DEU NO JORNAL

DOLAR NAS ALTURAS: PF DE LULA AGORA VAI CAÇAR MEMES 

Deltan Dallagnol

“GRAVE: a indústria da fake news está trabalhando para a alta do dólar. Segundo apuração da @GloboNews, um perfil no X vinha divulgando uma série de declarações falsas atribuídas a Gabriel Galípolo. Influenciadores do setor financeiro repercutiram as mentiras, causando pânico no mercado e fazendo o dólar disparar ontem. O perfil foi apagado, mas os criminosos serão encontrados e responsabilizados. A internet não é terra sem lei, e quem comete crimes contra o Brasil não ficará impune”. Isso foi o que escreveu Paulo Pimenta, ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) de Lula, em sua rede social X.

Pimenta estava repercutindo uma “notícia” apurada pela “jornalista” da GloboNews Daniela Lima. Ela, num verdadeiro surto, foi ao ar, ao vivo, colocar a culpa de o dólar bater R$ 6,21 em memes e “fake news” de perfis da direita nas redes sociais. A justificativa era tão absurda que apenas os apoiadores mais fanáticos do governo Lula poderiam acreditar nela. O perfil em questão, chamado Insider Capital, tinha cerca de 3,5 mil seguidores. A ideia de que operadores experientes do mercado financeiro tomariam decisões envolvendo milhões ou bilhões de dólares com base em posts de um perfil pequeno no X, e não em terminais confiáveis da Bloomberg, é mais do que um disparate: é uma ofensa à inteligência dos brasileiros.

Para ilustrar o nível da situação, um dos posts do Insider Capital afirmava que a influenciadora Nath Finanças, que faz conteúdo de educação financeira para a população de baixa renda, estava cotada para a diretoria do Banco Central sob Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC. Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento perceberia que se tratava de uma página de paródias, sátiras e memes, e não de fake news. Diferenciar conteúdo satírico de realidade é um traço básico de maturidade e inteligência. A acusação feita por Daniela Lima, e depois repetida por Pimenta, não era apenas absurda: era digna de piadas, críticas e chacotas nas redes sociais, o que de fato ocorreu.

Além disso, há outros elementos óbvios que desmontam a narrativa mirabolante de Daniela Lima e Paulo Pimenta. O dólar não começou a subir por conta do referido post, mas já vinha em alta desde que o governo Lula apresentou um plano de cortes de gastos inefetivo. O plano tinha pouca redução de despesas e, ao mesmo tempo, reduzia receitas, consolidando a percepção de que o governo não tem compromisso com a saúde fiscal do país. Ademais, o plano não entrou na pauta do Congresso, que começou uma guerra com o governo para garantir o amplo pagamento de emendas parlamentares, que receberam uma regulação restritiva do STF recentemente. Como fruto de todo esse imbróglio, o dólar continuou a subir, alcançando impressionantes R$ 6,31, um recorde histórico. 

Mesmo diante da falsidade da narrativa do governo, a procuradoria de defesa da democracia da Advocacia-Geral da União (AGU), também conhecida como “Ministério da Verdade” de Lula, anunciou que acionaria a Polícia Federal (PF) para investigar postagens satíricas nas redes sociais. É o dinheiro público sendo usado para mobilizar instituições contra memes, algo que remete às situações mais cômicas e autoritárias de ditaduras como a da Coreia do Norte, onde questionar o governo é considerado traição e punido com pena de morte. Por lá, proibições absurdas fazem parte do cotidiano: é proibido usar calça jeans, biquínis, ter fotografias ou passar em frente a imagens dos líderes sem fazer uma reverência. Não é a primeira vez que essa procuradoria do governo Lula age para censurar a liberdade de expressão.

Apesar disso, há um alento: enquanto Daniela Lima transforma a GloboNews em uma extensão da comunicação oficial do governo, outro comentarista da emissora, Daniel Sousa, foi amplamente elogiado por expor de forma clara e contundente as reais causas da alta do dólar. Em rede nacional, Sousa afirmou: “O presidente Lula disse no domingo, com todas as letras – o presidente Lula é adulto, ele sabe o que está fazendo – que não há problema fiscal no Brasil. E disse que o único problema da economia brasileira é a taxa de juros do Banco Central. A gente sabe que há um problema fiscal. Não é uma opinião, é matemática. Lula sinaliza que não está comprometido sequer em sinalizar de que o governo dele tem algum compromisso com o equacionamento desse problema”. 

O contraste entre Daniela Lima e Daniel Sousa exemplifica bem o estado de falência de parte do jornalismo atual. Causa um misto de indignação e tristeza ver a AGU e a PF se ocuparem de censura, em vez de combaterem a corrupção.  O pior de tudo isso é saber que, enquanto a direita é perseguida, silenciada e investigada por críticas ao governo, nada acontece com quem espalha informações questionáveis do outro lado. Podem tudo, até disseminar fake news “da grossa” em rede nacional, como diria a própria Daniela Lima, colocando a culpa da alta do dólar em memes e perfis da direita. Afinal, tudo é pelo amor e pela democracia. Por aqui, todos seguem iguais. Contudo, como na fábula de Orwell, a Revolução dos Bichos, alguns são claramente mais iguais do que os outros.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

NEM O ZERO

No governo Lula, nem o zero é zero.

O prometido déficit zero para 2025 deu uma afrouxada e tem tolerância de 0,25% do PIB.

A manobra abre espaço para torrar mais R$ 30,97 bilhões além da meta.

* * *

Nesse desgoverno, a única coisa que é zero é a verdade.

A chuva de mentiras provoca alagações impressionantes por todo o país.

A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO X

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

O TIRO NO PÉ DE MIRIAM LEITÃO

Leandro Ruschel

A militância de redação no Brasil tornou-se a principal ferramenta de propaganda do sistema, usada para justificar perseguições políticas e arbitrariedades que não se viam desde o regime militar.

Cinismo e desonestidade intelectual passaram a ser marcas de uma imprensa falida, que abandonou a nobre função de informar para se dedicar à propaganda partidária e manipulação do público, seja por motivações ideológicas ou por interesses mais mundanos, por assim dizer.

O caso de Míriam Leitão, porém, leva essa desfaçatez a outro patamar. Hoje, uma das principais militantes de redação do grupo Globo defendeu a criminalização da crítica política, alvo do famigerado inquérito das Fake News, em matéria no principal periódico da empresa.

A jornalista não vê qualquer problema no Inquérito das Fake News se arrastar rumo ao seu sexto aniversário, e também não citou nenhum dos vários questionamentos de juristas sobre a sua legalidade. “Ele tem se desdobrado”, disse ela, justificando que havia uma rede organizada de mentiras para “minar a democracia e criar um clima propício ao golpe”.

O que chama atenção é que a própria Míriam já foi alvo da mesma lógica acusatória. O falecido Paulo Henrique Amorim, membro de uma rede de blogs chapa-branca do PT, financiados com verba pública, rotulava Míriam como parte do PIG (“Partido da Mídia Golpista”). Em 2014, descobriu-se que o perfil da jornalista na Wikipédia foi editado de dentro do Palácio do Planalto petista, prejudicando sua imagem.

Em 2016, o blog petista DCM incluiu Míriam numa lista de “jornalistas golpistas” por criticar Dilma Rousseff e se mostrar simpática ao impeachment. Já a cobertura da Lava Jato rendeu a ela e ao seu filho um tratamento ainda mais agressivo por parte dos “companheiros”, que chegaram a hostilizá-la num voo, chamando-a de “terrorista”.

Seu filho, Vladimir Netto, escreveu um livro francamente favorável à operação, tendo Sérgio Moro presente no lançamento.

Em suma, a mesma lógica que Míriam agora emprega para criminalizar críticas ao sistema já foi usada contra ela. A diferença é que, à época, ninguém abriu um inquérito para devassar sua vida ou ameaçá-la de prisão.

Não se pode esquecer que a principal fagulha da indignação popular contra o sistema político foi acesa pelas revelações da Lava Jato, amplamente divulgadas pelo próprio grupo Globo e por jornalistas como Míriam Leitão.

Se a tese é de que a “falta de confiança nas instituições” integraria um “plano golpista”, por que limitar a análise ao período pós-2019? Poderíamos recuar alguns anos e incluir Míriam Leitão e a própria Globo nesse mesmo inquérito, já que foram determinantes ao expor as entranhas pútridas do sistema, o qual agora defendem com unhas e dentes.

Por fim, seria de se esperar que alguém que se declara vítima de perseguição durante a ditadura militar demonstrasse um apreço maior pela liberdade de expressão e pelos direitos fundamentais, sobretudo pelo devido processo legal e a garantia do direito de defesa.

Pelo visto, a simpatia pelos regimes totalitários cultivada na juventude não foi, afinal, superada.