo governo federal. Se essa resolução for aprovada, o sangue dos inocentes estará nas mãos do regime petista. 

Lembrando que, na campanha eleitoral de 2022, a campanha adversária foi proibida pelo TSE de divulgar as posições pró-aborto de Lula.

Numa tentativa de aprovar a resolução sem alarde, a reunião do Conanda foi marcada para a próxima segunda-feira, 23 de dezembro — apenas dois dias antes do Natal. Mas Lula e seus companheiros estão muito enganados se acham que podem tomar essa decisão maligna por baixo dos panos. Os olhos dos cristãos do Brasil inteiro estarão atentos a tudo. 

Os profetas bíblicos nos advertiram sobre os perigos da desobediência e da idolatria. Eles nos falaram de um Deus que se compadece dos mais fracos e protege os inocentes. E nós, cristãos, como podemos permanecer indiferentes diante de tal atrocidade?

A cada geração, somos chamados a escolher entre a vida e a morte, entre o amor e o ódio, entre a luz e as trevas. 

Que possamos, como os magos, seguir a estrela que nos guia para a verdade. Que possamos, como José e Maria, proteger a vida que está por nascer. E que possamos, como os profetas, denunciar as injustiças e clamar por justiça.

A decisão que será tomada no Conanda não é apenas um assunto político. É uma questão de vida ou morte. É uma escolha entre o bem e o mal. É o momento de decidir entre o amor de Deus e o ódio de Herodes. É a hora de optar entre o Natal e o antinatal.

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